terça-feira, 30 de junho de 2009

UMA HISTÓRIA TOMARENSE...

António Rebelo

Pela primeira vez esta semana, que o tempo não dá para tudo, mesmo quando já aposentado, fui visitar alguns blogues da zona. No do Templário, encontrei um texto de qualidade, que me pareceu já conhecido. Era a coluna de Miguel Sousa Tavares (Expresso online, colunistas) esta semana intitulada "Esta noite sonhei com Mário Lino". Um "artista" local decidira copiar integralmente o trabalho de MST para aquele blogue, mas "esqueceu-se" de mencionar o autor e a origem. Decidi então enviar um comentário, desancando o indelicado, dizendo-lhe que o que fez se chama plágio, ou roubo de propriedade intelectual, delito previsto na legislação portuguesa. Insinuei também que, nas universidades e politécnicos, os alunos estão muito habituados a proceder assim. (ver comentário meu no blogue d'O Templário)
Tanto bastou para aparecer um comentário-resposta, cujo estilo é conhecido. Transpira recalcamentos, traumas, inveja doentia e total ausência de escrúpulos ou de respeito pela verdade. Quando convidado a fundamentar as atoardas que tenta lançar, refugia-se no silêncio, que devia ter mantido antes. Até sei que força política apoia, mas não vem agora ao caso.
Um outro comentário pedia-me uma opinião sobre a coluna de MST já mencionada. Como se fosse a coisa mais natural deste mundo, quem colabora regularmente num blogue ir opinar para outro blogue. Não tendo acedido então ao solicitado, por estar em casa alheia, passo agora a escrever o que penso a respeito do citado artigo.
Antes de mais, recomendo a sua leitura, ou na edição em papel, ou no Expresso on line (basta digitar no Google, Expresso, e depois clicar em expresso on line e em colunistas, logo a seguir).
Tenho grande consideração e estima por Miguel Sousa Tavares, cujos livros li com muito agrado.
Escreve bem, limpo, directo, frontal e sem antolhos partidários. Dito isto, nem sempre concordo com as suas posições, designadamente em relação à caça, ao tabaco e aos toiros.Neste seu texto sobre os desvarios deste país onde habitamos, concordo com as suas críticas, mas penso que devemos encarar as coisas com alguma elevação e algum recuo. De longe e de cima vê-se e percebe-se melhor qualquer realidade complexa. Concordo que o melhor seria não construir qualquer linha de TGV, porque manifestamente desnecessária. Todavia, há acordos assinados com os nossos vizinhos, pelo então governo PSD. E quando um país começa a não cumprir com aquilo que voluntariamente subscreveu, mal vão as coisas. Há depois o grupo de pressão das empresas de construção, cuja influência é considerável, pois geralmente são essas mesmas empresas que financiam as campanhas eleitorais, e em política, como no resto, ninguém dá nada a ninguém. O problema não é só do PS, pois por exemplo o "nosso" deputado e presidente da AM, o senhor Miguel Relvas, é assessor ou colaborador de cinco empresas, conforme consta da sua declaração de rendimentos e interesses. Sabendo-se que o senhor deputado em questão nunca exerceu qualquer profissão para além da política, é assessor de quê e para quê?
O mesmo acontece em relação ao novo aeroporto. À primeira vista, a melhor solução seria manter o actual e melhorar um dos agora militares, de forma a poder acolher condignamente os voos lowcost, cada vez mais numerosos. À primeira vista, porque depois lá vêm os tais grupos de interesses e toda a problemática ligada à crise onde, paradoxalmente, até Francisco Louçã acha que o Estado deve investir, de forma a garantir o emprego e a actividade económica. Subscreveu mesmo o chamado manifesto dos 52, em resposta ao manifesto dos 28 economistas. Este a apoiar a supensão dos grandes investimentos públicos, aquele a propor o aumentos desses mesmos investimentos.
Como se tudo isto isto não fosse já assaz complexo, a posição de Manuela Ferreira Leite, afirmando que, caso ganhe as eleições, suspenderá o TGV e o o novo aeroporto, até que haja de novo equilíbrio orçamental, pode não ser assim tão inocente quanto parece à vista desarmada. Nestas coisas das grandes obras, quem beneficia, de uma maneira ou de outra, são os responsáveis políticos que fazem a adjudicação...Isto, porém, é já outro tema, que fica para ocasião mais oportuna. Por agora, o importante é ler a crónica do MST...

PROVOCAÇÕES E FALTA DE MUNIÇÕES

Quem segue e escreve mais ou menos regularmente nos blogues locais, já terá certamente dado por isso. Há neste momento dois problemas principais entre os internautas nabantinos. Problemas tão estreitamente ligados que nem se consegue saber facilmente onde acaba um e começa o outro. Por um lado, cada vez menos discretamente, provocadores a mando atiram sobre todos os que escrevem, no sentido de os levarem a responder, avançando com ideias aproveitáveis. Para isso, recorrem ao ataque pessoal, à simples suspeita ou a subterfúgios alinhavados à pressa e com linha demasiado grossa e de cor viva. Por outro lado, é visível no conjunto dos blogues um confrangedora falta de material escrito em primeira mão. Até já chegam ao limite de "pescar" num blogue para escarrapachar no outro. Sinal evidente de incapacidade para escrever de forma autónoma.
É óbvio que os dois fenómenos, falta de "munições" e provocações, são afinal um só. Provocado pela ânsia de obter material para a elaboração dos futuros programas, projectos ou planos para as campanhas eleitorais de cada força concorrente. Infelizmente para os referidos provocadores, há muito que aqui, no Tomar a dianteira, se sabe que nunca é conveniente responder a provocações, já que têm sempre objectivos previamente congeminados por quem as desencadeia. Assim, mais uma vez se afirma que temos ideias próprias e um projecto consistente para a cidade, mas evitam de tentar porque só virão a saber algo mais quando eventualmente reunidas certas condições. Egoísmo, dirão os palpiteiros do costume. Pois não senhor. Apenas consequência de sabermos que os projectos complexos são como os brinquedos caros. Não convém dá-los às crianças. Escavacam-nos em pouco tempo e depois dizem que não prestavam. Já aconteceu com o Convento, com o Turismo cultural, com a Região de turismo, pelo que não voltará a acontecer com ideias idas daqui. Doravante, para nós, as nossas ideias (boas ou más) serão tratadas como as crianças pequenas. Ainda são os pais quem as educa melhor.
Uma derradeira achega por hoje. Os candidatos já conhecidos e os presuntivos, salvo uma ou outra excepção, parecem todos saídos do mesmo molde -boas pessoas, de boa convivência, sérios, empenhados, diligentes, mas infelizmente sem ideias próprias devidamente estruturadas, sem projecto para a cidade e o concelho e, sobretudo, sem capacidade oratória, sem recursos de argumentação e contra-argumentação, sem experiência de persuasão. Last but not de least, demasiado egocêntricos para admitir em público que não sabem, sem o que... E não adiantará vir com desculpas. Se nunca aprenderam porque nunca lhes ensinaram; se nunca abriram sequer um livro de pragmática linguística, ou um tratado de oratória, estão à espera de quê? Que tais conhecimentos venham por osmose?
O tempo da improvisação permanente, do desenrrascanço, do depois logo se vê, já deu o que tinha a dar. Agora só lá iremos com bons recursos humanos, com bons projectos, com humildade, com vontade de ajudar e de ser ajudado. Eu seja cão se não é assim!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

PROMESSAS, PROJECTOS E PROGRAMAS









Fiquei pasmado esta manhã, ao ler uma mensagem, da qual passo a reproduzir o trecho quanto a mim mais insólito: "...o que precisamos, neste modesto entender, não é de "programas", não é de rectórica (sic); não, a Urbe, precisa sim, de alguém, de gente sensata e não interesseira -seja em protagonismo seja em causas do vil metal- que continue devavagar mas pela certa a ir ao encontro da cidade real...gente que se preocupe de facto e de direito com os problemas das suas gentes..." Perante isto, que não julgava possível numa cidade e em pleno século XXI, concluí que afinal os chineses têm razão. "Quem nasceu e sempre viveu no fundo de um poço, julga que o exterior é um pequeno círculo, ora azul, ora cinzento, ora azul e cinzento."
Porque o problema é mesmo esse -o conhecimento do País e do Mundo. As três ilustrações acima mostram parcialmente como as coisas são na verdade. Tudo programado, tudo previsto, bem ou mal. Nas duas primeiras, há manifestamente uma grande diferença entre o que se escreveu e o que devia ser. Quanto aos IpT, poderão alegar que não tiveram votos suficientes para poder levar o seu programa à prática. Já no caso da "nova agenda urbana", encomendada e bem paga pela actual maioria PSD, há manifestamente um abuso de linguagem. Quem consultar o documento constatará que de agenda não tem nada. Nem hierarquização, nem datas, nem articulação, nem programação. Tratou-se apenas, isso sim, de um rol de iniciativas de prioridade duvidosa, destinado a servir de programa de trabalho a quem foi eleito sem nunca o ter apresentado ao eleitores.
Aparecer agora, de mansinho, a tentar fazer crer que não há necessidade de qualquer programa, projecto global ou plano a médio e longo prazo, equivale a propugnar a continução, no futuro mandato, da actual situação. Sem objectivos, definidos em função das mais urgentes necessidades da cidade e do concelho, cada autarca contenta-se com os seus próprios interesses -ir beneficiando ao máximo das diversas regalias facultadas pelo cargo. E quem se lixa é o mexilhão. Como sempre!


