domingo, 16 de setembro de 2012

Nova versão da cabra e o dinheiro da cabra

A história é antiga. Reza que um agricultor humilde tinha necessidade urgente de conseguir dinheiro, para poder prover ao seu sustento. Vai daí, pensou em vender o único bem com algum valor que ainda  possuía -uma cabra. Já a caminho da feira de gado, reconsiderou: gostava muito do animal, que lhe fazia companhia e lhe fornecia o leite para o pequeno almoço. O ideal, pensou, era conseguir o dinheiro da cabra mas sem a vender. Assim um dois em um: a cabra e o dinheiro da cabra.
Quando se pensava que tudo não passava de uma história da carochinha, eis que nos encontramos confrontados com um situação ao mesmo tempo semelhante e antípoda. Ora façam o favor de ler:

"QUE SE LIXE ?"

"E o povo lá saiu à rua, sob o simpático slogan "Que se lixe a troika - Queremos a nossa vida". Fez bem: gritar alivia e, além disso, o "esbulho fiscal" em curso (Obrigado, CDS) é imperdoável. Mas convinha esclarecer dois pontos sobre o slogan. Para começar, a troika não aterrou em Lisboa por sua vontade. Foi um governo PS quem a chamou, depois de ter falido o país. Sem o dinheiro da troika, o bom povo que ontem se aliviou por aí não teria um pataco no bolso, excepto pela saída do euro, a adopção de uma nova moeda -e de uma nova vida. Que vida? Não, de certeza, a vida de fantasia que o euro permitiu a governos, empresas, autarquias, famílias, etc. Mas vidas de uma austeridade maior do que a actual, embora com melhores perspectivas de crescimento a médio prazo (opinião pessoal). Moral da história?
Simples: O país não pode ter o dinheiro da troika sem a troika, e uma vida de volta que, com troika ou sem ela, jamais voltará."

João Pereira Coutinho, A voz da razão, Correio da Manhã, 16/09/2012, última página.

Conclusão de Tomar a dianteira: Tal como no caso do humilde agricultor, que pretendia em simultâneo a cabra e o dinheiro da cabra,  fará algum sentido gritar alternadamente Venha o dinheiro da troika! Fora com a troika! Venha o dinheiro da troika!Fora com a troika!??? Pois parece ser afinal a posição largamente maioritária dos portugueses. Em que ficamos afinal? Fora com a troika? Venha o dinheiro da troika? 
Há que decidir, antes que o troika acabe por se cansar de ouvir tanto insulto e resolva calçar os patins. Com já sucedeu em Atenas...

8 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Aldrabão! JPCoutinho mente sem vergonha!

Quem quis a troika e o programa da troika foi esta quadrilha que dirige o PSD e governa o nosso País. E manifestaram-no cá dentro e lá fora sem despudor algum. E por isso recusaram o PEC IV com o PCP e BE sem vergonha nenhuma. Na manhã seguinte ao acordo de J. Sócrates (o governo) e a Comissão Europeia sobre o PEC IV, o PSD achou coisa boa, mas ao fim da tarde declararam que estavam contra, porque PPCoelho foi encostado à parede por Marco António e Menezes, e as suas matilhas, de que se não votasse contra ia para eleições no interior do PSD. Esta é que é a verdade. Recusaram todo o tipo de entendimentos patrióticos que se exigiam no momento. Foi esse golpe de asa de J. Sócrates que os surpreendeu, e preferiram fazer vergar Portugal e os portugueses a este programa da troika para tratarem o povo como gado e empregarem toda a sacanagem que tinham a ulular à sua volta.

Foi assim! Foram bem avisados das consequências. Só pensaram no "Pote".

Teríamos hoje ums situação privilegiada no contexto desta crise e da União europeia.

É vergonhoso e criminoso persistir na mentira, no encobrimento da verdade.

Este "NÓ" tem de ser desatado na sociedade portuguesa, e enquanto o não for desatado não haverá concórdia entre os portugueses.

