domingo, 31 de maio de 2009

RONDA DE FIM DE SEMANA

Há coisas realmente difíceis de entender. Todos os anos a autarquia gasta verbas importantes na reparação da Rosa do Mouchão e na construção do açude. Tudo porque fica bonito. Serve unicamente para ser visto, sobretudo pelos turistas, pois o antigo sistema de rega foi destruído aquando da recente e infeliz remodelação. Se é só para ser visto, como se justifica a situação actual, documentada na fotografia? Os tomarenses sabem que atrás do salgueiro-chorão está a roda a funcionar. Sabem também como a roda funciona. Mas os visitantes, senhores? São obrigados a adivinhar?

Conforme temos vindo a mostrar, há na cidade vastas zonas verdes e algumas rotundas a precisar de limpeza urgente e de rega a intervalos regulares. Enquanto isso, pelo menos uma vez por semana um jardineiro, com um regador e uma escadinha, lá vai regando os penicos que se vêem na foto, com uma infinita pachorra. Eventualmente murmurando para com os seus botões que não tem sorte nenhuma. É que deverão ser bem poucos os cidadãos que alguma vez repararam naquelas floreiras penduradas, no mais puro estilo manuelino. Ou gótico flamejante? E quando um trabalhador não percebe muito bem para que serve o seu trabalho...


Neste troço da antiga Rua de Coimbra, agora vedado ao fundo por motivos que ainda ninguém entendeu, este sinal de trânsito é mesmo em estilo tomarês. Tanta indicação para quê? Alguma vez lá esteve alguém a verificar se quem entra com o veículo é morador, ou vai para cargas e descargas? É evidente que não. Então não seria muito mais simples colocar uma só chapa com um T com o travesxsão a vermelho? Eventualmente até poderiam acrescentar BECO. Mas por favor, não acrescentem "sem saída", como é hábito, porque aí entrariam no estilo "arrecuar pra trás e assubir pra cima".


Para terminar por agora, um exercício de perspicobisbilhocácia (não vá ao dicionário que não está lá): Adivinhe qual é a bandeira que falta? Já percebeu? Exactamente!!! E sabe porque é que falta? Ora nem mais!!! Está a ver que a política local não é nada difícil? Que fazer então?! Olhe faça como aqueles alentejanos cautelosos da anedota. Quando lhes perguntaram se eram a favor ou contra o sexo antes do casamento, pensaram bem e falaram uns com os outros durante cerca de meia hora. Depois foram frontais -Somos a favor, mas só desde que não atrase a cerimónia!
Nunca fiando, que a vida dá muita volta!




PARQ T - A ORIGEM DAS MAZELAS 2

Vimos na primeira parte que, devido a carências do projecto adoptado, abundam as mazelas no conjunto do Parque de Estacionamento situado nas traseiras da Câmara. Além das já apontadas, acrescentamos agora a paupérrima inserção no terreno. De tal forma que, aparentemente concluída a empreitada, há zonas a carecer de urgentes acabamentos, como esta cujo tapume não esconde a ninguém o seu carácter provisório.


Se o tapume visto pelo lado externo já não é nada agradável, do lado oposto o aspecto é ainda mais desolador. Tem, no entanto, uma utilidade -permite ver uma boa parte daquilo que falhou no rascunho do projecto que foi usado.Perante este pseudo-acabamento fácil é perceber que o projectista não devia gostar mesmo nada de consultar atentamente as isoípsas. Compreende-se. Em zonas como esta, aquilo além de complexo tem uma tendência danada para fazer doer a vista. -E o que vêm a ser essas tais isoípsas? perguntará o leitor. São, em linguagem chã, "curvas de nível", que o mesmo é dizer linhas que, numa carta geográfica, unem pontos de igual altura ou altitude. São de interpretação algo complexa quando a zona em questão é bastante declivosa, como é o caso. Aparecem nas cartas geográficas com um aspecto de cabeças humanas que já perderam bastante cabelo.
Pois neste projecto do parque, factores convergentes apontam no sentido de não terem sido devidamente levadas em linha de conta as tais curvas de nível. O mesmo é dizer que foi involuntariamente escamoteado o declive acentuado, e as consequências estão à vista de todos. O terraço panorâmico e o café podiam estar uns bons dez metros mais acima, que não ofenderiam ninguém e... fico por aqui, em termos de projecção para o futuro, por causa dos abelhudos. Se já com a ideia inicial foi o que foi, o melhor é não lhes fornecer mais lenha, quando não ainda incendeiam isto tudo. Por agora é suficiente que os tomarenses tenham uma certeza -há remédio para as mazelas apontadas. Todas as mazelas apontadas.

Além das óbvias lacunas anteriormente elencadas, e de outras que voluntariamente se calaram, para não bater exageradamente no ceguinho, o acordo entre a Câmara e a Bragaparques também não contemplou, segundo tudo indica, a questão da manutenção. Ou seja: o dono da obra é a Câmara mas o concessionário da exploração do parque é a Bragaparques. Muito bem. E quem tem a obrigação de assegurar a manutenção do jardins suspensos, cujo estado é o documentado nestas duas fotografias? Aspecto importante, posto que, hoje em dia, as actividades que impliquem a utilização de muita mão-de-obra são bastante onerosas, pelo que qualquer empresário consciente tudo faz para se livrar delas ou as reduzir ao mínimo. Tudo indica que foi o que fez a Bragaparques, aproveitando-se da sua grande experiência face à ingenuidade do dono da obra, ainda demasiado verde nesta e noutras coisas.


Além de especificações técnicas como o café panorâmico e o ascensor, já elencadas na primeira parte, o projecto omitiu aspectos essenciais, como o da posterior manutenção, mas implicou a plantação de jardins suspensos, com sistemas de iluminação e de rega automática. Pena é que nada disto tenha alguma vez funcionado até agora. E não deverá ter sido unicamente por causa do contencioso ainda existente entre a autarquia e a Bragaparques.
Perante tal panorama, é urgente encarar desde já o retorno às origens, às componentes iniciais do programa. A saber: 1 - Consolidação digna do talude da Av. Vieira Guimarães; 2 - Café com esplanada realmente panorâmica; 3 - Saída de veículos do parqueamenteo que não implique com as liberdades fundamentais dos moradores da Rua do Pé da Costa de Cima; 4 - Ligação Baixa-Castelo; 5 - Reposição da Calçada de S. Tiago na sua traça primitiva; 6 - Estudo da eventual implantação de habitação de qualidade; 7 - Respeito absoluto pelo património, pelo ambiente e pelo enquadramento.
Dado que os fundos europeus só vão durar até 2013 (se durarem!), já não resta muito tempo aos autarcas que nos irão governar durante o próximo mandato para explicarem aos eleitores o que tencionam fazer em relação a esta nódoa no tecido do Núcleo Histórico. Cá contamos estar para agir no sentido de evitar que se esqueçam...



sábado, 30 de maio de 2009

PARQ T - A ORIGEM DAS MAZELAS 1

Entretidos, primeiro com os "arranjos" do Jardim da Várzea Pequena, do Mouchão, do ex-Estádio, do Pavilhão, do Parque de Estacionamento que mete água e das piscinas; depois com a discussão e posterior execução das obras do Flecheiro, os cidadãos esqueceram pouco a pouco as evidentes mazelas do Parque de estacionamento da Park T, ali nas traseiras do Paços do Concelho, no local do antigo mercado. Tais mazelas ou "defeitos de fabrico" resultam, como infelizmente já vai sendo hábito, de um projecto mal articulado e incompleto. Mal articulado porquanto se nota perfeitamente que não teve em conta todas as variáveis que era míster hamonizar. Incompleto porque não apresentou solução para nenhum dos principais problemas colocados -trânsito na Rua do Pé da Costa de Cima (na foto), sustentação da estrada de acesso ao Convento, saída do parque de estacionamento, café com terraço panorâmico, ligação Baixa-Castelo.
Tais carências resultaram de evidente precipitação e falta de humildade do "dono da obra". Eleito sem qualquer programa capaz, vendo-se na óbvia necessidade de "mobilar o mandato", como espírito prático que era, recorreu ao que havia. Ouvira falar vagamente da excelente ideia que seria construir um parque de estacionamento a poente da Câmara e zás! vamos por aí antes que se faça tarde! Há que aproveitar os fundos europeus enquanto há! E assim se avançou para a realização de um filme a cujo indispensável guião faltavam páginas fundamentais. Ou seja, para usar linguagem de engenheiro, o caderno de encargos não estava nem nunca ficou completo.
Para complicar ainda mais, o mal amanhado projecto inicial foi mandado para Lisboa, onde foi apreciado e emendado por uns senhores do IPPAR (agora IGESPAR), ao que parece mais acostumados a jogos de computador do que a projectos de parques de estacionamento em zonas ditas sensíveis.
A fotografia acima mostra uma das principais mazelas: para assegurar a saída do parque, os moradores da Rua do Pé da Costa de Cima ficaram sem acesso rodoviário até à porta. No sentido descendente é trânsito proibido, no sentido ascendente têm de transitar pelo interior do parque, o que implica pagar bilhete para poder levantar a barreira e saír. Temos assim uma situação única do País -moradores a quem não é concedida uma das liberdades fundamentais de qualquer cidadão, a liberdade de circulação.

Um outro dos problemas que era necessário resolver, já esteve na origem de um processo judicial que a autarquia perdeu, o que a forçou a pagar ao empreiteiro 750 mil euros + alcavalas. Mesmo assim a situação mantém-se, com o aspecto manhoso que a fotografia documenta. Aquilo que foi feito, alegadamente para sustentar a barreira, não é eficaz nem estético e envergonha a engenharia portuguesa, no dizer de um técnico qualificado. "Na América do Sul ou em África, enfim! Agora na Europa, no século XXI? Tenham pena de mim" exclamou com ar magoado.


