domingo, 28 de fevereiro de 2010

SERÁ SÓ A FORMA DE GERIR ?

Foto O Templário, a quem agradecemos

Tomou posse o novo presidente concelhio do PSD, José Delgado, a quem desejamos as maiores felicidades e facilidades.
Na sua intervenção inicial foi corajoso. Disse não concordar com a forma como está a ser gerida a coligação 3+2, e que tenciona "marcar a agenda política". Parecendo que não, perante tais palavras, os coligados do PS não devem ter ficado nada serenos. Como diz usualmente o povo soberano, tudo indica que a partir de agora é que a porca vai começar a torcer o rabo. Porque José Delgado não é, de forma alguma, um principiante político. Por conseguinte, aquilo que disse foi concerteza bem pesado e melhor medido. Significará, portanto, em linguagem acessível a toda a gente -"daqui para o futuro, ou somos nós que lideramos activamente a coligação e marcamos a agenda política, ou acaba-se com o casório". Tudo bem, dirão talvez os outros dois coligados, mentido com quantos dentes têm na boca se o fizerem. Porque na verdade, além dos lugares bem pagos e outras mordomias significativas, os coligados minoritários apenas têm a ganhar, em termos políticos, alguma projecção, algum protagonismo. A partir do momento em que a outra parte a isso se opõe, que resta aos recém-casados por conveniência ? O simples ganha-pão ? A gamela, como se diz lá para o norte ? E a previsível reacção dos militantes e eleitores do PS ?
E os eleitos pelo PSD, que todavia não são filiados nas hostes laranjas ? Acatarão pacificamente as orientações da nova liderança local ? Ou, como habitualmente, aceitarão uma coisa por cima da mesa e farão outra por baixo da dita ? Convém não esquecer que, tendo sido eleitos sem qualquer programa político vinculativo, nada os obriga a seguir a agenda que eventualmente venha a ser definida. Poderão sempre alegar que não foram eleitos com base nela, pelo que não se sentem obrigados a implementá-la. Isto sem contar com o presente imbróglio da futura liderança nacional...
Resta apurar, na aborrecida prática quotidiana, a fibra do novo líder concelhio. Para já, tudo indica que temos homem, pois na devida altura soube bater com a porta, sem contudo cortar as amarras. Agora, porém, a música é outra. O que significa que só viremos a ter um bom concerto caso o novo maestro venha realmente a conseguir dirigir a orquestra autárquica, (onde pontifica pelo menos um músico que até sabe bastante solfejo, ou pelo menos tem obrigação disso...), com autoridade e novas partituras. O que implicará, bem entendido, no mínimo, o esqueleto de um programa político com fôlego. A autarquia tomarense não pode continuar às aranhas e à mercê de medidas de ocasião, cujos impactos reais nunca são conhecidos, nem foram minimamente estudados. Nem com declarações do tipo "vai ser feito logo que possível..."
Resumindo. Corremos o risco de uma futura vida política local assaz animada, mas nada é ainda certo. Vamos deixá-los pousar e começar a esgravatar, em conformidade com as novas linhas de força. Enquanto vamos contemplando o triste espectáculo da Assembleia da República, que alguma oposição pretende a todo o custo transformar num tribunal, de preferência capaz de condenar um suspeito, mesmo antes de o ter ouvido. Em vez de debater, procurar e votar soluções para os cada vez mais graves problemas do país, que somos todos nós.
Ó tempo ! Ó costumes ! E são aqueles os nossos representantes ! Tem razão Vasco Pulido Valente. Realmente, isto está cada vez mais perigoso !

CONTINUEM ASSIM QUE VÃO LONGE !

(Clicar sobre a ilustração para ampliar)

Nelson Carvalho, o autor da opinião supra, foi um excelente presidente da Câmara de Abrantes. Agastado com a ingratidão dos seus camaradas socialistas (o ministro Jorge Lacão tem residência em Abrantes e foi Presidente da Assembleia Municipal durante os mandatos dele), decidiu não voltar a apresentar-se. Dado que o pessoal do aparelho tem, em geral, a pele suficientemente espessa para que alguma coisa o magoe ou distraia do seu principal objectivo -a gamela estatal-o ex-autarca e professor de filosofia embarcou na mesma aventura dos que fazemos tomaradianteira. Resolveu lançar o blogue 2margens.blogspot.com/ Ainda bem, porque gente com ideias, princípios, projectos e capacidade para os expor e/ou implementar há cada vez menos. E o país precisa deles. Para acordar quanto antes e tomar outro rumo mais promissor. Sobretudo por estas bandas do Tejo e do Nabão.
Por tudo isto, o nosso agradecimento a Nelson Carvalho -que não temos o prazer de conhecer pessoalmente- com votos de que continue a agitar o charco.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SOCORRO !!! NÃO NOS FAÇAM ISSO !!!



ESTAS FOTOS SÃO DAS OBRAS NA CHOROMELA, PARA VEREM ONDE É MAL GASTO O NOSSO DINHEIRO

Mando estas fotos para se verem algumas das muitas asneiras que estão projectadas para este bairro. Três fotos são das caminheiras onde não podem passar carrinhos de bébé nem cadeiras de rodas. A outra é do nosso correio.
Gostava muito de ver o projecto, que ainda ninguém viu. Já perguntei ao sr. José Gaio, mas nada.
Puseram aqui uns candeeiros em ferro, quando os que aqui estão aos pares são em marmorite. Melhor os levassem para Vale Cabrito, que lá é que eles fazem muita falta. Ou já se esqueceram do senhor que ia de bicicleta e foi atropelado porque não se via nada ?
Deus queira que não nos ponham a sair de casa pelo lado do Casal dos Frades, porque quem põe a Rua D. Fernando com essa saída, nunca aqui veio ver o perigo que se corre. Os automóveis de cima vêm lançados, de baixo não se vê nada.
Quanto ao correio, deixo ao vosso critério, porque só quem ganha são os Correios, que poupam combustível, mas pelos vistos a culpa não é deles. Mas se nós somos obrigados a pôr os BRIC, quando não ficamos sem o correio e não há por aqui quem não tenha queixas de falta de correspondência.
Quando cortam as coisas, nós temos de pagar. Estou a falar da água, da luz, etc. (Se virem bem, até há quem se dê ao luxo de abrir as cartas e pô-las nos sítios).

Ana

TRIO RELVICAR OUTRA VEZ ENCORNADO !

Pois é verdade, caros leitores. Continuam as intempéries políticas. Há relativamente pouco tempo foi o alentejano Granadeiro a declarar, sem papas na língua, que foi encornado. Depois foi o inefável Jardim, opinando que se não tem mandado cimentar as ribeiras, ainda tinha sido pior. Agora foi em Tomar. Pela quarta vez em quatro meses, o conhecido "TRIO RELVICAR", do badalado casamento autárquico de conveniência 3+2, levou mais uma parelha dos ditos, nas eleições locais dos laranjas. Após ter sido encornado nas autárquicas pelo eleitorado; no Médio Tejo pelos companheiros autarcas; na coligação camarária, pelo impetuoso esposo; esta encornadela interna, a quarta, é demais !
Até o habitualmente circunspecto Hugo Cristóvão, o representante oficial do noivo na assinatura dos esponsais, não conteve o seu alegre júbilo íntimo. "Hoje em Tomar chove e faz muito vento, mas temporal ouvi dizer que foi ontem. Parece que o estrago foi grande na cultura da laranja nabantina, bem capaz de afectar as colheitas dos próximos anos." (Hugo Cristóvão, alguresaqui.blogspot.com. O negrito é nosso.)
Quer isto dizer que, com tantas infidelidades em tão pouco tempo, à média de uma por mês, a estranha coligação tem os dias contados ? Teria sem sombra de dúvida, se os 3 autarcas do casório, a "noiva", fossem filiados no PSD. Mas não são. Para o bem e para o mal, só o vereador Carlos Carrão é do serralho. Nestas condições, decidam os novos dirigentes locais o que decidirem, só haverá queda da actual maioria caso os independentes Côrvelo e Rosário assim o queiram, pois mesmo que Carlos Carrão saísse ou se unisse aos IpT, duas coisas praticamente impensáveis, porque crimes de lesa-magestade, continuaria a haver maioria para governar. Tal como no caso de haver abandono do lar matrimonial pelo PS, a noiva enganada poderá recorrer aos IpT, que ainda não disseram nada em contrário. E em política...
Há pois todas as possibilidades de os tomarenses virem a sofrer de uma governança autárquica errática, caótica e caquéctica até ao fim deste mandato. A não ser que os eleitores se façam ouvir de forma determinante, coisa nunca antes acontecida em Tomar, e totalmente ao arrepio do usual comportamento nabantino, mais para o carneirismo do que para o toirismo.
Se contra todas as previsões, houvesse queda voluntária da actual maioria, seguida de eleições intercalares, nas actuais circunstâncias nem assim os eleitores teriam a certeza de sairem a ganhar. Isto porque, na ainda recente consulta eleitoral, nenhum dos grupos agora no executivo apresentou qualquer programa, qualquer projecto, qualquer linha de rumo, qualquer ideia, susceptíveis de alterar substantivamente a nossa contínua e inexorável caminhada para o abismo. Numa frase curta -Se os que estão não prestam, os outros não são melhores.
Não há então qualquer esperança ? Há. Que os eleitores se decidam, finalmente, a votar em programas, projectos, linhas de rumo e pessoas que dêem garantias de os aplicar, em vez de "botarem" no emblema, na cor, no compadre, ou no candidato que o sr. presidente disse. Só assim !