Este governo e todos os que mentem descaradamente, deliberadamente, deviam ser chamados à barra do tribunal.

António Rebelo disse...

Ainda que tudo o resto tivesse sido como relatas, o que está por demonstrar, uma vez que, salvo erro, foi Teixeira dos Santos que se antecipou ao teu Zezito, nada te permite asseverar que "Teríamos hoje uma situação privilegiada no contexto da crise e da União Europeis". O caso espanhol aí está para o demonstrar. O PP de Rajoy não rejeitou nada e mesmo assim o camarada Zapatero resolveu calçar os patins. Porque terá sido?!
A história, caro Fernando, nun ca se fez nem se faz com SES. O que lá vai, lá vai. Sócrates ficará na história como um PM trafulha e vendedor de ilusões. Aumentar a função pública 3,9% com o país já de pantanas, só para tentar ganhar as eleições, é de cachopos malcriados. Essa é que é essa!
Para concluir: A não ser com as dolorosas medidas de austeridade, com o aumento do desemprego, com a redução do poder de compra e do consumo internoe com a ajuda da troika, como é que se sai da crise? Há outro caminho, como proclama o PS de Seguro? Qual?

Luis Ferreira disse...

Estimado Prof. Rebelo

Como muito bem escreve o sr.Fernando, vivemos desde há mais de um ano uma hedionda mentira, uma vez que tal como ele referiu a recusa do PSD em relação ao PEC IV é que precipitou o Pais para as mãos da troika.

Mas mais: o pacote de ajuda foi negociado com o PSD e com o Governo, porque assim foi exigido pelos governos conservadores instalados na Europa.

Mais ainda: o memorando de entendimento, com a linha de financiamento para a divida publica de 66.000 milhões€ e de 12.000 milhões€ para a banca diretamente, continha medidas, as quais nas sucessivas revisões do plano, em cada avaliação, já é hoje totalmente diferente do que inicialmente foi assinado.

Ou seja, hoje o que está em aplicação é a exclusiva responsabilidade do PSD.

Mas mais e pior: ao fim de um ano, o Pais no seu todo deve mais, muito mais, do que há um ano. Ou seja o Governo falhou redondo as medidas que inventou para honrar o acordo previamente assinado.

O roubo de metade do subsidio de Natal o ano passado, o qual nao constava do acordo inicial, a redução de 14% dos salários de toda a função publica este ano (com a retenção administrativa dos dois subsídios) e a captura de mais 7% de descontos para a Segurança social para 2013, para todos os trabalhadores, com uma redução de mais 2-5% aos funcionarios públicos no ativo e de 3,5%-10% aos aposentados acima de 1.500€, representa apenas uma REVANCHE ideológica, contra o factor trabalho e contra a melhoria das condições de vida dos portugueses.

Mais: todas altas medidas estão a destruir mais de 500 empregos por dia o que associados a 150 imigrantes por dia, faz do Portugal dos próximos anos, um Pais totalmente falhado.

E, prof. António Rebelo, quere-nos convencer que a culpa é do Sócrates e do PS?
Depois de quase 1 Milhão de cidadãos na rua no passado Sábado, acha que eles sao tolos e que não sabem que têm sido as opções e as políticas DESTE GOVERNO de trolhas que tem construído o caixão e a sepultura de um País adiado?

Era quase como considerar que a culpa de Tomar estar como está ser do PS, ao fim de 15 anos de completo desnorte e irresponsabilidade do PSD na gestão da coisa publica...

Ora...

António Rebelo disse...