DOIS CASOS, A MESMA MATRIZ


Excepcionalmente, apenas para memória futura, vamos abordar de forma crítica dois comentários aqui recebidos, cuja reprodução figura acima, num caso completa, no outro parcial, pois o original é algo esticado (os leitores interessados poderão lê-lo nos comentários ao post "O cabo das tormentas").
Como todas as populações de fraca cultura e pouco ensino, os tomarenses conhecem-se mal. Não conseguem manter uma relativa imparcialidade em relação a si e aos outros, sem o que qualquer posição carece de sustentação erudita. Desprovidos dos básicos utensílios que permitem ver a cidade e o mundo com olhos de ver, refugiam-se no que podem. Agridem verbalmente, tentam insultar, acusam mas não fundamentam, usam palavrões e frases feitas, tentam achincalhar...
No nosso entendimento, o que ocorre é bem mais simples. Antes e depois do 25 de Abril, a cidade sempre foi administrada por "gente bem", "homens bons", "membros do serralho", tudo com a mesma formatação cívica, a mesma formação humana ou falta dela. No fundo, lá bem no fundo, tudo gente que sempre considerou ter direito a exercer o poder por ter legitimidade hereditária.
A dada altura, após anos e anos de pacata vida sem sobressaltos, os erros de António Paiva, a falta de liderança de Corvêlo de Sousa, bem como a agora manifesta incapacidade da oposição para acicatar a maioria e informar capazmente os eleitores, a tal pseudo-élite local (la crème de la crème, dia o Hermann, na chacota) já está a antever o fim do rolo. Vai daí lançam mão de tudo, que valha a verdade não é muito, como se passa a tentar demonstrar.
O primeiro comentário é bastante eloquente. Provavelmente mais do que o seu autor pretendia. Começa com uma frase idiomática, seguida de desnecessário palavrão, ainda assim apenas subentendido, o que se agradece. Passa imediatamente à já aludida tentativa de insulto e de achincalhamento de baixo quilate. Mais abaixo, aproveita para introduzir a expressão que está na origem do "vá pregar para a albufeira" -"com a água que mete, o meu meio estaria sempre salvaguardado!..." Como quase sempre, o amável contraditor anónimo, que logo adiante aparenta preocupar-se, em tom jocoso, com umas insónias que não temos, esqueceu-se (ou não lhe convinha?) que, mesmo nos tribunais, de nada serve acusar. Sem provas evidentes, nenhum magistrado condena quem quer que seja. Mesmo o pior assassino, quanto mais agora...
No caso concreto, "Com a água que mete...", onde? quando? como? para quê? em relação a quem e a quê? Quando escrevemos que a principal qualidade dos tomarenses não é certamente a inteligência ou a capacidade de trabalho, estamos a constatar uma realidade? Ou a meter água?
É que, como se sabe, "presunção e água benta, cada qual toma a que quer".
O outro comentário, ainda que manifestamente da mesma escola de pensamento, da mesma matriz, é bastante mais elaborado. Parece provir do referido sector do "crème de la crème", da camuflada direita tomarense, tradicionalmente mais a direita que nas outras terras. Sentindo o poder hereditário a escapulir-se-lhe como areia do deserto por entre os dedos, vá de passar ao ataque. Inventando um alegado narcisismo do criticado, aludindo vagamente às ciências médicas, procura-se desacreditar, para logo a seguir cravar o punhal: "Porém, esta ideia fixa da "programa", para uma terra que o mais que tem tido têm sido programas". Vejam bem onde a cegueira política e a inveja podem levar! Conforme os nossos leitores mais versados na política bem sabem, a realidade é exactamente a inversa. Tomar nunca teve até hoje, nem antes nem depois do 25 de Abril, qualquer projecto político. Nem tem neste momento. Os nossos autarcas sempre navegaram à vista e sem rumo pré-definido. E continuam na mesma situação...
Sempre aliviará um pouco a bilis, acusar os outros de coisas que apenas nos passam pela cabeça. Fica-se bem visto na nossa "classe social" e pode ser que... Infelizmente, com uma grave crise, tanto mundial, como nacional, como sobretudo local, que nunca mais passa, os eleitores continuam a ouvir a música maviosa, mas têm cada vez menos vontade de dançar. Em Outubro, logo veremos que são afinal os narcisos, os que pregam aos peixes e os tristes e fracos aprendizes de manipuladores da paupérrima opinião pública que temos. Até lá e votos de boa saúde. Apesar de tudo!

domingo, 28 de junho de 2009

O CABO DAS TORMENTAS



Por mares nunca dantes navegados, com névoa cerrada, rumo ao Cabo das Tormentas. Tal parece ser a presente situação política em Tomar. Em 2008, apresentei a minha candidatura no PS/Tomar, covencido de que nenhum dos previsíveis candidatos, tanto socialistas como das outras forças, dispunha de qualquer projecto, plano, programa, intenção, ou o que quer que seja, adequado aos novos tempos que corriam e continuam a correr. Disse, na minha apresentação, que tinha um projecto sólido e fora habituado a liderar, designadamente durante a guerra em África, onde aprendi que é muitio mais eficaz dizer "Sigam-me!" do que "Vão lá indo, que já lá vou". Não consegui convencer quase ninguém. Perdi largamente e foi pena. Para eles e para o concelho, que eu não estou nada mal nem cansado de estar bem.
Passaram os meses e continuei a bater nessa tecla do projecto, como condição prévia para qualquer candidatura. Até à data, porém, só o presuntivo candidato da CDU e os dois arautos locais do BE é que me parecem estar a navegar na boa direcção. Pelo menos de acordo com o que já declararam aos jornais. Os outros, incluindo os mais recentes independentes, indiciam estar naquela situação limite de quem não sabe sequer que não dispõe nem de envergadura, nem de armas adequadas ao presente contexto. Vai daí, vivem numa espécie de realidade paralela, continuando a acreditar que podem vir a vencer. Mas porquê senhores?
Nos mais variados locais, cidadãos de ambos os sexos continuam a dizer que nas próximas autárquicas é tudo a mesma gente. Que ou não vão lá, ou se abstêm, ou votam nulo. Há até uns mais cínicos e sofisticados. Proclamam que como os candidatos são todos boas pessoas, tencionam pôr uma cruz em cada um, para ninguém se queixar. Quando se lhes lembra que assim o voto será nulo, contrapõem que não têm culpa nenhuma, pois não foram eles que fizeram a lei. Ora toma!
Um eleitor da urbe, que por necessidade viaja muito em grupo e em taxi, garante que todos os motoristas cantam a mesma música. Não vamos, por agora, dizer qual é, para tentar não beneficiar ninguém. Entretanto, TODAS as forças políticas estão a encontrar dificuldades no recrutamento de candidatos. Os cidadãos abordados fornecem as mais diversas justificações para recusarem, mas a verdade parece ser esta -são cada vez menos os que estão dispostos a abrilhantar o baile, que outros aproveitam para iniciativas bem mais lucrativas.
Pelas bandas da Câmara, a actual maioria também não vai nada bem. Na recente sessão da Assembleia Municipal, até Vítor Gil, fiel entre os fiéis do PSD, julgou necessário lamentar "uma intervenção infeliz do sr. presidente da Câmara" (as palavras são dele). Enquanto isto, os deputados municipais do PS não abriram o bico, vá-se lá saber porquê, e continua a agravar-se uma velha e cada vez mais problemática situação. Enquanto alguns eleitos, a tempo inteiro e não só, se vão lamentado em privado, de que há quadros dirigentes da função pública local com nítida carência de iniciativa e de entreajuda, alguns destes alegam em sua defesa que há muito não recebem missões ou orientações operacionais. E sem isso...
Pode-se até escrever, sem receio de exagerar, que em muitos serviços se vive já num clima de "fim de reinado". Tomar a dianteira está em condições de garantir que nalguns gabinetes já começaram a aparecer processos com a elucidativa indicação "Para despacho só depois das eleições".
Gente prevenida, é o que é!

TRABALHO, ORGANIZAÇÃO E EFICÁCIA






Menos de 12 horas separam as duas fotos de baixo da de cima. Anteontem escrevemos a testemunhar a nossa indignação perante um inqualificável acto de vandalismo. Alguém resolvera cobrir um painel de propaganda do PCP com um cartaz anunciando uma corrida de toiros na Barquinha. Era, evidentemente, um ultrage à democracia portuguesa, que garante o direito à liberdade mas impõe, em contrapartida, o dever de respeitar todas as tendências. Incluindo as que não nos agradam, por isto ou por aquilo.
Organização séria, eficaz, discreta quando é necessário, o PCP ultrapassou a afronta com rapidez e sem fazer alarde. Assim é que deve ser. Mas não ficaria mal uma cartinha respeitosa ao empresário em questão, lamentando o sucedido e alertando que, na eventualidade de uma próxima vez, as coisas poderão não vir a ser assim tão simples, porque há leis neste país e os painéis estão devidamente identificados. É só uma opinião...

sábado, 27 de junho de 2009

MAIS UM MOTIVO DE ALEGRIA...

Fonte: Eurostat/El País
A ilustração acima é mais um motivo de orgulho e de satisfação para todos nós. Em termos de poder de compra comparado (2008-média dos 27 países da UE = 100), somos destacadamente o carro vassoura da Europa ocidental, com 75%. Próximo de nós, mas mesmo assim à nossa frente, só Malta, que não é propriamente um país. Antes uma cidade média, de 32o mil habitantes, ainda assim com 76%. A Grécia, que já esteve pior que nós, apresenta agoras uns confortáveis 95%. Vinte pontitos melhor do que nós, é obra! E não há pior? Nem muito pior? Há sim senhor.
A maioria dos países que beneficiaram do socialismo soviético, durante pelo menos 50 anos, cujos habitantes se habituaram a praticar na perfeição a conhecida máxima lusitana -"O Estado-patrão paga mal, mas lixa-se que é mal servido!"
O pior de todos é a Macedónia, com apenas 32%, logo seguida pela Bulgária, com 40%, e a Roménia, 46%. Ainda assim satisfeitas, pois a Turquia, que fica logo ao lado e nunca foi socialista, nem lá perto, também se queda pelos 45%. Tudo bons países para passar férias, a comer e a viver bem, sem gastar fortunas.
No grupo a seguir, aparecem a Letónia (em risco de bancarrota), 56%, a Polónia, 57%, até aos 90% da Eslovénia, que nos soube ultrapassar a grande velocidade. Só para acicatar a nossa tradicional inveja, o topo da pirâmide é ocupado pelo Luxemburgo, com 253%. (Coisa dificilmente explicável, uma vez que 32% da população fala e é portuguesa. Há cada uma!) Em 2º lugar do ranking dos mais afortunados, temos a Noruega, que mesmo do alto dos seus 190% ainda nos vai preparando e vendendo um excelente bacalhau. O que se compreende. Como o clima é bastante mau, pouco podem fazer, além de trabalhar. Que Nosso Senhor os proteja e lhes continue a dar coragem!
Então, perante tamanha disparidade e apenas à frente dos mais atrasados do ex-Império Soviético, qual é o tal motivo de alegria anunciado no título? Calma! Estamos em Portugal! Já lá chegaremos, que Roma e Pavia não se fizeram num dia. Como se calhar não é do conhecimento geral, o presidente francês Sarkozy, e vários outros dirigentes políticos mundiais de primeiro plano, estão fortemente descontentes com a noção técnica de PIB. Não integra por exemplo a qualidade de vida, o clima, a segurança, etc, dizem eles. Vai daí nomearam uma comissão de peritos que está a trabalhar activamente no sentido de encontrar um padrão técnico capaz de vir a susbstituir o PIB e que seja mais adequado aos tempos que correm. Tudo indica que quando for adoptada a nova designação, subiremos na classificação como um foguetão. Com o nosso clima, a nossa qualidade de vida, o nosso descanso, as nossas sardinhas e as nossas saladas?! Não falha, de certeza!
Basta pensar naquele alentejano que garantia aos técnicos europeus, em visita profissional, que determinado terreno não produzia. Nada? Nada mêmo! Então e semeando...? Ah!, Sameando...!!!