SERVIR, PUNIR E INTUIR

O amigo Zé da Bilha é cá um magano ! Dirigente dos SMAS, continua a usar o mesmo argumentário de há quase dois anos. Tá máli ! Antão nã foi esse, o Camões que botou algures que "Mudam-se os tempos/Mudam-se as vontades" ? Pois aqui nesta bizarria nã senhore. Mudam-se os tempos/Mantêm-se as asininidades. Istéquetá umaçorda !
Outro aspecto curioso é a tentativa para baralhar os leitores, com referências a nacionalizações, Bloco de Esquerda e tudo. Como se os SMAS não fossem desde sempre um serviço assegurado por funcionários públicos. Coisa que se nota perfeitamente. Embora nem sempre, diga-se...
Quanto ao argumento de que se trata de tentar evitar a acção condenável de alguns consumidores, aos quais a bem dizer nem se devia chamar cidadãos, estamos perante a chamada esperteza saloia. Como decerto sabe, o esperto é um inteligente de curto raio de acção. Não mede bem as distâncias, como dizem os mais velhos. Pois é exactamente o caso, como passamos a tentar demonstrar.
Imagine que, por circunstâncias que não adiantam para o caso, determinado contador está em nome do senhorio. O rendeiro deixa de pagar a renda, põe-se a milhas, não paga a água nem a luz, mas o senhorio só disso vem a tomar conhecimento muito mais tarde, pois o caloteiro não o avisou, como é evidente. Acha justo que para efectuar nova ligação, o senhorio tenha de pagar os calotes do anterior rendeiro, acrescidos da célebre taxa de 55 euros ?
Já sabemos, já sabemos ! Vai retorquir 1) -que deviam pôr o contador em nome do rendeiro; 2) -que a EDP também cobra uma taxa. Quanto a 1), amigo Zé da Bilha, se o contador estivesse em nome do rendeiro, o que é que mudava ? Se o homem deu à sola... Quanto a 2), realmente a EDP também cobra, mas tem o cuidado de vaselinar a questão, para não aleijar tanto: "O fornecimento só poderá ser retomado após o pagamento do valor em débito acrescido das despesas correspondentes...(cujo valor poderá oscilar entre 21,30€ e 115,80€, acrescidos de IVA à taxa legal), consoante os meios utilizados". Além disso, tratando-se de novo consumidor, não tem de pagar quaisquer dívidas ou taxas do anterior, como é lógico e intuitivo. Ou não ?
No fundo, prezado Zé da Bilha, somos de opinião que tudo pode resumir-se a uma questão de mentalidade. Em qualquer país da União Europeia, excepto no nosso, os funcionários públicos, todos os funcionários públicos, são servidores do Estado, da República ou da Coroa. Que o mesmo é dizer: estão ao serviço dos cidadãos, pois é para isso que foram contratados. Nessa qualidade, podem actuar de dois modos diferentes, consoante a sua especialidade profissional - SERVIR ou PUNIR. Os polícias, os magistrados, alguns funcionários do fisco e alguns guardas prisionais PUNEM. Os outros deviam SERVIR, mas nem sempre assim acontece. E então quando se armam em polícias e/ou magistrados e condenam outros cidadãos, sem sequer ouvirem as suas razões, vivem ainda num mundo que entre nós se supunha acabado após o 25 de Abril. Infelizmente, aqui em Tomar parece não ser ainda o caso. O que não se estranha, pois como a democracia nos foi oferecida de bandeja, continua tudo à espera que lhe resolvam os problemas com um mínimo de esforço. Por isso estamos como estamos, e vamos estar cada vez pior. A tal questão das mentalidades...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

TUDO TORTO...OU QUASE

A velhinha Rua do Camarão é a que agrupa mais prédios antigos recuperados. Bem recuperados em geral. Mas as autoridades de tutela é que continuam a não ajudar nada. Observe-se esta foto. A mania das caixinhas de plástico é tão evidente quanto a sua inadequação em fachadas antigas. Para mais, um dia destes deixarão de ter qualquer utilidade prática. Falta só o governo decidir quem terá de custear os novos contadores, já equipados para telecontagem, ligação, corte e restabelecimento à distância. Em princípio devem ser os consumidores, como é costume. Mas nunca se sabe.
E a EDP e os seus cabos. Anteriormente era porque ficava muito caro enterrar a rede de distribuição, visto que não havia calhas técnicas. Agora que já há calhas técnicas naquela rua, estão à espera de quê ?
Logo adiante, no Largo do Pelourinho, há meses e meses a aguardar que a autarquia arranje dinheiro para custear a conclusão das obras, outra feliz recuperação. Como bem notou O TEMPLÁRIO, nem o arquitecto Siza Vieira conseguia algo assim. O primeiro prédio antigo e nabantino com rosto humano, acrescentamos nós. Basta reparar na parte superior: dois olhos, o nariz, a boca... O problema é que o lintel (verga, em linguagem popular) da porta foi colocado ao contrário. A parte de dentro foi e está virada para fora. Mas ainda tem remédio. Basta querer. Como está é ridículo.
Outro óbice são as caixinhas de plástico, cujo número vai aumentando. Aqui já são 11. Por este caminho, um dia destes vamos ter igualmente caixinhas para fotocópia do Bilhete de Identidade, do Cartão de Contribuinte, do Cartão de Utente, do Cartão de Eleitor, do nº que cada um calça ou veste, e assim sucessivamente. Já faltou mais ! Bem fazem os ingleses ou os americanos, que nunca tiveram nem têm bilhete de identidade. Nem precisam ! Nós aqui é que gostamos da "República dos papéis".

É claro que com tanta coisa a dar para o torto, até os monumentos antigos decidem tomar o mesmo rumo. O pobre pelourinho que temos, que é bem o símbolo das nossas reais liberdades locais, também entortou. E o mais certo é assim ficar até quando Deus quiser. É mais uma coisa torta na urbe nabantina. Das menos importantes, neste caso. Ou estaremos a ver mal ?

Só o nosso fundador é que não embarca em modas ou outras modernices. Homem que é homem mantém-se igual ao que sempre foi. Progresso ? Ideias novas ? Outros hábitos ? Outras maneiras de ser ? Era o que faltava !
De forma que aí o temos, como sempre foi -hirto e firme, como uma barra de ferro. De bronze, para ser mais preciso. Mudam-se os tempos. Mantêm-se as tradições. Mesmo (sobretudo ?) as más. Ali pelas bandas da antiga Praça de D. Manuel I continua a ser assim. Até quando ? A resposta só os eleitores a poderão dar, quando assim o entenderem...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO PAPELARIA CLIPNETO LDA.

Há desta vez uma bela sintonia entre os três semanários da região. Todos puxaram para manchete o incêndio que consumiu quatro autocarros da Rodoviária do Tejo. Também os respectivos textos noticiosos são semelhantes, como é óbvio, tratando-se da mesma ocorrência. Só O MIRANTE menciona a natureza suspeita do incidente, baseado nas declarações de motoristas da mesma empresa, que falaram "sob reserva de identidade", refere o semanário. Mau sinal, dizemos nós, quando até a propósito de um incêndio as pessoas pretendem escudar-se no anonimato. Então e os deveres de cidadania, senhores ?
Tratar-se-á, quiçá, da atmosfera de suspeita que paira sobre a região da grande Lisboa, a qual faz com que, de há uns tempos para cá, praticamente tudo seja suspeito neste país. Até os jornalistas que suspeitam.
Também n'O MIRANTE, este título curioso: "Internacionalização do IPT coloca Macau mais perto de Tomar -Exposição "Macau é um espectáculo" pode ser visitada até 16 de Março". Na antiga sede do IPT, na Rua da Graça, acrescentamos nós. Quanto ao título, procurando evitar ferir susceptibilidades mais à flor da epiderme, apenas um desabafo: Critérios, cada qual tem os seus.
N'O TEMPLÁRIO há quatro escritos a não perder: "Quem somos, o que queremos e para onde vamos", de Isabel Miliciano, "Uma mão cheia de nada", de Graça Costa, "850 anos de paixão entre as pessoas e a terra", de Ernesto Jana, e "Quem quer ser primeiro-ministro", de Carlos Carvalheiro. Os dois primeiros abordam a presente situação de catástrofe económica e social que se vive no concelho. O diagnóstico parece-nos correcto (mais detalhado o de Graça Costa, a demonstrar que domina a sua área, a sociologia, desmentido assim factualmente quem a apelida de "zero absoluto" em política). Infelizmente, por razões óbvias, nem uma nem outra avançam soluções práticas para caminharmos rumo à recuperação e ao futuro com determinação e confiança.
Isabel Miliciano pensa que só a sociedade civil poderá alterar para melhor a presente situação trágica. Tem razão, pensamos nós. Falta, porém, conseguir ultrapassar um obstáculo, praticamente intransponível até ao presente -a inércia obstrutiva dos autarcas que temos. Por outras palavras, mais populares e mais brejeiras, para ficarem na memória: Como conseguir arredar todos aqueles que manifestamente não conseguem engravidar a história, mas se recusam a sair de cima ? Da resposta eficaz a esta pergunta depende em muito o nosso futuro como comunidade autónoma.