Meu prezado amigo:

Não baralhemos as coisas! Em Tomar o PS apenas ajudou durante 2 anos os então parceiros de coligação a adjudicarem obras que agora não têm dinheiro para acabar (Turismo, Convento, Levada). Já ao nível governamental, não foi seguramente o PSD que desbaratou os cofres públicos, exagerou na megalomania, assinou as PPP ou enganou deliberadamente os portugueses sobre as finanças do país. Podem chamar aos governantes actuais os nomes que quiserem e que ninguém ousou chamar aos anteriores, que isso não contribuirá minimamente para resolver a crise. Pelo contrário. Estou farto de ouvir o Tó Zé Seguro e acólitos a garantir que há outro caminho, mas continuo sem saber qual seja. Burrice minha, decerto.
Criticar é fácil. Já governar...

Leão_da_Estrela disse...

Caro professor,

Pode ter (tem) alguma razão quando defende que o PS e Sócrates têm muitas culpas neste cartório, mas caramba, já lá vai mais dum ano e Passos e sus muchachos continuam com a treta de que fazem assim por culpa do governo anterior, fazem assado por culpa do governo anterior, fazem cozido, etc, etc, por culpa do governo anterior. Não haverá coragem para assumirem que este é o caminho por onde, deliberadamente, querem ir?!
Olhe que é obra, um governo ter contra si patrões e empregados! eu até estou a imaginar o Belmiro e o Soares dos Santos a rebolar a rir, com a piada de Passos de que os vai ajudar a gerir as suas empresas. Bem depressa os encontraríamos num qualquer semáforo a lavar pára-brisas ou no "destroça, destroça" dum qualquer ParkT, a arrumar carros.
Queo parafrasear José Régio, no seu incisivo "Cântigo Negro":
"...Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou (QUERO IR) por aí!
(caps minhas)

Ctos

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

António Rebelo,

Não venhas com as PPP!

Quando, já depois de 5 de Junho de 2011, voltaram a levantar o "horrível" das PPP, o caso era para mim uma completa incógnita. Como se me dessem um Boeing 747 para pilotar. Numa Comissão parlamentar sobre o assunto, em que esteve o quadro superior do Estado, que negociou as PPP (não me ocorre o nome), a explicar o curso, condições e detalhes da negociação das mesmas,etc., não tive dúvidas nenhumas da complexidade dessas negociações, o mesmo aconteceu com os deputados dessa Comissão ao revelarem total desconhecimento sobre a matéria que discutiam. Quase toda a gente fala delas sem perceber um boi do assunto. E é por isso que insistem...

Disse para mim: tenho de tentar perceber mais ou menos o que se passou e passa com as PPP. Posso dizer-te que cheguei a acreditar que havia nelas grossa marosca.

Depois de ouvir esse técnico superior e de buscas que tenho feito sobre a matéria, para uso "caseiro", estou cada vez mais consciente que foram das melhores negociações que o Estado português alguma vez fez: em prazos, em juros, em contrapartidas, em património para futuras gerações, etc.. Não me peças para ser eu a explicar, porque o que tenho sabido e conhecido sobre o assunto não dá para explicar a outros e duvido que alguma vez o consiga.

Os vários saberes altamente especializados, mobilizados para as negociações das PPP, leva-me à conclusão que, desde o cidadão comum como eu, a muitos diplomados e doutorados, precisavam, para entender o essencial, de um curso de, pelo menos, uma semana, a quatro horas por dia, tal a complexidade do assunto. Continuo em busca de informações para me esclarecer ao máximo sobre esta matéria.

Não esqueças que projetos com ppp iniciaram-se com governos do PSD, alguns dos quais, desse tempo, estão sob suspeita de corrupção... Não é o caso dos do tempo de J. Sócrates!

Lembraste da questão da Parque Escolar, daquela chamada de Maria Lurdes Pintassilgo a uma comissão parlamentar, onde ela disse que "Foi uma Festa!"? A banhada foi tal que nunca mais falaram nisso. A demagogia sobre essa PPP como que se extinguiu, tal foi a banhada que levaram.

O meu ponto é este: garanto-te que é precisa muita, muita informação para nos podermos pronunciar sobre as PPP. Este governo já andou por lá a escarafunchar em negociações e olha no que deu...