Tendo ouvido falar, nos primórdios, de café panorâmico, esplanada, elevador, o dono da obra, cuja principal qualidade nunca foi a humildade, julgou ter percebido perfeitamente o filme, apesar de só ter ouvido alguns fragamentos da história, se calhar até mal contada. Vai daí, ordenou que o parque a construir devia incluir uma escada de acesso à cobertura, um ascensor, um terraço em calçada à portuguesa e instalações para um café. Além de outras especificações que veremos a seu tempo, na próxima peça.
A ilustração mostra o estado actual das coisas. Há realmente uma larga escadaria, um terraço em calçada, um ascensor e instalações para um café com esplanada. Não será nunca aquilo a que se poderá chamar panorâmica, mas enfim! Lástima das lástimas, como era previsível a partir do erro inicial de concepção, aquilo nunca funcionou nem vai funcionar. O café esplanada porque ninguém vai aceitar explorá-lo na localização que agora tem; o elevador porque sem café-esplanada a funcionar não serve rigorosamente para nada. Uma desgraça nunca vem só...



sexta-feira, 29 de maio de 2009

ESCLARECIMENTO

Imediatamente antes de escrevermos o comentário anterior, estivemos a visionar a intervenção da SIC no caso do bloqueio da estrada da Ponte de Peniche, que antes passara no mesmo canal e no citado programa. Por motivos que desconheço, entretanto o vídeo desapareceu do nosso colega tomaracidade. Pelo facto pedimos desculpa aos nossos leitores.

Redacção de Tomaradianteira

SÓ FALTAVA MAIS ESTA!!

O inesperado acaba de ocorrer no programa "Nós por cá", na SIC. Um proprietário da zona da Ponte de Peniche, cuja estrada liga as freguesias de Casais e Santa Maria dos Olivais, resolveu cortar aquela tradicional via de comunicação rural com uma fiada de grandes pedregulhos soltos. Este insólito acto aconteceu há dois meses e deixou sem acesso rodoviário aos seus domicílios três famílias. Face a esta situação, os presidentes de ambas as freguesias, Jaime Graça e António Rodrigues, eleitos pelo PSD, apareceram hoje na SIC a lamentar que a Câmara, igualmente do PSD, nada tenha ainda feito até agora para resolver a situação.
A repórter da SIC esteve na Praça da República, tendo sido informada que a autarquia já tinha tido conhecimento do caso através da Protecção Civil. Acrescentaram que a Câmara irá agora apresentar queixa no tribunal, visto que a GNR não procedeu à desobstrução do caminho. Mas ninguém achou útil dar a cara. Tais são, em síntese, os factos apresentados na SIC.
Parece resultar de tudo isto que existem no seio dos autarcas sociais-democratas tomarenses divergências importantes. A tal ponto que duas das principais estrelas da companhia, por sinal igualmente apoiantes do vereador Carlos Carrão (que é dos Casais e reside em Santa Maria), julgaram ser mais importante falar à SIC contra o actual presidente, do que respeitar a natural solidariedade partidária. Por outro lado, não deixa de ser significativo que os dois semanários locais, cujas orientações editoriais são conhecidas, nada tenham escrito até à data sobre o assunto, e tenham sido preteridos pelos dois autarcas a favor de um programa televisivo.
Face a esta última peripécia, adquire outro significado a entrevista da vereadora independente, apresentada pelo PSD, Rosário Simões. Publicada esta semana em Cidade de Tomar, pareceu demasiado extensa para tão pouca matéria de facto, levando a pensar que se tratou sobretudo de marcar território para quaisquer eventualidades, tanto mais que a entrevistada se recusou a falar das próximas autárquicas, declarando deixar essa tarefa para o actual presidente. Em guisa de conclusão, quatro perguntas nos parecem indispensáveis: Carlos Carrão ainda não desistiu da sua ideia de ser cabeça de lista? Sandra Mata ainda se considera bem posicionada para o terceiro lugar da lista, em princípio para uma mulher? Conseguirá Miguel Relvas continuar a pilotar o barco até às autárquicas, mesmo se entretanto os outros resultados do PSD forem pouco favoráveis? Como se explica a patente passividade de Corvêlo de Sousa?
Os interessados em mais precisões e imagens podem ver o vídeo do "Nós por cá" em www.tomaracidade.blogspot.com

UMA BOA OUTRA MÁ


Ao contrário das obras da autarquia, que parece terem uma tendência doentia para enguiçar, as reclamações que aqui vamos fazendo têm sido atendidas. Ou pelo menos tudo indica que assim é. Ainda ontem se reclamou contra a falta de rega e de manutenção das zonas verdes do Flecheiro, e já hoje lá andavam a ensaiar os bicos de rega. Ainda bem! Poderá ter sido simples coincidêndia mas de qualquer maneira...Esta era a boa notícia.
xoxoxoxoxoxoxox
Agora a má. Embora haja aqui no blogue quem esteja muito habituado a lidar com crianças de todas as camadas sociais, é sempre muito desagradável ter de aturar criaturas desiquilibradas, cuja idade mental não deve ultrapassar os três anos. E se calhar já estamos a ser benévolos. Que pretendem tais microcéfalos? Satisfazer o seu sadismo mal assumido? Inchar o ego em regime de circuito fechado? Tentar arranhar os ditos cá do pessoal? Dar nas vistas?
Qualquer que seja a resposta, fica desde já entendido que não tencionamos perder mais tempo a limpar as cacas malcheirosas dos meninos mimados. Vão escrevendo à vontade, que não apagaremos mais nada. Quando nos parecer que já chega, bastar-nos-à clicar em "moderação de comentários" e acabou-se. Os pequenos cagões terão de ir comer ranheta para outros lados. Estamos entendidos?

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Redacção de Tomar a dianteira Colaboração CLIPNETO
Esta semana O TEMPLÁRIO foi mãos largas. Reproduziu a nossa peça sobre a intervenção de José Lebre na sessão pública da autarquia e foi buscar umas intervenções de leitores nossos, já velhotas, sobre o choupal do Açude de Pedra (agora com o acesso vedado) e as suas excelentes qualidades como local para namorar. Nos idos do século passado, que agora qualquer local serve, tal é a pressa em passar aos finalmentes. De qualquer forma, os nossos agradecimentos ao semanário dirigido por José Gaio. Sirvam-se à vontade. Enquanto houver, claro!
No CIDADE DE TOMAR três tópicos a merecerem destaque e cuidada atenção: A entrevista de Rosário Simões, um artigo de opinião assinado Luis Ferreira, sobre a crise na Platex/IFM e a entrevista de um estudante belga, Thibaud Berkvens, que esteve e Tomar durante três meses, a estagiar sob a égide do Programa Erasmus e do IPT.
A entrevista da vereadora Rosário Simões pareceu-nos três vezes estranha. Estranha pela forma, que torna a sua eventual leitura bastante árdua; estranha pelo conteúdo, pois tudo o que lá é abordado já antes era do conhecimento público; estranha enfim pelo momento em que é publicada, dado que a entrevistada tem geralmente tanto de honesta, devotada e competente, como de discreta. Falta, por conseguinte, encontrar uma explicaçao cabal para semelhante situação, que em política nada acontece por mero acaso. Simples receio de vir a ser preterida no terceiro lugar da lista?
Luis Ferreira, com quem nem sempre concordamos, tanto em termos de forma com de fundo, publica neste caso um bom texto, no qual alinha tudo o que deve ser dito, sobretudo nesta altura de crise. "Mas alguém imagina que uma empresa pode pagar o que quer que seja se não vender? Que pode manter mais de 200 empregos se não produzir? Que o Estado ou algum banco viabilizam uma empresa bloqueada, que não produz, nem vende?" Tem razão Luis Ferreira neste caso. A conhecida política do "Quanto pior melhor" nunca passa do pior. E somos sempre nós, os contribuintes todos, a pagar. Assim ou assado.
As declarações do citado estudante belga parecem-nos importantes porque ele veio de e voltou para outro mundo -a Europa do Norte, ou Europa Anglo-Saxónica, maioritariamente protestante, por oposição à Europa Latina, maioritariamente sob a alçada do Vaticano.
Não é o local nem o momento para ampliar a questão. Queremos apenas realçar algumas passagens da entrevista, por nos parecerem muito pertinentes. Questionado sobre a forma como encaramos o turismo, foi directo: "Há muitas falhas em termos de infraestruturas, falta sempre alguma coisa essencial. No caso do Convento de Cristo, onde fiz a parte principal do estágio, começa logo por falhar o acesso, o largo de estacionamento, a sinalização. Toda a sinalização devia ser prática e eficaz, e isso não acontece. Devem ser melhoradas as infraestruturas, a organização." Sobre a nossa comida também não teve papas na língua: "Confirmei que a comida é diversificada, mas falta-lhe alguma originalidade. Quando comparada com a comida belga, senti falta de molhos, que dessem consistência às carnes. Há uma certa rotina..."
Assim falou um jovem estudante, turista estrangeiro, ainda com muita falta de experiência e de conhecimento do mundo, mas igualmente com a língua ainda sem os travões ditados pelas conveniências, conquanto se note, apesar de tudo, que procurou não ser agreste. Agora imaginem o que pensarão os passarões velhos que por aqui passam de visita, após dezenas de outros países...
Destaque outrossim para uma local do MIRANTE, na página 43, mas com pequena chamada na primeira página: "Auditoria às contas da Festa dos Tabuleiros de 2003 -Câmara Municipal de Tomar quer contas encerradas e esclarecidas".
Na nossa opinião, parece haver inversão. O que a autarquia deve querer é as contas esclarecidas e encerradas. Ou estaremos a ver mal? É que a prosa da notícia tem ainda uma outra ferida -"Corvêlo de Sousa deu uma resposta breve mas concisa". É indubitável: se foi breve, só pode ter sido concisa. Avancemos...
Sobre o fundo da questão, parece-nos que desencadear uma auditoria só seis anos após a ocorrência dos factos, ou é humorístico ou surrealista, que o surrealismo está agora muito na berra por estas paragens. O imbróglio começa logo na comunicação social tomarense. O CIDADE de TOMAR finge que não sabe de nada, para não enxovalhar o seu director. O TEMPLÁRIO, por sua vez, abstém-se nessa matéria, se calhar para que ninguém pense que se está a meter com o semanário vizinho.
Salvo melhor opinião, sendo conhecido que nunca houve carta de missão, nem guião, nem folha de estrada, nem algo que se pareça com planeamento, nem relação de normas e procedimentos, a única coisa de que se pode agora acusar o mordomo António Madureira é de ter sido pelo menos triplamente imprudente. Imprudente porque aceitou uma empreitada para a qual não estava preparado. Imprudente porque avançou desprovido dos mais elementares planos de actuação. Imprudente, enfim, porque embarcou, ou foi embarcado, em compras mal justificadas e numa contabilidade demasiado aproximativa.
Face a tudo isto, que se pretende afinal determinar, agora, seis anos passados, com a auditoria em curso? Se já na altura faltaram documentos, esperam encontrá-los agora? Têm a certeza que a auditoria não vai custar-nos, aos contribuintes, mais do que as dívidas ainda existentes? Não? Então também não deve ser grande coisa. Em geral os bons auditores fazem-se remunerar a peso de oiro.
Tratem mas é de liquidar os compromissos existentes para com os credores, desde que devidamente justificados, bem entendido; encerrem as contas e agradeçam ao mordomo os leais serviços prestados à comunidade tomarense. Se acharem que o devem fazer, está claro. Ficaremos todos a ganhar. Experiência.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

SANTA MARIA DOS CAPINZAIS???