No tradicionalmente conformista CIDADE DE TOMAR há esta semana três textos políticos a ler com vagar mas quanto antes, sobretudo pelos filiados do PSD local. Da esquerda para a direita (salvo seja, pois estamos a referir unicamente a respectiva paginação), dizem de sua justiça João Tenreiro (filho), Carlos Carrão e José Delgado. Todos sobre o mesmo tema: o PSD, a política local e as eleições para a concelhia, que terão lugar amanhã.
Particularmente importante é o texto, muito bem articulado, de Carlos Carrão, no qual reconhece que têm cometido erros na autarquia, mas que o balanço é positivo. Linhas de força para o partido e para o concelho, apenas nele encontrámos duas -preparar desde já as autárquicas de 2013 e continuar "à mama" dos fundos europeus do QREN. É frustrante para qualquer eleitor ? Pois é, mas que se pode fazer ? Se até o único filiado social-democrata do actual executivo camarário, após reconhecer que têm cometido erros, persiste na mesma via obscurantista, ao não apresentar qualquer programa eleitoral e insistindo no mero eleitoralismo e nos fundos do QREN, sem qualquer perspectiva concreta, torna-se cada vez mais evidente que, caso estes autarcas consigam durar politicamente até final do mandato, teremos em 2013 uma cidade que será uma sombra pálida daquilo que já foi. Triste sina a nossa. Cada vez que proclamamos ser o executivo em funções o pior de sempre, o seguinte ainda é pior.
Ó sorte, por onde andas ? Porque desamparas assim os tomarenses ?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CRÓNICA CORROSIVA DA CRISE

Documento 1

Documento 2

Assoberbados como andam com a elaboração de um projecto em simultâneo viável e fecundo para Tomar (ou estaremos equivocados ?), os senhores autarcas se calhar nem tempo tiveram para ouvir esta semana o Prof. Louçã e o economista-chefe do FMI, Oliver Blanchard. Se assim aconteceu, mais cedo que tarde vão lamentar tal lacuna.
O líder do BE foi directo e claro "Armando Vara ganha no BCP o dobro do vencimento de Obama", presidente da primeira potência económica do Mundo. E no entanto, Vara é apenas um dos vice-presidentes. Agora imaginem quanto ganhará o seu chefe, Santos Ferreira...
Por seu turno, Olivier Blanchard foi lapidar: 1-Demorará pelo menos 20 anos a resolução das consequências da presente crise (desemprego, marasmo económico, subida excessiva do défice, aumento alarmante da dívida pública); 2 -Só será possível resolver tais problemas com sacrifícios e medidas muito dolorosas; 3 - A Itália corre o risco de atingir o ponto de incumprimento, ao não conseguir honrar o serviço da dívida, devido ao excessivo montante desta. Se isso vier a ocorrer teremos um situação de consequências imprevisíveis, pois a UE não terá envergadura económica suficiente para a salvar .
Nestas condições, que mostram bem o mundo louco em vivemos todos, com alguns países desenvolvidos à beira do precipício, e dirigentes menores, de países secundários, a ganharem mais do dobro do presidente da nação mais poderosa deste universo, conviria que pelo menos os autarcas descessem finalmente a este mundo, apesar da atitude de José Sócrates.
Optimista incurável, o nosso primeiro-ministro até afirmou um dia destes que nunca viu um pessimista ganhar uma batalha. É capaz de ser verdade. O pior é que também nunca vimos ganhar qualquer batalha só com optimismo. E aí é que reside o busilis da questão. Contrariado ou não, Sócrates terá de implementar a curto prazo, cumprindo determinações da UE, as tais medidas dolorosas, que poderão ser, por exemplo, uma redução dos vencimentos da função pública, a começar pelo dele, uma redução substancial das despesas públicas, um aumento do IVA, e eventualmente a supressão do 14º mês, o que corresponderia, só por si, a uma redução real de mais ou menos 7% nos salários e vencimentos.
Se entretanto a isso não tiverem já sido forçados pelas circunstâncias, lá para Setembro/Outubro do ano que vem, o mais tardar, os autarcas nabantinos e muitos outros terão de mudar de hábitos. Enquanto que nestes últimos 15 anos o seu esforço tem incidido na busca de projectos para estafar os fundos europeus, doravante, e quanto mais cedo melhor, terão de acostumar-se pouco a pouco a procurar a nível local e/ou regional verbas que possam garantir o funcionamento do município. Caso o não consigam, não está excluído que possam vir a ocorrer falhas de tesouraria, susceptíveis de influir nos próprios vencimentos. Vamos esperar para ver.
Neste contexto de crise, a situação de alguns sectores é já tão problemática que começa a ter alguns contornos caricatos. Seja o leitor o juíz.
Reservámos hoje aqui no blogue dois bilhetes de avião Lisboa/Roma/Lisboa, para o próximo mês de Junho e pela TAP. (Ver documento 1). Qual não foi a nossa surpresa ao constatar que só o transporte custa apenas 36 euros por pessoa e trajecto, ou seja 72 euros no total. O pior é que as taxas somam 91 euros por pessoa, o que vem a dar um total de 163€/passageiro. Perante isto, já estamos a encarar a hipótese de no próximo ano comprarmos só as taxas. Ficar-nos-á mais barato e evitaremos a maçada das viagens.
Outro aspecto relevante do estranho mundo em que somos forçados a viver, é-nos dado pelos SMAS de Tomar (ver documento 2). Conta-se assim: Um infeliz cidadão ficou desempregado há muitos meses. Acabado o subsídio de desemprego a que tinha direito, o senhorio lá foi esperando pelas rendas, situação que se mantém. Entretanto, o homem teve de escolher entre a barriga, a água, a luz, etc. Não pagou 16 euros aos SMAS a tempo e a horas. A resposta foi fulminante, com todo o aspecto de vingança, retaliação, represália. Levaram-lhe o contador e agora pretendem que liquide não a modesta soma em dívida, mas um total de 71€98, que inclui 46 cêntimos de atraso de pagamento, mais 55€38 de despesa de religação. É uma violência e uma decisão nitidamente de outra época. Dado que praticamente todos os contadores dispõem de uma torneira de segurança, que permite cortar o fornecimento e ser selada, para que retiraram o contador ? Mero pretexto para sacar verbas adicionais ? "Despesa de religação", diz o papel. Que despesa ? O funcionário que procede a essas medidas insensatas e desprovidas de qualquer sensibilidade socal, tanto ganha desmontando e montando um contador por mês, como vinte ou trinta ou quarenta. Assim sendo, que despesa ? Quem mandou os SMAS retirarem o contador, havendo outro meio mais prático de cortar o fornecimento, mantendo o contador ?
O ano passado houve alguma polémica por causa do preçário exagerado dos SMAS, quando comparado com municípios vizinhos. Nessa altura a taxa de religação, que era, se não erramos, de 40€, foi fortemente posta em causa. O resultado foi aumentarem-na para 55€ ? Andam a brincar com quem ?
Claro que o presidente do CA dos SMAS, Luís Vicente, vai reagir com a habitual cantilena de que o preçário foi aprovado pela Câmara e pela AM, são normas, são regulamentos, são leis, são determinações superiores, etc.etc. Exactamente a mesma música de qualquer subordinado de Estaline, Hitler, Pol Pot, Fidel, Chavez, e assim sucessivamente. Afinal o pessoal da PIDE também se limitou a cumprir ordens...(Desculpa lá ó Vicente, mas cada qual serve-se das armas que tem; tu usas as religações; nós usamos as comparações; tudo nos limites da boa convivência, uma vez que "quem com ferros mata, com ferros morre".
E não adianta virem com qualquer nova tentativa de justificar o injustificável: Se o cidadão não conseguiu pagar 16 euros, como querem que pague agora quase 72 ? Que mal fez ele aos senhores autarcas ? Caberá na cabeça de alguém que retirar e voltar a colocar um contador de água, numa decrépita cidade de província, de um país assistido pela UE, custe mais caro do que uma viagem de avião Lisboa/Roma, pela TAP ? Pelos jeitos cabe. Nas cabecinhas dos autarcas que temos. E depois admiram-se que tanto investidores como contribuintes se orientem cada vez mais para outras paragens. Estamos realmente num Mundo cada vez mais louco, no qual, como murmura um dos nossos administradores "SMASfazem, pagam-mas !" E é bem capaz de ter razão.

FAZER SEMPRE MAL NÃO CANSA ?

