
Foto 1 - Ilha dos pinguins -Chile
Cinco fotografias turísticas, para significar que o mundo é vasto e ameno, pelo que as viagens são sempre muito enriquecedoras, desde que se tenha em conta o conhecido dito popular árabe: As viagens formam os viajantes; porém, toma cautela! Se mandares o teu burro à Meca, ele regressará tão asno como antes da partida.
Feito o intróito, vamos à questão central. Aquando do recente debate sobre o protocolo entre a autarquia e a Associação Portuguesa de Turismo Cultural, depressa se chegou, como quase sempre acontece nestes assuntos, à fase do diálogo de surdos. No final, cada uma das partes mantém integralmente as suas posições anteriores. Mal empregada saliva.
Neste caso, enquanto um lado alegava que as prestações da entidade em questão não eram de qualidade, o outro retorquia que, pelo contrário, se tratava de especialistas na matéria. Óptima ocasião para um terceiro interveniente poder dizer, com toda a propriedade, um dos senhores estão enganados. (Já sabemos! Há erro de concordância. Mas é deliberado,. Assim fica menos abrasivo!). Mas ninguém se arriscou a meter a foice em seara alheia. Se calhar porque agora há máquinas para tudo. Mas ainda não há para uma boa troca de ideias.
Sabe-se, sobretudo nos meios especializados, dentro e fora do País, que o ensino em Portugal já conheceu melhores dias. Não sendo a ocasião nem o local para tentar aprofundar o assunto, pode-se no entanto dizer que temos um ensino que continua demasiado teórico, generalista em excesso, sem selecção e sem provas finais credíveis. Na área do turismo, confrange verificar que quase tudo se resume a trinta e um de boca, com pouca ou nenhuma prática efectiva, o que contrasta não só com a praxis europeia e/ou americana, mas igualmente com o que se vem fazendo por esse mundo fora. China incluída!
Em Portugal, por estranho que possa parecer, continua a acreditar-se que qualquer um serve para qualquer profissão. Se calhar por se cuidar que o Espírito Santo ajuda sempre. Por isso e porque fica bastante mais barato, é flagrante a falta de qualidade nos mais diversos sectores, por esse País fora. Como é lógico, o turismo não escapa ao improviso, ao remedeio, ao desenrascanço, ao depois logo se vê. Situações particularmente penalizadoras, pois os visitantes vêm em geral habituados a outras práticas e outros modos.
Há neste momento em Portugal 6 licenciaturas em Turismo Cultural e 28 em Turismo e Hotelaria. No caso das primeiras, os melhores candidatos entraram na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, com 15,52 e 15,92 para os últimos admitidos, respectivamente na primeira e na segunda fase. Os candidatos mais fracos entraram Escola Superior de Gestão de Lamego, do Politécnico de Viseu, com 11,3 e 10,7 respectivamente. Os últimos admitidos no Politécnico de Tomar, entraram com 12,1 e 10,8.
Quanto às licenciaturas em Turismo e Hotelaria, são neste momento leccionadas 28, em todo o País. Os candidatos com notas mais altas entraram na Universidade de Aveiro, com 15,0 e 14,45 para os últimos admitidos, enquanto que os menos abonados entraram no Politécnico de Bragança/Escola Superior de Gestão de Mirandela, com 9,5 e 9,7 para os últimos colocados em cada uma das fases.
Nestas condições, tendo em conta que em parte alguma do Mundo se conseguem fazer chouriços sem carne, sendo igualmente certo que não basta ter carne para fazer chouriços, tudo dependendo da habilidade do salsicheiro e dos temperos, que mais se poderá dizer? Que após a licenciatura ainda há os mestrados? Pois há! Mas se no primeiro ciclo de Bolonha, como agora se diz, as verificações de conhecimentos e subsequentes classificações, tanto intermédias como finais, estão em geral muito longe daquilo que deveriam ser, em termos europeus; nos mestrados, o melhor é não pormenorizar demasiado. Dado aquilo que custam (2500 euros, no mínimo) e as condições reinantes, há casos em que nem sequer é possível determinar com rigor se a tese apresentada foi efectivamente coligida, estruturada e redigida pelo mestrando que a apresenta e defende. Vamos indo...
Que fazer então? Mudar quanto antes a espingarda de ombro, como se dizia na tropa. Favorecer a prática, devidamente controlada e avaliada, em detrimento das aulas magistrais. Criar com frequência situações de real exercício da futura actividade pretendida. Avaliar e ter a coragem de excluir os menos aptos. Ser exigente consigo próprio e com os outros. Aprender a aprender, se ainda é necessário, antes de tentar ensinar a aprender. Sem tudo isto, não iremos longe. Por evidente falta de qualidade. E não adiantará vir com aquela segundo a qual "Quem não tem cão, caça com gato." Se o felino não tiver sido antes devidamente treinado, acabará por comer tudo quanto caçar, pelo que mais vale ir à caça sozinho! Ou aguardar melhores tempos e outras práticas.