terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Os "palpiteiros" e o turbilhão do progresso

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As duas sondagens deste blogue, cujos resultados já são conhecidos, tiveram pelo menos uma utilidade evidente. De acordo com o que se vai ouvindo nos "meios geralmente bem informados", surpreenderam e por isso incomodaram os habituais "palpiteiros" de serviço, também conhecidos por "achistas", por causa da expressão recorrente "eu acho que..." O que se compreende. Uma coisa é opinar que a, b ou c na lista x, y ou z "é tiro e queda". Outra bem diferente lembrar que numa sondagem livre, que registou X respostas, o candidato A obteve apenas um terço do candidato B, e assim sucessivamente. Factos contra meras opiniões.
Contrapõem alguns, com toda  a razão, que as sondagens são manipuláveis, mesmo estas via Internet. E citam claques de apoio, recorrendo a telefonemas, sms, mails, etc. É claro que são! Todos sabemos isso. Tal como acontece com as eleições oficiais, por mais livres que sejam. Como é que julgam que nos USA Obama conseguiu vencer já por duas vezes? Porque as suas equipas de apoiantes por via electrónica foram mais eficazes do que as adversárias, na mobilização de eleitores.
Passando a casos concretos, se após a nossa sondagem a eventual candidatura de Carlos Carrão ficou seriamente posta em causa, a de Anabela Freitas não vai nada melhor. Pelo contrário. Apesar da evidente atitude sacrificial de Hugo Cristóvão, as águas socialistas locais começam a agitar-se, ao darem-se conta do enorme fosso entre o que pensam os membros da CPC e a base eleitoral do PS, em que uma grande parte não entende a vantagem de se coligar com a esquerda dura, a qual nunca obteve resultados famosos no concelho, excepto numa ou duas freguesias.
Do lado oposto, os futuros eventuais parceiros de coligação acham a oferta demasiado generosa, citando o provérbio "quando a esmola é grande, o santo desconfia". Alguns assinalam até que a candidata e dirigente dos socialistas locais tende a reincidir em práticas que se julgavam definitivamente ultrapassadas. Aquando da confirmação de candidatura, foi aquele "achado" dos boletins em branco, a serem preenchidos sob o olhar atento dos membros da mesa. Uma prática muito usada em Havana ou em Hanói, por exemplo. Agora houve aquela generosa oferta de frente ampla, com a sonora frase "está tudo em aberto, menos a minha liderança".  Exactamente como em Pequim: "Está tudo em questão, menos a primazia política do Partido Comunista Chinês".
Na Europa, de uma forma geral, quando se procura construir uma ampla coligação, é usual estruturar antes um programa sólido, sufragado por todos após debate livre, procedendo-se finalmente à escolha do líder, por eleição ou por consenso. Aqui em Tomar, pelos jeitos, prefere-se o modelo inverso: escolhe-se o líder e depois procuram-se os futuros colaboradores/subordinados. Pode ser que desta vez venha a resultar, mas não é o que tem sucedido até agora. E em época de tragédia, não é decerto com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma que se vai conseguir dar conta do recado de forma cabal. Digo eu. Oxalá me engane.

3 comentários:

templario disse...

DE: Cantoneiro da Borda da Estrada

Primeiro, as pessoas dirigem-se para um mesmo local aprazado, falam umas com as outras e mostram a sua disponibilidade para uma alternativa conjunta; só depois abordariam a elaboração de um programa, onde cada um mostra quanto pode ceder, e quanto é capaz de se ater ao essencial que os una na ação. Sempre atidos aos superiores interesses dos munícipes em geral.

Não sei se já repararam, mas há partidos, quer a nível local quer a nível regional, que não têm autonomia para gerirem um simples site, sem passar pelo crivo do controle central. Um, pelo menos, conheço eu. E é de Tomar.

No lugar de Anabela Freitas, aprazava esse local para conversarem, na condição de se fazer uma acta da reunião para tornar pública através da imprensa local e regional - com toda a transparência.

É possível que haja no PS quem esteja contra essa aliança, levados pelo visão que têm do poder: "Se estamos no poder empregamos os nossos - os nossos familiares. É assim que os outros fazem!" E isso é verdade!

Mas se pensam assim, e se continua a ser verdade, pois, então, o melhor é não fazerem aliança nenhuma.


Não me venham dizer que não é possível, num município como Tomar, encontrarem um denominador comum. para abaterem a Lapa do jagunço.

Mas eu já conheço a conversa da treta do costume de algumas pessoas ou partidos.

Os do PCP, sem autonomia nenhuma para decidirem, vão dizendo:

-"Como posso eu fazer uma aliança com o PS, se eles àmanhã vão estar com o PSD nisto e naquilo a nível nacional?". E assim arrumam a questão, para fingirem que têm alguma voto na matéria. Não têm, como todos sabemos, a mínima capacidade de decisão, embora isto aconteça muitas vezes com o PS.

Tal como o poder local está e vai estar cada vez mais arreatado, as organizações partidárias locais são, na esmagadora maioria dos casos, uns meros verbos de encher.

E depois, se for o PSD a ganhar, lá andarão todos a lamber o cu a qualquer Miguel Relvas.

Quem não os conheça, que os compre.

Essas coisas são para resolver já e não andarem por aí a armar ao pingarelho.

Mas metam na suas cabeçorras pensadoras..., se não forem pelo caminho de um ampla colaboração, o Dr. Miguel Relvas vai dar-vos a banhada do costume. E terá a imprensa local e regional a trabalhar para ele. De caras.

Para além do blogue do Dr. Rebelo.

António Rebelo disse...

Obrigado pelo cumprimento final! Tenho e terei todo o gosto em trabalhar a favor de A, B. ou C, desde que me pareça que isso corresponde ao que eu entendo serem os interesses dos tomarenses. Não busco nem espero benesses, venham de onde vierem. Mas também estou com cada vez menos disposição para aturar criancices de adultos, que ainda por cima se têm da conta de políticos de gabarito.

Um abraço

Leão_da_Estrela disse...

Meu caro Cantoneiro,

Deve ser da época, mas andamos a concordar em vários assuntos... :)

Parafraseando alguém que para além de correlegionário foi amigo, "olhe que não, olhe que não"! há vários e dispersos pelo território, acordos do PCP com o PS e até com PSD, pós eleitorais é certo, em inúmeras autarquias; portanto, desde que as coisas sejam feitas com transparência, com honestidade e que tenham em vista, só, apenas e unicamente os interesses do concelho com tudo o que isso implica, estejam as pessoas e os partidos de mente aberta, a coisa tem pés para andar.
Como diz e muito bem o nosso caro prof. Rebelo, não pode é ir o carro à frente dos bois! vamos lá reunir, juntar uma pitada de cada um, serrar presunto, partir pedra, juntar tudo e cozinhar um prato que tenha cheiro e tempero e que seja substancial, para oferecer aos tomarenses não um prato gourmet, que não há graveto p'ra isso, mas uma sopa bem condimentada e com os ingredientes necessários para matar a fome de tudo aquilo de que se sente falta.
Façam lá a coisa assim, vão ver que nem é preciso sobremesa!

(desculpe lá o tema, mas é hora de almoço e tenho aqui um ratito que me lembrou que agora marchava uma sopinha de feijão com carne, daquelas da mãe :) )

Ctos