Publicou recentemente o sr. vereador Luís Ferreira (ver blogue vamosporaqui.bogspot.com), questionando os seus críticos, entre os quais temos o prazer de nos incluir, um substantivo texto sob o título "Dizer sempre mal não cansa ?" Este pretende ser uma réplica simultaneamente respeitosa para com ele, (dado o cargo que ocupa por escolha popular) e proveitosa também, pois a crítica, quando educada e fundamentada, quanto mais verrinosa melhor. Vamos então à dita.
A ilustração supra mostra a Igreja Matriz dos Templários, em Tomar, em Portugal e em Castela/Leão. A Igreja de Santa Maria dos Olivais apenas foi o Panteão (templo funerário) do Templo e de Cristo, promovida a Matriz e cabeça de todas as igrejas da Ordem de Cristo a partir da criação do bispado do Funchal, cujo primeiro bispo está sepultado, desde 1525, do lado esquerdo do altar-mor.
Nestas condições, senhor vereador, dado que Gualdim Pais fundou o castelo, a Charola e a povoação cá em cima, porquê as comemorações cá em baixo ? Decerto não ignora que tanto a lápide da fundação, como a da biografia de D. Gualdim estão nas paredes mais ao fundo da fotografia.
A Porta da Almedina, também conhecida por Porta do Sangue, o antigo acesso nobre à povoação, que mantém as duas cruzes tutelares templárias (com círculo central), uma no exterior, outra no interior (ver foto), foi entaipada aquando da reforma de 1529, encontrando-se actualmente neste mísero estado. Parece-lhe bem ? Não teria sido melhor redignificá-la, aproveitando o ensejo das comemorações, em vez de esbanjar dinheiro em almoços volantes, centenas de foguetes e dezenas de morteiros, que uma vez rebentados "arderam" ? É do seu conhecimento que Humberto Eco, no "Pêndulo do Focault" descreve a entrada na fortaleza templária por esta porta?

Outra herança de Gualdim Pais é a coeva Calçada de S. Tiago (ou Santiago), que faz parte do Caminho Português com a mesma designação, ou seja a rota outrora percorrida a pé pelos peregrinos a caminho de Compostela, que pernoitavam nas igrejas ao longo do percurso. Actualmente a mais próxima daqui é a de Santiago, na "baixinha" de Coimbra. Pois esta Calçada, senhor vereador, está como os tomarenses: não tem tido sorte nenhuma. Já por volta de 1613, Filipe II de Portugal, prevendo visitar Tomar, (onde o seu antecessor fora proclamado e aclamado como rei de Portugal), ordenou que se procedese ao arranjo da citada artéria. Pelos vistos sem qualquer resultado. Afinal, mesmo com poder absoluto...
As perguntas são estas: Parece-lhe bem que, mais de 300 anos entretanto decorridos, a calçada se apresente neste estado ? Pode explicar aos munícipes porque é que, apesar dos espectaculares avanços técnicos, a autarquia que o senhor integra ainda nem sequer conseguiu resolver, de maneira minimamente satisfatória, o singelo problema do escoamento das águas pluviais, que a cada bátega mais forte continuam a inundar o troço final da Rua do Pé da Costa, as Escadinhas anexas e a parte sul da Praça da República ?

O actual aspecto da outrora Porta da Almedina é este. Entretanto a autarquia, aproveitando fundos europeus do QREN, já adjudicou a requalificação da via pedonal Cidade/Castelo, através da antiga Cerca do Convento (actual Mata dos Sete Montes), com acesso pela Torre da Condessa. A referida via utiliza parte da primitiva estrada para o castelo, passando a menos de 50 metros da porta primitiva (a da foto). Alertados para a oportunidade de restabelecer integralmente o antigo acesso através da Porta do Sangue, os senhores autarcas de então e de agora fizeram orelhas de mercador. O senhor vereador, que se tem apresentado tão eufórico (e ainda bem) com as suas funções de vereador da cultura, o que terá a dizer sobre este assunto ? Que "será resolvido logo que possível", como costuma dizer um colega seu ? E esse "logo que possível" está previsto para quando e com que objectivos ?
Concluindo, respeitável senhor vereador. O senhor garantiu que o PS tinha um programa eficaz para a autarquia, e afinal não tinha. O senhor nunca disse aos eleitores que faria uma coligação com o PSD, e afinal fez. O senhor não tem visivelmente qualquer rumo fecundo para a cidade e o concelho, e afinal continua feliz. Pelo menos aparenta. Donde as perguntas: Fazer sempre mal não cansa ? Quando pensa poder mudar a presente situação deprimente da economia local ? Continua a dormir descansado?
Olhe que não é nada prudente !

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A ILUSÃO DA IDEIA LUMINOSA SALVADORA

Ponto prévio: Aqui no blogue não temos inimigos. Damo-nos bem com toda a gente. Até com aqueles que se dão mal connosco. No entanto, boas relações pessoais não implicam concordância de ideias. Respeito sim. Seguidismo não.
No caso de Vítor Silva e do seu projecto de funicular, um dos nossos administradores, António Rebelo, ouviu explicações prévias dele, tendo até sido convidado para moderador do futuro debate público, gentileza que posteriormente veio a recusar. Postas assim as coisas no seu lugar, vamos adiante.

Parece começar a ser um ponto aceite que a avassaladora crise ainda por ultrapassar veio acelerar a inevitabilidade de renunciar aos improvisos, aos golpes de sorte, às ideias salvadoras, ao desenrascanço, em suma. Como era de esperar, uma vez mais os tomarenses vão levar tempo a entender a nova realidade. E quando finalmente o conseguirem, o contexto já será outro. O costume. Vamos pois continuar a assistir à realização de investimentos cuja real utilidade final está sempre por demonstrar, o que os transformará, quase certamente, em meras despesas sem qualquer esperança de retorno. Afinal já estamos habituados. Pistas de atletismo sem atletas, campos de ténis sem tenistas, um estádio modesto, mas com bancadas e balneários, transformado em mero campo de treinos sem uma coisa nem outra, parques de estacionamento sem utentes, pavilhões sem todas as normas exigidas, paredões despropositados, jardins tradicionais desfigurados...os exemplos abundam. Apesar disso, a triste odisseia prossegue: ligação pedonal cidade/castelo pela mata, novos parques de estacionamento próximos do Convento e esse futuro elefante branco que será o projectado museu da Levada.
Tudo coisas desgarradas, desligadas, desarticuladas, praticamente sem qualquer utilidade real por isso mesmo. Quando foram projectadas, ninguém cuidou sequer de as relacionar entre sí. Como se um automóvel servisse para alguma coisa sem combustível, sem condutor habilitado e, sobretudo, sem itinerários previamente planeados.
Neste nabantino vale de tristezas, (onde até a recente Feira de Santa Iria registou um prejuízo de 10 mil euros) como ainda para mais somos portugueses, a culpa é sempre dos outros. Dos políticos, dos partidos, do governo, dos autarcas, dos patrões, dos bancos, do clima, e por aí fora. De quem escreve ou fala é que nem pensar. E assim se chegou à brilhante conclusão de que o futuro desta terra está no turismo (cultural, ainda por cima), sendo a actual situação de grave crise provocada essencialmente pelo facto de os turistas que visitam o Convento de Cristo (aqueles malvados !), nunca virem cá abaixo distribuir dinheiro ao pessoal, sob a forma de pagamento de comidas bebidas e compras. Sem que alguém alguma vez tenha procurado averiguar com rigor quais as causas que afastam os turistas da cidade, e mesmo do Convento. Parece anedótico, mas é a realidade.
É neste contexto que o engenheiro Vítor Silva teve o mérito de projectar o que lhe parece ser uma solução para os turistas descerem à cidade -Um funicular entre um parque de estacionamento a implementar na Quinta da Anunciada e um outro parque de estacionamento de autocarros, que vai ser feito encostado à fachada norte do Convento. Ambos gratuitos. Infelizmente para ele, trata-se de um projecto quanto a nós nado-morto, porque sem qualquer viabilidade económica. Para além dos milhões iniciais, necessários para a compra de terrenos, indemnizações a moradores, construção da infra-estrutura e compra do material circulante, simples contas de merceeiro apontam para um mínimo indispensável de seis trabalhadores permanentes + energia + bilhetes +máquinas de controle, ou sejam pelo menos cinco mil euros mensais, quer chova, quer faça sol, quer aquilo ande, quer não ande. Um pouco mais de 60 mil euros anuais, só de despesas fixas de funcionamento. Não contando portanto nem com a amortização do investimento, nem com o serviço da dívida, nem com a constituição de reservas para previsíveis despesas de manutenção, reparação e aperfeiçoamento profissional. Dado que em 2009 o Convento conseguiu 96 mil visitantes pagantes, mesmo que todos resolvessem descer à cidade, pagando um euro a ida e volta, conseguir-se-ia o fabuloso saldo positivo de 36 mil euros. Caso viessem todos cá abaixo. Infelizmente, tudo aponta no sentido de que nem metade cá poria os pés, tão fraca é a reputação da cidade. Pelo que...já cantava o Variações há mais de 20 anos, "Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que as paga..." Os tomarenses que se deixem de lamúrias e comecem quanto antes a encarar o mundo como ele é. Afinal ainda não estão fartos de dar caroladas na parede e depois virem queixar-se que têm galos ? Os antepassados nunca lhes ensinaram que "quem boa cama fizer nela se deitará" ? E o inverso, claro !