Por isso já estou em condições de, pelo menos, opinar, que a única medida avançada por AJSeguro, de ir sacar às PPP, anexa à intenção de voto contra o Orçamento, é oportunista, demagógica e cheira mesmo a traição, pelo distanciamento que pretendeu manifestar sobre programas que, decerteza, ele não conhece devidamente. Parece que este governo já criou, ou está a criar PPP.

O que os revoltou e revolta foram as obras que com elas os governos anteriores realizaram, a juros de lana caprina, porque a crise internacional ainda não tinha chegado ao que chegou. Não são as PPP que estão a complicar o controle do défice.

As futuras gerações vão chamar às obras realizadas através das PPP um figo. Escreve aí!

(Desculpa, isto foi escrito em passo de corrida)

António Rebelo disse...

Para Leão da Estrela:

Percebo o incómodo e acho natural que queiram ir por outros caminhos. Mas quais? Não me canso de perguntar e vem-me sempre ao espírito aquele poema do Alegre: Pergunto ao vento que passa/Notícias do meu país/O vento cala a verdade/ O vento nada de me diz. Neste caso são os políticos que se realmente conhecem outros caminhos viáveis, ainda não se dignaram dizer quais. Estranho, não é?
Sobre as acusações a Sócrates, opino que têm toda a razão deste mundo. Se não fosse a megalomania do sujeito e as consequências que dela resultaram, não teríamos a dívida pública que temos, não gramaríamos com a troika, não perderíamos perto de 30% de poder de compra e por aí fora. Por conseguinte, porrada no gajo! (Em sentido figurado, bem entendido, que eu não sou de violências) "Tou certo ou tou errado?!

Leão_da_Estrela disse...

Caro prof.,

Como deve calcular, o que me liga a Tozé Seguro é nada! mas ontem em entrevista à RTP, o homem mostrou um dossier com as propostas que fez ao governo e à própria troika; enumerou alguns e apesar de defender soluções diferentes, garantiu o propósito de honrar os compromissos com os credores.
Lamento dizer isto, mas com os socialistas é sempre de ficar de pé atrás, contudo creio que o caminho apontado por Seguro não será o do neoliberalismo acéfalo e facínora seguido por Passos Coelho.
Já quanto a Sócrates, o que o matou, já aqui o disse, foram a arrogância e a batalha que encetou com a Maçonaria e a Opus Dei. Não fora esta última e ainda estaria no poder. Não podemos negar a evidência do endividamento record, mas, não fossem algumas negociatas muito mal esclarecidas, o que é certo é que a economia funcionava. O problema de Sócrates é o problema de todos os que têm estado no poder, desde os governos às autarquias: tendem a nivelar por baixo e a pagar favores dando benesses e empregos aos amigos, engordando a máquina e sugando recursos.
Vejo-o muitas vezes insurgir-se com os trabalhadores da Câmara de Tomar, que não fazem nada, diz. num ou noutro caso poderá ter razão, mas gostava de o ver escrever alguma coisa acerca dos milhares de nomeados após eleições, sabendo p.e., que cada elemento do executivo municipal a tempo inteiro ou parcial tem direito a determinado número de assessores e adjuntos, multiplicasse isso por 308 municípios e lhe juntasse os carros e os telefones e as mordomias e as empresas municipais, mais aqueles dos ministérios e institutos e direcções gerais e fundações e o diabo a sete, visse por quem nutrem simpatia e depois fizesse contas. Por alto, que sei que o seu tempo é curto!

P.S. - é público, está no relatório e contas de 2011, mas mando-lhe os vencimentos dos administradores da Valorsul, a empresa intermunicipal que recebe os resíduos sólidos de Lisboa, Loures, Vila Franca e mais alguns que entraram posteriormente, que nem me lembro agora. É por estas que isto está como está...

Segue para o seu mail, faça o que achar por bem.