quarta-feira, 31 de março de 2010

ORA ATÉ QUE ENFIM ?


ORA ATÉ QUE ENFIM ! OU NÃO HAVIA NECESSIDADE ?

Estava quase a iniciar uma intervenção sobre a comparação entre Óbidos e Tomar, feita por Mário Cobra na sua semanal crónica em CIDADE DE TOMAR, quando me deparei com esta local difundida no site da Rádio Hertz. Para não perder o fio à meada, sempre direi que o Mário olvidou (de forma intencional ?) um aspecto importante do problema, na referida comparação: Óbidos fundou uma empresa municipal de eventos, que tem investido à roda de 400 mil euros em cada Festival do Chocolate, cuja realização é anual. E tem ganho sempre bom dinheiro. Tomar tem investido menos de 200 mil euros em cada Festa dos Tabuleiros, que tem lugar de 4 em 4 anos. E mesmo assim até já conseguiu perder bom dinheiro, depois pago pelos do costume -nós. Óbidos tem 6 mil eleitores. Tomar tem quase 39 mil. Está tudo dito.
Chamados assim os bois pelos nomes, (Ou será melhor escrever boys ?), vamos para o cemitério (salvo seja !). Tem razão o amigo Augusto Barros. No entanto, hesito entre as diversas abordagens possíveis para o problema em causa. A primeira tem por título ORA ATÉ QUE ENFIM ! e consiste em apoiar a ideia de um cemitério deste lado do Nabão, uma vez que somos a única freguesia (?) desprovida de tal benfeitoria (?). A segunda, intitulada NÃO HAVIA NECESSIDADE parece-me a mais adequada aos tempos que correm, que são, como todos sabemos, de crise cada vez mais grave, o que implica que sejamos poupados. E haverá melhor forma de poupar do que ir enterrar os nossos defuntos em cemitérios alheios ? Até os Templários e os Mestres de Cristo assim pensaram. Viveram lá em cima na Casa da Ordem mas foram sempre (com uma excepção) sepultados do outro lado do rio, em Santa Maria. Tal como no antigo Egipto -a margem dos vivos e a margem dos mortos. Só que aqui em Tomar ambas as margens são povoadas por mortos. Pelo menos em termos de progresso.
Surge então a terceira abordagem, encabeçada por UM CEMITÉRIO MONUMENTAL. Assim pensam na verdade muitos dos que ainda nos visitam. Que acrescentam, tristes, haver tantos recursos inaproveitados que de certeza, dizem, os tomarenses só estão vivos de forma aparente. Comem, bebem, dormem, andam por aí, mas em termos de evolução é como se já não vivessem. Seremos portanto, na opinião destes visitantes mais perspicazes, o maior cemitério do País. Mais de 40 mil almas num vale edílico, com rio, jardins, parque infantil, campo de treinos, creches, estradas nacionais. Tão lindo, que até julgamos estar vivos, quando tudo indica o contrário, em termos de criação de riqueza. Ou de valor acrescentado = mais valia, caso prefiram...
Pessimista eu ? Têm a certeza ? E se estiver apenas a ser realista antes do tempo ? É ou não verdade que o comboio só transporta os que o souberam apanhar a tempo ?

António Rebelo

A SERVIR A COMUNIDADE CONCELHIA ?!

Sem que se vislumbre em que se baseiam, os nossos autarcas da maioria persistem na ideia de que estão a servir a cidade e o concelho. Daqui resultam duas consequências, ambas bastante graves. Por um lado, convencidos da sua razão, não pensam sequer em alterar o que quer que seja em termos de actuação individual ou de grupo. Por outro lado, consideram seus inimigos e adversários da tranquilidade e do progresso todos os que ousam criticá-los.
Do alto da sua sobranceria e, pensam eles, protegidos pela sua omnipotência/omnicompetência, vão agravando dia a dia a decadência da urbe, transformando-se cada vez mais nitidamente (sem disso se darem conta, o que ainda é mais grave) no coveiros da cidade e do concelho. Já não são só as comunidades rurais que estão votadas ao abandono. Na própria cidade, são cada vez mais visíveis as mazelas provocadas por evidente falta de capacidade para gerir e resolver os assuntos correntes. Às casas de banho fechadas e às sargetas entupidas, vieram juntar-se pouco a pouco as covas nas ruas há pouco reabilitadas e aumentaram em quantidade e em profundidade os buracos no piso da diversas artérias. Junto ao Soldado Desconhecido, na Praceta Raúl Lopes, na Rua Voluntários da República. Cúmulo do desmazelo, agora até a principal rua da cidade antiga
-a Corredoura-, primeira grande obra do longo consulado de António Paiva, (em nome do PSD), está como documenta a ilustração acima. Será isto aceitável numa cidade que se pretende de turismo ?
Volvendo ao início: Estão realmente os autarcas a servir a comunidade concelhia ? Era bom, era!!!