CONQUISTADORES E HERDEIROS


OPERADORA DE CAIXA
António Rebelo
Em Teerão, jovens e menos jovens manifestam e arriscam morrer, em luta contra um regime obsoleto. No Brasil milhares continuam a manifestar, alguns a morrer, lutando pela obtenção de terra para cultivar. Em África e na Ásia milhares e milhares passam fome. Em Calcutá, em Bombaím, em Benares, as camionetas da limpeza passam de madrugada e vão recolhendo os mortos dessa noite. Em Portugal, os operários da Autoeuropa chumbam, em votação livre, um acordo negociado pela Comissão de Trabalhadores. Retirava-lhes uma vantagem conseguida no trabalho aos sábados. Um pouco por todo o país, cidadãos que se consideram responsáveis vão aguardando que o Estado, o governo, as autarquias, os políticos ou os patrões lhes resolvam os problemas e lhes tragam as soluções de bandeja. Como aconteceu com a democracia, já lá vão 35 anos...
Aqueles são os conquistadores. Lutam pela vida. Manifestam-se a favor daquilo em que acreditam. Quando não têm cão, caçam com gato. Nunca esquecem que ninguém dá nada a ninguém. Estes são os herdeiros. Aguardam que os outros providenciem. Vão-se queixando privadamente, que isto nunca se sabe. Têm direitos, liberdades e garantias. Deveres? Nem pensar!
Neste contexto e em plena crise, pareceu-nos útil transcrever uma pequena entrevista, suficientemente explícita para dispensar mais comentários. Muito útil para os que ainda sonham com uma vida bastante melhor, mas nada fazem para a alcançar...
"Mesmo se já pendurou a bata há quase um ano, Anna Sam continua a ser "a operadora de caixa". A que revelou o que pensam e vivem aqueles milhares de mulheres atrás das caixas, com as quais só contactamos na altura de pagar.-Há pouco mais de um ano, o seu livro "Atribulações de uma operadora de caixa" (Éditios Stock), já traduzido em 17 línguas, vendeu mais de 100 mil exemplares. Reincide agora com "Conselhos de amiga à clientela" (ig ualmente Stock) uma nova viagem no mundo do comércio, visto desta vez pelo lado dos clientes.
O que é que mudou na sua vida com o sucesso do primeiro livro? -Tudo e nada. Tenho o mesmo apartamento na periferia de Rennes (Bretanha), o mesmo marido e os mesmos cães. Só que agora, quando vou ao Leclerc de Cleunay, onde trabalhei durante oito anos, é apenas para conversar com os meus antigos colegas. Mas ainda sinto muita dificuldade em projectar-me no futuro, em me considerar uma escritora. -Tem um blogue (www.caissierenofutur.over-blog.com ) e já publicou dois livros. Também já há uma banda desenhada, em breve uma peça de teatro e, se calhar, em breve um filme, tudo a partir do seu primeiro livro. Não receia vir a especializar-se no papel de operadora de caixa? -Aqui há tempos, quando estava a pagar o bilhete de autocarro, o motorista disse-me: -Estou a conhecê-la. É a operadora de caixa! E no entanto, há mais de ano e meio que me despedi. Mas realmente não tenho vontade nenhuma de vir a ser catalogada para sempre como ex-operadora de caixa. Neste momento estou em meditação sobre dois projectos de livros que não falarão de caixas registadoras, nem de hipermercados, nem mesmo de comércio. É claro, no entanto, que nunca poderei voltar totalmente as costas à grande distribuição. Afinal, foi graças a ela que consegui chegar onde estou. -Não abordou a crítica social em nenhum dos livros. Foi de propósito? -Se assinei com as Éditions Stock, foi exactamente porque foram os únicos que não tentaram empurrar-me para as descrições miserabilistas. Ao contrário de todos os outros que me contactaram, após o sucesso do meu blogue. Nunca pretendi denunciar as condições de trabalho na grande distribuição. Operadora de caixa não é realmente nada fácil. É desgastante, fisicamente e psicologicamente. E sobretudo é mal pago. Mas há empregos piores. E, contrariamente ao que se diz, os diplomados não são assim tão raros. Eu, por exemplo, tenho um mestrado em literatura francesa e, no Hipermercado Leclerc, onde trabalhava, mais de 25% das operadoras eram diplomadas do ensino superior. -Qual é a sua opinião sobre o trabalho ao domingo ou o desenvolvimento das caixas automáticas? -As pessoas têm de deixar de pensar que somos idiotas. O trabalho ao domingo nunca será feito na base do voluntariado. Vivemos exactamente o mesmo fenómeno com os feriados. Quem trabalha na Páscoa ou no Dia de Todos os Santos, fá-lo porque é obrigado. Ou porque são fortemente incitados pela direcção, ou porque têm necessidade de mais 5o euros ao fim do mês. Mas tenho uma posição mais moderada a respeito das caixas automáticas. Julgo que é uma evolução positiva, que tornará as tarefas menos cansativas fisicamente, permitindo desenvolver o acolhimento, o aconselhamento da clientela, que são naturalmente mais interessantes do que ir simplesmente retirando embalagens da passadeira rolante. Haverá sem dúvida menos operadoras. Mas continuará a haver. E vamos poder enfim chamar-lhes "hospedeiras de caixa", sem usurpar a expressão ao seu significado corrente."

Nathalie Funès, Nouvel Observateur - Tradução e adaptação de António Rebelo

sexta-feira, 26 de junho de 2009

UN ACTO INQUALIFICÁVEL

António Rebelo
As minhas opções políticas são conhecidas. Desde antes do 25 de Abril. Sou socialista, sem cartão partidário. Estou por isso em boa posição para condenar o acto inqualificável documentado na fotografia. Um ou vários aficionados, ou só adeptos da violência gratuita, cuidando se calhar que na sociedade é tudo à vara larga, como nos toiros, resolveram cobrir um painel da CDU com um cartaz da próxima corrida de toiros na Barquinha.
Em democracia pluripartidária, com um governo previamente legitimado em eleições livres e não contestadas, todas as opiniões políticas merecem, naturalmente, igual respeito. Mas quando se trata do Partido Comunista é sempre conveniente ter presente os longos anos de luta contra o regime anterior ao 25 da Abril. Pode-se não concordar com o que fizeram posteriormente. Ou mesmo com a sua prática actual. Vandalizar material de propaganda é que não é de modo algum admissível. E denota nítida falta de ética republicana, de respeito pela saudável convivência democrática e pela propriedade alheia.
A menos que a empresa organizadora da corrida tenha obtido previamente o consentimento da CDU para usar o painel, o que não é muito provável, resta-lhe pedir desculpa e mandar proceder quanto antes à retirada do cartaz. Admitindo que a força política ofendida não decida ir antes por outra via, o que seria o mais natural. Afinal trata-se de um caso de invasão e/ou usurpação de propriedade alheia, delito previsto na legislação em vigor.

POLÍTICA LOCAL - ANIMAÇÃO E EFICÁCIA



Com a aproximação das autárquicas, acentua-se de dia para dia a animação política local. Usualmente pacata, Tomar até começa agora a parecer um centro urbano em franco progresso. Designadamente na área da política e da cultura. Já vamos com seis listas prováveis para a Câmara e começa a falar-se numa sétima. É bom. É mesmo muito bom se contribuir para esclarecer os eleitores e para os levar a exercer o seu direito de voto. É bom também, se conseguir acicatar o suficiente os políticos instalados, levando-os a levantar finalmente a base do corpo do confortável sofá do conformismo. Mas não tenhamos ilusões. Por um lado, o conhecido princípio sociológico segundo o qual as eleições se ganham ou perdem antes das urnas, continua inteiramente válido. Por outro lado, tal como acontece nos campeonatos de futebol, ou até nos Jogos Olímpicos, pode haver muitos participantes, mas apenas dois ou três podem ganhar. No caso tomarense, e nas condições actuais, apenas dois -PSD e PS. Dado que ambos se vão esforçando, cada um ao seu nível, para dar um máximo de tiros nos próprios pés, a coisa está cada vez mais incerta.
À partida, com o abandono de António Paiva e o pouco ou nulo protagonismo dos IpT, o PS foi colocado em vantagem. Com a demasiado perfeita escolha do candidato PS e a subsequente campanha de cartazes, houve vantagem para o PSD, a qual se acentuou com a derrota dos socialistas nas europeias. Apareceram então as lutas intestinas nos sociais-democratas e as inesperadas desfiliações de Graça Costa e Isabel Miliciano, bem como o protesto interno do militante Delgado, que o PS local não está a saber aproveitar. A recente entrevista de Luis Ferreira constitui, na opinião de cidadãos alheios a Tomar a dianteira, um verdadeiro desastre. Ninguém ficou a perceber o que pretendem os socialistas, ninguém entendeu porque falou o 2º e não o cabeça de lista, muitos não gostaram mesmo nada daquela referência do coração "Uma relação que nasceu na política" a misturar alhos com bugalhos, negócios públicos com assuntos privados, sala de visitas com quarto.
Mantêm-se portanto, no nosso ponto de vista, as vantagens de ambos, porém cada vez menos nítidas. Os restantes putativos concorrentes, ainda que incapazes de vencer, vão acumulando simpatias, que o mesmo é dizer votos potenciais. Continua válida, julgamos, a solução vencedora por nós já apontada -das duas forças partidárias por enquanto ainda hegemónicas, aquela que primeiro conseguir o golpe de asa, indo buscar reforços em pessoas e em ideias ao adversário, se souber escolher, ganha.
Há depois todas as médias e pequenas formações, cuja actuação vai desgastar consideravelmente o capital de simpatia dos partidos do chamado "arco do poder". Nada, porém, de realmente inovador em termos políticos. Mesmo o Bloco de Esquerda, que tem a melhor base humana e ideológica, se por um bambúrrio viesse a vencer, ver-se-ia constrangido a agir exactamente como aconteceu com Lula e o Partido dos Trabalhadores no Brasil. Muitas e grandes proclamações, mas na prática uma politicazinha moderada, vagamente social-democrata. As coisas são o que são e a realidade nunca se adapta aos nossos postulados ideológicos. É a vida...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Redacção de Tomar a dianteira Colaboração CLIPNETO

A notícia da semana, no campo político nabantino, foi indiscutivelmente a desfiliação de Isabel Miliciano do PSD, que já referimos em detalhe neste blogue. Enquanto os dois semanários locais se limitam praticamente a reproduzir a carta enviada pela conhecida jornalista, O MIRANTE, conforme mostra o recorte que publicamos com a devida vénia, foi assim um bocadinho mais ácido. Simples problema de concorrência? Ou agradecimento mudo à câmara PSD que neste número mandou publicar mais uma página inteira de publicidade, sob o título "Página informativa da Câmara Municipal de Tomar - 06/09? Que responda quem souber.