ARDERAM 4 AUTOCARROS DA RODOVIÁRIA DO TEJO



Quatro autocarros arderam esta noite na estação da Rodoviária do Tejo. Trata-se de veículos já com muito uso, chegados a Tomar em segunda mão, e destinados principalmente aos transportes escolares. O incêncio deflagrou por volta da 05H30, por causas ainda por determinar. Alertados, os bombeiros municipais de Tomar, certamente informados de forma deficiente e dada a hora, compareceram rapidamente no local, todavia com material pouco ou nada adequado para a circunstância: "Um veículo pequeno, com uma agulheta fraca e apenas os homens do piquete", referiu a tomaradianteira uma fonte que assistiu.
Não há de momento qualquer indício de crime de fogo posto, tanto mais que, tratando-se de viaturas a gasóleo, não basta um simples fósforo ou isqueiro, como nos automóveis a gasolina.
Fontes especializadas por nós contactadas inclinam-se para já no sentido do rebentamento de uma bateria, seguido de curto-circuito. Uma vez que grande parte dos veículos é de plástico, o resto adivinha-se.

CUSQUICES DESTAS, NÃO !!!

A blogosfera é o maior suporte de liberdade jamais inventado pelo homem. Sejamos por isso dignos deste bem incomensurável que nos é facultado. Um novo blogue de âmbito tomarense (ver ilustração supra) ainda agora iniciou as suas actividades mas já veio manchar a reputação dos restantes colegas. Tomar a dianteira pode garantir que a cusquice acima reproduzida é totalmente falsa, destinando-se obviamente a tentar deitar mais gasolina no já gravíssimo fogo da crise local.
Falámos com o presidente Corvêlo de Sousa e com Vítor Silva, que nos desmentiram qualquer desentendimento ou sequer relacionamento menos correcto e cordial. Houve realmente um telefonema do presidente para Vítor Silva, em resposta a um prévio pedido de audiência, mas tratou-se de diálogo absolutamente normal entre dois cidadãos. Corvêlo de Sousa terá emitido reservas de princípio sobre o projecto, unicamente na qualidade de simples eleitor, em diálogo franco com outro eleitor. Carece portanto de qualquer fundamento a "notícia" difundida no passado Domingo, por cusquicesdetomar.blogspot.com
Aproveitando o ensejo, se nos é permitido um conselho -Para publicarem boatos deste tipo, não fazem falta nenhuma na blosfera tomarense. Dediquem-se antes à agricultura, que o país bem precisa.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DUAS DE CULTURA

SEM COMENTÁRIOS...
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Numa altura em que todos os meios geralmente bem informados já perceberam que a actual maioria autárquica não tem qualquer projecto integrado para o futuro, pareceu-nos oportuno publicar este título do PÚBLICO de sábado passado. Isto porque os nossos autarcas insistem pesadamente no museu da Levada, certamente convencidos de que o governo virá a assumir as custas. Desenganem-se. Tendo constatado que, mesmo nos museus nacionais de renome, 90% dos orçamentos respectivos são para pagar aos funcionários, a nova ministra decidiu transferir quanto antes a maior parte deles para as autarquias. O das Caldas da Raínha está a servir de cobaia.
Entretanto, em França, uma nova lei prevê transferir para as regiões ou para as autarquias a propriedade e a gestão operacional dos monumentos até agora tutelados por Paris. É a nova tendência à escala europeia. A braços com cada vez mais despesas e menos receitas, os vários governos procuram descartar-se, da maneira mais airosa possível, de tudo o que possa ser administrado a nível regional ou local, de forma a poderem apresentar orçamentos mais aceitáveis. Vão portanto contra a corrente os que em Tomar continuam a cuidar que vale a pena dispender milhões numa instalação museológica, que depois não poderá funcionar, por falta de recursos, ao mesmo tempo que recusam encarar a possibilidade de virem a tutelar o Convento de Cristo, afinal o único monumento local com algumas hipóteses de viabilidadee económica. Apenas com algumas hipóteses. Nada de ilusões bacocas. Com os actuais trinta e tantos empregados, cujas funções ninguém conhece com precisão, nem valerá a pena pensar em semelhante coisa. Cobrar entradas, vigiar e limpar, é uma coisa. Gestão turística operacional, é outra, muito diferente. O Mundo não pára e quanto mais tarde nos fizermos à estrada, mais tarde chegaremos onde pretendemos...
Desiludam-se igualmente os que porventura estejam convencidos de que os problemas financeiros que enfrentamos como país se resolverão sem sacrifícios e sem medidas dolorosas para todos. Não se trata de um palpite meu. É a opinião praticamente unânime dos economistas ibéricos, difundida pelo EL PAÍS de ontem. Vale a pena pensar a sério no assunto. Enquanto é tempo.

SORVER O ORÁCULO DO PODER


É ponto assente nos meios académicos que a História não se repete. Neste caso, porém, temos fundadas dúvidas. Na verdade, tudo aponta no sentido de termos regressado à Grécia Clássica, quando os oráculos do poder só muito raramente acediam descer até à turba ignara, para explicar o sentido do mundo. Assim estamos agora, segundo nos parece e salvo melhor opinião, uma vez que não somos historiadores encartados. (Nem temos pena). Os oráculos transitoriamente sentados nas cadeiras do poder, ou mantêm o prudente silêncio, ou, como é o caso, falam/escrevem ao povoléu cada vez mais raramente. Razão imperativa para ler e analisar de fio a pavio tudo o que condescendem comunicar aos pobres e humildes ignorantes, cujas únicas virtudes são pagar impostos e votar. Mas são tão pesporrentes e inconvenientes, credo !
Vamos então à tarefa. Sabedores de que a governança local praticamente não deixa tempo livre aos ocupantes do poder, procuraremos ser o mais sintéticos possível. Afinal, "tempo é dinheiro".
Interroga o respeitável edil se dizer sempre mal não cansa. A nós não, porque já estamos habituados. Mas prejudica, sobretudo ao nível dos bolsos. Em todo o caso, deve cansar menos do que dizer bem da actual maioria. Basta pensar no trabalho que dará procurar o que já terão feito, digno de elogios não hipócritas. Só se for o "Orçamento" para 2010, realmente uma verdadeira obra-prima de contabilidade virtual.
Já agora que estamos "com a mão na massa" (salvo seja !), aproveitamos para esclarecer que nunca dizemos mal deliberadamente. Limitamo-nos a mostrar a verdade, tal como a vemos, sem óculos partidários. Dito isto, aqui vai um elogio, coisa bem rara por estes lados. Gostámos francamente deste par de frases: "Problemas sempre existiram, sempre existirão. Soluções é que são mais difíceis de encontrar." Concordamos inteiramente, aplaudimos a franqueza e até vamos mais longe. Acrescentamos que autarcas capazes de encontrar verdadeiras soluções, são uma ínfima minoria. Com tendência a extinguir-se. E aqui nas margens nabantinas nunca houve, desde 74, nem há.
Quanto ao resto do documento em análise, a técnica de responder às perguntas que não foram feitas, como artimanha para escamotear as que todos formulam, já é demasiado conhecida. O que os cidadãos querem é conhecer (finalmente !) o programa completo das comemorações dos 850 anos, se possível com a respectiva fundamentação, globalmente ou caso a caso. O resto não passa de música de fundo, para mobilar.
A alusão às eleições partidárias e às autárquicas parece-nos carecer de pertinência. Por um lado, porque ninguém pode garantir neste momento que a actual maioria circunstancial durará até final do mandato. A não ser que se entre num ciclo comparável ao da actual oposição na Assembleia da República: Às segundas, quartas e sextas fazem tudo e mais alguma coisa para provocar a queda do governo PS, mas às terças, quintas e sábados acham que não há razão nenhuma para Sócrates se demitir, porque tem todas as condições para governar...
Por outro lado, os partidos já há algum tempo que a nível local têm importância secundária. Basta pensar que nas últimas autárquicas, dos sete cabeças de lista, só dois (PS e BE) é que eram filiados. Os restantes cinco eram independentes. E mesmo assim, garantem as habituais línguas viperinas, o do PS é socialista de fresca data, muito boa pessoa e digno profissional, mas não passa de "Américo Tomás do senhor vereador Luís Ferreira". São mesmo maus, não são !?
De uma infelicidade gritante é a última frase. A confirmar que quando já se foi "peixeira", não se consegue evitar que o pé fuja para a tamanca de tempos a tempos. É o caso. Lamentável.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CONFRONTAR-SE COM A CONSCIÊNCIA




