segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

NEM COISAM, NEM SAEM DE CIMA...

Sob o título Museu exemplar ao abandono, publica o Correio da Manhã de hoje uma local de Silves, cujo teor integral é o seguinte:
"Em 2001, o Museu da Cortiça, em Silves, recebeu o Prémio de Melhor Museu Industrial da Europa. Chegou a receber 100 mil visitantes por ano mas, integrado na Fábrica do Inglês, que fechou portas devido a dificuldades financeiras, o museu está agora ao abandono. "No mínimo, há que garantir a manutenção do espaço, declarado de interesse municipal", diz o ainda director Manuel Ramos.
O responsável teme que se nada for feito o espaço fique "entregue a ratos e baratas".Perante o risco de actos de vandalismo, Manuel Ramos pede a urgente "transferência provisória do arquivo documental para o arquivo municipal".
Manuel Ramos adianta que a Assembleia da República já recomendou ao Governo que avance com "o processo de classificação da Fábrica do Inglês", e que "promova medidas de apoio à preservação do museu, para evitar o seu encerramento permanente".
A presidente da autarquia já recebeu inclusive uma proposta para a elaboração de um plano de desenvolvimento do turismo de Silves, integrando a Fábrica do Inglês. Só que custa 37.500 euros, que a câmara tem "dificuldade em suportar". Isabel Soares espera a resposta de organismos oficiais, contactados para parcerias."
José Carlos Eusébio

Entretanto em Tomar, cerca de 300 quilómetros mais a norte, saiu a edição de Dezembro do "Boletim Informativo tomar". Eis o respectivo Editorial, sem assinatura de autor, mas com a fotografia a cores de Corvêlo de Sousa:
"Está em marcha uma obra que vai ser fundamental para Tomar. A intervenção no complexo industrial da Levada é desde logo marcante pelo facto de permitir recuperar um espaço que diz muito aos tomarenses.
Ali existiram, desde há séculos, moinhos e lagares, numa engenhosa utilização da força motriz das águas do rio, muito antes dos alvores da indústria. Ali funcionaram também instalações pioneiras, como a central eléctrica que permitiu que Tomar fosse uma das primeiras cidades portuguesas abastecidas por esse tipo de energia. E ali esteve, finalmente, o coração de uma grande empresa que marcou o século XX no concelho -a Mendes Godinho.
Mas esta recuperação que em breve se irá iniciar é igualmente marcante por ser mais um contributo decisivo para acentuar a ligação entre a cidade e o seu rio, sublinhando precisamente a relação umbilical que desde sempre existiu entre ambos e que, desde há milénios, tem vindo a contribuir para a fixação de populações neste local.
Ao criar um pólo de atracção no centro da cidade, esta obra vai também contribuir decisivamente para o desenvolvimento da economia e do turismo, ampliando ainda mais uma oferta cultural de excelência, cuja variedade permitirá também ir ao encontro de diversos públicos."

Duas páginas adiante, sob o título Destaque, pode ler-se, designadamente, esta bela tirada:
"A obra de reconversão do complexo da Levada num museu vivo, adjudicada em Novembro, não é um acto isolado. Integra uma estratégia de regeneração urbana que se prolonga, agora, das margens do Nabão ao Convento de Cristo. Os objectivos estendem-se para além da mera concretização da obra. A estratégia pretende consequência: regeneração económica, ambiental e social."

Todas as alterações de cor são da exclusiva responsabilidade de Tomar a dianteira.