O PS/Tomar, que por vias anónimas se tem aplicado na crítica a Tomar a dianteira, acusando-nos de não sei quantas tropelias e outras tantas intenções sombrias, publica esta semana, num terço de págima, o cartaz que reproduzimos acima. Coincidência ou não, seis páginas mais adiante O TEMPLÁRIO dá destaque a uma entrevista a Luis Ferreira, que por acaso nem figura na série de fotografias do cartaz. Não querendo de forma alguma prejudicar o PS (ou qualquer outra formação política), não podemos todavia deixar de anotar uma incongruência. Enquanto o cartaz proclama que "Todos somos precisos", na resposta a uma pergunta Luis Ferreira repetiu a sua conhecida frase "A política faz-se com os que estão." É cuco ou mocho? Com todos? Ou só com os que estão? A resposta é importante, numa altura em que se acaba de saber que bons quadros socialistas a residir em Tomar integram as listas das câmaras de Abrantes (2) e Ourém (1). Sobre o resto da entrevista, achamos preferível, nesta altura, não nos alargarmos, por razões sobejamente conhecidas, pois não queremos de forma alguma vir a desempenhar o papel de "bode expiatório" no momento considerado oportuno. Ainda assim, confessamos ter estranhado a inclusão, na citada entrevista, de uma coluna do tipo cor de rosa, intitulada "Uma relação que nasceu na política", abordando aspectos da vida privada de Luís Ferreira, que não nos dizem respeito, como é evidente. Um amigo tomarense perguntava-nos esta tarde, algo incrédulo "Vocês acham que numa cidade conservadora como Tomar, isto lhes vai dar votos?" A resposta fica para nós, pois era uma conversa da vida privada, que deve ser sempre sagrada, salvo quando possa ter implicações graves na política.
Para quem gostar da política local, aconselhamos a leitura do mais recente post do blogue www.Nabantia, com o título "PS JÁ DERROTADO". Aquele nosso colega, cuja identidade continuamos a desconhecer, desta vez não é nada macio para os socialistas locais: "Ou seja: o dirigente do PS está a dizer que não acredita na vitória. Faz muito bem, porque ninguém acredita."
E depois ainda insistem em que o pessoal de Tomar a dianteira diz mal porque tem dor de cotovelo. A ser verdade, então o Nabantia tem dor de quê?

Conquanto mantenha no essencial o tipo nabantino de jornalismo, publicando em manchete "Recusaram servir almoço ao meu filho", um tema que se antevê não só de palpitante actualidade, como também com largos reflexos na comunidade tomarense, CIDADE DE TOMAR inclui nesta edição uma boa entrevista de quase duas páginas. Nela, Carlos Trincão e António Godinho, ambos professores no activo, conseguem ser bastante esclarecedores, usando uma linguagem diferente da usual "língua de pau" praticada pelos políticos da nossa praça. Achamos que vale a pena ler e meditar, pois alguns aspectos vão, na nossa opinião, ao cerne das questões. Este, por exemplo, logo na primeira resposta: "A nossa preocupação, por agora, é assegurar as pessoas que constituirão as listas e definir o programa. Depois se verá quem encabeça o quê. Ao contrário de outras estruturas, recusamos apresentar nomes sem o programa que se propõem cumprir. Dança de nomes é espectáculo sem conteúdo." (O negrito é nosso). Não temos nada mais a acrescentar por agora.



FACTOS CONVERGENTES


Um abespinhado inscrito no PS, ao que parece pouco socialista, porque pouco tolerante, disse aqui no blogue o que entendeu. Que somos rancorosos, vingativos, alcoviteiros e mais não sei quê. Estava tão irritado (ou nervoso?) que até entrou em contradição, sem se dar conta. Escreveu cobras e lagartos contra nós, mas logo a seguir afirmou, seguríssimo, que ninguém liga ao que aqui escrevemos. Se realmente assim é, porque se cansou a criticar-nos? Ninguém vai ligar nenhuma...
Enquanto isto, descobrimos mais um cartaz vandalizado, o que é lamentável sob todos os pontos de vista. Não concordar é uma coisa. Aceitável. Destruir é outra. Inaceitável e a pedir punição severa. Tudo tem, contudo, algum significado e seria bom que os responsáveis políticos locais nunca esquecessem esse aspecto. Manifestamente as coisas não vão nada bem, os partidos locais estão a transformar-se cada vez mais em capelinhas, e os fiéis, descontentes, resolvem rezar noutros lados e de outros modos...
Se houvesse dúvidas sobre o constante agravamento da crise tomarense, certos factos convergentes não as deixariam subsistir. Este, por exemplo. Enquanto em Tomar alguns autoproclamados militantes do PS vão dizendo, ou dando a entender, que aquilo é uma casa aberta, gerida colegialmente, sabemos que a lista socialista para a câmara de Abrantes vai incluír dois tomarenses residentes em Tomar. A prova provada que a terra nabantina sempre foi muito madrasta para os seus filhos? Se calhar foi até por causa disso que os partos foram transferidos para Abrantes. Assim, como já não nasce cá ninguém, deixará dentro de alguns anos de haver filhos e enteados. As capelinhas é que certamente vão continuar.
Um anónimo tem vindo a fazer aqui no blogue um bom trabalho, em prol do nosso hospital. Escreve ele, manifestamente alarmado, que se preparam para o desmantelar, retirando-lhe todas as valências, a pretexto de o prepararem para a eminente epidemia de gripe porcina. Se assim é, está mal. Mas como não temos em Lisboa, lá por cima, nos corredores do poder, ninguém de Tomar, como vamos agora conseguir evitar o desastre? Com manifestações? Convencer a população nabantina a desfilar em protesto é tarefa quase tão difícil como vender frigoríficos aos esquimós. Mais a mais, ainda devem estar lembrados de que desfilaram aqui há anos e os resultados não foram os esperados...
De qualquer forma, tudo se encaminha para que dentro de alguns anos o Estado não tenha recursos suficientes para manter o Serviço Nacional de Saúde ou os hospitais públicos. Continuarão a existir, claro está, mas quem quiser boa assistência terá de a procurar noutros sítios. Pagando, como é óbvio. Assim sendo, o ideal seria ir procurando, no caso de Tomar, uma solução alternativa, susceptível de nos garantir um hospital do século XXI, em vez de umas construções parcialmente utilizadas... Dado que, manifestamente, o governo central não consegue resolver os seus próprios problemas, não parece boa política ficar a aguardar que resolva os nossos. Faltam pouco mais de três meses para as autárquicas...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

SITUAÇÃO POLITICA PREOCUPANTE

Enquanto aqui na ponta do velho continente andamos todos entretidos com as férias, o calor...e as próximas eleições, por essa Europa fora os dirigentes sentem-se obrigados a agir. Depressa e bem. Para que possam ter uma pálida ideia de quão preocupante é a actual situação, passamos a mencionar alguns factos, que a comunicação social portuguesa, ocupada com o futebol como habitualmente, passou sob silêncio.
Pela primeira vez desde 1875, o presidente Sarkozy, da França, solicitou a reunião conjunta, em Versalhes, do Congresso da República (Senado + Assembleia Nacional) para fazer uma importante comunicação ao país, através dos seus representantes legítimos. Seria descabido reproduzir aqui todo o discurso, pelo que nos limitaremos a algumas curtas citações. "É do nosso país e do futuro que em conjunto podemos construir que venho falar-vos. A crise ainda não acabou. Nem sabemos quando acabará. Temos a obrigação de fazer o possível para que seja o mais depressa possível... Direi mais. Considerar a crise como um simples parêntesis que em breve será fechado, agir como se tudo devesse recomeçar como anteriormente, como se pudéssemos voltar a pensar como antes, a comportar-se como antes, com os mesmos critérios e os mesmos métodos, seria um erro fatal. Nada voltará a ser como antes. Uma crise de tamanha amplitude exige, para ser ultrapassada, outros remédios... É chegado o momento de pôr em causa os fundamentos de uma política que nos cercou de contradições cada vez menos sustentáveis... Não podemos assistir a uma catástrofe desta importância sem questionar as ideias, os valores e as decisões que conduziram a este resultado..." (O negrito é nosso)
Sarkozy é um presidente da chamada direita civilizada ou aberta, que até ousou nomear vários ministros socialistas, apesar de dispôr de maioria absoluta na Assembleia. Ainda assim, manifestou frontalmente a sua opinião e apontou caminhos. Enquanto isto, que vemos nós aqui em Portugal? Cavaco vai debitando uma frases sibilinas, enquanto Sócrates vai simulando uma recente humildade, que é de bom tom evidenciar. Até o mesmo Sarkozy não se esqueceu de recorrer a esse aspecto: "É um momento importante. Abordo-o com gravidade e com humildade, pois a situação que vivemos é sem precedente."
Nas margens nabantinas, a situação é ainda mais bicuda. A opinião publicada é unânime em considerar que a maioria PSD, detentora do poder autárquico, não tem nem nunca teve qualquer programa, o que é extremamente grave, pois sem itinerário previamente definido, ninguém consegue saber para onde vamos. Se é que vamos. Porém, quando questionadas sobre o programa ou projecto que tencionam apresentar aos eleitores, as diferentes forças partidárias locais reagem cada uma à sua maneira, mas todas ao ataque. O PSD garante que a seu tempo se verá. Os IpT remetem para uma listagem de intenções elaborada há quatro anos. Muito antes da crise, portanto. Dessa listagem consta, designadamente, a construção de um teleférico entre o Hotel dos Templários e o Castelo... Pela banda do PS, o grupo político que mais publicita aquilo que faz, insistem nas propostas e declarações apresentadas durante o actual mandado, num plano estratégico de 1997 e numa agenda para o concelho de 2004/5. CDU e BE terão igualmente projectos, que todavia nunca publicaram, pelo menos que saibamos. Finalmente, os novos independentes conservadores ainda estão a começar, pelo que nos resta aguardar.
Com este panorama, conquanto não queiramos ser aves agoirentas, somos forçados a perguntar -Nas próximas autárquicas vamos votar em quê? Em pessoas? Em programas que são verdadeiras antiguidades? Em boas intenções? E onde estão as propostas que cada força entende serem as melhores para ultrapassar a actual crise no concelho? Continuam a pensar que os eleitores são como os asnos, que comem a palha que lhes deitam? Cuidado com as abstenções, os votos brancos e nulos!

