domingo, 11 de novembro de 2012

De cu tremido, por tuta e meia

Escrevi no texto anterior que em Tomar pagamos para andar de Rolls Royce mas andamos a pé, por falta de burros. Fui impreciso, sem querer. Manda a realidade esclarecer que também há um pequeno grupo de conterrâneos que ao longo do ano pode andar de cu tremido por tuta e meia. Estou a falar dos TUT - Transportes Urbanos de Tomar. Cujos percursos se fazem perfeitamente a pé, salvo para aquelas pessoas que têm dificuldades de locomoção. Que são muito raras, diga-se de passagem. Sei do que estou a falar, pois todos os dias  me cruzo com vários mini-autocarros, que nunca vi cheios, ali para os lados do hospital e/ou da Choromela.
Se sou contra os TUT? Na modalidade actual, sou. No meu tosco entendimento, faz algum sentido gastar anualmente 400 mil euros de impostos = 80 mil contos, para permitir que meia dúzia de pessoas -algumas das quais nem impostos pagam- possam andar de cu tremido, quando efectuar os mesmos percursos a pé só lhes faria bem? 
Há os tais deficientes motores? Há sim senhor. E quantos são? Não ficaria muito mais barato oferecer a cada um deles uma scooter eléctrica adaptada? Era bem melhor para o ambiente.
Como habitualmente, a relativa maioria laranja vai-se calando, julgo que por dois motivos: primeiro porque não tenciona pagar o calote; depois porque, permitindo tais passeatas urbanas ao preço da uva mijona, espera conseguir umas centenas de votos nas próximas autárquicas, para as quais o actual presidente ainda não desistiu de vir a encabeçar uma lista, que crê ganhadora, contra toda a evidência. Não há pior cego que aquele que não quer ver.
Outro tanto parece pensar a oposição que temos, pelo que se mantém praticamente muda e queda sobre o assunto, apesar de uma ou outra picardia, só para enfeitar. E têm razão, sob o ponto de vista eleitoralista. Acabar nesta altura com semelhante escândalo pouparia muito dinheiro -que poderia servir por exemplo para financiar refeições e outras ajudas sociais básicas- mas condenaria os causadores da façanha às chamas do inferno, tendo em conta a tacanha mentalidade do eleitorado que temos. Acontece contudo que se não for agora, terá de ser inevitavelmente no próximo mandato. E nestas coisas da política, quanto mais tarde, pior maré. Basta atentar no que sucedeu com o governo do malabarista Sócrates. Tantas fez que acabou por perder o controlo dos malabares...

2 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Uma ferroadelazinha no Sócrates... Lá terá de ser!

A força do seu silêncio metafórico, incomoda, tolda, inferniza e arrasa o espírito e a consciência de muita gente que se refugia agora nas esquinas das ruas das cidades a olhar as viaturas que transportam doentes e outros serviços sociais públicos, para fugirem da realidade trágica que a canalha que está no governo criou. E há responsáveis por eles lá estarem, uns mais que outros.

José Sócrates, se fosse a jogo dentro de seis meses, arrasava tudo e todos, com maioria absoluta. Apostava!

Esta realidade trágica presente na cabeça dos que ajudaram este bando a desgraçar as nossas vidas e a humilhar o nosso País, leva-os a andar de olho no povo, como um desses me disse há dias: "Já viu!!! Fulano, desempregado, a receber subsídio de desemprego, está ali a tomar o pequeno almoço com a filha!!!" Estávamos na altura a discutir se o Benfica devia jogar com dois pontas de lança (Cardozo e Lima) ou apenas com um. Para não mandá-lo a outro sítio (jogada perigosa...), retomei o tema, dizendo que o Benfica até devia jogar era com três pontas de lança. Disse-me então que eu não percebia nada de futebol; a mim, que o joguei muita ajeitadamente.

O problema do meu Zézito foi ter sido o Prometeu na política portuguesa. Por isso o que querem mesmo é vê-lo agrilhoado.



tomarense d disse...

" José Sócrates, se fosse a jogo dentro de seis meses, arrasava tudo e todos, com maioria absoluta. Apostava!"

-Não irá acontecer, mas se por hipótese académica isso viesse a acontecer, seria a prova provada de que o português, e desculpem-me o termo, é irresponsavelmente ignorante, para não usar adjectivos bem mais fortes...