terça-feira, 11 de setembro de 2012

TURISMO: AS QUEIXAS DO COSTUME

Foto António Freitas

Domingo passado, o jornalista tomarense António Freitas (que não agrada a todos por ser demasiado acutilante, como sucede com muito boa gente...) conversou com alguns motoristas de turismo, estacionados junto ao Convento de Cristo. O resultado será publicado no CIDADE DE TOMAR, mas Tomar a dianteira já leu e tem via livre para dele destacar o que julgar mais útil para os leitores.
Os referidos profissionais de turismo foram unânimes: Tomar é uma cidade muito linda, infelizmente com muitas lacunas. Seguiram-se as habituais queixas/lamúrias, naquele tom de quem já perdeu a esperança de que algum dia haja mudanças para melhor. Eis um resumo: Poucos grupos visitam a cidade por não haver lugares para estacionar. Quando está previsto visitar o núcleo histórico, pedimos ao Hotel dos Templários que nos deixe estacionar, mas não faz sentido que os visitantes tenham de usar os sanitários daquele estabelecimento, visto que não são clientes... Devia haver casas de banho públicas e estacionamento para autocarros, ali na zona dos jardins. Naquele largo do pelourinho cabiam aí uns sete autocarros, se não estivesse sempre cheio de ligeiros.
O acesso ao Convento está mal sinalizado. O trânsito por ali devia fazer-se só no sentido ascendente. Como está, quando nos cruzamos com uma caravana ou uma autocasa, é um caso sério. Também deviam ter feito um nicho de estacionamento para dois autocarros, ali na curva antes da Calçada dos Cavaleiros, para os turistas poderem fotografar a cidade. O passeio é largo, mas se paramos interrompemos o trânsito...
O estacionamento na Cerrada dos Cães devia ser só para autocarros. Como está é uma complicação. Os guias querem que se pare junto à porta do castelo, para os clientes descerem, e depois como não há espaço para manobras, por vezes temos de vir de marcha-atrás. O parque actual junto à fachada do convento não está minimamente capaz. É só terra e os turistas sujam o autocarro, cuja limpeza dá o seu trabalho.
São desabafos de quem nos visita dezenas de vezes por ano, não por prazer mas para ganhar o pão. Se fosse só para passear, iriam para cidades mais acolhedoras, com equipamentos à altura. Mas que interessa isso? Tanto na autarquia como no convento duas mini-repúblicas tomarenses de sanguessugas instaladas, o lema continua a ser o mesmo: "Primeiro nós. Os outros que se lixem". Serviço público? Que é isso?!
No convento há até gente bem paga que só lá aparece de quando em quando. Mas que nunca se esquece de receber o pulposo vencimento, ao mesmo tempo que vai auferindo outras remunerações, provenientes de aulas em estabelecimentos de ensino a mais de cem quilómetros de Tomar.
Somos uma ganda terra dum ganda país! Por isso estamos tão bem!

6 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Ouvir os utentes, é um bom caminho. Pela resenha feita parece um bom artigo.Só não concordo com esta parte da tal resenha:

"Mas que nunca se esquece de receber o pulposo vencimento, ao mesmo tempo que vai auferindo outras remunerações, provenientes de aulas em estabelecimentos de ensino a mais de cem quilómetros de Tomar".

Evitemos esta coisa de "pulposos vencimentos" e mais isto... e mais aquilo...

Afinal são problemas secundaríssimos!!!! São ou não são? Concentremo-nos noutros "pulposos" vencimentos vergonhosos, na corrupção danosa.

Admiro-me desta insistência permanente: o vereador ganha tanto, fulano só quer é o vencimento, etc..

E Outros? Sim, os outros...

Parece conversa de café, de cervejola na mão. Isto só divide, cria ódios pequeninos, impossibilidade de diálogo. Mesquinhez!

Ó Sr. António Freitas (que não conheço), o seu artigo parece muito bom, direto à realidade, parece ser muito pedagógico para quem decide e para a opinião pública, mas não o estrague com essa treta dos "pulposos vencimentos", "há gente bem paga que só lá aparece...", etc., porque desvia o tiro do alvo.

Sim, para criticar práticas de serviço público não é necessário trazer estas coisinhas enervantes, que infernizam as relações das pessoas, e ainda por cima apanhadas cá baixinho..

Se eu pegar em três câmaras de Portugal, a R.A. da Madeira, os roubos do BPN e BPP e outros tantos exemplos...., etc..