CADA VEZ MAIS MAIS PALPITANTE

António Rebelo

Ora aí está! A situação política local continua a aquecer! E de que maneira! Isabel Miliciano apresentou a sua demissão do PSD. E os argumentos que alinhou são indesmentíveis e de peso. Em pouco tempo, é a terceira baixa nos sociais-democratas, após José Delgado e Graça Costa, podendo muito bem acontecer que a hemorragia não fique por aí.
Com a nova lista de independentes, ao que consta a ser apadrinhada por uma daquelas pequenas formações, como meio de evitar a sempre complicada recolha de assinaturas, Miguel Relvas tem agora uma tarefa bem complicada -a de procurar obter votos à esquerda, uma vez que a candidatura de Jorge Ferreira, pelos independentes conservadores, lhe irá roubar certamente uma larga franja da direita. Como, no PS, Luís Ferreira também anda bastante nervoso, pois haverá uma sondagem mostrando resultados nada encorajadores (fala-se até na possibilidade de não elegerem qualquer vereador), irá certamente tentar captar votos à direita, até por causa do BE, da CDU e dos IpT. A questão da não-eleição de Vitorino, de acordo com uma sondagem feita há meses, cujos resultados terão estado na origem da prematura afixação de cartazes com o candidato, até pode ser apenas um boato mal intencionado. O importante, porém, é que circula por aí, com muita gente a acreditar nele. O que é significativo...
Com Relvas, Ferreira e Marques em muito maus lençóis, mesmo que por motivos não totalmente coincidentes, os tomarenses vão finalmente ter a oportunidade de ficar a saber quem é realmente político e quem não passa de um simples brincalhão. Os bons políticos sabem, instintivamente, com dizia Mendès-France, que "a política é a arte do possível, toda feita de execução, pois o que conta são os resultados." Assim sendo, qualquer dos três responsáveis citados deverá andar por aí a interrogar-se como Lénine -"Que fazer?" É simples, meus senhores, penso eu de que! Para Relvas a política de Sarkozy, que tem vários ministros socialistas e agora até nomeou ministro da cultura o sobrinho do antigo presidente Mitterrand, socialista não filiado no PS. Para Ferreira, a política de Zapatero, que foi buscar alguns dissidentes do PSOE e nomeou alguns secretários de estado próximos do PP de Rajoy. Para Pedro Marques confesso que não estou a ver nada. Para os três, o conselho de que nunca devem esquecer a velha máxima -Se não os consegues vencer, junta-te a eles! E boa sorte a todos!

TURISMO, ASNEIRAS E TRIVIALIDADES


António Rebelo
Como provavelmente alguns outros cidadãos telespectadores, aguardei com expectativa favorável o recente programa da RTP 1 Prós e Contras. Afinal não é todos os dias que temos a possibilidade de seguir um programa intitulado, desta vez, Portugal - Um novo turismo, com cerca de três horas de duração. O local escolhido -as minas de sal-gema de Loulé- pareceu-me algo insólito, mas ainda assim aguardei sem sobressaltos. Erro meu. Logo a apresentação, com as costumeiras vistas aéreas e os comentários ditirâmbicos, deu o tom do que iria seguir-se.
Num programa com tamanha duração, o normal seria que estivessem presentes convidados de todos os sectores integrantes do tema em discussão. Pois não senhor. Apenas o ministro da economia, o secretário de estado do turismo, meia dúzia de hoteleiros, três ou quatro donos de restaurantes, um cozinheiro, o director do Centro nacional de formação hoteleira e três ou quatro presidentes de câmara. Todo especialistas altamente qualificados em turísmo, como se calcula. Havia também o presidente da Academia Internacional de Gastronomia, um espanhol, e o presidente da Organização Mundial de Turismo, um francês. Economistas, sociólogos, geógrafos, agentes de viagens, operadores, acompanhantes, transportistas, guias, certamente só teriam vindo empatar. Por isso não estava lá nenhum.
Da longa série de intervenções, recheadas de trivialidades, destaque para a alusão ao "turismo de qualidade", o que mais nos convém, de acordo com todos os intervenientes nacionais. Que nem sequer tiveram receio de contradições quando falaram. Foi assim que alguns defenderam em simultâneo o turismo de qualidade e as companhias low-cost. Teremos assim, segundo afirmaram, turistas de alta qualidade a viajar em companhias de baixa qualidade. Original, se excluirmos o caso recente da raínha Sofia de Espanha que, numa emergência, utilizou um voo low-cost para Londres, onde foi visitar o irmão, internado num hospital. Segundo declarou depois, como era o único voo com lugares disponíveis, nem hesitou. A realeza sempre foi e continua a ser outra coisa...
Mais habituado a estas andanças, o tal espanhol lá foi dizendo, em castelhano pois claro, que Portugal é um país encantador mas muito periférico e com um grave problema de comunicação. Contrariando a legislação em vigor, não houve legendas, nem tradução simultânea. E julgo até que ninguém terá percebido muito bem onde o nuestro hermano queria chegar com aquela do problema de comunicação...
Seguiu-se um adorável entremez com o engenheiro da mina, acompanhado por uma dúzia de mineiros, todos em fato-macaco e capacete. Muito turístico, como se calcula. Tal como a escolha do local. O mina de sal faz logo lembrar a comida geralmente salgada dos restaurantes (para "puxar à pinga") e as facturas por vezes igualmente bem salgadas. Tudo muito agradável. Adiante... Tivemos igualmente direito à preparação de uma sobremessa de figo recheado com sorvete de sumo de laranja, feito ali mesmo pelo chefe cozinheiro Avillez. Afinal os nomes ainda são o que sempre foram.
Perdido no meio dos restantes convidados, que pelos vistos vieram unicamente para "mobilar o cenário", o tal francês que preside à Organização Mundial de Turismo, seguiu tudo mas nunca usou da palavra, pois não havia tradução simultânea. Apenas fora entrevistado à tarde, durante cerca de 5 minutos, no quarto do hotel... e em inglês, como convinha. Apesar da escassez de perguntas, lá foi dizendo que o turismo representa em Portugal cerca de 6% do PIB e 17% do emprego, mostrando assim conhecer dados que os intervenientes portugueses, incluindo a apresentadora, se "esqueceram" de divulgar.
Salvo melhor opinião, parece-me que, após mais de três horas a olhar para o ar e a ouvir falar numa língua que não entende minimamente, o senhor gaulês irá fazer-nos uma excelente promoção no seio e junto de todos os membros da organização a que preside. Dirá até, provavelmente, que não têm tradutores profissionais, nem falam francês ou espanhol, mas sabem entrevistar em inglês, desde que seja coisa sucinta, para não cansar muito.
Quem também levará certamente um óptima impressão de Tomar, bem como desejos de cá voltar quanto antes, são os campistas que cheguem pela estrada de Coimbra. Encorajados pela sinalética existenteno cruzamento com o IC3 (ver fotos), depois de várias voltas para nada, concluirão certamente que os nabantinos são uns brincalhões, desde há pelo menos 5 anos para cá. E depois queixam-se que cada vez há menos turistas nos restaurantes e alhures. Com semelhante acolhimento...
Razão tem o convidado espanhol, certamente homem muito e bem vivido. Os portugueses são muito periféricos e têm um problema de comunicação. Que é como quem diz, de forma educada, "São periféricos em tudo. Até no comportamento e na comunicação." Haja Deus!

terça-feira, 23 de junho de 2009

CUIDADO ! A CRISE CONTINUA...

Reina grande e pouco habitual animação nalguns círculos da urbe. Tudo indica que seja provocada pela aproximação das eleições autárquicas e pelas respectivas listas de candidatos. A julgar pela abundância de pretendentes, dir-se-ia que a autarquia nada na abundância. E no entanto... a crise continua! Pareceu-nos por isso oportuno citar alguns textos especializados, pois sendo certo que "com o mal dos outros podemos nós muito bem", não é menos verdade que "quando vires as barbas do vizinho a arder, trata mas é de pôr as tuas de molho".
Na sua habitual crónica, Martin Wolf, editorialista do Financial Times, conclui assim a peça de ontem: "Em 2008, a economia mundial entrou em recessão. A resposta política foi de uma amplitude sem precedentes. Mas aqueles que pensam que estamos no início de uma sólida retoma, impulsionada pelo sector privado, estão quase de certeza a ser vítimas de uma ilusão. O caminho para uma retoma durável será provavelmente longo, difícil e incerto."
Sigifica isto que, logo a seguir às eleições, devemos estar preparados para mais sacrifícios. Qualquer que venha a ser o partido vencedor das legislativas, das autárquicas, ou de ambas. Porque algum dia alguém terá de começar a pagar o rosário de asneiras cometidas ao longo dos anos. De momento, que nos sirva de incentivo para alguma boa disposição o facto de não estarmos entre os piores da Europa, como mostra o texto seguinte. Sinal de que o governo que temos, não sendo muito bom nem isento de erros, afinal também não tem governado assim tão mal. Basta comparar. Ora façam o favor de ler com atenção.
Nota prévia: A Letónia faz parte da União Europeia, mas não integra a zona euro. É uma das três repúblicas bálticas, que anteriormente fizeram parte da ex-União Soviética, ou URSS. A população de cada uma delas é inferior a 5 milhões de habitantes.
"Na Letónia multiplicam-se os protestos contra as medidas de austeridade. As pensões de reforma foram amputadas de 10%, o salário mínimo de 20%, e os vencimentos dos professores de 50%. O desemprego está nos 17,4% e o PIB deverá recuar de 18% em 2009."
"Mais de 5 mil pessoas desfilaram no passado dia 18 em Riga para manifestar contra as medidas de austeridade que se vão acumulando para tentar estancar uma crise de uma amplitude extraordinária. Os sectores da saúde e da educação são os mais atingidos. Quarta-feira passada, o ministro da saúde apresentou a sua demissão, após ter constatado que o estado já não consegue assegurar os cuidados médicos à maior parte da população. "Como médico, não posso aceitar uma coisa dessas", declarou.
A situação no país é cada vez mais tensa, após o voto pelo parlamento, a 16 de Junho, de um novo plano de austeridade, o qual prevê uma redução orçamental de 500 milhões de lats (718 milhões de euros), equivalentes a 10% do orçamento. "O país foi salvo da bancarrota", declarou o primeiro-ministro no dia seguinte. Mas a que preço e por quanto tempo? O salário mínimo foi reduzido em 20%, passando a ser de 140 lats (200 euros).
Para poder obter a ajuda do FMI e da Comissão Europeia, cuja próxima entrega de 1,2 biliões de euros deverá ocorrer em meados de Julho, o governo acedeu a amputar as pensões de reforma de 10% , apesar de se ter antes comprometido a não o fazer. Este gesto do governo foi visto pela generalidade da população com algo de desesperado.
A partir de 1 de Setembro, os vencimentos dos professores serão reduzidos em 50%. Em Março passado, recorde-se, a ministra da educação tinha-nos declarado que esperava que os professores mais velhos se reformassem. "As reformas não são muito altas, disse-nos, mas no campo podem ter uma horta e desenrascar-se."
Nestes últimos tempos, algumas comunas (juntas de freguesia) começaram a tomar medidas que parecem de outro século. Distribuem lotes de terreno cultivável aos desempregados, para que possam plantar legumes e fazer conservas antes do próximo inverno.
O aumento do desemprego, que já atinge os 17,4%, adicionado à redução dos salários, torna a economia cada vez mais frágil, prevendo-se para este ano uma contracção do PIB da ordem dos 18%.
Perante os rumores de uma desvalorização da moeda, lançados sobretudo a partir do estrangeiro, o governo optou pela desvalorização interna. Redução de salários, redução da despesa pública e das pensões de reforma. O responsável local do FMI declarou em Estocolmo estar convencido de que a desvalorização da moeda não seria uma boa solução. Com efeito, acrescentou, perderia muito do seu interesse, pois os países susceptíveis de importar os produtos letões tornados assim mais baratos, estão eles próprios com graves dificuldades de liquidez.
Cerca de 20% dos letões obtiveram empréstimos em euros, pelo que seriam fortemente penalizados no caso de uma desvalorização, o que colocaria os bancos suecos, grandes credores da região, em apuros. Do outro lado do Báltico, na Suécia, os banqueiros, essencialmente Sewdbank e SEB, continuam extremamente nervosos. De acordo com os testes de solidez financeira, no caso de uma deterioração da conjuntura, divulgados em 10 de Junho pela Inspecção Sueca das Finanças, os bancos citados deverão poder resistir a perdas importantes nos países bálticos, da ordem dos 15%, desde que as perdas na Suécia não ultrapassem 1,5%. As perdas dos bancos suecos nos países bálticos e na Ucrânia poderão atingir 200 biliões de coroas suecas (18,5 biliões de euros) entre 2009 e 2011.
A onde de choque atinge igualmente os outros dois países bálticos, Estónia e Lituânia, ambos a braços com crises graves. A situação degradou-se muito na Lituânia, cujo ministro das finanças anunciou, quarta-feira passada, que o PIB poderá contraír-se em 18,2% este ano. O IVA vai ser aumentado de 2% e os vencimentos da função pública reduzidos em 9,5%. Ao lado, a Estónia, com uma prevista contracção do PIB de 12% em 2009, adopta igualmente gravosas medidas de austeridade."

