sábado, 3 de novembro de 2012

Recusa obstinada

"Limpem os mostradores dos vossos relógios; estão atrasados em relação ao nosso tempo."

                                                                                                      Alexandre Soljénitsyne

"Há mais de três décadas que Tomar e os tomarenses se instalaram na recusa, que o mesmo é dizer na negação da realidade, logo por eles qualificada de pensamento único. Há três décadas que edificam uma bolha política e intelectual para se colocarem fora do mundo actual. Que recusam adaptar-se às grandes transformações do capitalismo e do sistema geopolítico, dominado pela mundialização e pela crescente potência dos países emergentes. Que concluíram um acordo tácito para evitar não só atacar os problemas daí resultantes, mas até de reconhecer a sua existência ou   debatê-los, refugiando-se na utopia ou numa história mitificada. Que cultivam ideias falsas para justificar o statu quo e iludir as reformas que todos sabem indispensáveis, mas cuja responsabilidade ninguém quer assumir."

Acabo de citar o economista francês Nicolas Baverez na sua obra mais recente "Réveillez-vous", publicada há três semanas nas Editions Fayard, Paris, página 11. Limitei-me a substituir "França e os franceses" por "Tomar e os tomarenses". Mas podia usar também "Portugal e os portugueses", ou até "a Europa e os europeus do sul". Quer isto dizer que estamos perfeitamente alinhados com o que de mais retrógrado existe por esse país e por essa Europa fora. O que até nem seria grave, como nunca foi até agora, se não se desse o caso de doravante os habituais financiadores do regabofe lusitano e tomarense exigirem garantias reais devidamente fiscalizadas para nos continuarem a aturar. Os instalados farão o favor de se ir habituando à ideia, que a crise continua, infelizmente cada vez mais forte, a exigir quanto antes amputações e despromoções, muito dolorosas mas condição sine qua non para manter o animal vivo. Faço-me entender?



4 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Batista-Bastos, um mestre de escrita jornalística, de espírito muito independente, no seu artigo de ontem, " A visita da velha senhora", no "Jornal de Negócios", a propósito da visita de Merkel a Portugal, escreveu a certo passo:

«O alvoroço da direita tem muito a ver com servidão, com subalternidade cultural
e económica que, historicamente, conduziu, por exemplo, os franceses a
repugnantes abdicações morais. Basta lembrar o "colaboracionismo" de largas
faixas da população, como de muitos e importantes intelectuais
. Relembrar estes
factos é pedagógico. para, sobretudo, não esquecermos que o fascismo está sempre
presente, sob várias formas e disfarces, e que o "ovo da serpente" [Ingmar
Bergman] nunca foi totalmente esmagado.» -o negrito é meu.

Depois de ler a tradução do Dr. Rebelo,lembrei-me deste pedacito do artigo de Batista-Bastos.
------------
P.S.: Estou a pensar interromper os meus comentários no TaD. Mais ninguém aparece por aqui. Assim não tem graça nenhuma.

António Rebelo disse...

Viva Fernando!

Creio que ninguém comenta porque a realidade é assaz eloquente. Só assim se compreende que mais de 300 visitantes diários nada tenham para dizer. Além de procurarem escapar-se pelos intervalos da chuva. A situação não está para brincadeiras e, como tu bem sabes, ninguém lê Tomar a dianteira, que todavia, mesmo durante o recente período de reflexão, nunca desceu abaixo das 200 consultas de página por dia. Peculiaridades dos tomarenses...

simon disse...

Boa noite.

Não sei quem é o Fernando, enfim o senhor Cantoneiro da Borda da Estrada. mas ele faz falta tanto como o Tomar a Dianteira. Ainda bem que a reflexão do TaD foi de curta duração. Cumprimentos. Simon

Leão_da_Estrela disse...

Meu caro Cantoneiro,

A vida, a profissão e o tempo disponível, nem sempre me dão uma aberta para aqui vir e comentar, infelizmente, que eu normalmente tenho sempre uma posta para deixar.
Prometo fazer-lhe companhia, na medida do possível, fica a promessa, assim a modos que em pedido de que não se "pisgue", que, como diz o outro, isto sem si não era a mesma coisa. Um abraço para si.

Caro professor,

Já quanto à coisa, vamos lá mais uma vez matraquear na sacana da tecla: o povo português (e de Tomar e da Europa do sul e dos outros sítios e lugares miseráveis deste desgraçado Mundo) não tem culpa, nem é devedor de nada a ninguém, excepto daquilo e com quem fez contrato! quanto a isto, estamos conversados.

O país está falido? ah pois está! querem culpados? comecemos por Tomar: os últimos presidentes de Câmara e vereadores que foram desbaratando recursos e que administraram criminosamente o concelho, deixando-o na condição miserável em que se encontra! O que aconteceu a esses, e dos outros 308 concelhos (salvo raras e honrosas excepções), senhores eleitos? nada! alguns gozam de lautas reformas e vivem como nababos "à pala" do Zé contribuinte; continuemos pelos sucessivos governadores civis, que foram, ao longo destes 38 anos, distribuindo benesses conforme os ventos e as marés, sem cuidar do bom aproveitamento dos dinheiros públicos. Onde estão? procurem-nos aí em qualquer ministério, como secretário-geral, no mínimo, ou como assessor de um qualquer ministro; primeiro-ministros, ministros e secretários de estado, que elevaram a dívida pública a quase 130% do PIB, duplicando-a até, desde 2005, o que é feito deles? tirando os que estão em funções, não é difícil, é procurar aí em qualquer conselho de administração de uma qualquer empresa privada, de preferência da sua área de governação, auferindo chorudos ordenados que acumulam com as benditas reformas pelo "belo" serviço prestado ao país; deputados, é vê-los a ganhar terreno nas "comissões" parlamentares onde se discutem os interesses dos amigos e nalguns casos patrões, para garantirem o seu "desgraçado" ganha-pão que juntarão à miserável reforma de deputado, coisa nunca inferior a 2500 Euros, coitados; presidente: a raínha de Inglaterra tem menos poderes e é mais influente que os senhores que por lá passaram e o que lá está, este até com uma ligação muito "esquisita" com o BPN e o Costa que até foi seu ajudante no governo.
Esta gente alguma vez foi responsabilizada pelos desvarios, pelos crimes de lesa-pátria que cometeu?

Estamos como estamos porque cada tuga tem um telemóvel e um computador e alguns, loucura, loucura, atreveram-se a pedir dinheiro para comprar um apartamento de luxo com uma sala com kitchnet?!

Pelo amor da santa! ponham-se esses gajos todos dentro! não se tenha medo de chamar os bois pelos nomes! Cavaco Silva ganhou imenso dinheiro com o BPN com informação privilegiada, hoje eu e os outros portugueses estamos a pagar por isso! Ferreira do Amaral negociou um contrato miserável e leonino com a Lusoponte e hoje é presidente do CA daquela empresa! não há ninguém que questione? poderia estar aqui o dia todo a desfiar o rol das mal-feitorias que estes tipos têm feito ao país, com nomes, datas, quantias, etc, etc, e onde anda o Ministério Público? pois...joga tudo na mesma equipa, uns nomeiam-se aos outros e protegem-se a todos e a cada um.

Meu caro professor, não sou profeta, nem para lá caminho, mas aponte aí na sebenta: enquanto estes marmanjos não forem responsabilizados e não forem bater com os costados no xelindró, não há Troika, nem Merkl, nem austeridade que nos valha!

'bora copiar a Islândia?

Cordialmente