terça-feira, 31 de março de 2009
ANTI-CRISE OU PRÓ-CRISE?
segunda-feira, 30 de março de 2009
A TERRA DA RETRANCA
Publicámos há pouco dias "O país das desculpas" (27/03), com o intuito de chamar a atenção para o pouco saudável clima social em que vivemos, no qual, em resumo, ninguém tem culpa de nada. É tudo culpa dos outros, do tempo, da pouca sorte, das circunstâncias, da crise ou, prosaicamente, deste país onde nascemos e vivemos, sem se pensar sequer que, afinal, o país somos nós.
Factos posteriores vieram engrossar o argumentário que já detínhamos. É o caso das nossas mensagens mais recentes, criticando frontalmente determinado panfleto político e, de caminho, determinado discurso. Apesar dos exemplos dados, os visados adoptaram dois comportamentos tradicionais aqui pelas margens do Nabão, como se nada tivesse mudado desde há mais de 30 anos: a retranca passiva e a retranca activa.
No primeiro caso, reconhecendo implicitamente que, no jogo de ténis verbal, não têm raquete para o adversário presuntivo, decidem manter um silêncio esfíngico, em tempos idos e que não voltam sinal de grande sabedoria. No outro caso, viciados na leitura de jornais desportivos que escrevem a 80% sobre futebol, lá conseguiram assimilar que "a melhor defesa é o ataque", esquecendo que na política pode bem não ser sempre assim, e vá de adoptar a retranca activa. Dado que as cabecitas nunca foram convenientemente formatadas, nem em casa nem nas diferentes escolas, não dispondo por isso de suficiente capacidade de contra-argumentação, o melhor é ignorar deliberadamente tanto a forma como o conteúdo, e passar a atacar quem se presume que seja o autor. E se não for, paciência! Que se aguente!
Trata-se da nova versão do muito conhecido caso do mau dançarido, que garante dançar bem, mas ser prejudicado pelo chão, que é torto. Na circunstância, ajudado pela armadura do anonimato, até houve alguém, extremamente valente, que ousou ir mais longe. Escreveu com todas as letras que "X pôs-se a jeito e agora leva no osso de todos os lados. É bem feito!" Assim como naquela anedota do sepultado, com a mão de fora a gritar "tirem-me daqui que não estou moro, e um outro indivíduo, politicamente solidário, calca-lhe a mão com a bota, exclamando em voz alta: "Pois não, estás é mal enterrado!" Fica-se, por conseguinte, a perceber que o caso deve ter ocorrido em Tomar. E se não aconteceu, mentalidade para isso pelo menos não parece faltar, a julgar pela amostra...
Seja como for, para evitar novos dislates, aqui deixamos um alvitre na foto acima. A citada maquineta é mesmo o que estava a fazer falta na política local. Antes de mais, porque permite detectar as notas de banco falsas, coisa cada vez mais corriqueira. Em segundo lugar, porque também deve permitir a detecção de fífias ou notas musicais falsas, tarefa importantíssima, visto que determinado partido é dirigido por dois músicos, no sentido polissémico do termo. Por fim, nada melhor que uma máquina assim, para anular as notas escritas menos elegantes, oportunas ou fidedignas. Ficamos à inteira disposição para indicar onde se vende a tal máquina. Depois não nos venham acusar de falta de participação empenhada...
domingo, 29 de março de 2009
POLÍTICA HONESTA E COERENTE
sábado, 28 de março de 2009
A ACÇÃO E A PALAVRA

Jacques Attali foi conselheiro económico de Mitterrand e elaborou recentemente um relatório com 114 medidas para superar a crise, a pedido do presidente Sarkozy. O seu livro mais recente, "A crise e depois" (ainda não traduzido em português) já vendeu 90.000 exemplares em três meses, coisa extremamente rara em economia. De religião judaica, nasceu na Argélia, então administrada pela França. Escreve semanalmente e mantém um blogue em www.lexpress.fr , onde pode ser consultado, eventualmente, o original aqui traduzido e adaptado por A.R.