As três imagens supra ilustram três detalhes praticamente ignorados do Convento de Cristo. Importantes porque nos vêm de uma época em que a difusão dos padrões comportamentais se fazia pela palavra, pelo desenho, pela escultura e pelo exemplo. Mostram que havia naquele tempo o que mais tarde veio a ser designado como "sentimento trágico da existência". Afinal aquilo que ainda hoje se consubstancia na frase "Esta vida é apenas uma passagem". Assim como uma preparação para a outra, onde os bons serão recompensados e os maus, já se sabe...
A caveira representada é a de D. João III e está no mostrador do relógio que em tempos figurava na Torre fronteira à Charola. Há uma semelhante no mostrador do relógio da Torre de S. João Baptista.
Aquele rosto aflito, está do lado esquerdo do púlpito nascente do refeitório do Convento de Cristo e parece gritar "Não encham tanto a pança que é um pecado mortal !"
Quanto à última, trata-se de uma representação da consciência e está igualmente localizada em local estratégico do refeitório conventual. Vale a pena, pensamos, contar a história. Esta época em que vivemos, apesar de todos os seus dramas e outros problemas, é de abundância, de fartura em termos de alimentação. Mas nem sempre foi assim. Durante séculos houve muita fome por estas bandas. De tal maneira que o Convento de Cristo tinha todos os dias dezenas e dezenas de mendigos no Claustro da Minha, à espera da micha (pão) e dos restos da comida dos frades. E o problema arrastou-se, mesmo depois de extinta a ordem e desaparecidos os frades. Nos anos 50 do século passado, todos os dias o RI 15, à época no Convento de S. Francisco, distribuia comida e pão a mais de uma dezena de necessitados
Membros de uma ordem abastada, os frades tratavam-se bem. Pode até dizer-se que, alguns pelo menos, se alambazavam um bocadinho. Um frade espanhol, que por aqui esteve na primeira metade do século XVII, fala em pelo menos seis pratos, seis, a cada refeição. E por vezes até nove. Em dias de festa, já se vê ! Talvez sabedor dos ancestrais hábitos da Casa da Ordem, a mais rica do país, Frei António de Lisboa, (na verdade o tomarense António Moniz da Silva, frade jerónimo formado em Espanha), ao mandar construir o chamado "convento novo", na sequência da reforma de 1529, não esteve com meias medidas. Além da figura trágica do púlpito, ordenou igualmente que não houvesse qualquer porta entre o refeitório dos frades e a cozinha. De tal modo que as iguarias passavam por aqueles dois postigos ainda hoje existentes, do lado esquerdo da pequena porta agora existente, que apenas foi aberta já no século passado, para serviço do então Seminário das Missões.
Sem acesso ao "santuário da comida", por razões óbvias, os frades de grande apetite o mais que podiam fazer era reclamar junto aos postigos. Donde a utilidade daquele rosto severo, virado para eles, com ar de quem exige que se "ponha a mão na consciência."
Decorridos quase cinco séculos, quere-nos parecer que faz falta um busto assim em certos locais, encarando quem entra. Ali ao fundo das escadas dos Paços do Concelho, por exemplo...mas não só !

PESSIMISTAS MILITANTES

Domingo de manhã. Tanto chove como volta o céu azul. Mas o frio foi-se. Como a época das farturas. Lástima que um volte no próximo Inverno, enquanto que a outra...
Ontem à noite ficou decidido. Doravante os autores de Tomar a dianteira serão pessimistas militantes, em vez de pessimistas encartados. Vale mais pensar o pior e ser surpreendido agradavelmente, do que o inverso. Não é verdade ?
Passeio para ir fotografar os espaços verdes do Flecheiro, finalmente aparados. Já não era sem tempo! Pelo caminho o embirrante paredão, que termina assim de forma abrupta e à bruta. Nunca ninguém nos conseguiu explicar porquê. Para nós, o normal teria sido não fazer aquele monstro. Como decidiram fazê-lo, porque não foi de ponte a ponte ? Falta de dinheiro ? Falta de imaginação ? O costume: falha sempre alguma coisa.

Como aqui. A vegetação realmente foi aparada. Infelizmente, o lixo do mercado de sexta-feira continua a ornamentar este troço da margem do rio. A diferença entre bons autarcas e maus autarcas, entre bons técnicos e maus técnicos, entre bons funcionários e maus funcionários resulta das falhas. Das tais mazelas que depois entram no vasto rol das coisas que "correram mal". E vão concerteza continuar a correr. Pelo menos enquanto forem feitas às três pancadas, à podoa, a martelo ou à trouca-marouca. Com aquela característica desculpa íntima segundo a qual para o que é, bacalhau basta. O pior é que agora até o bacalhau já custa os olhos da cara.
Outra falha nas obras do Flecheiro. O escoamento foi mal calculado e a pista pedonal transforma-se num pequeno charco de cada vez que chove. Devem ter pensado que como de momento a pista desemboca na aldeia cigana, não valia a pena estar com muitas preocupações. Já lá em cima, em frente de Santa Maria dos Olivais, sucedeu o mesmo. Destruiram a sarjeta que ali existia e depois foi um castigo para arranjar uma solução de escoamento. Entretanto o empreiteiro já tinha dado corda aos sapatos...

Andam por aí a dizer e a escrever que o estado de direito está ameaçado, que há asfixia democrática, que mais isto e mais aquilo. São uns exagerados. A prova de que continuamos a viver em democracia e em plena liberdade é-nos dada por este porco (com coleira e tudo), pastando calmamente em plena freguesia urbana de S. João Baptista, que o mesmo é dizer em plena cidade antiga. Agora digam-nos lá, com toda a franqueza -Em que outro país da Europa ocidental ainda é possível ver um porco a pastar numa área urbana ?
Com esta porcina novidade, a partir de agora já nada nos vai conseguir surpreender. Os porcos tomarenses ainda não andam de bicicleta pelas ruas da urbe, (ou andarão ?), mas já pastam com visível satisfação. Ainda é só um ? Pois tem toda a razão, caro leitor. Mas se está convencido que a coisa vai ficar por ali, desengane-se. Quem apalpa e sente mole, vai continuar a apalpar. É trigo limpo !

sábado, 20 de fevereiro de 2010

RECORTES DA IMPRENSA DE REFERÊNCIA

Dois recortes da edição de hoje do Diário de Notícias, um dos jornais portugueses "de referência". Este primeiro é sobre o Le Monde e visa contribuir para o esclarecimento dos inimigos de estimação e outros invejosos congénitos ("são verdes, só os cães as podem tragar..."), que nos reprovam a leitura assídua do vespertino parisiense. Lendo esta apreciação do DN, pode ser que fiquem a perceber melhor certas opções. Oxalá !

Parecendo nada ter a ver com a anterior, esta colaboração de Nobre-Correia, igualmente recortada do DN, a quem aproveitamos para agradecer, está afinal em íntima relação com ela. Em primeiro lugar porque o professor de Bruxelas cultiva o mesmo estilo dos jornalistas do Le Monde. Informa analisando, mantendo sempre a atitude do pessimista encartado. Depois, porque fala do jornalismo que se pratica em Portugal, implicitamente comparado com o que ele lê todos os dias. Finalmente, reprova aos lusos escribas a usualmente péssima qualidade daquilo que produzem. Realmente, longe do quintal tem-se uma visão mais serena e mais ampla do dito.
Aqui na baixa nabantina, além dos problemas apontados por Nobre-Correia (falta de verificação, falta de análise, falta de hierarquia conveniente) há ainda o excessivo conformismo e o exclusivo uso da descrição, geralmente sem qualquer contextualização. E depois vão-se queixndo que os leitores são cada vez menos.
"Que bem prega Frei Tomás ! Façam o que ele diz. Não olhem para o que ele faz !". Assim estão muitos plumitivos profissionais.

DUROU POUCO A LUA DE MEL...


Era previsível, mas a realidade está a exceder as expectativas. Paixão súbita, namoro expedito, casamento prematuro e de conveniência. Os resultados do estranho matrimónio 3+2 começam a surdir. Nos locais alaranjados, os descontentes falam cada vez mais alto. Até já há, ao que se diz, uma lista anti-coligação. O habitual estratega, que até agora se saía tão bem, começa a não saber para que lado se virar. O timoneiro legal confirma a evidente "falta de pulso" antes divulgada, que a sua excelente educação não consegue ultrapassar.O marido anda eufórico. Pudera ! Foi um verdadeiro casamento "à alentejana", daqueles à moda antiga: só levou o que tem no corpo ! A noiva é que trouxe o resto.
Vai daí, têm-se sucedido a cenas pícaras, dignas do antigo Parque Mayer, nos tempos áureos das revistas. A da leitura do panegírico dos "100 dias de governo Sócrates" foi de morrer a rir. Uma pena não ter sido filmada. Sobretudo no que concerne ao semblante da "recém-casada".
Agora é a aventura das comemorações da fundação de Tomar. A dez dias da data, ainda não é conhecido o programa, nem sequer o seu esboço. Apesar do estratega do costume ter anunciado em tempo oportuno, antes do desastre eleitoral, quem ia convidar para "comissário". Seguiram-se reuniões e mais reuniões, já com a presença do "marido", na qualidade de novo patrão da cultura. Académicos reputados também participaram, mas qual quê ! Tudo esbarrou num convite, numa comissão e numa comemoração. O convite foi para "Responsável de projecto" (neste caso cultural) a tempo inteiro. Cidadão íntegro, coerente e experiente, o convidado recusou. "Quando a esmola é grande, o santo desconfia". Seguiu-se uma comissão que o integrava, apesar de..., e um esqueleto de programa incluia algumas ideias suas. O Diabo é que previa a comemoração do duplo centenário das Invasões Francesas, o que, numa terra onde os soldados gauleses queimaram, fizeram trinta por uma linha, de tal forma que até nos ficou a expressão "foi para o Maneta", por causa do general Loison, que tinha o seu QG em S. Miguel de Porrais (agora Carregueiros), e só sabia uma frase em português aproximado, quando lhe apresentavam algum prisioneiro: "fusiller já !" Assim sendo, como facilmente se entende, não há condições para comemorações.
Acossado pela "esposa" por estas e por outras, o "marido" não esteve com meias-tintas, recorreu ao tradicional comportamento dos amásios por interesse -"Se queres brincadeira, pagas. À borla não. Não há dinheiro, não há palhaços." Chantagem, pois então ! Assim enganada, ultrajada e constrangida a "esposa", triste, baixou a bola, pois ainda tem o primeiro filho do matrimónio (o "orçamento" para 2010) a aguardar baptismo pela Assembleia Municipal. E seria uma escandaleira se lá aparecesse sem o apoio do "consorte", cujos votos são indispensáveis. Depois logo se verá !
Quer isto dizer que, dependendo do resultado da concelhia dos laranjas, os próximos tempos vão ser assaz movimentados por estas bandas. Ainda bem, porque sempre muda um bocadinho em relação ao rame-rame habitual, que é como quem diz a pasmaceira de sempre. Não há como a malta do avental para animar o pessoal ! Graças a Deus que são ateus !

