domingo, 23 de setembro de 2012

Agrava-se a polémica sobre os subsídios de representação

Apesar do silêncio dos jornais e das rádios locais -ou se calhar por isso mesmo- a polémica sobre os subsídios mensais fixos, atribuídos a alguns funcionários superiores pela autarquia tomarense, alarga-se e agrava-se. Recordemos os factos. O blogue alguresaqui, do socialista Hugo Cristóvão, levantou a lebre, logo seguido por tomaradianteira: Na mais recente sessão do executivo autárquico, foi aprovada a continuação do subsídio mensal fixo de representação, de 311 euros para cada um dos três directores de departamento e de 194 euros para cada um dos nove chefes de divisão. Votaram a favor de tão polémica decisão os três eleitos da relativa maioria (Carrão, Rosário e Perfeito) e o líder dos IpT Pedro Marques, (que quando julga útil vai garantindo que os IpT "não serão bengala de ninguém"...). Abstiveram-se os dois vereadores do PS e Graça Costa dos IpT.
No actual contexto político local, nacional e europeu, topa-se à légua estarmos perante uma deliberação imoral e até ofensiva dos bons costumes, por assim dizer uma descarada falta de respeito pelos desempregados e outros desprotegidos. Há por isso grandes hipóteses de vir a ser chumbada na Assembleia Municipal do próximo dia 28 e oxalá que assim venha a suceder, para ver se os tomarenses começam finalmente a convencer-se de que o mundo está a mudar rapidamente, exigindo de todos um módico de juízo e cabeça fresca.
Naturalmente incomodados com a inconveniência dos blogues locais e sobretudo com a hipótese de virem a perder a habitual mama mensal que nada justifica, "os doze magníficos" (com três mais magníficos que os outros nove), procuram contra-argumentar. Compreende-se. Quem não se sente, não é filho de boa gente, diz o povo. Um deles, devidamente identificado, avança a seguinte situação:
"Defendem aqueles que estão contra a atribuição desse subsídio que os dirigentes da CMT não a representam em nada, e que por isso não faz sentido atribuir-lhes esse complemento. Deixo a pergunta: "Se a Lei define como momentos importantes e decisivos para a vida duma autarquia, a aprovação dos instrumentos fundamentais, como são o Orçamento/Grandes Opções do Plano e ainda a aprovação dos Documentos de Prestação de Contas, porque são pagas senhas de presença aos senhores deputados municipais que não fazem isso há dois anos?"
Aqui fica a pergunta. Aguardam-se as respostas dos visados, a começar naturalmente pelo prezado amigo Hugo Cristóvão, que primeiro levantou a caça...

3 comentários:

Por Tomar disse...

Gostaria de iniciar este meu comentário a dizer o seguinte: Tinham-me dito que a vereadora Dra. Graça Costa tinha votado contra, mas segundo tanto quanto sei era vontade expressa da mesma fazê-lo, não o fez porque assim deixa a decisão para a Assembleia decidir, tanto quanto me disseram, na declaração de voto da mesma ao justificar a abstenção, deixou bem claro que é uma afronta e na situação em que se vive não faz o mínimo de sentido estar a aumentar as despesas da autarquia para que nada representa. Tenho duvidas que seja chumbada, hoje já tenho quase a certeza que os deputados IpT se vão abster. Sobre as senhas de presença, esse sr que fala delas esquece-se que 311 euros não ganha um deputado num ano inteiro em senhas de presença e esses tipos querem roubar dos cofres da autarquia 933 euros por MÊS para 3 diretores que nada representa e já pouco fazem e 1.746 euros para os nove chefes de divisão. (Que farão estes chefes? Serão aqueles que quando rebenta um cano na rua estão a ver o desgraçado sozinho a cavar e eles estão a observar como se trabalha)? Será que não recebem vencimento? Olhem para o lado srs diretores e chefes de divisão, nas vossa ruas, nos vossos lugares, nas vossas freguesias onde vivem deve haver quem tem pouco para comer ou nada tem para sustentar uma família e vocês andam a mendigar subsídios para juntar ao vosso salário? Têm de se dar por muito felizes já terem trabalho, não queiram tirar a quem precisa mais do que vocês. Vão a Igreja, elevem as mãos ao céu e agradeçam a que lá do alto está, (se existe) terem para comer e peçam para os que não têm, para ter. Boa semana.

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

A situação escandalosa avançada pelo "devidamente identificado",

"...porque são pagas senhas de presença aos senhores deputados municipais que não fazem isso há dois anos?",

merece o mais vivo repúdio.

Ou há moralidade....

Ora aqui está uma briga dançante - tipo fandango ribatejano....

A originalidade está nos pares brigantes: dirigentes serviços da autarquia (funcionários) versus representantes eleitos em torno daquelas coisinhas que a gente sabe...

E não admira que isso aconteça na câmara de Tomar, se nos recordarmos de episódios passados sobre despesas de representação do Presidente da Assembleia Municipal.

O que está a falhar é aquele valor que, dizem, os romanos defendiam: a auctoritas.

Dizem que praticavam, mas a bem dizer não deve ter passado da retórica...

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Enquanto se discutem estes
"subsídios de representação", recebemos notícias como esta:

" Quase 10% do aumento das exportações em 2012 deve-se à venda de ouro"

Este Governo embandeira em arco, mente e encobre a realidade com uma ligeireza incrível. O que vai acontecer a dezenas de milhares de famílias, agora sem esse recurso?!

Este aforro do belo metal está a ser vendido para pagar o quê?!

Que cada um tire as suas conclusões.

Senhores da câmara: discutam economia e problemas sociais, avaliem recursos e oportunidades do concelho para um mercado de centenas de milhões de pessoas, mais aberto a pequenos que a grandes negócios.

Criem um gabinete de apoio às pequenas empresas e pequenos agricultores. Ofereçam-lhes informação e formação, mostrem-lhes as possibilidades de venderem para o exterior os seus produtos.

Concentrem-se na economia. Acabem com esses probleminhas internos.

Serão aspetos como estes que vão ser discutidos no tal "Congresso de Tomar"? Ou esse Congresso vai servir apenas de plataforma de lançamento a algum candidato? Não estou a criticar, estou a alertar.

Ponham o Velho Mercado a funcionar urgentemente. Etc., etc., etc..