domingo, 7 de outubro de 2012

A verdade a que temos direito

Vai por aí um clamor generalizado contra o aumento de impostos, com Paulo Portas a dizer que terá de haver uma redução da despesa pública que permita baixar o esforço fiscal dos portugueses. Compreende-se. Após anos e anos de vida airada, a altura de pagar as facturas é sempre extremamente dolorosa.
Tomar a dianteira, que também gostaria de pagar muito muito menos impostos (quanto menos melhor!), procurou e conseguiu obter documentos oficiais fidedignos sobre o estado real e actual das contas públicas portuguesas. Documentos que já foram distribuídos aos deputados e aos media, mas que, apesar disso, ainda aguardam a desejável difusão. Os senhores jornalistas não deixarão decerto de esclarecer os motivos de tal silêncio. A quem convém?
Entretanto, os ditos documentos mostram consideráveis reduções na despesa pública e infelizmente também na receita, devido à recessão, bem como o aumento do chamado "serviço da dívida", que em 2012 ascende a 7,5 mil milhões de euros, muito próximo da dotação do Ministério da Saúde, que é de 8 mil milhões de euros. (Figura 3)










É possível e desejável reduzir ainda mais os gastos do Estado? É sim senhor! No meu modesto entendimento, não vislumbro qualquer utilidade para os dois submarinos, uma fragata e todos os aviões de caça, tendo em conta a relação custos/benefícios no actual contexto de catástrofe orçamental. Para nos defendermos de quê e de quem? Para atacar o quê? Para impressionar que inimigo ou inimigos?
Quanto à área política, urge pegar na ideia do PS de redução dos deputados, fixando um total inferior a 99, que chegam muito bem. E aproveitando para repescar a reforma da Lei Eleitoral, antes rejeitada pelos socialistas, no sentido de reduzir drasticamente os eleitos locais. Já para 2013!
Em época de crise, convém proceder de forma a que todos façam sacrifícios, repartidos o mais equitativamente possível.
Ou estarei a ver mal, por viver tão longe de Lisboa?

2 comentários:

Alfredo Caiano Silvestre disse...

Deputados!? Que horror!!!!
2 chegam.

Leão_da_Estrela disse...

Caro professor,

Está mesmo a ver mal!
Não por viver longe de Lisboa, que se quiser pagar portagem numa hora põe-se cá, mas por teimar em bater no ceguinho: a lei eleitoral e agora a medida populista defendida por Seguro, que nada mais tem para "dar" e manda para a "populaça" aquilo que ela quer ouvir.
Segundo a RTP, cada deputado ganha cerca de 2.500,00 Euros; menos que um Director Municipal, muito menos que um Director Delegado, muito menos que um Vereador ou um Presidente de Câmara e convenhamos, se levar o seu trabalho a sério, com muito mais responsabilidade! já as contas da Assembleia são outro rosário, mas aí os partidos das maiorias têm bastante responsabilidade, afinal são eles que aprovam as contas, PS incluido! vir agora com a proposta populista de reduzir o número de deputados, é areia para os olhos daqueles que por serem tão atacados por alguns partidos e políticos, vêem nesta proposta uma forma de vingança contra a classe política, sem cuidar que esta medida se virará contra eles mais cedo que tarde, uma vez que pretende, mais que poupar uns cobres, acabar com as vozes incómodas das minorias. É triste ver que uma proposta destas venha donde venha, mas é o PS que temos...
Já agora, quanto à Lei Eleitoral, porque não voltar-mos simplesmente ao tempo das nomeações dos Presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia, ou até ao dos Regedores? assim como assim, acabava-se já com a Democracia, que pelos vistos é tão incómoda para alguns que se dizem democratas. Não me parece que o caro professor chegue tão longe e defenda esta ignomínia, mas temo que, na sua visão tão "clara" e sem alternativas de resolução da crise, por boa fé, um dia o vejamos aqui a pedir um desconto de tempo e defender a interrupção da Democracia por seis meses, como a "outra".
Voltando a Seguro, acho estranho que com tanta prosápia, na sua proposta não avance para os círculos uninominais na eleição para a AR. Será que tem medo de alguma surpresa?

Cordialmente