Anunciada como uma obra emblemática, para requalificar toda a zona do Flecheiro, a empreitada da nova ponte foi antecedida de forte contestação. A tudo, os eleitos do PSD, liderados por António Paiva, responderam sempre que ia ficar tudo muito bonito quando estivesse acabado. Com os prazos legais há muito esgotados, nem ditos nem modos. Pior ainda: o estaleiro foi abandonado pela sociedade construtora e está tudo parado. Está instalado um sistema de rega automática. Falta quem o ponha a funcionar regularmente. Também não há quem cuide das zonas relvadas, como se pode ver nesta fotografia e na seguinte. Que se passa afinal?

Junto à Igreja de Santa Maria dos Olivais, o panorama é desolador. Árvores e arbustos a secar por falta de rega, espaços verdes transformados em hortas incultas. Até parece que estamos à porta da Igreja de Santa Maria dos capinzais.


Agora que até já se fala na hipótese de substituir a gravilha por um revestimento mais confortável, os quadriláteros mais chegados à Torre Sineira e à Igreja continuam por acabar, há mais de um mês. Falta resolver o problema do escoamento, não previsto no projecto inicial, segundo julgamos saber.


A jusante do açude insuflável, o aspecto é este. Uma barreira de sacos de rede metálica com brita da mais grossa. Foi a forma mais rápida e económica que encontraram para obstar à erosão do leito do rio, provocada pela queda de água. Também podiam ter feito uma sapata adequada, em betão. Era muito mais discreto mas igualmente mais caro. Adoptou-se a solução mais barata. O clássico desenrascanço português.
Com a obra quase acabada, cabe perguntar -Após os erros cometidos no Mouchão, se era para ficar ainda pior, qual foi a ideia de gastar tanto dinheiro dos contribuintes?
Nos finais do século XIX, durante o reinado do senhor D. Carlos, João Franco costumava dizer "O governo e os parlamentares são bons. O povo é que não presta para nada." Estarão os senhores autarcas que agora nos administram a pensar intimamente algo parecido? É que, bem vistas as coisas, se os eleitores do PSD tivessem iniciativa e gostassem de resolver problemas, bem podiam arranjar umas ovelhinhas e umas chibinhas para comeram todo aquele capinzal. Alimentavam o gado, resolviam o problema da autarquia e ainda podiam aproveitar para regar durante as horas de pastorícia. Era tudo lucro. E não nos venham com a história de que não há ovelhas, nem carneiros, nem cabras, nem chibos entre o eleitorado social-democrata, sabido como é que estamos perante um partido muito bem implantado nas zonas rurais. Ou não? A ideia aqui fica. À borla!




MAIS UM CASO OU PIOLHOS OU VOTOS


Na sequência daquele nosso postal sobre as árvores da Rua dos Arcos infestadas com piolhos e sobre os inconvenientes daí resultantes, um leitor de TaD achou-se com iguais direitos. Como habita, supõe-se, na Av. Egas Moniz, onde também há árvores da mesma espécie e com a mesma moléstia, vá de criticar aqui o pessoal do blogue, por não abordarem o assunto. Pois aqui fica a referência, com fotografias e tudo. Nelas se pode constatar que tanto as olaias da direita como as árvores decrépitas da esquerda, cuja designação desconhecemos, há muito que estão a pedir cuidados e, para algumas, substituição quanto antes.
Dito isto, convém esclarecer que Tomar a dianteira não é nenhum serviço público de reclamações, nem os que o fazem são ou aspiram a ser provedores dos eleitores tomarenses. Pelo contrário. Conquanto sempre prontos a colaborar em causas justas, continuamos a pensar que "Quem tem boca não manda soprar." Há uma reunião pública mensal na autarquia, durante a qual os cidadãos podem expor livremente os seus problemas. Mas é mais fácil mandar os outros para a cabeça do bicho, não é verdade? Os tomarenses sempre foram muito corajosos. Ultimamente então ainda estão melhor.Se calhar até é capaz de haver alguma ligação entre essa usual atitude de "vai lá indo que eu já vou" e o estado em que isto está, com sérias tendências para piorar. Se formos a ver bem... O povo bem diz que "Quem quer bolota trepa", mas quê, recebê-la já descascada e pronta a comer é outra vida. Resta saber se poderá continuar a ser como até aqui. Já falta pouco.

AS ATRIBULAÇÕES DOS PATOS TOMARENSES


Nascer e viver tomarense é cada vez mais problemático. Que o digam os nossos patos ainda livres ali no rio. Um casal deles, fartos de ratazanas, lontras, pombos e garças, resolveu trazer a descendência para um local mais limpo e arejado. Inicialmente ajudados na sua tarefa pelo bom do Manel Cavalo de Pau, que pacientemente lhes colocou a filharada na água, cedo as coisas se complicaram. Com a melhor das intenções, alguns dos nossos bombeiros, decerto pouco habituados a viver em liberdade, terão entendido que o normal é as pessoas cá fora, os patos no rio, os patos bravos na Serra e em Lisboa. E vai de agarrar na família e mandá-la de volta para o Nabão. É claro que o macróbio casal, já bem acostumado a estas paragens, tomarense e portanto teimoso, não tardou a regressar à Rotunda.
Foi então a celebridade local, na net, na rádio e nos jornais. Os tais dez minutos de glória a que todos temos direito e aspiramos, de acordo com os especialistas da "com". Depois é que foi o delas! Vieram curiosos e cada cabeça sua sentença. Pouco dias passados, um profissional da zona, se calhar adversário dos bens livres ou comunitários, deve ter pensado "Se não os aproveito eu, aproveitam-nos os outros; assim como assim, primeiro eu." E levou quatro patinhos para casa. Ficaram oito e os progenitores.
Mais um dia ou dois e apareceram uns jovens alunos de mochilas às costas, oriundos de determinado bairro social da cidade. Tendo por herança o hábito de viver financiado pelos contribuintes, acharam concerteza que o que está em Portugal é dos portugueses, além de que "Se não os levamos nós...". E lá desapareceram nas mochilas mais cinco patinhos. Restaram quatro, mas por pouco tempo. Nessa mesma noite, um bêbado mal disposto (as bebidas baratas raras vezes assentam bem...) agarrou num dos sobreviventes e resolveu estrangulá-lo. Eventual vingança por se saber alcoólico e não ter coragem para largar o vício.
Profundamente desapontado com tanta barabaridade gratuita, o líder local do grupo ambientalista AQUA decidiu proteger os três últimos patinhos. Estão agora numa das montras do estabelecimednto paterno, junto à Rotunda. São bem tratados. Têm água, comida de qualidade, um espelho para não se sentirem sozinhos e um pequeno projector par aquecimento. Nunca estiveram tão bem. Segundo o seu benfeitor, quando atingirem a idade adulta serão postos em liberdade. "Como deve ser".
Entretanto 0 casal progenitor foi visto ali para as bandas do Agroal. "Em Tomar não ficamos mais. Aquilo é só complicações. Um dia destes ainda nos iam obrigar a ter bilhete de identidade, cartão de contribuinte, cartão de vacinas, cartão de eleitor e licença para acampar nas margens do Nabão. Tudo isso para quê? Para acabarmos numa mesa farta, com rodelas de laranja e muito arroz? Livra!!!" E lá foram, livres como o vento. Alguém tem a coragem de os criticar?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