Para sobreviverem, tanto os países como as empresas vão ter que alterar profundamente as suas estruturas respectivas. As empresas sabem-no melhor do que os países, porque têm consciência da sua precaridade. Têm sempre presente, mesmo se não lhe dão tal designação, a questão de saber se o seu "modelo de negócio" (o célebre business model, definido pela primeira vez pelas universidades anglo-saxónicas) ainda é eficaz. Ou seja, se podem continuar a produzir e a vender de maneira equilibrada. Sucede que, mesmo se muitas continuam actualmente esperançadas que tudo vai voltar rapidamente ao mundo antigo, começam também a compreender, em numerosos sectores (e prioritariamente nos primeiros atingidos: banca, automóvel, distribuição, transporte aéreo), que os respectivos "modelos de negócio" não conseguem manter-se: não há clientes suficientes, não há crédito bancário em condições. O que implica alterações profundas e duráveis.
Primeiro, alterações quantitativas: para sobreviver durante vários anos com receitas muito mais limitadas, terão de reduzir as despesas de investimento, os stocks e as gamas de produção. Terão igualmente que aumentar os prazos de pagamento aos fornecedores. Terão de transformar uma parte tão grande quanto possível dos custos fixos em custos variáveis. Dito de outro modo -generalizar a precaridade, contribuindo assim, involuntariamente, para agravar a crise.
A seguir, alterações qualitativas: os consumidores vão procurar consumir cada vez mais de forma esclarecida. A ostentação já não está na moda e entramos de modo prolongado numa economia de saldos, na qual cada empresa terá as maiores dificuldades para manter a especificidade das marcas, face aos produtos anónimos.
Os governos, confrontados com os mesmos problemas, não agem tão rapidamente. Porque não têm os mesmos problemas de sobrevivência; porque são, por vezes, mais ameaçados pelo eleitorado se fizeram do que se não fizerem; porque pensam ter tempo; porque dependem de mecanismos de decisão bastante complexos e de lobbys contraditórios. Assim, como não podem agir, vão falando: anunciam planos de retoma que mal conseguem financiar, quando conseguem. Enquanto que a primeira prioridade é o aumento dos fundos próprios dos bancos, a melhoria da tesouraria das empresas, o incremento da procura e a redução das dívidas, dos défices, por conseguinte, nada de sério acontece em nenhum país.
Pelo contrário, os bancos centrais pouco ou nada dizem, por causa da rigidez das suas doutrinas e da unicidade dos seus objectivos, mas vão agindo: fornecem somas imensas à economia, permitindo mesmo, ao arrepio de toda a ortodoxia, que as empresas obtenham dinheiro directamente, por troca com papel comercial, usando para tal designações tão discretas e obscuras quanto possível. (A última designação aparecida nos comunicados dos governadores de bancos centrais é quantitative easing, ou seja "facilitação quantitativa", o que seria melhor traduzido por "máquina de fazer notas").
Mas não será mesmo assim suficiente: nenhuma empresa poderá sobreviver só com as suas alterações internas, nem com o recurso ao papel-moeda. É claro que não poderá depositar no banco central títulos de débito dos seus clientes, se não tiver clientes. Se o mercado, uma vez mais, for mais ágil e mais adaptável que a democracia, caminharemos aceleradamente para a hiperinflação (acima de 20%), forma extrema de deslealdade, que fará desaparecer as dívidas, punindo os credores. Há empresas que já se estão a preparar para isso. Muitas democracias vão padecer e algumas não resistirão.
x-x-x-x
Questionarão os habituais cépticos "Que tem isso tudo a ver com Tomar?" Nada, como é óbvio! Somos descendentes dos templários, o que nos permite andar à chuva sem nos molharmos. À cautela, porém, será melhor voltar a ler com atenção, até chegarem à conclusão que as medidas já tomadas pela autarquia, e não só, nada mais são que "música de embalar". O posterior despertar poderá ser um verdadeiro pesadelo, se entretanto nada fizermos individualmente para prevenir um futuro tão sombrio. E meditar muito antes de cada decisão, em Outubro próximo.
TOMAR VISTA PELOS DE FORA

Na sequência do nosso "post" "Sobre turismo de pé descalço", de 26 do corrente, alguns leitores tiveram a amabilidade de manifestar curiosidade em relação aos conteúdos do guia citado, designadamente no que se refere a Tomar. Na impossibilidade prática de citar na totalidade as referências a Tomar, aqui vão as que nos pareceram mais significativas e que não foram evocadas na mensagem anterior.
Como se pode ver, o país visto pelos turistas não é bem aquele que é considerado pelos políticos. No distrito de Santarém, por exemplo, há apenas um local assinalado -Tomar, como não podia deixar de ser. Qual a justificação para a sede da Entidade de Turismo ser em Santarém? Isso devem perguntar aos senhores políticos.