Olivier Truc, Le Monde 23/06/09, pág. 14 -Tradução e adaptação de António Rebelo

TAXIS AÉREOS EM TOMAR ???

Conforme mostra a fotografia, obtida alí ao fundo da Rua de Pedro Dias, é provável que Tomar passe a dispôr em breve de um serviço urbano de taxis aéreos. Pele menos a sinalização já começou a ser instalada. Deve ser a tal remodelação sinalética a que se referiu recentemente Corvêlo de Sousa. Ou será apenas uma experiência, visando captar melhor a atenção daqueles condutores que andam quase sempre com a cabeça no ar?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

DOIS CASOS, MESMA CAUSA

António Rebelo
À hora a que inicio este texto deverão estar reunidos os militantes e eleitos do PSD/Tomar com o deputado e presidente da Assembleia Municipal Miguel Relvas. Prevê-se uma reunião agitada. Por outro lado, soube também hoje que estão em curso, ou previstas, diversas obras no Convento de Cristo.Aparentemente sem qualquer nexo, os dois factos têm uma causa comum, conforme vou tentar demonstrar.
Fontes geralmente bem informadas, garantiram-me que reina alguma agitação nas hostes do PSD local. A causa próxima de tal discórdia parece ser a atribuição de lugares elegíveis na lista para o executivo autárquico. Filiados contra independentes, mais novos contra mais velhos, competentes contra menos competentes, há disto tudo, segundo me foi asseverado. Agravado pelo facto mais importante para todos -a cada vez menos evidente vitória social-democrata em Tomar, devido a várias causas, entre as quais o natural desgaste do grupo instalado, a fuga de militantes conhecidos (Graça Costa, Isabel Miliciano, por exemplo) e o aparecimento de pelo menos mais uma lista à direita do PSD.
Militantes queixam-se da nítida falta de "pulso" e de carísma do actual presidente, enquanto que adeptos deste como cabeça de lista apontam a nítida falta de lastro cultural, de capacidade administrativa e de competência em determinadas áreas, dos restantes pretendentes que são filiados. Fazem notar que se o partido tivesse valores à altura não teria ido procurar independentes, como António Paiva, Corvêlo de Sousa ou Rosário Simões. Sentindo-se atingidos, os visados respondem que primeiro estão os filiados/militantes, e só depois os independentes.
No fundo, ao que tudo indica, a questão radica num conhecido comportamento muito português e muito tomarense. Cada qual acha-se muito competente para qualquer lugar, desde que o respectivo vencimento seja convidativo. Mesmo que a realidade quotidiana mostre, desde há muito tempo, exactamente o contrário...
O outro facto relevante -as obras em curso, ou previstas, no Convento de Cristo- mostra algo que não bate certo. Ainda recentemente o IGESPAR, aquando do lançamento público da ligação entre a cidade e o convento, se lastimou da falta de verbas, pelo que teria de ser o município a assumir a liderança e a maior parte dos custos das obras previstas na Mata dos Sete Montes. Pois agora, pouco tempo após essas declarações, decorrem obras importantes naquele monumento, estando previstas várias outras. Estranho, muito estranho...
As obras que nos foram mencionadas podem ser divididas em dois grandes grupos: as de conservação e restauro, por um lado, as de requalificação por outro. Quanto àquelas, nada a apontar. Cuidar dos telhados, por exemplo, é uma tarefa indiscutivelmente útil. Já quanto às outras, a música é diferente.
Como é do conhecimento geral, aquele monumento Património da Humanidade tem, desde há relativamente pouco tempo, um acesso vergonhoso para os visitantes, uma gestão de recursos humanos inclassificável, falta de segurança, ausência de visitas guiadas, excesso de pessoal mas falta de trabalhadores, uma saída quase tão má como a actual entrada. Perante tudo isto, a autarquia local, que fica a menos de 200 metros em linha recta, vem mantendo um prudente silêncio. O que se compreende, pois mesmo com mais responsabilidades as remunerações mensais seriam as mesmas. Seja. Mas fará algum sentido, em pleno século XXI, que um monumento classificado e de primeira importância, seja gerido a partir da capital, que fica a mais de 100 quilómetros, quando a autarquia, legal representante da população local, fica praticamente ao lado?
Neste momento, por exemplo, a autarquia vai melhorar o acesso ao Convento através da Mata, aproveitando para ligar à rede o esgoto conventual que actualmente escorre para a antiga cerca. Pois é nesta mesma ocasião que o IGESPAR decide reabilitar as instalações sanitárias do jardim do Castelo, aí mandando construir uma pequena ETAR, uma fossa e um despejo final para o laranjal... a pouco mais de 50 metros do futuro colector que a autarquia vai instalar. Estará isto certo? Não seria muito melhor e mais barato articular as diferentes iniciativas, pagas com o dinheiro dos contribuintes?
Pior ainda, se tal é possível, o IGESPAR já mandou ou vai mandar modernizar algumas casas de banho conventuais, em locais nitidamente fora de mão para os visitantes. Na verdade, salta aos olhos de quem perceba alguma coisinha de turismo e de visitas guiadas, que o actual modelo particado no convento tem os dias contados desde há muito. Mais tarde ou mais cedo, terá de haver coragem para cortar a direito e virar do avesso tudo aquilo. Começando por arranjar uma entrada digna, instalações adequadas de nível europeu para a recepção aos visitantes, visitas guiadas em novos circuitos internos a definir, como única forma de visita, até por razões de segurança. Pois bem, quando tudo isto for feito, se for bem feito, as actuais obras nas casas de banho e outras modernizações apenas terão servido para dar trabalho a fazer a algumas empresas da zona. O que, não sendo de desprezar, é todavia largamente insuficiente como justificação.
No fundo, estamos mais uma vez perante o tal problema muito português e muito tomarense. Todos se julgam muito competentes nos lugares que deviam desempenhar, apesar de a realidade ir mostrando exactamente o oposto. E não adianta tentar atirar poeira para os olhos dos mais incautos, com animações de circunstância, só para impressionar os chefes. Tal como também já não resulta continuar a argumentar em estilo exclusivamente opinativo. Naturalmente que a opinião é livre mas os factos são teimosos e nada discretos. Se nunca estudaram nem praticaram nessa área, onde raio foram adquirir tais competências? Por inspiração do Espírito Santo?

FORÇA COMPANHEIROS DE CAMPANHA !

Graças ao internauta Caiano Silvestre, ex-seguidor de Tomar a dianteira, mas que continua a honrar-nos com a sua participação, tomámos conhecimento da aparição do nóvel movimento independente acima ilustrado. Naturalmente, desejamos aos nossos novos companheiros na campanha política em prol de Tomar todas as felicidades deste mundo, já que do outro praticamente nada sabemos. Ficamos a aguardar algo mais explícito em termos de grandes opções programáticas da nova formação. Para já, uma vez que a comunidade local é implacável e extremamente intolerante nestas (e noutras...) coisas, para se irem habituando, tenham a bondade de proceder a duas pequenas correcções, ambas sem qualquer importância, é certo, mas em política são sobretudo os detalhes que contam. Uma é de ordem ortográfica: ÓRGÃOS leva um acentozito agudo no primeiro O, para poder ser um palavra paroxítona, como realmente é. Sem acento passaria a ser oxítona. Minudências da língua pátria...
A outra tem a ver com interpretação. Diz o texto que "Não nos candidataremos em representação de interesses partidários, económicos ou de qualquer outra natureza." Entendendo o que se pretende, não podemos deixar de referir que tal afirmação carece de alguma precisão, pois supomos que se vão candidatar para representarem determinados interesses ideológicos e outros em prol de Tomar. Ou não será assim?
Seja como for, reiteramos os votos de felicidades e aproveitamos par informar que podem contar com a nossa colaboração desinteressada, sempre que se trate de defender ou ajudar a comunidade tomarense.