O NOSSO PONTO DE VISTA

Os leitores terão notado decerto o abismo existente entre o estilo seco e pesaroso da local de Silves, por um
lado; e o tom oco e triunfalista dos excertos da publicação nabantina, por outro lado. Convém, por isso, tentar enquadrar as coisas. 
Em Silves, cidade algarvia num concelho de 30 mil eleitores, a menos de 70 quilómetros do 2º aeroporto do País, o de Faro, que serve a 2ª mais importante zona turística portuguesa, há um museu de qualidade europeia, encerrado desde há mais de um ano, por dificuldades financeiras. Chegou a receber 100 mil visitantes/ano.
A câmara silvense é gerida pelo PSD, com três eleitos. O PS elegeu outros três e a CDU um. A sua presidente, de acordo com o texto supra, recebeu uma proposta para a elaboração de um plano de desenvolvimento do turismo, com um custo global de 37.500 euros, que a autarquia tem "dificuldade em suportar".
Em Tomar, cidade ribatejana num concelho de 39 mil eleitores, a 130 quilómetros de Lisboa e do aeroporto mais próximo, o Convento de Cristo, Património da Humanidade, recebe menos de 150 mil visitantes anuais, dos quais cerca de 70 mil pagantes. A câmara nabantina é também gerida pelo PSD (ou devia ser), com 3 eleitos. O PS elegeu dois e os IpT outros dois. 
O presidente da câmara exalta uma obra no valor de mais de 6 milhões de euros, dos quais 1,2 milhões de euros = 240 mil contos terão de ser suportados pela autarquia, bem como uma outra no exterior do Convento de Cristo, importando em 2,5 milhões de euros, com 500 mil euros = 100 mil contos, a suportar pela autarquia E vão 340 mil contos. Sem contar com as posteriores e avultadas despesas de funcionamento. De onde virão? Isso agora não importa nada! Depois logo se verá!
Em síntese: Os autarcas de Silves parecem ser uns tapadinhos, que nem sequer conseguem libertar 37.500 euros = 7,500 contos, para um plano de desenvolvimento turístico,  enquanto que os nabantinos tencionam conseguir pagar, só para as obras da Levada e do exterior do Convento, pelo menos 340 mil contos. É o mundo de pernas para o ar. Apesar de não serem algarvios, ao contrário dos silvenses, os autarcas nabantinos é que parecem ser de Olhão, jogar no Boavista e passar férias em A Ver o Mar.
Uma derradeira observação. A presidente de Silves, "Isabel Soares, espera a resposta de organismos oficiais, contactados para parcerias", no caso do citado plano para desenvolver o turismo local. Então não se está mesmo a ver que, apesar de ser algarvia, age à moda dos nabos?
Alguma vez os autarcas nabantinos, incluindo o triunfante Paiva, sentiram a necessidade de dispor de um plano estruturado de desenvolvimento do turismo local? Para quê, senhores? Meia bola, força e fé em Deus!
Por mera casualidade até há no concelho quem saiba fazer essas coisas, por ter aprendido na universidade. Seria mesmo possível fazê-las graciosamente, como dever de cidadania. Contudo, tendo em conta o acohimento reservado à recente proposta para comissariar gratuitamente a construção da nova  roda do Mouchão, o melhor é mesmo continuar mudo e quedo nessa área. Eles nem coisam nem saem de cima, mas não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe. E quando um homem sonha, o Mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos de uma criança. Ah ganda Gedeão!

6 comentários:

Anónimo disse...

Comentar para quê?
O post é um axioma.

Francisco Lopes Silva disse...

Boa observação de quem sabe

Para quem conhece o espaço da Fábrica do Inglês a programação cultural de Verão digna e profissional, o número de turistas que aterram no 3º maior aeroporto do Continente e viu que aquilo deu para o torto, um espaço magnígico, central, com restaurantes, bons estacionamentos, numa cidade histórica, e quer comprar a LEVADA ou Tomar, é difícil imaginar que no complexo da Levada não se vá construir um elefante BRANCO. Façam lojas, restuarantes e trasformem aquilo nas DOCAS DE TOMAR e deixem lá o museu que de espaços museológicos estamos bem e chegam e sobram

Anónimo disse...

É só museus. Para quê? Com tanta ignorancia junta. Isto é um pais de brutamontes alcolizados e chulos de brega.
- É comer e beber!
Cambada de tontos!

Anónimo disse...

Os museus de Tomar? Nem vistos nem visitados. Por exemplo o museu da cidade está sempre vazio e tem boas colecções lá, como a quase totalidade do espólio de José Augusto França. Mas para que servem? Para nada, se ninguem os visita. Sempre às moscas. Como o Com Vento de Cristo!
Grande turismo, sim senhor.
Temos serviços e comercio de trombudos. Que querem? Reorganizem-se....ou...acabam aí.

rODRIGO mATIAS disse...

DE TROMBUDOS E MONTES DE MERDA IMPORTANTES E, NOS SERVIÇOS DO CONVENTOA COMEÇAR PELA DIRECTORA NEM SE FALA

Anónimo disse...

Abram mas é tascas e façam festas de comes e bebes que é disso que a maralha gosta, seja o cavador, seja o doutor.
Coisas com substância e que alimentem o espírito foi chão que já deu uvas nesta sociedade actual em que vivemos.
Eu, pelo que me toca, faço como os ingleses: "my house is my castle", e daí estou belissimamente fornecido de literatura, cinema, música, internet, etc, etc.