terça-feira, 23 de outubro de 2012

PAUSA PARA REFLEXÃO

Não, não me cansei, não desisti, não tenho dificuldades de escrita. Apenas começam a faltar temas, uma vez que a situação tomarense quanto mais evolui, mais está na mesma: a piorar de dia para dia. Nestas condições, após 2926 escritos, 83 seguidores, 354.984 visualizações de páginas, 12.438 em Setembro, média de 415 por dia e 502 visitas ontem, tudo isto desde Novembro de 2008, julgo chegada a ocasião para uma pausa de reflexão.
A crise, afinal e infelizmente, veio para ficar, o que implica que o pior ainda está para vir. Tanto a nível nacional como local. Donde a necessidade absoluta de mudar de modelo de vida e de referencial teórico, abandonando imperativamente toda a tralha ideológica do século passado, que nos arrastou para onde estamos. Num país e numa cidadezinha onde se continua a confundir o mensageiro com a mensagem; onde quando se advoga a inevitabilidade de reduzir quanto antes a função pública em pelo menos 30%, se acusa o mensageiro de inimigo dos funcionários, em vez de indagar dos porquês da proposta; escrever com liberdade de pensamento é cada vez mais desconfortável.
Apesar dos sucessivos desmentidos oficiais, de todas as crises nacionais agora existentes na Europa dos 27, a nossa é a mais parecida com a grega. Tal como em Atenas, o nó do problema é a crescente dívida pública e a incapacidade política para a estabilizar, quanto mais agora para a reduzir. Por isso, os arautos da revolução para um dia destes, maoistas, trotzquistas, outros marxistas-leninistas, castristas, guevaristas, anarcas e quejandos, vão gritando por aí "fora com a troika", "não pagamos", "não ao pacto de agressão" "gatunos" e outros mimos de fino recorte literário e alto coturno político.
Para eles e a título de ilustração sobre a previsíveis consequências de não honrar os nossos compromissos, declarando-nos em bancarrota, aí está o exemplo argentino. Em 2001, o governo de Buenos Aires deixou de gerir a sua gigantesca dívida externa. Declarou insolvência. Seguiram-se anos de enormes dificuldades, de distúrbios urbanos, de desemprego em massa e de fome. Mais equilibradas as coisas, onze anos mais tarde, noticiava o EL PAÍS do passado domingo, a fragata LIBERTAD, navio-escola da armada argentina, está num porto do Gana, arrestada à ordem de um credor americano de 218 milhões de euros, da tal dívida pública ainda por pagar. A bordo estão cadetes, tripulação, instrutores e convidados, num total de 200 pessoas. Segundo o referido diário, a despesa diária ascende a 50 mil dólares, estando por saber até quando, uma vez que o governo argentino se recusa a liquidar as dívidas em causa. É isto que querem para Portugal?
Não, pois não? Então vão-se preparando para ainda maiores sacrifícios e crescentes dificuldades. ´É muito desagradável admiti-lo. A verdade porém é que estamos em termos politico-económicos naquela fase bem conhecida dos médicos cirurgiões. Perante um pé diabético e a obstinada oposição do doente à indispensável amputação, acabam por se apiedar, protelando a intervenção. Tornam assim inevitável a breve prazo, não a amputação do pé, mas a de toda a perna, sob pena de óbito. Assim estamos. No país e em Tomar. 
Pensem bem no que querem realmente. E se tiverem tempo, leiam ou releiam "Autárquicas 2009 - A quadratura do círculo" de 30 de Novembro de 2008. É só procurar do lado direito do ecrã.
Até um dia destes.

7 comentários:

Leão_da_Estrela disse...

Raios professor!
Estão-lhe a faltar argumentos?!

Será porque até o FMI o vem contradizendo?

Já reparou que apesar de "bons alunos", como gosta de se intitular Coelho, continuamos a ser siameses da Grécia, para a rapaziada do norte? não será isso má vontade ou a forma de nos acabarem de depenar, depois de nos abrigar a destruir todo o tecido produtivo, a agricultura, as pescas, a indústria e de nos convencerem que o que apenas tínhamos de decente era SOL?! não será escorraçar-nos e deixar-nos "ao abandono", sem recursos, o seu objectivo final? o último fecha a porta e os ricos do norte tomam então conta dos seus locais de férias e lazer, com sol todo o ano?

Entretanto, aposto dobrado contra singelo, que a Grécia não paga um "chavelho" da sua dívida, enquanto não tiver condições para tal e não é expulsa, nem do Euro, nem da UE! cobre?

Ah! e não se vá, que a gente já não passa sem este cantinho, umas vezes concordando, outras discordando, que isto da Democracia tem este "defeito"...


Cordialmente

António Rebelo disse...

Nada disso! Argumentos não me faltam. Preciso é de matutar durante algum tempo, longe da pressão do próximo post a redigir. Apenas isso.
Obrigado pelo apoio. Voltarei em breve. Trata-se apenas de uma pausa.
Pacatamente,

A.R.

Leão da Estrela disse...

Ora viva de novo, professor.

Gostei do "pacatamente" :)

Como este é supostamente por agora o seu ultimo post, não posso deixar de dar conhecimento, a si e aos seus leitores, dum artigo do semanário SOL (olha, nem de propósito, SOL!) e que explica muito do que nos conduziu a "isto". Não é fresquinho, mas cá vai:

"Presidente dos CTT recebia dois ordenados (a história)

O Presidente do Conselho de Administração dos CTT, Estanislau Mata da Costa - que se demitiu no final do mês passado, sem ter terminado o mandato - recebeu, durante cerca de dois anos, dois vencimentos em simultâneo: um pelo cargo nesta empresa, de cerca de 15 mil euros, e outro correspondente às suas anteriores funções na PT, de 23 mil euros. E isto apesar de ter suspendido o vínculo laboral com a PT.