Geralmente, os guias turísticos adoptam um determinado modelo-padrão, o qual é depois utilizado para todas as localidades importantes a descrever. Neste caso do "Routard" o modelo- padrão é este: Nome da terra > Chegar/Partir > Endereços e informações úteis > Onde dormir? > Onde comer ou saborear um bom bolo? > Onde beber um copo > A ver. No caso de Tomar, que com Fátima, Ourém e Almourol são as únicas curiosidades do distrito, e na parte que nos interessa agora, começa-se com Onde dormir?
De barato a preço médio: Residencial União. Cerca de 20 quartos, barulhentos os das traseiras, rudimentaires os sem banho. Acolhimento muito simpático e asseio sem mácula. Internet a preços módicos. Residencial Luz. Simpática casa antiga, com alguns quartos restaurados. Internet. Residencial Kamanga. Muito bem gerida, num prédio novo. Quartos 311 e 312 com excelente vista para a cidade e o convento.
De mais chique a muito mais chique: Pensão Luanda. Grande pensão 3 estrelas com quartos modernos e com estilo. Barulhentos os da fachada. Estalagem de Santa Iria. Restaurante afamado no r.c. Uma paisagem das mais românticas. Aliás, paga-se sobretudo a paisagem. Quinta da Anuncida Velha. Antiga quinta dos templários. 5 quartos, 2 apartamentos e uma suite de muita categoria.
Onde comer? Onde saborear um bom bolo? De barato a preço médio: Tabuleiro. Excelente endereço. Casa Salgado. Ir ao almoço a esta casa de pasto movimentada, com clientela operária quase exclusivamente masculina. As cabeças todas mergulhadas nos pratos. Cozinha de enfartar. A terrina inox está no meio da mesa. Cada um serve-se à vontade. A Bela Vista. Velha casa típica, coberta de vegetação. O restaurante afamado da cidade. Bucólico-turístico. Estrelas de Tomar. Unanimemente considerada a melhor pastelaria de Tomar. Mais chique: Chico Elias. Um endereço extraordinário. É preciso reservar, mas garantimos que vale a pena. É o ponto de encontro dos bons garfos locais. O melhor bacalhau com natas de todo o país. Pratos únicos. Quando reservar por telefone, peça para falar com a Isabel, a filha da cozinheira Céu, que fala francês.
Onde beber um copo? Café Paraíso. Mais um soberbo café antigo para a sua colecção. Ponto de encontro da juventude local. Casa das Ratas. Uma verdadeira curiosidade esta taberna-adega. Pequena, coberta de pó, com teias de aranha e serpentinas à entrada. Tudo autêntico, ou a fingir? Seja como for, bêbados garantidos. Comem-se pedaços de queijo, peixe frito ou marisco. Bebem-se vinhos locais bons e baratos. A ver: Convento de Cristo. Uma das visitas obrigatórias em Portugal. Um encantamento permanente, um verdadeiro choque arquitectónico. Pelo menos uma hora para a visita. ...Janela do capítulo. É a mais fascinante das esculturas manuelinas do país. Resume e concentra de um modo perfeito toda a arte manuelina, ponto mais alto do delírio vegetal. O musgo contribui ainda mais para lhe dar espessura e relevo contrastado. Musgo a devorar a pedra, vegetal volvendo ao vegetal...
E pronto, aqui fica o essencial das impressões de alguém, certamente pessoa de cultura, que nos visita regularmente e gosta muito desta terra. Ocasião também para perceber um dos motivos que levam o nosso companheiro Rebelo a ser encarniçadamente contra a limpeza da Janela. Mesmo a laser!!!
sexta-feira, 27 de março de 2009
O PAÍS DAS DESCULPAS
ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL
A MAMAR É QUE A GENTE SE ENTENDE...
Helena Matos (O título é de Tomar a dianteira)
quinta-feira, 26 de março de 2009
SOBRE TURISMO DE PÉ-DESCALÇO

quarta-feira, 25 de março de 2009
É MELHOR IR AVISANDO...
E DEPOIS QUEREM QUE ISTO MUDE... 2
Quando decidimos escrever lateralmente sobre o desporto em geral e o futebol em particular, a propósito dos inscritos nos vários partidos políticos, já nos palpitava que iríamos ter respostas tipo cão "basset", o mesmo é dizer meio cão de altura e cão e meio de comprimento. Por isso, resolvemos seguir o conselho de alguém aqui do blogue, que considera indispensável guardar sempre o dobro das munições da primeira rajada para as rajadas seguintes. Face aos comentários já lidos, que são sempre bem-vindos desde que educados, parece-nos útil acrescentar o que segue. Sem rancor ou espírito de vingança. Apenas para tentar esclarecer.