terça-feira, 30 de março de 2010

UM CASO DE MERDA




Que tenham a bondade de nos perdoar todos aqueles que detestam vocabulário considerado ordinário ou reles. O título e a conclusão deste escrito não são produto do acaso, da ignorância, da incapacidade ou da falta de educação. São propositados. Partiu-se da ideia segundo a qual se com palavrinhas mansas nada se tem conseguido, pode ser que com ordinarices se alcance pelo menos que os visados venham a ter vergonha, resolvendo mudar de atitude. Oxalá !
O caso é simples. As três primeiras ilustrações mostram as instalações sanitárias da Mata, da Calçada de S. Tiago e da Cerrada dos Cães. Todas fechadas. Algumas desde há anos, a última desde a passada sexta-feira, dia 26. Podíamos ainda acrescentar a do jardim do Castelo, a de S. Gregório e a da Rua da Fábrica. Restam portanto apenas três em funcionamento. No ex-estádio, agora campo de treinos, nas traseiras de Santa Maria dos Olivais (nem sempre) e na Abegoaria.
Em relação ao encerramento dos sanitários da Cerrada do Cães, após muitas e variadas queixas sobre o precário estado de limpeza e de conservação, alguém da autarquia mandou soldar ambas as portas, para que ninguém as possa arrombar ! No fundo, trata-se da usual metodologia autárquica. Há críticas ? Não ouvimos nem lemos nada. Há problemas ? Suprime-se a sua causa, cortando o mal pela raíz. Tem vindo a acontecer o mesmo com a recolha do lixo ao longo dos anos. Já foi recolhido porta-a-porta, a seguir vieram os contentores redondos em cada esquina, depois os contentores maiores já um pouco mais longe e agora os depósitos subterrâneos, ainda mais afastados. Cada vez mais confortável para o pessoal da recolha. Cada vez mais penoso para os cidadãos-eleitores-contribuintes, que são afinal a razão de ser daquele serviço.
Realmente o encerramento dos sanitários é de mestre. Com uma única cajadada bem aplicada, matam-se dois coelhos: 1 - Deixa de haver retretes para limpar, para maior conforto dos funcionários encarregados de tal tarefa. 2 - Com as instalações sanitárias fechadas, nenhum turista irá dizer, sem atraiçoar a verdade, que as retretes em Tomar estavam uma merda. Mas poderá dizer, seguindo o mesmo modelo discursivo, que as estruturas tomarenses de acolhimento são uma rica merda. Não valem um corno, porque estão sempre fechadas. Ou nem sequer existem... No passado Domingo, com as retretes da Cerrada dos Cães já de portas soldadas, um autocarro de turistas procurou ultrapassar o problema indo até ao Centro Comercial Templários, ali na Alameda. Má ideia, pelos vistos. Foi multado pela PSP, por estacionamento em local proibido.
Sem quiçá se darem conta, de forma assaz peculiar, os senhores autarcas, ao mandarem encerrar os cagatórios uns após outros, além de originarem múltiplos dramas individuais e colectivos, demonstram aos cidadãos em geral, e ao turistas em particular, que de facto se estão cagando para eles e para as suas necessidades. Apesar de continuarem a propalar que o futuro desta terra é o desenvolvimento do turismo...
No estado em que isto está e perante as perspectivas do que aí vem, o conselho da última ilustração não nos parece adequado, pois o nomeado já nem é autarca. Mas, se calhar, não seria má ideia, um dia destes, ir aliviar-se debaixo dos arcos dos Paços do Concelho. À falta de melhor, seria apenas uma mera reciprocidade... Uma devolução aos remetentes, em certa medida.

TÃO PRÓXIMOS MAS TÃO DIFERENTES...

