sexta-feira, 31 de agosto de 2012

INCAPAZES

 Foto 1 - Vista geral do ex- Quartel General 

 Foto 2 - Património do Estado? Ou do Município?

Foto 3 - Antiga Casa da Guarda e arquivo do Quartel General. Fachada da Rua dos Arcos.


Fotos 4 e 5 - Inscrições no portão da antiga garagem do Q.G.: Arquivo das Finanças de Tomar

Foto 6 - Outro aspecto actual da antiga Casa da Guarda do Q.G.

Oxalá os artigos de J. A. Godinho Granada, no Templário, e de António Freitas, no Cidade de Tomar, ambos de hoje, consigam a proeza de despertar o brio dos autarcas e dos funcionários da autarquia. Levando uns e outros a admitir enfim que os contribuintes lhes pagam para, no mínimo, zelarem pelo património de todos. Tanto no que concerne ao terreiro da ex-messe como ao ex-Quartel General, a situação só pode preocupar aqueles tomarenses realmente amantes da sua terra. Pretender comprar uma coisa que já nos pertence, revela pelo menos uma santa ignorância. E que dizer quando se deixam de receber milhares de euros mensais de rendas, só para evitar a maçada de gerir com eficácia o património confiado à nossa guarda? Culpa dos eleitos? Ou dos funcionários que os não informam cabalmente, como é sua obrigação profissional? 
Em qualquer caso, desmazelo, deixa andar, bandalheira, que é exactamente o que se passa. De acordo com a documentação indicada por Godinho Granada, tudo aponta para que a antiga propriedade de Dª Aurora de Macedo, por ela doada para sede do quartel general da 7ª divisão, com uma cláusula de reversão para a autarquia, quando deixasse de ter essa afectação, seja propriedade do Município de Tomar. A ser assim, os serviços públicos agora instalados no edifício teriam de pagar uma renda mensal à autarquia, pois apesar de ter sido o Estado a custear as obras, é dos costumes multi-seculares que "quem faz filhos em mulher alheia, perde-lhes o feitio". Por outras palavras, é óbvio que quem faça obras em propriedade de outrem, perde-lhes o direito.
Além disso, é vergonhoso o estado em que se encontra o antigo logradouro do palácio, mais tarde transformado em caserna para a guarda e garagem para a viatura de função do comandante da região militar. (Fotos 4, 5 e 6). Seja quem for o seu proprietário.
É mais um triste e lamentável exemplo nabantino de que nem só os eleitos são geralmente incompetentes. Os senhores funcionários, sobretudo os quadros médios e superiores, também primam pela falta de empenhamento no seu trabalho. Geralmente bem pagos e pouco martirizados pelas  tarefas do quotidiano, são afinal apenas incapazes. Por isso ficam tão irritados quando alguém diz ou escreve aquilo que todos pensam, menos os próprios. É a vida...



3 comentários:

Leão_da_Estrela disse...

Caro prof.

Concordo consigo no geral do post, apenas quero chamar-lhe a atenção para a situação "dos filhos em mulheres alheias", que referiu, em relação às obras: julgo, não sou inquilino, que quando um inquilino solicita obras ao proprietário de um imóvel (neste caso) e ele se recusa a fazê-lo, há a possibilidade de essas obras serem feitas pelo inquilino, após vistoria da respectiva Câmara Municipal, ficando o valor gasto por conta das rendas a pagar; não querendo defender ninguém, poderá ter-se dado esse caso, é uma questão que o meu amigo poderá averiguar, que está mais perto, se há ou não um contrato de arrendamento, ou comodato, ou outro que o valha. Se pelo contrário, o Estado se arvorou o direito de fazer obras num edifício e o ocupa com um fim que não o do contrato inicial, das duas, uma: ou refaz o contrato e acorda uma renda, ou dá corda aos sapatos e deixa o imóvel!

Mais uma vez e sem querer ser advogado de defesa de ninguém, o que é que têm os técnicos a ver com a coisa? são porventura eles que decidem? quantas vezes as informações e opiniões dos técnicos esbarram nas (e muito bem, pelo menos do ponto de vista legal) decisões dos políticos?

Já agora e a talhe de foice, num dos fins-de-semana que estive em Tomar, soou-me que os terrenos do Hospital têm uma cláusula semelhante. Será verdade?

Ctos

António Rebelo disse...

Neste caso, salvo opinião mais fundamentada, os técnicos são culpados de não terem facultado aos políticos em tempo oportuno a documentação legal que teria evitado a asneira da tentativa de compra. Em democracia, como sabe e ainda bem, os eleitos passam, os funcionários ficam. Incumbe-lhes por isso, no quadro do "exercer com zelo as funções que lhes são confiadas", assegurar a perenidade do poder, de forma a evitar argoladas. Não lhe parece?
Sobre os terrenos do hospital, nunca tal ouvi dizer, mas julgo ser fácil apurar a veracidade do que avança. Bastará pedir esclarecimentos ao ex-presidente Pedro Marques ou ao doador Luís Alvellos.

Cordialmente,

Leão_da_Estrela disse...

Será que não facultaram?

Pois...

Quanto ao hospital, conto com a sua sagacidade, para confirmar a informação.

Ctos