"A opinião é livre, os factos são sagrados" ouvem os alunos em qualquer escola de jornalismo. Infelizmente nem todos se recordam sempre disso em todas as suas intervenções, escritas ou não. E então quando nem sequer se lá andou, ou se frequentou um estabelecimento menos conceituado, chega a ser uma verdadeira desgraça.
Neste assunto, conforme qualquer leitor poderá verificar, não emitimos qualquer opinião, positiva ou negativa. Houve a preocupação de apenas elencar factos, respeitando-os rigorosamente. Nauseados com o escrito, leitores responderam como quase sempre fazem -com meras opiniões não fundamentadas e procurando, nalguns casos, ofender quem ousou apresentar factos que são incontroversos. É o que se chama, se não erramos, "desviar para fora", aproveitando, pelo menos num caso ou dois, para tentar dar uma canelada no adversário.
Usando novamente apenas factos do conhecimento geral, comparemos duas situações. Um simples erro do árbitro, que ele admitiu na TV 24 horas mais tarde, tem provocado rios de tinta e de saliva, debates, entrevistas, comentários e artigos de fundo, perante o desespero de numerosos telespectadores, que lá vão mudando de canal, para constatarem que andam todos ao mesmo, ou quase. A nível local, os dois semanários de maior difusão publicam suplementos de pelo menos doze páginas. Entretanto a situação degrada-se, tanto a nível nacional como local, sem que a comunicação social dê mostras de se preocupar com tal estado de coisas. Será isto normal?
É muito fácil opinar que A, B ou C embirram com o futebol e/ou com o desporto. Difícil, ou mesmo impossível, será convencer a maioria silenciosa de que não há qualquer relação entre tal estado de coisas e as dificuldades que nos atormentam. "Não há almoços grátis", que é como quem diz que o dinheiro não chega para tudo. E então quando é mal governado, nem se fala...
A concluir, uma chamada de atenção para a reprodução que encabeça este texto. Repare-se como os grandes jornalistas, neste caso do PÚBLICO, conseguem "dar a volta ao texto" -trata-se de factos, de opiniões, ou de ambos?
terça-feira, 24 de março de 2009
E DEPOIS QUEREM QUE ISTO MUDE...

O gráfico acima reproduzido, retirado do Diário de Notícias de 22 do corrente, mostra bem o país que somos. Grosso modo, só pouco mais de 3% dos cidadãos se encontram inscritos em partidos políticos. Porque será? Mais curioso ainda: o Benfica tem mais sócios do que o PS ou o PCP, o que só poderá surpreender os menos atentos, já que A BOLA vende mais de 120 mil exemplares de cada edição, o mesmo acontecendo com o RECORD, enquanto o DIÁRIO DE NOTÍCIAS ou O PÚBLICO, ambos jornais de referência, andam na casa dos 40 mil. Só o semanário EXPRESSO consegue ultrapassar os 100 mil, ficando mesmo assim aquém dos desportivos. Se a isto acrescentarmos que temos três jornais desportivos de grande tiragem, caso único na Europa, o panorama fica completo e devia conduzir os dirigentes partidários, sobretudo aqui nas margens do Nabão, a procurarem indagar das razões profundas de tal estado de coisas. E não adiantará vir com a desculpa-chavão de "sempre assim foi", pois antes do 25 de Abril havia motivo legal e perigosamente imperativo para isso. Agora não.
Sabendo-se que em termos de Taça de Portugal, ou de Campeonato Nacional, ou em qualquer outra competição, vença quem vencer, os dividendos são nulos para os sócios e/ou admiradores dos diversos clubes desportivos, a presente situação dá que pensar. Tanto mais que tudo aponta para o facto de o futebol, o principal desporto em Portugal, ser afinal uma actividade parasitária. Só assim se pode explicar que apenas existam clubes da 1ª Liga nas regiões com elevada criação de valor acrescentado -Lisboa, Porto, Braga, Setúbal e Leiria. Ou seja, visto doutro ângulo, há mais clubes da 1ª Liga no Norte e depois em Lisboa, concentrando estas duas regiões mais de metade do total de equipas participantes. Abaixo do Mondego e fora da região de Lisboa, só sobrevive a Naval e o União de Leiria. A sul do Tejo, só o Vitória de Setúbal. Porque será?