Diário de Notícias, 29/o3/10, pág 13

Agindo como deviam fazer todos os eleitos -com transparência- o novo presidente PS da vizinha Câmara de Ourém tem-se esforçado no sentido de informar os seus eleitores, e os cidadãos em geral, sobre a situação da autarquia. Após uma cuidada auditoria, vem agora dizer que há muitas dívidas e que por isso vai ser implementado um plano de recuperação financeira que possa permitir ao município uma actividade regular, que é imperativa. Chama-se a isto, julgamos nós, uma atitude empresarial. O responsável da "empresa Ourém" tem o cuidado de ir prestando contas a todos os "accionistas", (os que o elegeram e os outros), esclarecendo que tem muitos problemas, mas indicando em simultâneo a solução que escolheu para cada um deles. Desta forma, quando qualquer "accionista" não estiver de acordo com a opção seleccionada, sabe concretamente o que tem de atacar.
Ao invés, aqui no vale do Nabão é o que todos sabemos. Após anos e anos de opacidade da gestão PSD, os cidadãos continuam a ignorar a real dimensão do desastre concelhio. Nunca mais se ouviu falar da prometida auditoria ao DAU e quanto ao DAF, nem tocar-lhe, quanto mais mexer-lhe. O IGAL encontrou um "lapso" de 3 milhões e picos, mas pensa-se que terá sido isso mesmo, um lapso, um lamentável esquecimento.
Sobre finanças municipais, o vereador responsável, (por acaso o único militante PSD do asctual executivo e titular daquele pelouro há mais de dez anos), tem-se mantido esfíngico. Até já foi dito que há ou havia uma caixa de cartão com facturas por liquidar e por lançar, mas o dito autarca a tempo inteiroi manteve-se marmóreo. Situação bastante peculiar, uma vez que o cidadão em causa até já foi jornalista.
Só o presidente Corvêlo de Sousa "ousou" dizer recentemente que a situação financeira do município é sólida, muito melhor que a de milhares de famílias portuguesas. E acrescentou convicto que a dívida global da autarquia corresponde a um ano de receita. Imaginem ! Se Sócrates ou Teixeira dos Santos declarassem que a dívida pública portuguesa equivalia a 100% do PIB, ia ser o bom e o bonito ! Já a 60 e poucos por cento os encargos são enormes e Bruxelas enerva-se cada vez mais, agora é só deduzir... Os helénicos estão a ver-se gregos para dar a volta ao texto, apesar de a respectiva dívida global não ultrapassar os 132% do PIB. Assim sendo, a posição de Corvêlo de Sousa...
Uma auditoria completa, sobretudo ao DAF e aos SMAS é que seria conveniente, para tranquilizar os credores e serenar os cidadãos. Mas está-se mesmo a ver que é pedir demasiado. Tal como os morcegos detestam a luz, há eleitos que destestam a claridade e a transparência. São feitios...E a culpa é sempre dos eleitores, em última análise.

segunda-feira, 29 de março de 2010

HIPOCRISIA, SOBRANCERIA, INACÇÃO E IDEIAS

Em 26 de Dezembro de 2008 (onde isso já vai !), quando uma larga maioria ainda pensava ser a Ponte do Flecheiro uma grande obra, fazíamos ironia com o incrível acesso pedestre ao mercado, na verdade mais próprio para rebanhos de ovinos e caprinos. Semanas mais tarde, os semanários locais e regionais abordaram o mesmo tema.
Alardeando a costumeira sobranceria e alguma hipocrisia, os senhores autarcas de então, solidários com a obra-prima de António Paiva, nunca disseram ai nem ui. Fingiram, no melhor estilo cavaquista (enquanto primeiro-ministro), que não lêem jornais nem blogues.

15 meses mais tarde, o novo acesso pedonal ao mercado está praticamente pronto. Incompleto, é certo, pois não permite o acesso dos descapacitados em cadeiras de rodas, mas enfim, é melhor que o anterior e o que, por agora, se conseguiu arranjar. Causas de tanto atraso ? A elaboração do projecto, então não se está mesmo a ver ?! Na realidade, importava (porque importa sempre) não dar aos eleitores a ideia de que se cedeu perante os protestos da populaça, veiculados por essa cáfila que dá pelo nome de comunidade local da informação.
Basta recordar que ainda recentemente o nosso presidente se lamentava, a propósito da hipótese do funicular da Anunciada, que estariam os autarcas bem arranjados se tivessem de emitir opinião sobre a catadupa de ideias que lhes chegam. Por conseguinte...

