Como habitualmente, os responsáveis pelo monumento vão alegar que não têm guias oficiais no quadro de pessoal, que o sindicato dos guias não permite que pessoal não sindicalizado guie visitas (o que é redondamente falso), e que todo o percurso está devidamente explicado em vários painéis descritivos colocados nos locais mais adequados.
Que tais indicações existem, não temos quaisquer dúvidas. A fotografia acima documenta um deles -o da Janela do Capítulo. Que sirvam realmente para alguma coisa, temos as maiores reservas. Na nossa pobre opinião, o autor ou autores de tais textos nunca devem ter estudado pragmática línguística, nem noções de comunicação, nem tipos ou níveis de língua. Se estudaram já se esqueceram. Ou então agiram deliberadamente em conformidade com aquela norma universitária portuguesa, que embora nã escrita muita gente segue -o importante é dizer coisas simples com uma linguagem rebuscada, de forma a alardear erudição. Quanto menos os destinatários das mensagens perceberem, melhor !
Temos assim uma série de textos curtos, numa linguagem que valha-nos Nossa Senhora da Agrela, que não há santa como ela ! Os visitantes que deles precisariam para perceberem o que vêem, não os entendem de todo. Os raros outros que os entendem, esses não precisam de os ler, pois já perceberam o que viram.
Estamos portanto perante mais um caso em que o comum dos mortais será levado a murmurar de si para si -"está muito bem escrito mas não percebi patavina !" E você, com toda a franqueza, que ninguém mais o ouve -Percebe o texto ? Então aqui vai outra proposta para o mesmo local, que nos parece mais de acordo com a generalidade dos visitantes: "A janela do capítulo é a obra prima de Diogo de Arruda e do manuelino, um estilo unicamente português. Foi feita entre 1510 e 1513. A sua ornamentação é composta de elementos naturalistas ligados à epopeia dos descobrimentos. Vêem-se igualmente, em cima, a cruz da Ordem de Cristo, o escudo nacional e as esferas armilares, emblemas do rei D. Manuel.
Na parte de baixo está um marinheiro com uma árvore às costas.
Os contrafortes dos dois lados da fachada, chamados botaréus, representam em parte troncos de árvores. Até vemos as raízes. O da direita está amarrado com um cinto, que é o símbolo da Ordem da Jarreteira. No da esquerda vê-se a cadeia da Ordem do Velo de Ouro."
Que lhe parece a si, que habitualmente lê este blogue ? A sua opinião é importante para nos ajudar a aferir critérios de compreensão do português, como meio de comunicação eficaz entre os portugueses e outros lusófonos.
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