AS COISAS COMO ELAS SÃO...
segunda-feira, 23 de março de 2009
SOBRE O TURISMO E O CAMPISMO
A PARTIR DE JUNHO OU JULHO JÁ SE PODE ARMAR BARRACA OUTRA VEZ
É MELHOR IR AVISANDO...
Olivier Truc - Le Monde 21/03/09
domingo, 22 de março de 2009
REPTO À OPOSIÇÃO QUE TEMOS
Redacção de tomaradianteira.blogspot.com
sábado, 21 de março de 2009
É MELHOR IR AVISANDO...
O mundo de abundância e prosperidade em que vivemos desde a segunda guerra mundial está a ruir fragorosamente. Há, contudo, quem pense que, passada a tempestade, tudo voltará ao mesmo. Pois a má notícia é que não voltará. A boa é que, mesmo sendo um mundo mais pobre aquele que aí vem, pode ser um mundo melhor. Explico-me. O que se está a passar é o empobrecimento das sociedades ocidentais. Os nossos padrões de consumo serão inferiores àqueles que temos praticado até agora. Haverá menos emprego nos sectores da agricultura, indústria e serviços. E será insustentável que se mantenham e agravem as fortíssimas desigualdades sociais que se criaram desde os anos 80. É bom que ninguém se esqueça que o que começou por ser uma crise imobiliária, passou para uma crise financeira, tornou-se uma crise da economia real, está já a transformar-se numa enorme crise social e vai descambar inevitavelmente em crises políticas, cujos desfechos são completas incógnitas. Por isso, não podemos cair nos vários erros que nos conduziram até aqui. Não podemos pedir às pessoas que se endividem para aumentar o consumo -foi precisamente o excesso de endividamento das pessoas, das famílias, das empresas, dos bancos, dos Estados, que nos conduziu ao beco em que nos encontramos. Não podemos pedir aos bancos que emprestem dinheiro a tudo e a todos para manter as economias a funcionar -porque a probabilidade de grande parte desse dinheiro não ser recuperado é agora muito maior. Não podemos pedir às empresas que invistam para aumentar a produção -quando os mercados não conseguem absorver a produção existente. Não podemos pedir às autarquias que façam obras desnecessárias porque é preciso que o dinheiro chegue à economia -sob pena de agravarmos o seu desiquilíbrio financeiro. Não podemos pedir aos governos que deitem dinheiro para cima de todos os problemas -porque estamos a agravar os défices excessivos e os desiquilíbrios comerciais fortíssimos e a passar uma factura pesadíssima para os nossos filhos. O que precisamos é de algo que não se compra mas que tem um valor incalculável: bom senso. O bom senso que se espera dos que ganham mais é que reduzam os seus salários para evitar despedimentos. O bom senso que se espera dos gestores é que abdiquem de bónus que, na fase que atravessamos, são ofensivos. O bom senso que se espera dos banqueiros é que não apresentem lucros pornográficos nem tenham remunerações indecorosas. O bom senso que se espera dos trabalhadores é que não agravem o problema das empresas com reivindicações irrealistas. ... ... ...
Nicolau Santos, Expresso 21/03/09 (os negritos são de Tomar a dianteira)
VENHAM FUNDOS EUROPEUS...
sexta-feira, 20 de março de 2009
Informações para os leitores
2 - As referências feitas no quadro das nossas crónicas não implicam agrado nem desagrado. São simples constatações com intuitos informativos. Nada mais. No caso do estatuto editorial do Templário, apenas se estranhou que fosse publicado agora. Entretanto já fomos informados por fonte absolutamente fidedigna de que a lei em vigor obriga a publicar tal estatuto em Março. Aqui fica a informação.
3 - Vários leitores, que depois nos honram com os seus comentáriosm, o que agradecemos, têm-nos afirmado que ninguém liga ao que escrevemos. É provável. Para tirar dúvidas, foi solicitada a instalação de um contador de visitas ao blogue, o que ocorreu na tarde da passada quinta-feira, dia 12 de Março. Na primeira contagem, efectuada ontem, dia 19, foi constatado que visitaram Tomar a dianteira 1422 "blogueiros". Não sendo nada de extraordinário, este total permite-nos, ainda assim afirmar que se ninguém nos liga, são já muitos os que nos lêem. Os nossos agradecimentos a todos.
Tomar a dianteira
ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL
Redacção de Tomaradianteira Colaboração CLIPNETO
PARABÉNS "CIDADE DE TOMAR"!!!
António Rebelo