Tomaradianteira.blogspot.com

AVISO AOS INCAUTOS E DISTRAÍDOS

Foto Nouvelobs
Cuidado! Muito cuidado! Todos de joelhos e virados para a Meca! Todos a urinar na mesma direcção! Cuidado com as mulheres, bichos diabólicos! Todas de lenço na cabeça! Todas de cara tapada! Todas de saias até aos pés! Quem não pensar assim não é bom iraniano! Big brother is watching you!

MIRAGEM OU EXCEPÇÃO?

Já na fase final do seu mandato na câmara, pouco antes de ir para Coimbra, o anterior presidente proclamou: -Dizem mal de mim, mas se não fosse eu o problema do saneamento ainda não estava resolvido. Agora ao menos já não há esgotos domésticos a correr para o rio. Tinha razão na generalidade o ex-presidente Paiva. Já na especialidade aparece aqui na foto um pequeno problema. Aquela saída de esgoto do lado esquerdo é a excepção que confirma a regra? Ou trata-se simplesmente de uma miragem? A fotografia foi tirada no passado sábado, dia 20 de Junho, durante uma das avarias do novo açude insuflável.
Irra! que estes tomarenses são mesmo mesquinhos e picuínhas. É que não deixam passar mesmo nada. É só intolerância!

domingo, 21 de junho de 2009

PARLAMENTO EUROPEU: QUE RICOS VENCIMENTOS

Acabadas as eleições para o Parlamento Europeu, um dia destes os nossos representantes irão tomar posse a Estrasburgo (França), ou a Bruxelas (Bélgica). Em tal contexto, pareceu-nos útil publicar dois textos jornalísticos originalmente em francês. Um sobre os vencimentos e regalias dos eurodeputados. Outro sobre as ajudas previstas para os comissários europeus, uma vez terminadas as suas...comissões de serviço. Além de facultarem elementos precisos, os dois citados textos permitem igualmente comparar o estilo francês nos principais "newsmagazines" com aquilo a que estamos habituados em Portugal.
"Quem foi que disse que o mandato de deputado europeu era uma punição? Os 72 franceses eleitos no passado dia 7 não terão nada a invejar aos seus homólogos da Assembleia Nacional. Ganharão sensivelmente a mesma coisa, apesar da adopção do novo sistema de indemnização única para os 736 eurodeputados: 7.600 euros mensais, antes de descontos, para todos. "5.900 euros líquidos não são nada demais para um trabalho extenuante...se for bem feito", admite o economista Gérard Onesta, vice-presidente do parlamento, agora em fim de mandato. Melhor ainda. De acordo com o novo estatuto, os descontos para a reforma serão pagos a 100% pelo orçamento europeu. E mesmo os "rendimentos anexos", susceptíveis de arredondar os fins de mês, serão mantidos, apesar do odor de escândalo que os acompanha.
Dito isto, os parlamentares decidiram apesar de tudo apertar um pouco o cinto para o novo mandato. As "despesas de deslocação" foram corrigidas para baixo. Até agora reembolsadas de acordo com a tarifa da classe executiva, as viagens entre o domicílio da cada um e as capitais europeias passarão a ser reembolsadas perante os justificativos apresentados. "Euro a euro", com se diz em Bruxelas. Um sério rombo para os adeptos das companhias low-cost, que aproveitavam a diferença -até 1.000 euros para Bruxelas-Roma- para conseguirem algum dinheiro de bolso. "Os deputados dos países acabados de entrar, que ganham uma miséria, desenrascam-se com os subsídios para viverem correctamente em Estrasburgo ou em Bruxelas", diz o socialista de saída Michel Teychenné. Outro pomo de discórdia é o "envelope" para o recrutamento de assistentes e secretárias(os): 17.500 euros mensais. "Entre os trafulhas que contratam só estagiários precários, e os que empregam toda a família, se decidisse escrever tudo aquilo que sei, dava para dissolver o parlamento quatro vezes", diz divertido Gérard Onesta, encarregado pela presidência de limpar as "zonas cinzentas". As regras de transparência são doravante obrigatórias: contratos de trabalho, publicação dos nomes dos colaboradores, proibição de empregar a família.
Quanto às "despesas gerais", não foram ainda "barbeadas". Os deputados vão continuar a receber 4.000 euros mensais, para telefones, computadores, permanência eleitoral no círculo onde foram eleitos, sem necessidade de qualquer documento justificativo. Uma vantagem para quem acumula mandatos. "Os presidentes de câmara e os dos conselhos gerais usam frequentemente os seus escritórios como permanências eleitorais", constata a socialista Catherine Guy-Quint.
Último abcesso de fixação: as senhas de presença, objecto de todos os fantasmas. Cada eurodeputado beneficia de 298 euros diários, para o hotel, o restaurante e os taxis. O problema é que alguns só aparecem em Estrasburgo ou Bruxelas para assinar o registo de presenças e embolsar a célebre senha, desaparecendo logo a seguir para irem tratar da sua vida. Habilidades difíceis de controlar. "Como em qualquer outro lado, há ovelhas ranhosas, admite Gérard Onesta. Mas a grande maioria dos parlamentares cumpre bem as suas obrigações."
EVE ROUGER
Paraquedas dourado: 420.319 euros
Tal é o montante dos subsídios de "mudança e transição" que vai receber o comissário europeu Jacques Barrot, caso abandone a Comissão Europeia em outubro próximo. Este "paraquedas dourado", oferecido a todos os comissários (464.033 euros para o presidente Barroso), tem por fim "assegurar o mesmo nível de vida nos três anos a seguir ao fin do mandato", explicou-nos Pierre Du Cray, membro da Associação Proteger as reformas e autor de um estudo sobre "as reformas de nababos dos altos funcionários europeus".
Além da indemnização já referida, Jacques Barrot, de 72 anos, tem direito a uma pensão de aposentação vitalícia de 4.728 euros mensais, sem nunca ter efectuados os respectivos descontos.
Thomas Loubière
Tradução e adaptação de António Rebelo
Nota do tradutor: Perceberam agora, porque razão mesmo os partidos que foram contra a adesão e/ou são anti-europeus, apresentam candidatos e fazem campanha com grande entusiasmo?
É que realmenten não há nada com o trabalho desinteressado a favor das grandes causas! Como a união da Europa, por exemplo. Essa é que é essa!

O MANIFESTO DOS 28 E TOMAR

António Rebelo
Uma plêiade de cidadãos preocupados, mas precisamente 28 grandes cérebros, dos melhores do país, acaba de publicar nos jornais um manifesto de página inteira. Nele instigam o governo a parar para pensar, no que concerne às grandes obras já anunciadas. Tratando-se de antigos ministros das finanças do PS, de antigos governadores do Banco de Portugal e de antigos ministros do PSD, a verdadeira nata da inteligência portuguesa na área económica, o documento que subscreveram, e cuja publicação pagaram, é o maior "soco no estômago" jamais dado entre nós a um primeiro-ministro em exercício, dispondo de maioria na Assembleia da República.
Se as recentes eleições europeias vieram mostrar que a pretendida maioria absoluta do PS passou a ser do domínio do sonho, este manifesto vai bem mais longe. Não sendo essa a sua explícita intenção, coloca no entanto em risco a própria vitória socialista nas próximas legislativas, mesmo com maioria relativa. As opiniões dos insuspeitos Vasco Pulido Valente e António Barreto, no PÚBLICO de hoje, são claras. Este último, antigo ministro de Mário Soares e sociólogo de renome internacional, formado em Genebra, põe o dedo na ferida.
Infelizmente, escreve ele, inverteram-se as coisas. Em vez de se fazerem estudos aprofundados para encontrar as melhores opções em cada caso, paga-se a consultores especializados para argumentarem favoravelmente as opções já tomadas pelos políticos, de forma a torná-las aceitáveis .
Aqui em Tomar, uma pequena comunidade, não há, é claro, recursos humanos em quantidade ou qualidade para elaborar e publicar um documento semelhante. É pena, porque faz muita falta. Quem abservar atentamente as agora execradas obras de António Paiva, não terá qualquer dificuldade em concluir que, salvo muito raras excepções, se trata de coisas supérfluas, de oportunidade, qualidade e beleza muito duvidosas. São o resultado da técnica agora denunciada por António Barreto, no caso do governo. O então presidente da câmara de Tomar entendeu que as coisas seriam de determinada maneira e encarregou um gabinete especializado de tornar tecnicamente credível a sua série de opções pessoais, sem qualquer consulta prévia.
O documento "Tomar 2015 - Uma nova agenda urbana", do CEDRU, nunca conseguiu nem consegue iludir ninguém minimamente ao corrente das questões urbanas. Trata-se de um documento mal alinhavado, do tipo corte e cola, num português algo aproximado, no qual se podem ler verdadeiras enormidades, às quais a crise veio dar um ar involutariamente cómico. Eis três exemplos: "Tomar é hoje uma cidade em afirmação, recuperando protagonismo social, cultural, económico e urbanístico, colocando-se numa posição privilegiada de cidade prestadora de serviços para uma vasta área do centro de Portugal." "No dealbar do século XXI, Tomar evidencia não só uma vitalidade patente em vários indicadores, como perspectivas para robustecer e diversificar a sua base económica, recuperando-a e actualizando as suas vocações históricas: cidade de serviços, pólo de inovação e de competitividade, cidade de cultura e de saber." "O crescente potencial da cidade reparte-se por vários domínios, emergindo de forma indelével como novo pilar de desenvolvimento a sua vocação turística, suportada num espaço urbano de excelência..." (o negrito é dos próprios autores do documento em questão)
Para além das naturais e saudáveis divergências partidárias, quem vive em Tomar não duvidará nem um segundo, estou convencido, da pertinência das afirmações reproduzidas, as quais integram, cabe recordar, um documento muito bem pago e que tem servido de projecto estratégico para uma maioria autárquica eleita sem apresentar qualquer programa. Seria por isso, julgo eu, uma ocasião em ouro para a oposição local elaborar um documento alternativo convincente e apresentar uma lista substantiva em termos políticos. Infelizmente, pelo andar da carripana, não me parece que seja esse o trilho escolhido. E é pena. Por um lado, porque corremos sérios riscos de continuar a navegar à bolina durante mais um mandato, situação trágica num mundo em crise profunda e duradoura. Por outro lado, porque caso o PS local pudesse mudar de atitude e de lista, uma vez conhecidos os resultados das próximas legislativas, estou certo de que não hesitaria. Mas será já demasiado tarde sob o ponto de vista legal. E as vítimas vamos ser nós todos, os habitantes da cidade e do concelho. Porque não é com cães de guarda que se podem ganham corridas de galgos. Ou será?

