segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O PAÍS E O CONCELHO

Em "À beira-Tejo e à beira-Nabão" procurou-se demonstrar que a situação política nacional e local são duas realidades distintas, com acentuadas diferenças. Ainda assim, com intenções bastante evidentes, há quem insista, por exemplo enviando comentários para este blogue, em amalgamar as duas coisas. Trata-se, bem entendido, de tentar confundir os tomarenses, levando-os a crer que a profunda crise local resulta da complicada conjuntura nacional, pelo que não adianta culpar os nossos autarcas, ou fazer o que quer que seja para alterar a situação. Segundo tais arautos, só um movimento de massas populares poderá aproximar-nos de madrugadas mais risonhas. Acontece que tal raciocínio político está viciado e nunca será operativo, pelo que é enganador. Trata-se afinal, nem mais nem menos, da repetição dos conhecidos "amanhãs gloriosos",  a alcançar graças a uma pretensa vanguarda mais esclarecida, devidamente enquadrada. Já vimos esse filme, tanto na primeira como na segunda metade do século passado. Antes da queda do Muro de Berlim e da subsequente implosão do então denominado (e por estas bandas admirado) "socialismo real".
Nos dias que vão correndo, apesar das conhecidas dificuldades orçamentais a nível nacional, há concelhos bem administrados, bem cuidados, com serviços eficazes, com desemprego inferior à média nacional, e que continuam a progredir, criando riqueza sob a forma de bens transaccionáveis. Para não irmos mais longe, Leiria é um bom exemplo, sobretudo na área industrial, e Óbidos na área do turismo. Inversamente, é cada mais notório que a câmara tomarense perdeu de forma muito clara o controle da situação. Não tem quaisquer planos para o futuro, que não passem pelos fundos europeus; não tem objectivos estratégicos; não tem, enfim, orientações claras, a transmitir aos quadros superiores da autarquia. Nestas condições, com 500 funcionários praticamente "em roda livre", e quase inteiramente dependente dos fundos do estado estado e da UE, é óbvio que o único, grande e muito útil serviço que os nossos autarcas nos poderiam prestar, seria renunciarem aos seus lugares. Quanto antes.  Ou, no mínimo, à sua obstinada, cega e nociva teimosia.
Enquanto tal não ocorrer  -sendo muito provável que não aconteça até final do mandado-, em virtude do   conhecido comportamento suicida, definido por Unamuno nos anos 30 do século passado ("Os portugueses são um povo de suicidas, não porque ponham fim à vida em maior percentagem que outros povos, mas porque indo a caminhar para o abismo, mesmo quando repetidamente avisados, continuam a sua caminhada."), cabe aos cidadãos tomarenses -a todos os cidadãos tomarenses- tomar a decisão. Vamos manifestar, de forma civilizada e serena, sem gritar, sem ofender, sem agredir, sem caluniar, o nosso direito à indignação, nos locais próprios? Ou vamos continuar com o velho hábito, manhoso e oportunista, de ir esperando que outros nos tirem as sardinhas das brasas, para então as comermos? Convenhamos que é realmente muito menos arriscado ficar na expectativa. Exige paciência, é verdade, mas em contrapartida evita queimaduras mais ou menos graves. E riscos desnecessários. Resta, no entanto, a pergunta fulcral -Têm mesmo a certeza de que alguém vos acabará por assar e servir as  sardinhas?
No que nos diz respeito, temos andado a olhar para aquela velha e bem conhecida máxima popular -"Gato escaldado, de água fria tem medo". E dado que, apesar de já termos desempenhado tal função várias vezes e a contragosto, nunca tivemos muito feitio para forçado da cabeça...
Enfim, dia 30, quinta feira, a partir das 15 horas, lá estaremos. Para fazer aquilo que a realidade envolvente vier a justificar. Tendo em conta que até hoje ainda ninguém conseguiu fazer chouriços sem carne, ou omeletes sem ovos.

3 comentários:

Anónimo disse...

Há dias, no post sobre análise semanal da imprensa, António Rebelo criticou, e bem, alguns Jornais por terem estado no debate "O Estado do Concelho" e não publicaram uma linha sobre o assunto.
Alguém ligado à imprensa veio dizer que os jornais têm de tratar os assuntos focados no debate com pinças (?), e que os jornais não se podem orientar pelas opiniões de comentadores.
Bem, no debate um dos comentadores foi o Presidente da CMT, e outro um dos Vereadores da CMT. Se a opinião de dois responsáveis políticos pelo Concelho não interessa vai-se muito nal no seio da sociedade tomarense.
Depois havia a considerar a opinião dos outros três comentadores, e o diálogo entre comentadores e o com o público, que houve, e bem.
Em todo o Portugal este tipo de debates existe. Na Figueira da Foz até se fazem regularmente no Casino. Em alguns países da Europa os debates Locais e as Asembleias Regionais e Municipais passam em directo nas televisões. Só em Tomar é que o diálogo democrático é um drama.
Tomar é um caso de estudo em diversas áreas científicas, porque é surpreendente que um Concelho em crise há dezenas de anos continue sem procurar soluções para ela, e contiuna a negar a realidade, e, desde 1992 que apregoa o Turismo como salvação sem se ver nada bobre Turismo. Entretanto o Mundo pula e avança.
Há , em Tomar, uma fuga à realidade doentia.
Lancelot du Temple

Anónimo disse...

Formalmente, o Presidente de Câmara e o Vereador não são comentadores mas sim actores.
Se percebi bem, foi aliás com esse pretexto que o Cristóvão não esteve no debate. E bem.
Fazem falta em Tomar pessoas que sabem onde é o seu lugar.
Quanto ao resto, ainda não percebi se existe algum drama, ou se ele está só nas cabeças dos comentadores deste blogue.
LG

Anónimo disse...

Que se saiba o Cristóvão não foi convidado, nem sequer para assistir.

Portanto, não interessa nada se foi ou deixou de ir!

Até porque não fez lá nenhuma falta!!!!!!!