Até o jovem Dr.(?) Virgílio Lopes, agora Banqueiro (aliás, bancário estagiário), num seu interessante artigo no Templário da semana passada, decidiu, a certo passo, armar-se em Educador do Povo, engrossando a onda dos que se atiram aos mais fracos.

Escreve o meu caro Virgílio Lopes, um possível futuro valor tomarense, se deixar de vez de andar aos tiros sozinho contra um alvo fraco....:

"O cidadão deve iniciar um processo, que se quer como exercício pessoal e individual, no âmbito da prospeção da responsabilidade de cada um, na evolução, negativa diga-se, do Concelho de Tomar."

E mais uma chamada à ordem:

"A cada pessoa se lhe deve auto-imputar a sua quota-parte de responsabilidade, não por forças de terceiros, mas pelo seu próprio esforço de admissão da sua Nota de culpa" Ora toma! O Dr.(?) Virgílio Lopes até já parece o Dr. Miguel Relvas a falar.... E não será parecido...?

E continua dizendo que é essa assunção de responsabilidade individual, que permite a um órgão governativo actuar de "forma mais eficaz e eficiente possível" e, para que não restem dúvidas, há uma altura em que apela ao cidadão, em abstrato, para que faça a sua "auto-crítica", como se o Dr.(?) Virgílio, agora Banqueiro (corrijo: bancário estagiário), esteja já numa reunião de quadros de um Banco à maneira, ou numa reunião de militantes de um partido marxista-leninista.

Parece que não, mas tem relação com o artigo do Dr. Rebelo, ou seja, naquela parte final que referi.

Ora, quer num quer noutro caso, o que deve concentrar as nossas atenções é a parte de cima, bem cimazinha..., não a chã, onde há fome e angústia, e nesta base da sociedade está também a classe média (refiro-me especialmente à pequena-burguesia citadina e muito.... esclarecida), que tem direito a desenrascar-se como pode, especialmente quando a governação está nas mãos de gangues sem escrúpulos, que tratam os cidadãos trabalhadores e povo em geral como gado.

Isto não tem nada a ver com o artigo do Sr. António Freitas, tem a ver apenas com a parte final da resenha do mesmo feita pelo Dr. Rebelo, que não sei se nele é abordada. Eu aconselhava a não...

Parece que anda tudo grosso!

António Rebelo disse...

Meu Caro Cantoneiro:

Bem hajas pelo conselho. Sucede porém que Tomar a dianteira trata essencialmente do local e só de forma subsidiária do nacional.
O jovem Virgílio é ALVES e não Lopes, o que não alterando a substância permite no entanto recentrar o debate.
Não escrever sobre quem arrecada mais de 2.500 mensais e não põe os pés no lugar que oficialmente desempenha?! Era só o que faltava! Será que também achas simples desenrascanço haver no Convento quase 40 funcionários e mesmo assim não haver visitas acompanhadas?
Ainda te parece que anda tudo grosso?

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Peço desculpa ao Dr. Virgílio Alves pelo lapso. Não sei onde fui buscar o Lopes.

Séculos atrás existiu um famoso professor universitário de Latim, que se chamava Manuel Alves, e era tão bom, tão bom nessa língua, que professores e estudantes perguntavam uns aos outros: "Como é que vai o teu Alves?", ou seja, como é que vai o teu Latim?

Não joga... com a perdigota, mas dá-me para perguntar: Como é gue vai o Alves do Senhor Lopes? ou, então, como é que vai o Lopes do Sr. Alves?

Prontos! Não teve piada.

Sobre os que não põem os pés no lugar que oficialmente desempenham... - tens razão, mas não iria por aí. Não tenho jeito para essas fiscalizações.´A verdade é que a denúncia tem de partir de algum lado.

António Rebelo disse...

Não se trata de uma denúncia, uma vez que os nomes não estão lá, apesar de a reles situação se arrastar há anos, perante a complacência de todos aqueles que, sabendo perfeitamente o que se passa, preferem fazer de conta. Eles lá sabem porquê!

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

O.K. Certo. Sabes que tenho dificuldade a usar as palavras. Melhor: no manejo da nossa Língua.Às vezes não uso a palavra certa....

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

....., e foi por isso que não escrevi o romance sobre o Zé do Telhado, o que roubou aos ricos para dar aos pobres.