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

DIDÁCTICA PELO EXEMPLO

1 - Pessimistas encartados

Ao decidir publicar a publicidade paga pela governo francês, para promover o Grande Empréstimo de 40 biliões de euros, não tínhamos em mente qualquer intervenção em termos de política nacional. Sabemos bem que não há qualquer hipótese de sermos ouvidos lá para as bandas de S. Bento, ou do Terreiro do Paço. As nossas principais preocupações são mais modestas. São o concelho de Tomar e a busca incessante da melhor maneira de levar os tomarenses a encararem a realidade e agirem em consequência. Não temos conseguido grandes avanços, é verdade, o que nos leva a prosseguir ainda com mais afinco.
Na citada acção do governo francês, na busca de um futuro melhor para França, o primeiro aspecto a destacar é o seu respeito pela igualdade de todos perante as leis do país. Propriedade da Sociedade de Jornalistas e da Sociedade de Leitores, o LE MONDE tem sido, desde a sua fundação em 1946, um jornal de "pessimistas encartados". Tem criticado todos os presidentes e todos os governos, tanto de esquerda como de direita. O que não impediu o poder de direita de lhe pagar duas meias páginas de publicidade a cores. Como a todos os outros. O contrário seria impensável, no país cujo povo fez a revolução há 221 anos. E por estas bandas, como vamos de igualdade perante a lei ? Uma coisa é proclamar, outra coisa é respeitar.

2 - Governar é optar

Com estas intervenções publicitárias, o governo francês demonstra aos seus cidadãos eleitores que não anda às sopas de Bruxelas. Que não consente que seja Bruxelas a determinar quais os sectores ou obras a financiar.
Fixou objectivos, definiu tácticas e estratégias, naturalmente susceptíveis de correcção a todo o tempo, e procurou os meios para as suas ambições, sem aguardar a bênção da UE.
Em vez disso, aqui nas margens nabantinas aprovam-se orçamentos de faz de conta, tendo como argumento central, inscrito no próprio documento, a caça às esmolas da Europa. Será isto aceitável ? E quando não houver mais esmolas ?

3 - Criar riqueza e não esbanjá-la

Ensino, formação, investigação científica, PME/Indústria, desenvolvimento sustentável e economia digital, eis os eixos do programa francês, a financiar com o referido empréstimo de 40 biliões, vocacionado para enriquecer o país, que vai assegurar investimentos nos sectores mais promissores, os quais foram escolhidos em função da capacidade para gerar actividade económica, emprego e riqueza negociável.
Será com a ponte metálica do Mouchão/Campo de treinos, a Muralha e a Ponte do Flecheiro, o abastardamento do Mouchão, o parque subterrâneo, os campos de ténis, a nova via pedonal na Mata ou os museus da Levada que vamos gerar riqueza, mais valia, valor acrescentado ? Não nos parece. Nenhum deles faculta ou virá a facultar receitas que se vejam. Pelo contrário. Vieram ou irão aumentar substancialmente os encargos, tanto junto da banca como em termos de funcionamento e manutenção. Mas os eleitores tomarenses, optimistas crónicos contra a corrente das evidências, é que sabem. Não poderão é continuar a respeitar a verdade quando afirmam que ninguém os avisou...

FRANÇA: RUMO AO FUTURO COM AUDÁCIA E DETERMINAÇÃO

As ilustrações são do LE MONDE e foram cortadas ao meio por razões técnicas (falta de um scanner A3). Por agora, apenas a tradução e o esclarecimento. Os comentários de Tomar a dianteira serão publicados logo à noite.
Nas ilustrações supra, temos a usual representação da república francesa -Marianne- com o seu barrete frígio e, neste caso, grávida. De um futuro mais promissor, subentende-se da leitura do texto. Que diz o seguinte: "A França investe no seu futuro. Ensino e Formação. Investigação científica. Pequenas e médias empresas/Indústria. Desenvolvimento sustentável. Economia digital.
Liberdade, Igualdade, Fraternidade
República Francesa
Governo"
Temos portanto que, neste caso, a Marianne é a própria França.

"O Grande Empréstimo não é uma despesa corrente. É uma grande programa, vocacionado para enriquecer o país, financiando investimentos em sectores promissores, seleccionados pela sua capacidade de gerar actividade, criar empregos e proporcionar receitas.
Acompanhe os investimentos promissores a par e passo em gouvernement.fr"
Liberdade, Igualdade, Fraternidade
República Francesa
Governo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO LDA.

O grande sucesso do popular carnaval da Linhaceira foram sem contestação estes carros de mão com a respectiva "artilharia" descomunal. Todos os jornais da zona publicam a respectiva ilustração, mas a que figura acima foi copiada d'O MIRANTE, a quem agradecemos. O mesmo periódico publica igualmente uma foto do papa com um boné da GNR, que também não está nada mal.
Sobre tão atrevida "artilharia" julgamos serem possíveis dois níveis de análise -o popularucho e o mais erudito. Em relação ao primeiro, cabe admitir que em termos de originalidade e de atrevimento, foi o melhor que se conseguiu. De longe ! A nível mais erudito, é lícito identificar no tema a clássica e bem conhecida megalomania tomarense: orçamento de 61 milhões de receitas, quando nem metade vão conseguir; mais de cem associações no concelho, quando metade chegavam; duas bandas de música na cidade e outras duas nas freguesias, sendo certo que não há músicos para todas, etc. etc. etc. Para não alongar, tal como os autarcas presumem de forma algo fantasista, também estes figurantes fazem outro tanto. Tomaram eles que fosse necessário um carrinho de linhas para amparar, quanto mais agora um carro de mão ! E depois só mostram os "canhões". As indispensáveis "munições", ou não se vêem, ou são demasiado mirradas. E sem munições capazes... É como diz o povo: Muita parra, pouca uva. Vai-se a ver continua a haver muita falta de tomates. Tanto no carnaval como na autarquia. Infelizmente.

Além dos já célebres "foguetões da Linhaceira", O TEMPLÁRIO destaca os nascimentos ocorridos na maternidade da zona, em Abrantes, bem como a venda em hasta pública da sede da Cooperativa Nabância. Noticia igualmente a intervenção da PSP durante mais uma pequena manifestação de ciganos junto aos Paços do Concelho. É pena que a já aludida "falta de tomates" tenha impedido até agora que se informem os manifestantes de que os tempos não estão para entregar casas de borla a quem nem sequer paga impostos. Se é que alguma vez estiveram, visto que a vida custa a todos e todos temos iguais direitos e deveres.
Também no semanário dirigido por José Gaio uma excelente crónica de Margarida Pardal, intitulada 850 anos, que pode ser lida no nosso post anterior.

Como habitualmente, o decano CIDADE DE TOMAR é extremamente variado, com excessiva tendência para as chamadas "notícias óbvias", como por exemplo a que encima estas linhas. Mas esta semana houve uma certa audácia...quanto baste: também publicaram os "foguetões da Linhaceira", mas a preto e branco, que sempre resulta mais discreto ! Como convém !
Na página 4, uma larga cobertura noticiosa da legalização da associação dos IpT que, cita o jornal, "Defendem que o actual sistema político com base em partidos se encontra em fase de ruptura". Razão mais do que suficiente para os tomarenses começarem -finalmente !!!- a preocupar-se, posto que, sem pluralismo partidário, não pode haver democracia. E se já estamos em fase de ruptura... Segue-se, na página 7, a informação de que haverá duas listas para a concelhia do PSD. Como habitualmente por estas bandas: uma da situação, outra do reviralho. Parece que regressámos aos anos 60 do século passado. Ou será já a primeira fase da anunciada ruptura partidária ? Alguma das listas é contra a coligação 3+2 ? Infelizmente nem o jornal nem os IpT respondem à questão. Por enquanto ?
Entretanto, já recuperado, MC esgalhou mais uma crónica ágil e generalista, no sentido em que poucos escapam à sua ironia ácida. Deve ser das bátegas de Inverno, as tais chuvas ácidas. Estão aqui estão a apodá-lo também de "pessimista crónico encartado". Há que ter cuidado...

QUE AZAR ! MAIS UMA PESSIMISTA CRÓNICA !