Parece, portanto, reinar alguma desafinação no matrimónio municipal, pois enquanto Corvêlo se queixa de excesso de ideias propostas pelos munícipes, Ferreira é taxativo -"soluções, não problemas". Afinal em que ficamos ? Se criticamos, fazem de conta que não é nada com eles, ou que nem sequer se deram ao trabalho de ler (Tomar a dianteira já ultrapassou as 115 mil visitas em 12 meses, mas o nosso contador, que pode ser visto no final das mensagens, deve decerto estar avariado. Só pode...). Se apresentamos ideias, estamos a incomodar indevidamente. Se não criticamos nem avançamos com ideias, é porque somos pouco frontais.
Ainda assim, que nos desculpem os senhores autarcas mais esta nossa ousadia. Em relação ao funicular, já aqui se escreveu parecer-nos pouco adequado, pelo que se alvitrou um meio mecânico subterrâneo, entre as traseiras dos Paços do Concelho e a Cerrada dos Cães. São só cerca de 80 metros, levaria os visitantes a desembocarem directamente no centro da urbe antiga...e os terrenos da eventual implantação já pertencem à autarquia e ao Estado. Até à data, o habitual silêncio sepulcral. Ou a tal sobranceria hipócrita ? Com alguma sorte, um dia destes vão os autarcas maioritários apresentar algo semelhante, alegando que, por acaso, até já tinham tido uma ideia semelhante, baseada numa outra cuja origem se situa no reinado do sr. D. Luís.
Que Deus os abençoe e os faça uns santos, coisa que até agora manifestamente não são, pois se ainda não conseguiram transformar isto num inferno, já faltou mais. Ou não estamos já no Purgatório de certas incapacidades, que a boa educação nos impede de nomear ?
Apesar da animosidade reinante, aqui vai outra hipótese de solução barata para o problema dos turistas que não descem à cidade, por exemplo por falta de estacionamento. Que tal ter a coragem de reconhecer as aselhices e voltarmos à situação anterior ? Ali na Várzea Pequena, após onerosas obras, há 50 lugares de estacionamento para automóveis, um ridículo passeio central, que ninguém utiliza, uns supérfluos candeeiros e umas árvores alógenas. Terão os respeitáveis edis da circunstancial maioria coragem para retirar semelhantes "mariquices" e possibilitar o parqueamento de pelo menos 40 autocarros de turismo em simultâneo, como antigamente ? Não nos venham com problemas orçamentais, porque desfazer a asneira fica muito mais barato do que as mal projectadas obras iniciais. Há o problema da concessão à Parque T ? E que culpa têm os industriais e comerciantes tomarenses ? Quem as fez que as desmanche !

domingo, 28 de março de 2010

CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO E AS LEIS...

