domingo, 25 de dezembro de 2011

O Pai Natal morreu. E agora?!


Pois é. O Pai Natal morreu. Não aquele velho simpático do imaginário infantil, que graças à generosidade de papás, mamãs, titis, vóvós e tutti quanti, vai perpetuando a ideia de que se pode obter praticamente tudo sem grande esforço. Ou até sem esforço algum. Esse continua bem vivo, embora com cada vez  menos recursos disponíveis.
Falo do outro, o Pai Natal Estado, que até agora providenciava empregos, saúde, cultura, divertimento, excursões, casas, prateleiras douradas, promoções automáticas, 14 ordenados por ano, reformas antecipadas, Rendimento de Inserção, ensino gratuito com aproveitamento praticamente assegurado logo à partida, etc. etc. etc. Esse morreu mesmo e julgo que nunca mais terá substituto.
Até o mago Jardim -ídolo do nosso novo presidente, que há anos o convidou a visitar Tomar- até ele, praticamente dono e senhor da Madeira, acaba de atirar a toalha ao chão. Sinal de que abandonou enfim o seu acérrimo combate contra os "cubános do contenente". Segundo li algures, informou ontem os seus conterrâneos -num artigo do subsidiado jornal às suas ordens- que o Plano de austeridade negociado com o governo e a implementar é muito doloroso, mas foi o melhor que se conseguiu. Bem disse César: Até tu, meu filho Bruto!
Em Tomar, como é sabido, somos governados por gente simpática, trabalhadora, honesta, mas infelizmente conformista e de compreensão demasiado lenta. Quando finalmente decidem apanhar qualquer comboio, já ele partiu há meses. Exagero? Tomemos o caso do nosso novo presidente, senhor Carlos Carrão. Está no poder em regime de tempo inteiro há 14 anos seguidos. Que comboios conseguiu apanhar a tempo? Que propostas apresentou? Que ideias lançou? Que progressos conseguiu? Que planos concebeu? Que projectos implementou?
Por mais que dê voltas ao miolo, só me consigo lembrar do seu apoio a todas as decisões de António Paiva, dos passeios/tintol à borla, dos almoços, jantares e inaugurações, do encerramento do mercado, da instalação da tenda/sauna e das contas municipais que ao arrepio da lei nunca foram auditadas por uma entidade externa. Agora que o tempo é de penúria, como vai ser?
Para desenvolver a sua economia, qualquer cidade de qualquer país necessita de dois factores: recursos naturais e recursos humanos. Em Tomar temos muita água, bom clima, bons terrenos, belas paisagens, um rio, uma albufeira, um passado, um património construído de primeira ordem. Onde estão os recursos humanos à altura das circunstâncias? Uma coisa é abrilhantar actos públicos -corridas de toiros no Campo Pequeno, por exemplo- outra bem mais difícil é criar condições que tornem possível um futuro menos sombrio para esta terra que merece melhor sorte.
Para que os seus habitantes jovens possam grafitar "O pai Natal voltou!", em vez do melancólico e actual "O Pai Natal morreu".

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