Da edição de 18/02 de O TEMPLÁRIO, com a devida vénia e com os nossos agradecimentos. (Clicar sobre a ilustração para ampliar)

Nota de Tomaradianteira:

Os senhores autarcas, dirigentes partidários e outros portadores de "óculos ideológicos" de conveniência, vão murmurar que é mais um caso de pessimismo crónico. A desculpa do costume. Medina Carreira, Vasco Pulido Valente, Henrique Neto, António Barreto, Miguel Sousa Tavares, tudo pessimistas profissionais. O pior é que começam a ser muitos. E a estar bem acompanhados, por todos quantos não beneficiam do guarda-chuva do poder.
Neste caso vão certamente dizer (com propriedade, de resto), que aqui há pardal. Pois há !, confirmamos nós. Mas trata-se de ave que canta bem, vê bem e tem coragem. Tenham paciência e vão arrecadando.

POBRE TERRA, POBRE RIO !!!



A nossa leitora Ana Isabel Santos, a quem agradecemos, mandou-nos estas duas fotografias do Nabão, a jusante de Tomar. E disse-nos: "Sou uma simples tomarense, que quando era nova passava os fins de semana, com os tios e restante família, a fazer piqueniques onde era o antigo Moínho Novo (agora Manjar dos Templários). Hoje dá-me tristeza olhar para lá e ver areias, lixos, entulhos e muitas árvores caídas. Não estou a falar de uma só, mas de muitas. Já avisei a Protecção Civil, que até agora nada fez. Não sei de que estão à espera. Só se for que haja um ajuntamento de todas as árvores, para provocar uma inundação. Depois irão a correr acudir às pessoas da Quinta do Falcão ?
A impressão que tenho é que a nossa cidade está abandonada, mas parece que não sou só eu a pensar assim. E não me venham com a história de que não há dinheiro. Um exemplo está aqui na Choromela: quando estavam para fazer o Hospital, fizeram os esgotos todos novos já a contar com ele. Agora votaram a fazer esgotos novos para quê ?

Ana Isabel

Nota de Tomar a dianteira:

Pois é Ana Isabel. Se a limpeza do Nabão, no Moínho Novo, permitisse uma candidatura ao QREN com uma coisa grande, assim tipo ponte e paredão do Flecheiro, por exemplo, certamente já estaria resolvido. Agora assim, tratando-se de uma coisa modesta, mais a mais fora da cidade, nada feito. Quanto ao estado em que está a cidade e está o concelho, é como no Instituto Politécnico -Os professores são excelentes, os cursos são óptimos, os alunos é que são cada vez mais pessimistas crónicos de forma que lá vão calçando os patins e rolando para paragens menos exigentes. O mesmo sucede com o Município tomarense. Os autarcas são excelentes e os funcionários óptimos, os eleitores-contribuintes é que estão cada vez mais pessimistas crónicos, e lá vão votando com os pés, cada vez em maior número. Em Portugal, e portanto em Tomar também, a culpa é sempre dos outros. Ou não será assim ?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

COMPORTAMENTO PATUSCO

Será porventura fruto do impetuoso entusiasmo inicial. Ou desejo de sobressaír. Assim ou assado, a actuação do vereador Luís Ferreira assume por vezes aspectos assaz peculiares. Repare-se no excerto do twitter, que publicamos acima. Agride desnecesariamente a oposição, (o que é sempre má política), procurando colocá-la em contradição consigo própria. Suspende um programa, quando ainda não tem outro para apresentar. Anuncia nova estratégia, sem saber sequer se será aprovada. Afirma que com a já referida suspensão, as associações não serão obrigadas a entregar papéis, que para nada servem. Unicamente no actual contexto ? Para sempre ? A autarquia pensa que as associações devem ser controladas periodicamente ? Ou não? A haver necessidade de controle, qual ou quais as formas previstas no novo sistema ?
Com mais de 100 associações culturais e/ou desportivas no concelho, é evidente que muitas pouco mais existem que no papel. Assim sendo, parece claro que a autarquia tem a obrigação de certificar-se, antes de conceder qualquer subsídio, de que a agremiação em causa presta realmente um serviço público, determinar qual é a importância e a qualidade desse serviço, bem como a sua organização real (número de sócios, total de utilizadores, corpos gerentes, eleições). Ora tudo isto só poderá ser aferido mediante inspecções ocasionais (para as quais a autarquia não dispõe de pessoal habilitado), ou por intermédio dos tais papéis, a fornecer pelo menos anualmente, que o vereador Luís Ferreira entende não servirem para nada.
Têm outra opinião os contribuintes, sabedores de que alguns subsídios, tal como algumas empreitadas, servem igualmente para comprar ou pagar votos. E até, por vezes, campanhas eleitorais.Deve por isso ser-se o mais cauteloso possível na gestão dos dinheiros públicos. Certas excursões gratuitas, com almoços lanches e bailações, desagradam cada vez mais a um número crescente de eleitores-contribuintes, conscientes dos reais objectivos de tais iniciativas, absolutamente aberrantes num país em grave crise.
Tem a palavra o vereador Luís Ferreira...

FAZ SENTIDO COMPARAR A GRÉCIA COM O BEAR STEARNS

Faz todo o sentido comparar a actual situação económica grega com a do banco americano BEAR STEARNS, salvo pelo governo, afirma Rob Cox, da mundialmente conhecida agência noticiosa Reuters.
"À escala dos Estados será a Grécia o que o banco Bear Stearns foi para o sector financeiro americano ? Devemos esperar que não, mas as semelhanças entre as crises provocadas por ambos, dão que pensar.
A priori, há poucos pontos comuns entre um banco de negócios pequeno e um Estado do Mediterrâneo. No entanto, a Europa encontra-se confrontada com um desafio muito semelhante àquel que o prewsidente da Reserva Federal Americana, Ben Bernanke, teve de resolver, há quase dois anos: conseguir salvar um membro enfrauqecido de um conjunto mais vasto, evitando que laxismo e desmazelo se propagassem aos vizinhos.
Com os numerosos compromissos recíprocos contratados em conjunto com outros estabelecimentos financeiros, o Bear Stearns tinha todas as condições para provocar, por arrastamento, o naufrágio de todo o sistema financeiro, caso fosse à falência. Mas o que está agora em jogo no caso da Grécia é ainda muito mais grave. Porque se a presente crise não for solucionada de forma correcta, a estabilidade da moeda única europeia e a saúde da zona euro serão fortemente abaladas.
É portanto útil relembrar os erros que foram cometidos no caso do Bear Stearns. Em Março de 2008, a FED aceitou, com o aval do Tesouro americano, tomar a seu cargo uma grande parte dos activos "tóxicos" daquele banco, com o fin de facilitar a sua compra pelo JPMorgan Chase. Assim, os accionistas foram seriamente prejudicados, enquanto que os credores nada sofreram. Pela primeira vez na sua história, a Reserva Federal tinha permitido às casa de corretagem em bolsa beneficiar de condições preferenciais de crédito. Estas decisões significavam para Wall Street que a falência era realmente uma coisa grave, mas não mortal.
Lehman Brothers, o banco mais parecido com a Bear Stearns, abrandou as cautelas. Os mercados começaram a duvidar da sua solvabilidade e, em Setembro de 2008, foi o desastre. O governo americano, já escaldado por alguns efeitos indesejáveis do salvamento da Bear Stearns, manteve-se mudo e quedo, o que convenceu os investidores de que os dinheiros do Estado não voltariam a ajudar outras instituições em dificuldade.
No caso grego, a fragilidade das finanças do país perturbou gravemente os mercados. De tal forma que, a 11 de Fevereiro, a União Europeia comprometeu-se a intervir com determinação e de forma coordenada para "preservar a estabilidade".
Ninguém sabe muito bem o que a UE entende por "preservar a estabilidade". Mas entretanto alguns países europeus já apelaram a que as condições impostas à Grécia para regressar a menos de 3% de défice, sejam suficientemente dolorosas para que outros estados não sejam tentados a seguir o mau exemplo de Atenas. O "precedente Bear Stearns", mostra quanto seria nefasta uma iniciativa que levasse, digamos, Portugal, a Irlanda ou a Espanha -os equivalentes de Lehman Brothers, Merril Lynch e Morgan Stanley- a não adoptarem as políticas de austeridade necessárias."
(Tradução de António Rebelo)

Sobre este mesmo assunto, citado pelo LE MONDE, Jean-Claude Trichet, afirmou que "A Grécia terá de corrigir quanto antes uma trajectória que foi aberrante". "Entregar à UE dados estatísticos mal verificados, não devia ter sido tolerado e não será tolerado", acrescentou.
Enquanto isto acontece à escala europeia e mundial, em Tomar o Município continua a apresentar orçamentos fortemente empolados, que o mesmo é dizer com dados que sabe serem falsos. Argumentam os faltosos que é por causa das candidaturas aos fundos europeus e que os outros municípios fazem exactamente o mesmo.
Parecem ignorar deliberadamente que a recente inspecção financeira recomendou a adopção de orçamento em conformidade com a realidade, ou seja verídico. Quanto aos outros municípios que alegadamente fazem o mesmo, não parece ser totalmente verdade. Em 2008, Abrantes, com mais eleitores do que Tomar, orçamentou 32 milhões de euros, enquanto Tomar foi até aos 40 milhões. Sempre são oito milhões a mais, oiq ue corresponde a um milhão e 600 mil contos. É muito dinheiro...
Habituados a raciocinar a partir de datos fantasistas, será de estranhar que os nossos autarcas percam a noção das coisas, procedendo muitas vezes como se vivessem num mundo virtual ?