NOTAS VÁRIAS

BOAS NOTÍCIAS

Pessimistas militantes, os tomarenses não se cansam de dizer que ninguém liga ao que escrevemos aqui. Realmente também somos um pouco dessa opinião. Ultimamente, porém, as coisas parece terem mudado nalguns pontos. A oliveira aqui referida, que ia vivendo numa junta de duas pedras, ali na Torre de Santa Maria dos Olivais, já lá não está. A Rua dos Arcos, cujas árvores aqui criticámos por largarem uma baba assaz nociva e terem piolho, não só foi lavada por trabalhadores da autarquia, como até foi prometido que vão procurar remédio anti-piolho e pulverizar. Após sucessivas críticas aqui formuladas, Tomaracidade noticou que a autarquia, na sua reunião de ontem, aprovou por unanimidade a remodelação dos sanitários públicos da Várzea Grande, da Calçada de S. Tiago e do antigo campo de ténis e cine-esplanada, cuja foto aqui foi publicada ontem. Ainda de acordo com a mesma notícia, uma vez remodeladas, as sentinas passarão a ser pagas, mediante inserção de moedas adequadas nas fechaduras.
É muito provável que se trate de meras coincidências e que as nossas críticas até tenham caído em saco roto. De qualquer forma, aqui fica devidamente assinalado que, nos casos supramencionados, agradecemos e aplaudimos.
MÁ NOTÍCIA
Ainda de acordo com www.tomaracidade.blogspot.com o executivo deliberou, na sua reunião de ontem adquirir um novo autocarro, posto que o actualmente em serviço, comprado durante o mandato de Pedro Marques, já tem 16 anos, o que o torna impróprio para o transporte de crianças.
Há aqui, parece-nos, dois problemas distintos -a idade do autocarro e a Câmara como transportista de passageiros. Sobre o primeiro, é assaz curioso que autocarros com determinada idade, sem qualquer referência à quilometragem percorrida, sejam declarados inaptos para o transporte de uma classe de passageiros, neste caso as crianças, mas bons para os outros passageiros. Seria útil, na nossa modesta opinião, que o tribunal competente nos informasse como é que tal situação legal se compagina com o princípio da igualdade de todos perante a Lei. Seria igualmente conveniente esclarecer porque é que um autocarro com, por exemplo, 400.000 quilómetros e 15 anos, é melhor legalmente do que um outro com 17 anos e 350.000 quilómetros.
Há coisas que nos custam a engolir. Como aquela dos enriquecimentos injustificados, em que o prevaricador pode arrecadar tranquilamente 40%, desde que pague 60% ao fisco.
O outro aspecto da questão do autocarro, que é afinal o mais importante, reside na questão de saber se a autarquia tem vocação para transportista. No nosso entender não tem. Isto porque ao assumir essa função está a invadir a área de trabalho dos industriais de transportes de passageiros, os quais pagam os seus impostos para poderem operar no mercado e não para sofrerem a concorrência desleal da autarquia. Por outro lado, tudo aponta no sentido de que ficaria mais barato à autarquia alugar autocarros privados do que ter autocarro próprio. Na verdade, não havendo autocarro camarário, gratuito ou tendencialmente gratuito, as viagens diminuiriam consideravelmente. Acresce que seria uma excelente maneira de acabar com a tradicional divisão entre filhos, enteados e afilhados, habituando os pais e as crianças à vida real no seio de uma sociedade, na qual, embora por vezes possa não parecer, tudo se paga, de uma forma ou de outra, pois "não há almoços grátis", como é bem sabido de todos.
Concluindo esta questão, será útil relembrar que a autarquia vai ter de reduzir despesas, quer queira, quer não. Comprar um novo autocarro, por mais de 300.000 euros, não nos parece ir na boa direcção.
ESCLARECENDO OS ELEITORES
Vai por aí alguma agitação por causa das afirmações aqui escritas sobre as eventuais relações laborais do trio Paulo Fonseca/Becerra Vitorino/Luis Ferreira. Esclarecemos que essas relações, caso existam realmente, nada têm de ilegal. Convém apenas que se saiba delas no momento adequado.
Numa linguagem cordata, um dos mencionados, Luis Ferreira, já escreveu no seu blogue que não tem qualquer relação, a não ser partidária ou hierárquica, com Paulo Fonseca e Becerra Vitorino. Na ausência de mais detalhes, continuamos sem resposta sobre as eventuais sociedades lideradas por Paulo Fonseca, sobre a prestação de serviços às mesmas sociedades, designadamente na área do distrito, por parte de Becerra Vitorino ou de entidade por ele tutelada, bem como acerca da existência ou não das declarações de rendimentos e de interesses, por parte dos socialistas eleitos no quadro do município de Tomar, Becerra Vitorino e Luis Ferreira, cuja honorabilidade nunca esteve nem está em causa aqui no blogue. Estamos apenas a verificar no terreno informações de confiança, provenientes do interior do próprio PS/Tomar.

A FAMA E O PROVEITO

O nosso recente escrito, sobre as ligações entre alguns políticos locais e o mundo dos negócios, parece ter vindo agitar algumas águas. Pelo menos a julgar por um dos comentários/respostas, cujo estilo assanhado nos parece denotar alguma atrapalhação, geralmente caraterística de quem é "apanhado com as calças na mão". Porque a singela verdade é esta: não só as informações colhidas são de fontes idóneas, como até o que foi escrito se limita a noticiar factos, sem qualquer conotação. E nem poderia ser de outro modo, dado que as ligações e actividades mencionadas são perfeitamente legais. Serão igualmente inatacáveis? É o que falta apurar, por culpa dos próprios implicados, embora não exclusivamente.
Como é sabido, sempre houve e continua a haver neste país uma "cultura do segredo e da dissimulação", incompatível com uma democracia robusta. Tendo entendido isso, o actual governo tem vindo a agir no sentido de tornar tudo mais transparente, para que não haja zonas de sombra nem, sobretudo, fugas aos impostos. Temos assim a lei que obriga os titulares de cargos públicos a declarar os seus rendimentos e interesses, sendo essas declarações de consulta livre. Há, igualmente, a lei 46/07 que faculta o acesso e a eventual fotocópia de qualquer processo administrativo, sem necessidade de justificar qual o fim em vista.
Infelizmente, os senhores políticos que temos parecem continuar a pensar, como a personagem do Lampedusa, que quanto mais isto muda mais fica na mesma. E va daí, quando algum incauto ousa escrever o que, segundo eles, não devia, enervam-se, irritam-se, exaltam-se, mas não dizem nem sim nem sopas. Passam ao ataque. Criticam os outros.
No caso que agora nos ocupa, a eventual sociedade Miguel Relvas, Duarte Nuno, António Lourenço, nada tem de menos legal ou ético, o mesmo sucedendo com a eventual operação de alienação de património municipal, desde que respeitados todos os condicionalismos legais, como parece estar a ser feito. Essa ideia de que os políticos no activo perdem parte dos seus direitos enquanto cidadãos, não passa de um equívoco. Um político pode agir como qualquer outro cidadão livre, desde que o faça nos estritos limites da legalidade e tenha em conta a ética vigente.
Sobre as alegadas ligações Luis Ferreira/Becerra Vitorino/Paulo Fonseca, no âmbito de empresas dominadas ou geridas por este último, também não há nada a dizer do ponto de vista legal e ético. Ou haverá? É que pelo menos uma reacção foi tão ácida...
Tanto com aquele como com este grupo, o único aspecto que nos interessa, enquanto cidadãos pagadores de impostos e eleitores, é se tudo está devidamente legalizado, sem alçapões ou outros ardis. No caso do senhor deputado Relvas, por exemplo, soube-se pela imprensa diária que é consultor de 4 (ou 5?) empresas. Pois agora, que estamos em ano eleitoral e poderá haver mudanças significativas, seria de todo o interesse, para ele e para nós, que nos fosse explicitado quais são essas empresas, quanto lhe paga cada uma e em que especialidade ou especialidades o consultam. Dir-se-á que são coisas do domínio privado. Pois não são, não senhor. Ignorando quanto lhe pagam, como se poderá saber se os respectivos impostos são efectivamente liquidados? Ignorando qual a especialidade das consultas, como se poderá determinar se estamos ou não perante pretextos para gratificar parlamentares eleitos?
O mesmo se aplica ao supracitado trio socialista. Exercem todos funções públicas, em lugares de escolha, confiança e nomeação políticas. Desempenham, em regime de permanência ou de substituição, os cargos aos quais concorreram e para que foram eleitos. Onde estão as respectivas declarações de rendimentos e de interesses? Estão à espera de quê para as publicarem, no vosso próprio interesse, como forma de evitar a proliferação de calúnias?
Ontem já era tarde. E teria sido muito mais eficaz do que aquela "lógica do malandro", no estilo "os outros é que são uns malvados, de maneira que se nós não fizermos, fazem eles e a gente fica a perder".
Ficamos a aguardar...

terça-feira, 26 de maio de 2009

LOCAIS E CONFIDENCIAIS - 2

Confidenciais não porque sejam segredo. Unicamente porque a imprensa local está praticamente impedida de falar nestas coisas, por causa da publicidade e dos assinantes. Já que se fala em imprensa local, pessoa amiga e bem informada garantiu-nos que, apesar do recente desmentido de um dos seus administradores, CIDADE DE TOMAR está mesmo a atravessar um mau momento. Quebra na publicidade, nos assinantes que pagam e nas vendas. Administrativos a mais e operacionais a menos. Estilo redactorial ultrapassado. Continuam à procura de novo director mas todos os já sondados agradeceram a grande honra e declinaram. O próprio director terá confirmado todos estes factos numa recente reunião no Governo Civil de Santarém.
E passamos à fotografia, que evidentemente não tem qualquer relação com o escrito anteriormente.
Uma das raras sentinas públicas ainda em funcionamento na área urbana, apresenta este aspecto. Materiais inadequados para instalações de uso intensivo, não há papel higiénico, nem piaçá, nem sabão, nem secador. Mas estava mais ou menos limpa quando por lá se passou. A indicação por cima da porta é que era escusada. Pelo cheiro intenso, chega-se lá sem problema.

E esta hein? Uma típica tasca alentejana, na Rua da Fábrica, em Tomar. Há realmente um regulamento de cores. Porém, se não erro, aplica-se unicamente no chamado Núcleo Histórico. Quando aplica, claro! De qualquer maneira, a fachada está de acordo com as regras da arte, com o rodapé mais escuro, para disfarçar os salpicos e outras sujidades.



Igualmente na Rua da Fábrica, o que mostra a fotografia é um magnífico condomínio fechado. Pessoalmente, não gosto assim muito das cores escolhidas, que cheiram a novo-rico. Ensinaram-me todavia, na altura própria, que nunca é conveninte discutir sobre gostos ou sobre cores. Ainda assim, não consigo abster-me de criticar aquele rodapé branco, exactamente o oposto do que impõe a tradição. Após meia dúzia de bátegas bem fortes, serão obrigados a mandar limpar ou pintar outra vez. A não ser que, entretanto, resolvam rectificar o tiro.