sábado, 20 de junho de 2009

A boa cozinha é que está a dar!|

Foto L'Express

Joël Robuchon, o senhor da fotografia, é francês e um dos grandes cozinheiros à escala mundial, a par com Ferran Adriá e Alain Ducasse, entre outros. Com 64 anos, dirige 16 restaurantes situados nas principais cidades do mundo. Todos de grande categoria. O Guia Michelin, a bíblia dos gastrónomos, atribuiu-lhe no total 25 estrelas, o que é verdadeiramente excepcional, pois o inspectores do dito guia concedem um máximo de três estrelas a cada um, não sendo nada fácil obtê-las. Basta dizer que em Portugal, o melhor que se conseguiu até agora foram duas estrelas.
E que temos nós a ver com tudo isso? Para além do tradicional "Tudo o que é humano me interessa", julgou-se oportuno falar de cozinha, aprendizagem, qualidade e património imaterial da humanidade. Com efeito, enquanto um semanário local noticiava esta semana a candidatura da Festa do Tabuleiros a Património Imaterial da UNESCO (ver o nosso post "Análise da imprensa local e regional"), o próximo "Prós e contras", da RTP1, segunda à noite, será sobre um novo turismo para Portugal, e vários professores lamentaram-se recentemente, por causa dos exames nacionais serem demasiado facilitistas. Tudo razões quanto a nós mais do que suficientes para transcrever alguns excertos da recente entrevista do senhor Robuchon (JR) ao L'EXPRESS (EX)
EX -" Quem consigo convive ou trabalha actualmente, descreve-o como surpreendentemente descontraído. Admite que em tempos foi bastante exigente com os seus colaboradores? JR - Comecei a minha aprendizagem a lavar loiça e a descascar legumes no seminário menor de Mauléon-sur-Sèvre. Quando fui para o Liceu Hoteleiro de Paris tive um mestre que era absolutamente contra qualquer nódoa no avental. Tudo isto me ensinou a ser rigoroso. Por isso fui durante muito tempo intransigente, por vezes até, reconheço-o, com alguns excessos e fúrias. Apesar disso, a maior parte dos cozinheiros que trabalham agora comigo, têm mais de 25 anos de casa. E acontece que, em Janeiro passado, respondi a mais de 1.500 mensagens de boas-festas, entre as quais muitas de cozinheiros que ajudei a formar. Como vê, não se poderá dizer que tenham ficado traumatizados. Recebo até, algumas vezes, pedidos de antigos empregados que se despediram e me solicitam agora que aceite receber os seus aprendizes mais dotados, para estágios. EX - O que pensa sobre a ideia do presidente Sarkozy de conseguir inscrever a cozinha francesa na lista do Património Mundial Imaterial da UNESCO? JR - Julgo que tem por base uma boa intenção, mas o presidente da república foi mal aconselhado. Não consigo entender qual o interesse de semelhante inicitiva. Proteger os seus recursos alimentares, as suas técnicas, os diversos "savoir-faire", a França sempre soube proceder com uma verdadeira consciência da sua identidade. Assim, para que poderá servir a classificação global da cozinha francesa? Estará tão ameaçada que tenha necessidade de um monumento para a celebrar? Viajo muito pelo mundo, como sabe, e posso dizer-lhe que o nosso país, nesse caso, fica mais uma vez, aos olhos dos estrangeiros, com um ar arrogante!"
Tradução e adaptação de A. R. (Para os francófonos, entrevista integral em http://www.lexpress.fr/ )

ESTALAGEM DE SANTA IRIA: OS FACTOS


Na sequência do repto à oposição e aos jornalistas locais, aqui lançado em Março, foram endereçados ao presidente da câmara vários requerimentos, todos solicitando, ao abrigo do direito à informação, agora felizmente contemplado na legislação de forma adequada, a consulta de determinados processos. Um deles é o referente à Estalagem de Santa Iria, propriedade do Município, cuja situação nunca foi bem conhecida pelos tomarenses. Recorde-se que, já lá vão mais de vinte anos, aquando da mudança de concessionário, desapareceu sem deixar rasto todo o recheio daquele estabelecimento hoteleiro (móveis, roupas, talheres, quadros...), incluindo um piano que, como se sabe, é uma coisa pequena e leve, que se transporta com facilidade e sem dar nas vistas. Pois mesmo assim, ainda hoje "ninguém viu nem sabe de nada". Coisas.
Graças à boa vontade do sr. presidente da câmara, tivemos acesso livre ao processo em questão, do qual retirámos os elementos que a seguir publicamos, bem como outros que ficam a aguardar eventual ocasião mais propícia para a conveniência de todos os envolvidos.
A actual gerência da estalagem, Pensão Quádrio e Coelho, Lda. assinou com a autarquia um contrato de concessão, em Junho de 1991 (Presidente Pedro Marques). Essa concessão era por 15 anos, eventualmente renovável por períodos sucessivos de 5 anos, mediante acordo tácito de ambas as partes. A renda inicialmente fixada era de 350 contos mensais, a qual, mercê das sucessivas actualizações legais, deveria andar agora à roda dos três mil euros mensais.
No seu mais puro estilo de actuação, tipo carga de cavalaria e depois logo se vê, António Paiva mandou executar obras no Mouchão, que implicaram o encerramento da ponte pedo-rodoviária durante alguns meses. Em consequência disso, a sociedade concessionária, que ao que parece não tinha sido ouvida previamente, queixou-se dos prejuízos daí advenientes e accionou judicialmente o município de Tomar, exigido ser ressarcida em cerca de 100 mil euros (tudo incluído).
Citada a comparecer e contestar a acção, a Câmara preferiu celebrar um acordo amigável, cujos termos foram passados ao papel por um conhecido e respeitado causídico local, que no entanto parece não ter lido detalhadamente o contrato inicial de concessão. O referido acordo foi votado por unanimidade dos presentes (6 autarcas) na reunião de 22 de Maio de 2007. Nele se estipula que Pensão Quádrio e Coelho Lda desiste da queixa contra o Município de Tomar e, em contrapartida, continua a explorar normalmente a estalagem até 30 de Setembro de 2009, sem pagamento de qualquer renda mensal. O Município deixou assim, com esta deliberação antes aceite por ambas as partes, de receber cerca de 84 mil euros em 28 meses. Mas não é tudo.
Segundo conseguimos apurar, há neste momento contactos, no sentido do eventual prolongamento, por mais um ano, da actual situação (com pagamento de rendas?), pois a actual maioria não se sentiria legitimada para desencadear um novo processo de concessão, a escassos meses do fim do mandato. Ao que nos foi dado perceber, é muito provável que em breve venha
a ser apresentada ao executivo uma proposta nesse sentido, para discussão e eventual aprovação. Informações recolhidas por outra fonte, permitem-nos avançar que a concessionária está muito interessada nessa solução, alegando que os tempos são de crise, pelo que ainda não conseguiu recuperar todos os prejuízos sofridos por culpa exclusiva da autarquia.
São estes os factos publicáveis. Em tempo oportuno voltaremos a abordar o assunto. Unicamente preocupados com a informação cabal e os interesses da comunidade tomarense, à qual pertencemos desde sempre e que não renegamos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

AO CONTERRÂNEO LUIS FERREIRA


UNIÃO OU TRAMBOLHÃO, EIS A OPÇÃO

Meu caro patrício:

Respondo-te por três razões. Antes de mais, porque tenho consideração por ti e pela tua acção política, apesar de, como é sabido, dela discordar em muitos aspectos. Depois, porque decidiste publicar aqui no blogue a tua posição, sinal de que lhe reconheces alguma importância. Finalmente, porque me ensinaram que qualquer mensagem bem intencionada merece resposta.

Começo por te assinalar uma pequena contradição. Dizes, logo a abrir, que "as listas que apresenta são maioritariamente constituídas por pessoas não filiadas". Porém, noutro passo, escreves que "Os partidos e todas as outras organizações fazem-se com os que estão, não com os que não estão." Afinal em ficamos? Apenas e só com os que estão? Ou igualmente com aqueles que se vão procurar para a circunstância, exactamente porque não estavam? Não seria melhor dizer, a ter que dizer algo, que se fazem com todos os cidadãos de boa vontade, o mesmo é dizer com todos os eleitores? Foi por pensar como tu escreveste, sem todavia o dizer, que o teu secretário-geral e nosso legítimo primeiro-ministro sofreu uma queda eleitoral que o deixou algo combalido. Ou estarei a ver mal?

Indo à questão das eventuais alianças locais, creio que a situação era extremamente previsível. Por um lado, os cidadãos mais versados nestas coisas da política, qualquer que seja a sua tendência, já perceberam que, ou se ganha, se governa e se alteram as coisas para melhor; ou não se consegue vencer e tem de se aceitar o papel de simples animador dos debates de circunstância, só para entreter o pagode, pois as decisões já foram tomadas alhures. Por outro lado, basta fazer uma conta de merceeiro para concluir que, segundo os resultados do passado dia 7, PS+BE+CDU valem, em Tomar, uns apetecíveis 44,5%, que o mesmo é dizer a maioria absoluta no executivo. No mínimo. Assim sendo, parece-te estranho ou mal intencionado o desejo de união de esquerda pré-eleitoral, naturalmente na base de um programa consequente?

Convém ter presente que, desta vez, vamos ter pelo menos o BE, a CDU (eventualmente coligados), o PS, os IpT, o PSD e os Independentes Conservadores, ao que acabo de saber com Isabel Miliciano para o executivo e Jorge Ferreira para a Assembleia. É muita lista para tão poucos eleitores.

Bem sei que ficaste escaldado em 2005, e que gato escaldado de água fria tem medo. Mas olha que já a Dª Filipa de Vilhena (lembras-te?) proclamava que "mais vale morrer reinando do que viver servindo!" Que te parece? No teu lugar, convidaria para uma amena conversa de conjunto o Bruno Graça, o Carlos Trincão, o João Simões e mais quem tu entenderes. Fica tranquilo que eles já saberão ao que vão e nenhum deles é filiado na força que, no entanto, representa ou já representou. Não te parece que este aspecto poderá facilitar muita coisa?

Há, como é óbvio, uma situação por ti criada, que prefiro abordar sob a forma alegórica. Supõe que o seleccionador nacional apresentava uma equipa provável com Deco na baliza, Ronaldo a defesa direito e Ricardo Carvalho a ponta de lança. Com é lógico, os adeptos mais ferrenhos começariam a barafustar, a deixar de acreditar e a dizer que era melhor chamar o Figo, apesar de estar velho, e reorganizar tudo aquilo, como forma de evitar pesadas derrotas futuras. Que te parece? Ainda a propósito de 2005, julgo que seria melhor omitir qualquer referência ao ocorrido, pois os resultados conseguidos não prestigiam ninguém, bem pelo contrário.

Cordiais cumprimentos,

António Rebelo