A descoberta foi feita pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), na sequência de uma auditoria realizada após denúncias da comissão de trabalhadores dos CTT sobre actos de alegada má gestão na empresa.

Segundo soube o SOL, o Conselho de Administração da empresa terá recebido o relatório preliminar desta auditoria no dia 29. A demissão de Mata da Costa foi anunciada no dia seguinte e justificada pelo próprio com «razões exclusivamente do foro pessoal e familiar».

A IGF classifica esta acumulação de vencimentos por parte de Mata da Costa - num valor mensal de cerca de 40 mil euros (ao todo, um milhão e 575,6 mil euros recebidos entre Junho de 2005 e Agosto de 2007) - como «eticamente reprovável, ainda que possível do ponto de vista legal». Ainda assim, a IGF decidiu encaminhar o caso para a Procuradoria-Geral da República, por ter «dúvidas quanto à legalidade» da situação.

Segundo o relatório preliminar da IGF, a que o SOL teve acesso, Mata da Costa, que era quadro da PT, foi nomeado para presidir aos CTT em Junho de 2005. Mas, em vez de se desligar desta empresa, fez um acordo de «suspensão do contrato de trabalho, embora estranhamente sem perda de remuneração."

Serão precisas mais explicações?




templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Um carinho ao Dr. António Rebelo....

No te vayas todavia! Por favor!

O Tomar a Dianteira e o seu autor, os seus cerca de 3000 escritos, centenas de imagens - muitas delas reveladoras... -, estabeleceram já um marco de exemplo cívico na cidade Templária, que ninguém conseguirá demover; poucos na cidade, nos últimos tempos, deram tanto o "corpo ao manifesto", com uma coragem quase singular nos dias que correm. Não sei verdadeiramente que te animou para tal feito, vergonha seria especular mais sobre isso. O que conta é essa exposição valente, a descoberto, que tem um não sei quê de genial.

Toda a gente entende a crise, a penúria alastra e devasta sonhos e vidas, tsunami que persiste por aqui há séculos. Mas há, como sempre houve, muito sacana no nosso País, uns delambidos, que só valem como serviçais; outros, refinadíssimos potenciais traidores, vendilhões. Há que tratar deles, de uma maneira ou de outra!

Acredita! São as elites ou pseudo-elites locais que mais desvalorizam o teu esforço e tu não dás por isso. E tanto mundo... que tens! Afinal...

Tu, pelo que tens feito com tanto esforço, só encontras aplauso e carinho e "sustento" naqueles que aqui te têm criticado mais, como eu às vezes. Aqueles fecham-se em copas, não vêm aqui zurzir, assistem de longe e torcem-se de gozo, às vezes - porque te tomamos dos nossos! De contrário não aparecia por aqui. Que fosses dar uma volta ao Mouchão.

A crise é exógena, reflete-se em todos os países da Europa; à Alemanha começa agora a chegar. É uma feroz luta de classes de nível internacional, e também local, o que estamos a viver. Pertencemos os dois a uma geração que já viu, viveu e sentiu muita coisa! Os avanços sociais e políticos em Portugal, na Europa e no mundo, foram tantos e tamanhos, que há quem afirme que só faltava (na Europa) a erradicação da propriedade privada dos grandes senhores, que ainda existem e com poder nunca antes tido, para se cumprir o mais importante do "Manifesto" de Marx/Engels. Por isso, um poderosíssimo ataque de chofre contra os povos, para o qual necessitam de tipos como Relvas e Gaspares, já que o outro é um palerma chapado.

Portugal é hoje governado por uma "brokerage firm", de potenciais ditadores, que nos empobrece e nos manda porta fora aos cem mil por ano. Se as eleições forem só em 2015..., é só fazer as contas. Atrás deixarão um povo mergulhado na miséria, com as gerações mais bem preparadas da nossa história - um País por reconstruir. Será que vamos a tempo, caso não os corramos porta fora rapidinho...?

Talvez te tenhas perdido neste turbilhão político. Querias outro povo?! Não há volta a dar: é este e mais nenhum! E para representar o que temos, não precisamos de corretores para nos governarem, antes de quem o ame e respeite.

Boa reflexão! O Tomar a Dianteira é preciso!

No te vayas todavia, por favor!

tomarense d disse...

" Pensem bem no que querem realmente."

O problema não está naquilo que o Povo quer. Ele está sim, nos interesses instalados e na corrupção existente nos corredores do Poder.
Não vai ser nas eleições autarquicas de 2013 ou nas legislativas de 2015(se lá chegarmos??) que se irá resolver o problema.
Isto só se resolve retirando do Poder as actuais formações politicas e o PR lá colocar pessoas capazes sem qualquer ligação com a politica.
Ora isto em Portugal ou mesmo na Europa é pedir o Impossível.
Por tudo isto é fácil prever que o nosso(Portugal) destino será a Pobreza e a miséria, há dúvidas!?

Sílvia Marques disse...

Opá está aqui a faltar a análise dos jornais e todas as coisas que me passaram ao lado durante a semana :)

tomarense d disse...

Eis um link para ouvirem, merece ser visto e ouvido:

http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/10/vivemos-numa-ditadura-selectiva.html#ixzz2AaXUDPCc