POLITICAMENTE INCORRECTO

UMA HISTORIA DE PASMAR
Está na última página do Diário de Notícias de hoje. Assinada por um jornalista branco, Ferreira Fernandes, nascido e educado em África. Li e fiquei banzado. Por isso decidi contar aqui. Para que nunca uma coisa dessas ocorra nas margens nabantinas. De onde saíram os meios para financiar a empresa dos descobrimentos.
Todos sabemos que os Estados Unidos se orgulham de ser a pátria da liberdade. Que já pagaram com muitas dezenas de milhares de mortos em combate a defesa dessa mesma liberdade. Sabemos igualmente que continuam a liderar esse combate à escala mundial, tal como também não ignoramos que acabam de eleger, pela primeira vez, um presidente democrata e afro-americano. Pois foi por tudo isto e muito mais que fiquei de boca aberta após a leitura da tal história, que é extremamente simples e terrivelmente elucidativa.
O cidadão Paulo Serôdio nasceu em Moçambique, filho de portugueses há três gerações em África. Emigrou para os Estados Unidos e naturalizou-se americano. Casado, com filhos, resolveu ir cursar medicina, apesar de já estar na casa dos 40. Na Faculdade de Medicina de Nova Jérsei, em Newark (cidade que fica próxima de Nova Iorque, onde habitam milhares de portugueses e luso-descendentes) pediram a cada um dos alunos que se definisse culturalmente. O sr. Serôdio disse ser "afro-americano branco". Logo uma colega negra se sentiu insultada e reagiu de forma pouco amena. Então o professor ordenou ao sr. Serôdio que nunca mais se definisse assim. Como ele insistiu, foi suspenso das aulas e corre contra ele um processo judicial. Nos Estados Unidos, pátria da Liberdade! A poucos quilómetros de Nova Iorque, a tal que nunca dorme! Numa Faculdade de Medicina! Agora digam-me lá se não é mesmo de ficar de boca aberta??!!

( Os interessados em mais detalhes podem ir ao site da ABC TV, ou ao blogue www.blasfemias.blogspot.com )

LOCAIS E CONFIDENCIAIS

OBRAS COM FALTA DE RESILIÊNCIA

Elemento influente do PSD/TOMAR, ligado à sua fundação, confidenciou a Tomar a dianteira, em tom de lástima, que está muito decepcionado com a evidente falta de resiliência da actual maioria camarária, face às recentes críticas que lhe foram dirigidas, a propósito de eventuais ilegalidades cometidas nas obras de requalificação do Centro Histórico. Confessou temer que agora possamos ficar meses e meses com algumas ruas pavimentadas a gravilha, enquanto não se encontrar uma solução para o caso, o que provocará o aumento da debandada da já reduzida população da denominada Cidade Velha. "Por este caminho, um destes dias não mora cá ninguém, como está quase a acontecer a Praça da República", rematou.
CHEGAR A BRASA À SUA SARDINHA
O presidente da Câmara anunciou recentemente que se vai proceder à demolição do que resta da antiga Messe dos Oficiais, por razões de segurança, uma vez que, apesar de escoradas, as paredes sobreviventes ameaçam ruína.
Fontes credíveis garantiram-nos que afinal não se trata unicamente da ameaça de ruína, embora seja quase certo que o autarca tomarense agiu de boa fé e convencido da autenticidade do tal perigo de derrocada. Na verdade, segundo a nossa fonte, digladiam-se actualmente, no estilo luva branca e punhos renda, dois grupos de oficiais das Forças Armadas, uns no activo, outros na reserva, cada um defendendo a sua dama. Um grupo pretende que o edifício que substituirá o actual deve ser feito no Entroncamento, por ficar mais perto de Abrantes, Tancos e Santa Margarida, e dispôr de melhores transportes. O outro grupo acha que tal equipamento deve ser feito em Tomar, onde sempre esteve e cujo prestígio é incomensuravelmente maior. Cada um vai procurando chegar a brasa à sua sardinha...

INSPECÇÃO PROLONGADA NUMA DAS CONSERVATÓRIAS

Tomar a dianteira sabe que decorre desde há algum tempo um minuciosa inspecção aos serviços da Conservatória do Registo Predial de Tomar. Tal iniciativa terá sido despoletada por reclamações de alguns cidadãos que se sentiram lesados. Segundo conseguimos apurar, conquanto a auditoria prossiga, é já possível avançar que há sérios indícios de irregularidades, susceptíveis de vir a configurar um ou vários crimes de peculato, de montante bastante elevado. A nossa fonte escusou-se a falar em números, mas acrescentou que já em tempos, numa outra cidade próxima de Tomar, uma funcionária foi indiciada por desvio de fundos públicos, podendo haver relação entre esse caso e actual.


CONSTRUÇÃO CIVIL E OBRAS PÚBLICAS É QUE ESTÁ A DAR

Fonte geralmente bem informada garantiu-nos que uma sociedade, composta por Miguel Relvas, Duarte Nuno Vasconcelos e António Lourenço dos Santos, vai licitar e tentar comprar o Antigo Convento de Santa Iria/Antigo CNA Feminino, cuja hasta pública, seguida de negociação particular, está prevista para o próximo mês, com uma base de licitação de milhão e meio de euros. A confirmar-se tal hipótese, tinha razão o presidente Fernando de Sousa quando garantiu que já havia interessados naquela compra, o que na altura pareceu muito pouco provável, dada a profunda crise que se vive no país, particularmente sensível na área da construção..
Recorde-se que, de acordo com frequentes conversas de café, todavia ainda nunca desmentidas, o governador civil Paulo Fonseca administra quatro ou cinco empresas da mesma área, com empreendimentos no distrito, designadamente na zona de Tomar, tendo entre os seus colaboradores permanentes Becerra Vitorino e Luis Ferreira. A ser assim assim, não há dúvida -Construção civil e obras públicas é que está a dar. Além da política, naturalmente!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

OCUPAÇÃO HOTELEIRA DE MONUMENTOS


O jornal PÚBLICO inseriu na sua edição de ontem, sob o ante-título "Polémica - Transformação de património público em espaços de turismo", um trabalho de duas páginas, assinado Alexandra Prado Coelho. Na página da esquerda, o título é interrogativo: "Há vida para lá dos hotéis de charme ou de luxo?" Segue-se um cabeçalho esclarecedor: "A transformação de monumentos e palacetes em hotéis de charme ou de luxo não é uma novidade. Mas ultimamente algumas propostas originaram polémicas".
Na página da direita, o ordenamento é diferente, com ante-título ("Walter Rossa, especialista em história da arquitectura") e título "Um hotel junto ao Convento de Cristo é "absolutamente inaceitável". Segue-se a peça que passamos a transcrever parcialmente, na parte que aborda a situação tomarense, com a devida vénia à autora e ao PÚBLICO.

"Criar hotéis mesmo que em áreas devolutas anexas ao Convento de Cristo, em Tomar, ou ao Mosteiro de Alcobaça, ambos monumentos classificados pela UNESCO como "Património da Humanidade" "é absolutamente inaceitável", indigna-se o arquitecto Walter Rossa, especialista em história da arquitectura e urbanismo. "Há edifícios que são símbolos nacionais e que o Estado tem que manter como símbolo. Imagine que um grupo rock queria comprar os direitos sobre o hino nacional para fazer uma versão diferente e rentabilizá-lo. Não vamos rentabilizar o hino nem a bandeira, tambédm não vamos rentabilizar o Convento de Cristo."
Elíseo Summavielle, director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) descreve o antigo hospital militar junto ao Convento de Cristo e o asilo ligado ao Mosteiro de Alcobaça como "espaços expectantes e não abertos ao público por não terem interesse arquitectónico que justifique a visita." Além disso, lembra, "já sofreram alterações à traça original". Porque é absolutamente necessária a preservação dos edifícios, "está a ser estudada uma reutilização, e a hotelaria é uma das várias hipóteses". Mas sublinha: "Um monumento nacional não pode nunca ser alienado, pode apenas ser concessionado." E cita bons exemplos (embora não sejam Património da Humanidade) como o Hotel do Bussaco ou o Tivoli Palácio de Seteais, que acaba de ser inteiramente restaurado pela cadeia que o explora.
Tomar e Alcobaça são dois casos diferentes, na perspectiva de Paulo Pereira, antigo vice-director do IPPAR (Instituto do Património Arquitectónico). No caso de Alcobaça, o antigo asilo é um espaço que "tem possibilidades de ser reutilizado e adaptado a diversas funções," embora "seja excessivamente grande para ser musealizável".
Já no caso do antigo hospital militar anexo ao Convento de Cristo, Paulo Pereira discorda absolutamente da sua reutilização. "Não tem condições. Teria que ser muito adaptado. A haver reutilização, devia ser apenas para áreas de serviço de apoio à vida do monumento."
A partir daqui a peça continua, mas já sem grande interesse para Tomar, pois aborda os casos do Tribunal da Boa Hora e da antiga sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso.

O comentário de Tomar a dianteira

Há no fragmento da peça que reproduzimos acima aspectos que, no nosso entendimento, seria pecado não realçar. O primeiro é, obviamente, a lamentável situação em que nos coloca, a nós tomarenses e aos alcobacenses. Não somos vistos nem achados no assunto. Distintos cavalheiros, lá longe, opinam em tom definitivo, mas ninguém cuida de saber as opiniões dos moradores, cidadãos com direitos porque pagadores de impostos. Aparentemente somos considerados, por essas sumidades, como uns bandos de gente ignara e geralmente taralhoca, incapaz de entender minimamente estas complexas questões do património. Uma espécie de indígenas atrasados, habitantes de colónias relutantemente administradas por Lisboa e pelos seus quadros esclarecidos.
Acontece, todavia, que estão redondamente enganados. Ambos os conjuntos em questão -Tomar e Alcobaça- foram criados e desenvolvidos por instituições locais, profundamente enraizadas, às quais, em ocasiões e de modos diferentes, a Coroa (hoje diríamos o Estado) deitou a mão, por pura ganância e sede de poder. Convém nunca esquecer este aspecto, que é fulcral para o cabal entendimento de toda a problemática, tanto histórica com actual.
Depois há a questão do real conhecimento dos monumentos mencionados. O próprio título da peça (Um hotel junto ao Convento de Cristo é "absolutamente inaceitável) só pode provocar sorrisos amarelos em todas aqueles, e são muitos, que conhecem bem a Casa Grande da Ordem.
Finalmente, para não alongar demasiado, que não por falta de argumentos, cabe lamentar as infelizes declarações do responsável máximo do IGESPAR. Afirmar que o antigo hospital militar, junto ao Convento de Cristo, não está aberto ao público "por não ter interesse arquitectónico que justifique a visita", constitui simultaneamente um insulto aos tomarenses e uma triste ignorância da realidade. Insulto aos tomarenses, porque é deles o monumento, porque ninguém cuida de saber a sua opinião. Triste ignorância da realidade, porquanto a magnífica Sala dos Cavaleiros, com tecto em madeira policromada do século XVII, é a melhor, ou pelo menos das melhores do País, pelo que sustentar que não tem interesse arquitectónico é pura miopia etnocêntrica. Triste ignorância da realidade, enfim porque o ex-hospital militar foi sempre, desde a sua construção, a enfermaria do Convento, do qual é parte integrante. Não está junto ao Convento de Cristo. É o Convento de Cristo.
Resta agora aguardar que a autarquia se encha de coragem e, através do executivo ou da Assembleia Municipal, ou de ambos, proteste contra semelhantes atentados ao bom senso por parte do dirigente máximo de um organismo do Estado.

