terça-feira, 2 de abril de 2013

A troika local e a síndrome

Na comunidade nabantina, é cada vez mais consensual a ideia de que os actuais membros do executivo são todos gente pouco recomendável -uns malandros sem préstimo. Ideia cujos fundamentos são geralmente conhecidos, mas que não corresponde à verdade. São apenas cidadãos como nós, mais ou menos perplexos ante um mundo que não pára de surpreender; mais ou menos capazes de analisar de modo sereno a camisa de onze varas em que estão metidos até Janeiro próximo. Não adianta já grande coisa escalpelizar o comportamento político de cada um deles, visto que alguns vão ficar pelo caminho. Importa, isso sim, tentar perceber a idiossincrasia dos candidatos troikanos já conhecidos, no sentido de fundamentar a futura decisão eleitoral -votar ou abster-se.
Como cidadãos, Carlos Carrão, Anabela Freitas e Pedro Marques, são todos exemplares até prova em contrário, produzida nos locais próprios. Merecem por isso o respeito de todos nós. Já enquanto políticos eleitos, a situação é outra. São figuras públicas, pagas com os dinheiros da comunidade de contribuintes, logo sujeitas ao escrutínio e à crítica dos seus concidadãos. Dito isto, aos factos.
Sobre Carlos Carrão pouco ou nada há a acrescentar. É bem conhecida a sua actuação na autarquia desde há 16 anos.  O seu desejo de se recandidatar, sendo humano, está longe de recolher uma maioria de opiniões favoráveis. Mesmo no seu próprio partido, como se sabe.
Anabela Freitas parece ser de longe a candidata mais aberta e mais actualizada em termos de bagagem político-analítica. Infelizmente, outros factores tendem a invalidar essa vantagem. Falo designadamente da sua falta de pulso e, sobretudo, dos seus óculos ideológicos. Como bem demonstra a actual queda às profundezas do inferno do presidente socialista François Hollande, só pode prejudicar a insistência num universo sociológico que já não existe e nuns modelos ideológicos que já foram excelentes, mas infelizmente faleceram, vítimas de obsolescência. Só não vê quem não quer.
Lendo isto, Pedro Marques vai lastimar-se mais uma vez que não gostam dele, que o perseguem, que é só inveja, que estão feridos de asa. A habitual lengalenga, produto do seu feitio assaz complicado, como bem sabem todos os que com ele já contactaram mais de perto. Errar é humano. Não reconhecer os seus erros é doentio...
Face a tais perfis, que podemos esperar? Quanto a mim e como já diversas vezes aqui escrevi, pouco ou nada. Pelo menos enquanto os ora candidatos insistirem em recusar debater a sociedade local e nacional tal como ela é na realidade. Deixando agora Lisboa em paz, para não alongar demasiado, qual é o panorama tomarense nesta altura? Uma população confusa, desorientada, em busca de referências sólidas e estáveis, numa comunidade a afundar-se a olhos vistos. Um microcosmo cujos principais contornos são do domínio público. Menos 800 famílias em dez anos, 500 funcionários autárquicos, 700 professores do básico e secundário, 400 professores do ensino politécnico, 600 profissionais de saúde na função pública, finanças, tribunais, quartel, centenas de aposentados da função pública. Numa curta frase: uma típica cidade dos ex-países do leste europeu. Com uma esmagadora maioria de improdutivos e uma muito limitada franja de iniciativa privada.
O que significa que estamos perante a chamada síndrome aparelhística: quando a percentagem de improdutivos ultrapassa determinados limites quantitativos e temporais, ocorre a implosão. Foi o que sucedeu nos países do Pacto de Varsóvia; foi o que sucedeu com Fábricas Mendes Godinho; é o que está a suceder com os países da zona euro, um após outro.
Evolução inevitável? Felizmente que não. Pelo menos a nível local. Desde que haja coragem para se sentar de mente aberta e debater. Tendo em conta que as coisas são o que são e não aquilo que nos convém que sejam. As árvores não crescem até ao céu, no verão faz calor, o dia tem 24 horas, as crianças continuam a vir do ventre materno...
Valeu?

2 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Anabela Freitas perfila-se como alternativa a apostar.

Tenho seguido com interesse o "regresso" do Dr. Rebelo e do TaD às questões políticas locais, que saúdo vivamente, e o que mais me surpreende é o seu incitamento para que não se vote em Tomar nas próximas autárquicas - o que repudio. A democracia que ainda temos, revigorada recentemente com o regresso do meu Zézito, vive precisamente dessa afirmação de cidadania - não estamos ainda, penso, em nenhum processo revolucionário, que possa parir outro regime. Julgo que o Dr. Rebelo não perdeu ainda a "Lucidez"..., a ponto de não perceber que está a dar um mau conselho aos tomarenses. Mas isso é lá com ele. Talvez porque não tenha vivido intensa e intelectualmente os tempos da ditadura. Teve bem tempo para isso, a avaliar pela sua ainda fresca idade. Sempre a intervir no espaço público!

Anabela Freitas vai dar a cara pelo único partido que ao longo destes 38 anos mais se responsabilizou (e mais sentido de responsabilidade demonstrou) para construir e defender a nossa democracia. Presumo tenha adquirido na Assembleia da República e na sua vida política partidária experiência suficiente para lhe serem confiadas as responsabilidades de gerir o concelho.

O facto de ser mulher reúne muitas vantagens e nenhuma desvantagem. Além disso, parece-me dispor de uma grande capacidade de diálogo, pelos documentos e entrevistas que tenho lido. Tem ainda uma outra vantagem: nunca fez parte do executivo camarário, o que a deixa livre para proceder a reformas e mobilizar vontades, dentro e fora do executivo.

Se votasse em Tomar, pelo que afirmei e ainda pelas considerações que o Dr. Rebelo tem feito dos candidatos às próximas, não hesitaria: Votava em Anabela Freitas.

Para isso é preciso votar no PS. O único partido, apesar de tudo..., que me merece confiança neste momento.

Que se inspire na altíssima dimensão política do meu Zézito, construindo, como ele quis construir para Portugal, um Novo Ciclo Histórico para Tomar - a cidade mais linda de Portugal!


tomarense d disse...

".... pelo único partido que ao longo destes 38 anos mais se responsabilizou (e mais sentido de responsabilidade demonstrou) para construir e defender a nossa democracia."

Boa tarde

Esta afirmação só pode vir de alguem que não vive/viveu nos últimos 39 anos.
Como pode alguem alguem proferir uma declaração destas, sabendo-se que desde 1974 o Estado Portugues já FALIU por 3(TRÊS)vezes, com a agravante de ser precisamente o PS um dos grandes responsaveis pela "magnifica" gestão deste País à beira mar plantado em tudo ruinosa e irresponsavel...