quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Comentário ao comentário

Após ter lido o texto "A crise e os candidatos", de 5 do corrente, o amigo Alfredo Caiano Silvestre manifestou, numa pequena peça de resto muito bem esgalhada ou, em lisbonês actual, "muito bem conseguida", o seu desconcerto perante a expressão "isto está sem concerto", alegando não se compreender tal situação, num concelho com quatro bandas de música. Dado estarmos em Portugal e em Tomar, pode dizer-se, com propriedade, que tem e não tem razão.
Tem razão, pois em primeira leitura parece haver um erro de ortografia, no caso igualmente de homofonia: concerto = música, por conserto = arranjo, reparação. Todavia, voltando a ler e matutando mais um bocadinho, conclui-se que concerto = concertação = acordo, como por exemplo no caso do Conselho de concertação social.
Temos portanto que Tomar, esta nossa amada terra que tão maltratada tem sido, está sem concerto, em virtude de os seus filhos não conseguirem concertar-se em prol de um futuro melhor para todos. Mas pode escrever-se igualmente que está sem conserto, tantas são as mazelas que por aí há.
Desconcertante, não é verdade amigo Caiano? Para a próxima, já sabe: convém sempre ler pelo menos duas vezes e depois "destilar" pausadamente, não vá escapar-se-lhe algum detalhe fulcral.

2 comentários:

Alfredo Caiano Silvestre disse...

Bom dia.

Agradeço, penhoradamente, o seu regresso à profissão para dar uma aula de semântica.

António Rebelo disse...

Nada tem que agradecer, amigo Caiano. Não se trata já de aulas, mas de mera obrigação de cidadania.