(Os negritos são de Tomar a dianteira)

domingo, 24 de maio de 2009

LE MONDE - BERTRAND LE GENDRE

MODERADOR DE BLOGUE: UM EMPREGO COM FUTURO


Nota prévia: Segue-se a tradução e adaptação de uma local do diário francês Le Monde sobre blogues e liberdade de expressão. Teríamos preferido publicar material de origem portuguesa sobre este tema, mas tal não foi possível, o que lamentamos. TaD
O velhinho "Correio dos leitores" é agora muito mais colorido e variado. Doravante, qualquer pessoa pode opinar em tempo real, nos diversos sites de actualidades. Ou criticar, completar, entusiasmar-se. E são cada vez mais numerosos os que o fazem. LeMonde.fr recebe três mil mensagens por dia. LeFigaro.fr vários milhares também. Pode-se dizer tudo nos blogues? Não. É indispensável filtrar palavras que vão jorrando, quase sempre incomodativas? Também não.
O normal nos media em linha é a interactividade. Indecisos entre os dois limites acima, os sites de actualidades esforçam-se no sentido de determinar aquilo que não é aceitável -racismo, insultos, calúnias, palavrões, pornografia, atentado à privacidade... e aquilo que, pelo contrário, é aceitável e até desejável. Nasceu assim uma profissão, um emprego com futuro: Moderador de site ou de blogue. Aquele que, quando necessário, sabe dizer não! e com um clique censura o comentário. No LeMonde.fr são quatro, sob a direcção de um jornalista veterano do jornal, Michel Tatu.
O nosso colega LeFigaro.fr confiou a polícia do seu blogue a uma sociedade especializada, Concileo, que tem igualmente como clientes Liberation.fr e 20Minutes.fr. No Rue 89.fr contam sobretudo com a vigilância dos participantes. Estes, quando encontram uma mensagem de teor duvidoso, podem avisar os jornalistas do site, clicando em "Alertar". O mesmio acontece em AgoraVox.fr, uma plataforma cidadã exclusivamente baseada nos contributos dos internautas. Trata-se, por conseguinte, de uma vigilância exercida com maior ou menor rigor, consoante os sites. Mas todos removem os comentários que não respeitem a lei. Quanto ao resto, cada um tem a sua própria política editorial.
Concileo, por exemplo, trabalha sempre de acordo com os critérios impostos por cada cliente. David Corchia, o seu director, explicou-nos que LCI.fr não tolera mensagens demasiado agrestes que, em contrapartida, Liberation.fr aceita com normalidade. Acrescentou que TF1 [principal canal de tv privada, antigo canal 1 da televisão pública, entretanto privatizado], aceita muito mal as críticas. Para cumprir as suas ordens, foi forçado a mandar remover dezenas de reacções protestando contra o despedimento de um quadro do polo de Web de La Une. De acordo, porém, com a generalidade dos vigias da Net, estes casos de evidente censura são raros. ... ... ... ...
Onde colocar o cursor? Os internautas reivindicam uma salutar liberdade de expressão e de tom. Embora encorajando-os nessa nessa via, os sites dispõem de um arsenal completo para afastar os vândalos, que na verdade são pouco numerosos. Primeira precaução, nem todos podem reagir a um texto, ou participar num forum. Primeiro é necessário abrir uma conta, identificar-se. Rapidamente reconhecidos, os vândalos habituais são convidados a moderar o tom e o teor das mensagens, sob pena de exclusão temporária, ou mesmo definitiva. Até chega a acontecer que, quando a actualidade é demasiado quente, os moderadores, incapazes de tudo vigiarem, bloqueiam o acesso a determinados temas. Concileo admitiu-nos já assim ter procedido, aquando da guerra em Gaza, que suscitava demasiados textos antisemitas.
Tradução e adaptação de A.R.
Este texto é dedicado a todos aqueles que se queixam de que há censura aqui em Tomar a dianteira. Conforme acabaram de ler, estamos muito bem acompanhados.

RONDA DE FIM DE SEMANA

A não existência de um programa claro, dá nisto. Falta de critérios adequados e críticas por fazer e por não fazer. Há quem acuse a autarquia de arboricídio, por causa do infeliz episódio do abate dos plátanos, junto à Igreja de Santa Maria dos Olivais, provocado por falta de adequado planeamento dos trabalhos ali efectuados. Prova disso é que ainda nem sequer concluíram o pavimento da nova praça, porque falta encontrar solução para os sumidouros de águas pluviais, entre a torre e a igreja, e já se admite a hipótese de substituir a gravilha por revestimento mais confortável. A ilustração que publicamos, tirada no antigo estádio, mostra outra faceta do mesmo problema. Árvores decrépitas, em fim de vida, não são sequer podadas, certamente com receio das reacções, sempre inconvenientes em ano eleitoral. Depois logo se verá. Por agora todo o cuidado é pouco.
Outro exemplo flagrante de que os nossos autarcas afinal até gostam muito do verde. A tal ponto que nem mandam arrancar a vegetação espontânea num dos centenários açudes, coisa que sempre se fez, a maior parte das vezes a pedido do Nini Ferreira. Outros tempos...

Bem sei que nos vão acusar outra vez de só gostarmos do que vem de fora, mas ainda assim não resistimos. Em França, para ajudar na luta contra a obesidade e as doenças cardíacas, é obrigatório incluir em qualquer publicidade ou embalagem de produtos alimentares preparados a indicação "Pela sua saúde evite comer demasiado gordo, demasiado açucarado, demasiado salgado. WWW.MANGERBOUGER.FR" Entre nós parece que ninguém ainda pensou no assunto. O que se compreende. Qualquer obeso ou hipertenso, quando questionado, na rua ou num daqueles programas televisivos, garante que até tem muito cuidado com a boca, come pouco, nada de gorduras nem de açúcar. E tudo praticamente sem sal. (Como disse o outro obeso ao seu médico assistente -Só como cozidos e grelhados. Muito cozido à portuguesa e o leitão também é sempre grelhado). E até costuma fazer exercício e andar a pé. É de família sabe!? Um problema hormonal. Até a água me faz engordar, já pode ver!
Mais tarde cá estarão os contribuintes para pagar as bandas gástricas, os internamentos, os bypass e os medicamentos. Sempre fomos assim, íamos agora mudar? Era o que faltava!


Encontrámos este magnífico gastrópode multicolorido rumando para sul, na estrada de Lisboa. Resolvemos parar e travar diálogo. -Então?! De abalada? -Tem que ser. Não me adaptei à vida tomarense. É tudo demasiado lento, demasiado complicado, demasiado triste, demasiado arisco, demasiado conflituoso. Vou em busca de burgos mais amenos. -Mas olhe que ainda assim vivem cá muitos da sua espécie! -Bem sei! Bem sei! Foi isso que me iludiu. Malta nova, sabe! Falta de experiência. Não têm mundo, não podem comparar, é o que é! Quando chegarem à minha idade e à minha vida vivida, farão como eu, vai ver!
Filósofo este caracol!




sábado, 23 de maio de 2009

L I D E R A N Ç A

Daniel Bessa - Semanário Expresso - Economia
Quando confrontados com a real situação da economia da sua terra, os tomarenses reagem, em geral, evidenciando enorme preocupação e uma genuína vontade de contribuírem para a resolução do problema. Perguntam, com insistência, por vezes angustiados, o que fazer e como fazer.
O acabado de referir deixa bem à vista o enorme desafio com que estamos confrontados em matéria de liderança. Liderar é hoje, e será cada vez mais, em Tomar, nos próximos tempos, informar com o máximo de rigor e o máximo de transparência, congregar vontades, ajudar a encontrar um caminho (sem impor), ser capaz de mobilizar a população tomarense para um projecto em que acredite e em que se empenhe com entusiasmo -mesmo consciente de que não haverá solução que não passe por sacrifícios pesados, a curto prazo.
Ninguém desconhece, no entanto, a enorme capacidade de sofrimento dos tomarenses, e a sua capacidade de se superarem em condições particularmente difíceis.
Liderar poderá exigir, por algum tempo, maior capacidade de ouvir do que capacidade de falar. Maior capacidade para juntar forças, e levá-las a actuar de forma concertada e empenhada (fazer jogar a equipa), do que, pelo contrário, ser capaz de ditar e acelerar o passo de uma qualquer vanguarda.
x-x-x-x-x-x-x-x
Era bom, não era? Uma opinião de um credenciado economista sobre a situação tomarense. Sobretudo agora que já temos a "Geração Tomar" o "Semear futuro. Acreditamos" e "A cultura como eixo..." Acontece, todavia, que Tomar não é uma grande cidade, nem uma das mais importantes cidades do país, nem uma referência em termos de lastro económico, cultural ou outro. Por isso, não adiantará, podendo até vir a ser contraproducente, continuar a agir com basófia, citando os Templários, os Descobrimentos e o Convento de Cristo. São realidades velhas de séculos, águas passadas não movem moínhos, e os Templários, que tudo começaram, que se saiba não citaram ninguém. Meteram mãos à obra e trabalharam com denodo e paciência. Só três séculos mais tarde é que o Infante D. Henrique aproveitou as condições criadas e fez exactamente a mesma coisa -meteu mãos à obra.
É evidente que Daniel Bessa, antigo Ministro da Economia, militante socialista, não escreveu nada sobre a nossa terra. Mas o que escreveu assenta-nos que nem uma luva, particularmente à geração Tomar, uma vez que ele é da casa. Ou não? Na dúvida, limitei-me a efectuar pequenas adaptações que estão devidamente assinaladas a itálico.
Farão portanto o favor de efectuar as seguintes correcções, caso pretendam ler o documento original, sem comprar o Expresso:
1ª linha: do seu país, os portugueses
linha: em Portugal
linha: portuguesa
10ª linha: dos portugueses
Muito agradecido pelo esforço feito em prol da comunidade tomarense.