Esta ilustração é parte do texto publicado hoje pelo respeitável vereador Luís Ferreira, no seu blogue vamosporaqui.blogspot.com. Omitimos a parte quanto a nós de mera querela pessoal.
Trata-se de uma intervenção pouco ponderada, tanto pelos lapsos ortográficos como pela matéria exposta. Diz o citado autarca que "...devemos estar certo. A julgar pelas reacções tresloucadas, permitam-me a dureza..." Estamos, sem sombra de dúvida, perante uma dedução sem cabimento, inaceitável vinda de um eleito, e carecida de qualquer lógica. Com efeito, por comparação e extensão, salvaguardando as proporções, poderíamos afirmar, por exemplo, que os chineses estão a acertar quando executam milhares de condenados por ano, uma vez que provocam a reacção adversa de milhões de pessoas em todo o Mundo. Ou que o inefável Mugabe também deve estar a acertar quando manda ocupar as propriedades dos brancos, o que desencadeia reacções vigorosas por parte da Inglaterra...
O que nos parece realmente, é que se trata de pura política de retaliação, de vingança, de represália, só para contrariar. Tipo -Ai vocês querem?! Pois somos contra e nós é que mandamos ! Com atitudes deste tipo não vamos a lado nenhum.
Após várias releituras, concluimos que esta infeliz actuação resulta de uma de três situações, a saber: 1 - O autarca do PS não tem assessores em número suficiente; 2 - Tem assessores em número suficiente, mas alguns são "especialistas analfabetos". Sabem, quando muito, da sua proclamada especialidade e não pescam grande coisa do resto; 3 - Os assessores até são excelentes e em número suficiente, mas Luís Ferreira não os ouve ou não concorda com o que lhe dizem.
Seja como for, como cidadãos empenhados, colocou-nos numa singular posição -Força-nos a defender gratuitamente dois advogados, com os quais raramente concordamos em matéria política, e de quem não temos qualquer procuração. Adiante.
Na sua qualidade de autarca eleito, e tendo jurado cumprir com lealdade as funções que lhe foram confiadas, Luís Ferreira, tal como todos os outros cidadãos exercendo funções públicas, está obrigado a cumprir e a velar pelo cumprimento da Constituição e das Leis. É assim e não há por onde fugir. Ora reza o artigo 37º, ponto 1 da Constituição da República Portuguesa que "Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações." (O negrito é nosso.)
Temos, portanto, logo aqui, o primeiro problema suscitado pela atitude ferreirista. Ao ser-lhes negado o acesso aos processos e sonegaddas informações sobre eles, os vereadores IpT estão objectivamente a ser vítimas de discriminação em relação aos outros eleitos do executivo. Em simultâneo, ao ordenar aos funcionários que nada digam ou forneçam aos eleitos da oposição, os responsáveis por tais ordens estão a agir ao arrepio da Constituição, pois impedem os funcionários de informar, como é sua obrigação.
Se dúvidas subsistem, o número 2 do citado artigo 37º é assaz explícito: "O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura". As ordens dadas nesta matéria aos funcionários, que outra coisa são, senão uma forma de censura ?
O senhor vereador ainda não está convencido ? Então fará o favor de ler o artigo 5º da Lei 46/2007: "Todos, sem necessidade de enunciar qualquer interesse, têm direito de acesso aos documentos administrativos, o qual compreende os direitos de consulta, de reprodução e de informação sobre a sua existência e conteúdo." Se todos...têm direito de acesso aos documentos..." por alma de que santo e de acordo com que diplomas legais estão os vereadores IPT excluídos de facto do exercício desse direito ? E os funcionários ? Qual ou quais os documentos vinculativos que permitem retirar-lhes direitos constitucionalmente garantidos a todos, e por conseguinte a eles também ?
Ou nos enganamos muito, ou pelo menos um dos vereadores do PS, deslumbrado com tantas facilidades, está a ser vítima da síndrome de Ícaro. Vai voando cada vez mais alto, não se dando conta de que o sol já começou a derreter a cera que lhe fixa as provisórias asas...

COMEÇA A HAVER LUZ LÁ AO FUNDO ?


Este comentário, enviado para Tomar a dianteira, passou por assim dizer despercebido. No entanto, a ser realmente da autoria de quem o assina -e tudo indica que seja, pois não foi posto em causa por ninguém- podemos muito bem estar perante o mais importante testemunho político dos últimos tempos. Porque, se José Delgado, o recém-eleito lider local dos sociais-democratas, já começa a sacudir a água do capote PSD, não tarda vamos ter festa...de arromba. Carrão a presidente ? Tudo é possível, até porque sempre foi e é delgado, sabendo-se igualmente que acalenta esse sonho, a tudo estando disposto para o alcançar. É humano.
Eleições antecipadas ? É díficil, face à vitória dos coelhistas a nível nacional, que é = a vitória relvista a nível local. Mas não será de descartar em absoluto tal hipótese, sabido como é que os dois eleitos socialistas tendem a exagerar nas suas respectivas actuações. Sobretudo Luís Ferreira, ques se esmera a desencadear conflitos em todos os serviços que tutela. Conflitos que têm envolvido funcionários da estrita confiança dos sociais-democratas. Será pois do domínio do consensual que um tal clima de crispação não possa prolongar-se -ou mesmo agravar-se- até 2013.
A solução mais simples seria, bem entendido, uma mudança comportamental dos dois vereadores do PS. Todavia, cada um deles tem o seu feitio, (de resto como todos nós) e não consta que haja leões herbívoros, ou escorpiões que renunciem ao uso do respectivo ferrão... Está na natureza de cada um.
Adicionando a tudo isto uma informação de fonte fidedigna, de acordo com a qual "o homem (José Delgado) não quer para já ofuscar ninguém, mas no momento oportuno não hesitará em dar a estocada", tudo indica que os próximos tempos vão ser animados na coutada nabantina. Tanto mais que a crise continuará a agravar-se e "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Será o caso ?