SOBRE A MONTRA DO TURISMO

Aqueles que opinam não servir de nada criticar, aqui na blogosfera ou na imprensa, quem cuida das coisas públicas e é remunerado com o dinheiro dos contribuintes, acabam de averbar mais um desaire. Criticou-se aqui, e pelo menos noutro blogue, a péssima execução do arranjo da montra do turismo, ao fundo da Corredoura. Pois bem, pouco tempo depois o erro foi reparado com pleno êxito. O vidro/écran está agora impecavelmente limpo e é possível apreciar o vídeo que vai exibindo. Persiste o problema do reflexo, para o qual há que encontrar solução adequada, bem como a congruência entre as imagens exibidas e aquilo que se pretende ou devia pretender. Isso, porém, é já outro debate, para outro local e noutra altura. Ou talvez não.

Por agora, o importante era assinalar a compreensão demonstrada, o tal "dar o braço a torcer", que não custa nada e beneficia ambas as partes. Só não se agradece, porquanto é assim que normalmente as coisas devem ser, em democracia plena. E o apreciado 25 de Abril já foi há 35 anos...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CAMPISMO SÓ LÁ PARA JULHO...

Fortemente criticados e pressionados pelos mais variados sectores da comunidade tomarense, os membros da actual maioria PSD acabaram por concordar com a reabertura do Parque de Campismo, que anteriormente António Paiva decidira suprimir dissimuladamente. A proposta de encerramento, como decerto se recordam, foi apresentada pelo actual presidente e era justificada apenas durante as obras do pavilhão e parque de estacionamento. Provisória portanto. Apesar disso, já passaram uns bons anos de prejuízos para a cidade. Assim contrariados nos seus intentos, os autarcas que presentemente nos governam mandaram fazer as obras indispensáveis antes da retoma da actividade. Tomar a dianteira andou por ali e verificou que está tudo ainda muito atrasado. Na ilustração acima, pessoal de uma empresa tomarense coloca "mantas" de relva nos dois canteiros logo à entrada. Os restantes ficarão a aguardar melhor oportunidade, que actualmente o dinheiro é pouco e caro.


O antigo restaurante, no qual foram gastas verbas importantes, pouco antes do imprevisto encerramento do parque, está como se vê. Vai servindo de estendal e de arrecadação para o União de Tomar. Tudo indica que, nesta fase, apenas será sumariamente arranjado, de forma a ser utilizado unicamente como bar. Falta de determinar para onde será mudado o clube tomarense que até agora ali tem ocupado vários edifícios. No primeiro plano, o parque infantil, já limpo mas ainda sem areia.

Esta será a futura casa de banho para deficientes, mesmo ao lado dos balneários. Pelo aspecto, não será tão cedo que poderá servir os utentes.


Eis um aspecto dos balneários, ainda em obras, com uma programação algo caótica. Já há azulejos e espelhos nas paredes, mas o solo ainda está longe de poder vir a receber o revestimento final. Tudo indica, por conseguinte, que este ano poucos vão ser os campistas clientes do parque, pois não só a data de abertura já será demasiado tardia, com terá faltado uma adequada campanha promocional, tanto do país como no estrangeiro. A actual Câmara prometeu que ainda este ano teríamos parque para auto-caravanas. Vai cumprir a sua promessa ainda em tempo útil para as eleições de Outubro. Os campistas é que só virão, em números significativos, no próximo ano e seguintes. A recuperação do antigo prestígio, particularmente no estrangeiro, vai leva muitos anos. Infelizmente.




RUA DOS ARCOS: OU PIOLHOS OU VOTOS!


Há moléstia na Rua dos Arcos! Comerciantes alertaram Tomar a dianteira para a incomodativa situação que desde há algum tempo se vive naquela importante artéria citadina. As velhas olaias que a ladeiam foram atacadas por uma moléstia e a maior parte está coberta de piolhos. O mais grave, contudo, é que ou os piolhos, ou as árvores, ou ambos, largam uma espécie de baba pegajosa, que suja os carros estacionados (ver foto de cima) e se cola aos rastos dos sapatos de quem por ali circula ou vive. Tendo em conta que em ruas próximas há muito que não há pavimento definitivo, estando cobertas de gravilha, esta cola-se às solas e torna o andar muito desconfortável. Compreende-se, por isso, a irritação dos prejudicados.
Segundo nos foi dito, pedem à autarquia que providencie no sentido de podarem e desinfestarem quanto antes as árvores. E foram muito directos: -"Este ano há eleições. Ou piolhos ou votos! Mais nada!" Aqui fica o recado, para quem possa estar interessado.

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Redacção de Tomar a dianteira Colaboração CLIPNETO

Esta semana, no conjunto da imprensa local e regional, o indiscutível prato de sustância é a longa, profunda e magnífica entrevista do dono da Quinta das Avessadas, Luis Alvelos, ao TEMPLÁRIO, já aqui abordada anteriormente (ler "Afinal é a verdade nua e crua", de ontem). Na área político-partidária destaque para a apresentação das candidaturas dos IpT e da CDU. Ambas conseguiram pelo menos algo que, à partida, parecia difícil -roubar a liderança do PS em termos de comunicação. Na verdade, até agora, só os socialistas locais tinham avançado com um candidato, um lema e um cartaz, o que os colocava um pouco à frente dos outros grupos em informação. Pois agora, independentes e CDU apresentaram candidatos, lemas, ideias de cartazes e bases para programas de actuação.
Conforme referem ambos os semanários locais, os IpT avançaram que tencionam, sob a égide de José Soares, "transformar Tomar num centro de artes, criar uma aldeia pedagógica, uma bienal de Artes e outra de arquitectura, um festival de teatro de humor, recuperar o Festival de Cinema para a Infância e Juventude e o Festival internacional de Música." Por seu lado, Graça Costa, agora também dos IpT, pretende criar centros de convívio para séniores nas freguesias.
Mais realista mas também mais generalista, Bruno Graça, cabeça de lista da CDU, animou uma sessão tendo por base de discussão "A cultura como eixo estratégico do desenvolvimento do concelho de Tomar". Foi ontem e Tomar a dianteira agradece o convite entregue pessoalmente a um dos seus administradores, que não pôde estar presente.
Segundo um dos participantes aqui do blogue, aparentemente muito bem informado, para a CDU "No fundo é dar à cultura uma dimensão estruturante que a transforme num factor de produção de riqueza, criação de emprego e fixação de população jovem no concelho." Lá bem formulado, não dúvida alguma que está. Falta ver a continuação e, sobretudo, a passagem à prática, que para a CDU é do domínio do quase impossível. Na verdade, só um milagre, ou uma muito larga união de esquerda e outros independentes, poderia tornar possível a vitória. Ora sucede que os apoiantes de Bruno Graça não acreditam em milagres nem nessa tal larga união, sem qual a vitória é uma mera utopia. E sem vitória, adeus eventuais boas e pertinentes intenções.
O mesmo acontece com os IpT, todavia mais susceptíveis de alcançar uma vitória. As ideias agora anunciadas até podem não ser más. São, todavia, insuficientes e carecem de esclarecimento em termos de financiamento, que a época não está para devaneios.
Dito em termos mais acessíveis para todos, ambas as formações fariam bem em ponderar que, sendo certo ser um automóvel um grande monte de peças, não basta mostrar algumas peças. É necessário tê-las todas e, sobretudo, quem as saiba montar (sem subentendidos...). Mas isso ainda não nos foi explicado por ninguém, pelo que continuamos a aguardar. Uma coisa é certa: a bola está agora no campo dos socialistas locais.