sábado, 27 de março de 2010

CRÓNICA DE FIM DE SEMANA

Com a devida vénia e os nossos agradecimentos, reproduzimos do blogue ojumento.blogspot.com esta pintura clássica com "O sacrificado da Páscoa de 2011". Será ? Não será ?
Ricardo Costa, habitual comentador do EXPRESSO, não parece ter dúvidas. Diz ele que "Depois de meses em campanha, o jovem líder vai achar-se capaz de ir reconquistar Ceuta e Tânger ao nascer do Sol. É bom que o fechem numa sala. O país está em crise, atravessamos um ano dramático e decisivo para quase todos. Só o novo PSD, o velho PS e os sindicatos é que ainda não perceberam isso."
No mesmo semanário, outra jornalista avança que Manuela Ferreira Leite conseguiu o mais difícil: "Acertar no Totoloto e perder o boletim", que é como quem diz "perdeu as eleições mas a sua teoria da catátrofe estava certa." Preferimos a visão médica da questão -Acertou no diagnóstico e na terapêutica, mas o tratamento proposto era tão doloroso que os doentes resolveram escolher um clínico mais complacente. Como referiu Manuel Alegre, citando Jorge Sampaio, "Há mais vida para além do défice e agora também para além do PEC." Lá isso há, temos de convir. Falta é o dinheiro para continuar a financiar esse tipo de vida.
Seria demasido fácil enveredar pelo caminho da ironia, escrevendo que, após mais de 30 anos de actuação e quando os espectadores começam a debandar em massa, os ilusionistas sociais-democratas resolveram finalmente sacar o Coelho da cartola. Pena que, se calhar seja já demasiado tarde. Agora o dito Coelho vai fazer o quê ? A situação nunca esteve tão pantanosa, nem o liberalismo tão pelas ruas da amargura. Se até os banqueiros USA se viram forçados a pedir ajuda ao governo federal, que futuro poderão ter os liberais, como Passos Coelho, na Europa ? Sempre poderá enveredar por uma política mais à esquerda ? Para isso temos o Sócrates. Não há é dinheiro para a custear. Sempre o mesmo problema, desde o reinado de D. Afonso Henriques. Temos sempre demasiado apetite para a pouca comida disponível. Daí a triste situação recorrente: Uns vão enchendo a pança, enquanto outros são comidos de toda a maneira e feitio.
Entrementes, pelas bucólicas margens nabantinas, onde os recém-consorciados continuam a arrulhar felizes, os grandes problemas do momento são a situação desgraçada do União de Tomar, a que a autarquia não deixará de acudir, como habitualmente; a demissão de um dos dirigentes dos bombeiros, seguida de acusações a Luís Ferreira, que alegadamente pretende instituir a "lei da rolha". Pedro Marques e Ivo Santos já confirmaram, em declarações na Rádio Hertz, que os mesmo está a acontecer na própria autarquia, por iniciativa do vereador Vitorino.
Incomodado, o motor e mentor do PS local já veio esclarecer, no seu blogue, que cada um pode dizer o que quiser, não pode é revelar o que é dito durante as reuniões. Exactamente a habitual prática comportamental dos mações. Mera coincidência, decerto. Luís Ferreira nunca seria capaz de trazer práticas macónicas para uma autarquia dirigida por outro partido. Ou estaremos outra vez equivocados ?
Acontece a muito boa gente. Por exemplo ao comentador que escreve sempre em maiúsculas, o qual afirmou, no comentário de hoje, que Tomar a dianteira apoia Luís Ferreira para futuro candidato à autarquia. Puro engano. Não apoiamos nem apoiaremos ninguém. Tencionamos apenas continuar a descrever e comentar o que vai acontecendo nesta cova gualdina. Quando muito poderemos vir a apoiar um projecto capaz, se e quando vier a existir. Quanto ao resto, tudo como dantes. Persistiremos naquilo que os políticos locais devidamente instalados apodam de má-língua, mais por preguiça mental que por convicção. Apesar disso, nunca escreveremos como o nosso vereador Ferreira "...suspender a democracia por seis meses e a velha não estava a brincar..." (ler em vamosporaqui.blogspot.com). Tem ou não tem estilo o novel vereador rosa ?