TURISMO: REQUALIFICAÇÃO FALHADA



A requalificação da montra do turismo, na Praceta de Olivença, ali ao fundo da Corredoura, referenciada em primeira mão pelo nosso colega Tomar, a Cidade!, não parece ter corrido lá muito bem. À partida era uma excelente e oportuna ideia. A execução é que falhou, pelo menos até agora, com três erros a corrigir quanto antes. O mais leve deles é a fotografia escolhida como fundo. Logo reconhecida pelos tomarenses e os que cá vivem há longos anos, é um mistério para os turistas, desprovidos de referências visuais anteriores que os possam levar a saber de que se trata. Fernando Ferreira disse-o, numa frase lapidar, embora com outro sentido -"Os turistas gostam muito da Festa dos Tabuleiros, mas os tomarenses vêem-na com outros olhos." A correcção é simples. Basta colocar uma legenda, nas principais línguas, com algo do tipo "Vista aérea panorâmica de Tomar, tirada no sentido nascente/poente. Ao alto o conjunto monumental Castelo dos Templários/Convento de Cristo".
O segundo óbice é o vidro usado, que não é antireflexo, tornando problemático enxergar alguma coisa a certas horas dos dias de sol. A única correcção possível seria a substituição do vidro, o que não é nada barato. E em época de vacas mirradas...
Terceiro e último defeito, a colocação do écran de vídeo na parte central foi um desastre, a demonstrar que não basta ter um monte de peças para se poder montar um automóvel. É preciso "savoir-faire", experiência laboral anterior. O trabalho parece ter sido feito a despachar e o vidro (acrílico?) nem sequer foi limpo em condições, conforme mostra a fotografia de cima. Obras à portuguesa? Esperamos que não!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

AFINAL É A VERDADE NUA E CRUA


António Rebelo
De cada vez que alguém, na imprensa ou na blogosfera, critica a sobranceria de muitos autarcas e funcionários, que têm uma tendência doentia para considerar que os cidadãos estão ao serviço da Câmara, quando é exactamente o contrário, porque somos nós que pagamos; a resposta é sempre a mesma -silêncio, encolher de ombros, fingir que não se ouviu nem se leu. Quando muito, insinuar privadamente que tudo não passa de maledicência, sabe-se lá com que intenções.
A recente e corajosa intervenção de José Lebre, aquando de uma sessão pública, marcou uma viragem importante na atitude dos tomarenses, conforme já aqui escrevemos. Os que não acreditaram, têm agora mais uma prova e de excelente qualidade. Está no TEMPLÁRIO desta semana e tem por título "O BLOQUEIO DAS AVESSADAS". Trata-se, sem dúvida, de uma das melhores, ou até a melhor peça de jornalismo publicada em Tomar nos últimos tempos. É uma entrevista longa, que todos os tomarenses devem ler e meditar, porque estão lá, ditas ou subentendidas, todas as causas da acentuada decadência tomarense.
Tanto Luis de Melo e Castro Alvelos com José Salazar Lebre são cidadãos livres, bem formados, independentes do governo e dos dinheiros públicos, descendentes de velhas e abastadas famílias da região, pouco dados a atitudes contestatárias. Se resolveram falar claramente, terá sido decerto por considereram que, em termos populares, "tudo o que é demais, parece mal, e quem não se sente não é filho de boa gente". Tanto um como outro apontam à Câmara atitudes inaceitáveis, já bastas vezes denunciadas, até agora sem quaisquer resultados. Falta de educação, falta de respeito pelas normas legais, sobranceria, desprezo óbvio pelos eleitores, gestão caótica, sucessivas decisões erradas, hostilidade para com os empreendedores, as queixas não faltam. Luis Alvelos dá um exemplo claro de falta de ética -"A Câmara tinha 12 meses para apresentar o Plano de Pormenor na Assembleia Municipal. Levou quase oito anos." Quem era então responsável pelo Departamento de Gestão Urbanística?, perguntamos nós aqui. -A senhora Paula Marques, promovida a tal cargo pelo seu homónimo Pedro Marques. Com que intenção agiu a autarquia assim? Naturalmente com o claro intuito de criar dificuldades. Ora, não digo que tenha sido o caso, pois não disponho de provas para tal. Contudo, normalmente, quem cria dificuldades tem em vista, directa ou indirectamente, monetizar facilidades. Afinal, a não ser assim, as coisas sucederiam apenas por mero acaso, hipótese de todo improvável, dada a sua repetição e duração no tempo, apesar de haver cada vez mais recursos humanos na autarquia.
Porque outro aspecto importante da entrevista referida, para além da excelente qualidade frásica, é exactamente esse: Enquanto José Lebre criticou fortemente esta Câmara e a anterior, Luis Alvelos foi forçado a ir mais longe. Citando-o só quando indispensável, não deixou de insinuar que Pedro Marques esteve longe de ter, enquanto presidente da edilidade, um comportamento exemplar, coisa que já era do domínio público. Diz o entrevistado, abstendo-se de citar nomes, porque para bom entendedor... "A Câmara ficou de fazer um Plano de Pormenor para a Quinta (das Avessadas), mas juntou mais 61 hectares de outros proprietários, daí resultando um plano megalómano que talvez desvirtuasse os propósitos iniciais do contrato." A pergunta que se impõe parece ser esta: Porque terá a Câmara de Pedro Marques agido assim?
Seria demasiado longo e tornar-se-ia decerto enfadonho resumir todos os temas abordados de forma ponderada e magistral por Luis Alvelos. Fiquemos, por isso, apenas com as suas reivindicações de cidadão, pontual pagador de impostos e eleitor na plena posse dos seus direitos de cidadania.
"A Câmara tem que se conformar a cumprir contratos e a ter uma atitude correcta para com a Quinta das Avessadas. E já agora para com todos os munícipes, que são contribuintes e cada vez o são mais.... ...Terá também de ser alterado o chamado Regulamento Municipal de Edificações Urbanas, que é totalmente desajustado da realidade no que toca a taxas de loteamento, de construção e outras, estacionamento, etc., o que tem afastado investidores da cidade. ... ...Tem que ser completamente alterada a atitude de quase hostilidade para com os empreendedores, que são parceiros e não inimigos. Não é admissível que fiquem sem resposta cartas correctas que versem assuntos de interesse para a comunidade, na medida em que essa comunidade é o suporte financeiro, com os seus impostos, dos membros da autarquia."
No século passado, Marshall MacLuan, reputado especialista de comunicação, afirmou que "O meio é a mensagem." Na altura causou algum espanto. Hoje em dia, já todos entendem que um texto dito no café da esquina, deixa de ser a mesma mensagem, quando lido na televisão. No caso presente, o facto de Luis Alvelos ter escolhido O TEMPLÁRIO para o entrevistar constitui uma mensagem óbvia para quem a quiser ler, dado que a sua família esteve entre os fundadores de Cidade de Tomar. E aqui surge outro aspecto a ter em conta. Quando autarcas e funcionários agem conforme relatado para com membros eminentes das chamadas "melhores famílias tomarenses", "la crème de la crème", diria o Herman, quais não serão os padecimentos dos pobres membros tomarenses da arraia miúda?
Perante tudo isto, só um caminho nos parece susceptível de voltar a colocar as coisas nos seus devidos lugares -uma auditoria externa, exaustiva e independente. Quanto mais depressa melhor. Antes que a podridão nos atinja a todos, pelo menos no sítio mais sensível -A CARTEIRA. Porque alguém tem de ir pagando tanta argolada, manifestamente intencional.

A CRISE EM CRISE?

António Rebelo

Estranhos tempos estes que vivemos agora! Enquanto Jacques Attali escreve que "o ofício de banqueiro nunca devia ter deixado de ser a profissão modesta e aborrecida que sempre foi", as populações mais informadas procuram saber o que realmente nos espera a todos.
Nalgumas regiões da Europa, em Espanha ,na Andaluzia e na Extremadura, por exemplo, o desemprego há muito que ultrapassou os 20%, mas em Portugal, fortemente traumatizados pelo evidente fim da idade da fartura, continua a não se admitir que, mais mês menos mês, a percentagem dos sem emprego ultrapassará os 10%. A Holanda, que é quase sempre e em quase tudo um país de vanguarda, não esteve com meias medidas. Para estancar a hemorragia orçamental com os milhares de novos pedidos do "Rendimento Mínimo Garantido", decretou o "work first" para todos os jovens. Noutros termos mais simples -primeiro procurem emprego e vão trabalhar; depois, se e quando ficarem desempregados, venham então requerer o subsídio.
Quanto à crise planetária, particularmente gravosa nos países cuja cobertura social e de saúde é fraca ou inexstente na prática, continua a agravar-se. Conscientes de que ninguém gosta de receber más notícias, e eles próprios vítimas de situações por vezes dramáticas, os responsáveis pelos grandes órgãos de comunicação social descobriram a transitória fórmula mágica. Como ninguém minimamente informado poderia escrever, respeitando a verdade, que a crise está a passar ou a melhorar, adoptaram uma fórmula de compromisso, ainda assim optimista e muito conveniente: A crise continua a agravar-se, agora mais lentamente.
Em Portugal, onde as coisas raramente são simples e/ou claras, governo e oposição estão nas encolhas, apesar de por vezes aparentarem o contrário. Há três eleições e não é nada conveniente, seja qual for o pretexto, espantar a caça. Por isso, silêncios convenientes, inaugurações de circunstância e palavras de estímulo são de rigor, perante uma oposição que vai pegando em detalhes, olvidando os fundamentais. Agora o cavalo de batalha é o caso Lopes da Mota. Nem se dão conta de que os eleitores se estão nas tintas para tudo isso. Querem saber é quando as condições de vida vão melhorar.
Sobre isso,no entanto, numa entrevista recente, Manuela Ferreira Leite, ao ser-lhe perguntado se no caso de vir a formar governo congelaria os salários e vencimentos, foi clara e peremptória -"Já anteriormente o fiz por duas vezes." Por aqui já os nossos leitores podem aquilatar da situação em que nos encontramos. Quando a própria líder da oposição admite implicitamente a inevitabilidade de medidas impopulatres logo a seguir às eleições, muito mal vai o país.
O ministro Mariano Gago, por seu lado, também vai avançando com a sua estratégia de ataque à crise. Assim a talhe de foice, lá foi dizendo que, uma vez concluídos os processos eleitorais internos, todos os Institutos Politécnicos devem procurar agrupar-se em parcerias, com acentuada especialização de cada um, de forma a evitar redundâncias e possibilitar um melhor aproveitamento dos recursos humanos e materiais disponíveis.
Para Tomar, estas palavras significam, sem margem para dúvidas, que o IPT afinal continua entre a marreta e a bigorna. Na melhor da hipóteses juntar-se-á ao I.P.de Leiria, de longe o melhor da região, em termos de reputação e de empregabilidade dos seus finalistas. Na pior, será parceiro do I.P. de Santarém. Numa situação intermédia, será parceiro tanto de um como de outro. Em qualquer dos casos, vamos ter, tudo indica, um "Centro Académico do Alto Tejo e Liz", do Ribatejo, ou do Ribatejo e Liz. Tudo à imagem e semelhança do "Centro Hospitalar do Médio Tejo", com as mesmas vantagens e os mesmos inconvenientes. Muitos anos de compadrios, de inépcia e de falta de transparência dão nisto. E os eleitores tomarenses a verem...