AUTARQUIAS: COMPARAÇÕES MUITO ÚTEIS




O RIBATEJO publicou, na sua edição de ontem, um interessante trabalho sobre "Os rostos do poder local no Médio Tejo". O formato proposto permite comparar e extraír conclusões úteis para todos os eleitos e/ou eleitores. Pela nossa parte, abstemo-nos de qualquer outro comentário, por entendermos que os textos publicados são assaz elucidativos. Basta saber ler o que lá está e imaginar o que lá falta.
Com a devida vénia, agradecemos ao RIBATEJO esta oportunidade de intervir que nos facultou.

Um outro texto que nos parece merecer minuciosa leitura e posterior meditação é o post de Luís Ferreira em vamosporaqui.blogspot.com. Disserta sobre a folgada eleição (61%) de Pedro Passos Coelho para novo líder (transitório?) do PSD. Conquanto se possa discordar de alguns pontos da sua análise, temos de convir que o autarca PS sabe (ou pelo menos julga que...) os terrenos que pisa e antevê as tempestades que aí vêm. A nível nacional. A nível local a música é outra e a sua execução muito mais complicada. Tomarenses, se vocês soubessem...

sexta-feira, 26 de março de 2010

MÁS NOTÍCIAS, INFELIZMENTE

Bem gostaríamos, caros conterrâneos, de dar boas notícias. Lastimavelmente, a realidade não o permite. Pelo contrário. Agora até somos notícia de primeira página na imprensa europeia de referência. Por más razões: "Depois da Grécia, as dificuldades financeiras de Portugal provocam a queda do euro". Entretanto, em Tomar, discute-se a eventualidade de mais uma ajuda camarária ao União. Naturalmente a fundo perdido, que a ordem é rica e os frades são poucos, pensarão os proponentes.

Além Pirinéus, Le Monde titula "Desafinação europeia provoca derrapagem do euro. Desacordos sobre a ajuda à Grécia e a queda da nota de Portugal inquietam os mercados."
Sem que os portugueses em geral, e os tomarenses em particular, disso tenham consciência, (porque pouco ou nada percebem de economia), estamos a ser arrastados muito rapidamente para situações inteiramente novas. Esta, por exemplo: cansada dos devaneios dos países do "Clube Mediterrâneo", a chanceler alemã Merkel nunca pensou provocar a saída da Grécia da zona euro, como deu a entender a imprensa lusa. Pressionada pelos seus parceiros de coligação e pela opinião pública alemã, pensou em algo muito pior, segundo o Le Monde. Ameaçou que seria a Alemanha a abandonar o euro, caso a Grécia e outros países deficitários (Portugal, Espanha, Irlanda...) não fossem forçados a conter drasticamente as despesas públicas, recorrendo ao FMI em caso de necessidade. Porquê o FMI ? Porque alemães, holandeses e luxemburgueses estão fartos de abrir os cordões à bolsa, para pôr os respectivos contribuintes a financiar as palermices e outras infantilidades dos PIGS.

Após mais uma longa negociação "à europeia", Merkel moderou a sua posição, mas não cedeu na questão da redução das despesas públicas. Significa isto que, obrigado a reduzir despesas, constrangido a moderar o recurso à dívida, a receber menos impostos, não tardará que o governo, pela calada, corte drasticamente nas transferências para as autarquias. Justificará a sua atitude, nada popular, com o velho princípio segundo o qual quem não recebe também não pode transferir. Conforme se observa na ilustração acima (copiada do SOL de hoje) a situação de Portugal, como eterno pedinte de fundos no mercado é já, de certo modo, trágica. Pior do que nós, na Europa dos 27, só Malta, a Eslováquia e a Grécia. Doença comum -novo-riquismo doentio.

O ideal seria que o governo se organizasse de forma a necessitar de cada vez menos crédito interno e externo. Infelizmente, é o oposto que está a acontecer (ver texto supra, do SOL, de hoje). Por este caminho, não será preciso muito tempo para chegarmos ao dia em que o país deixará de conseguir pagar sequer os juros da dívida contraída, quanto mais agora os reembolsos. Exactamente o que está a ocorrer com a Grécia. Terá de obter um novo empréstimo daqueles de 10 zeros, pelo menos, unicamente para "refinanciar" a sua dívida pública.
Em vez de perderem tempo a discutir subsídios, festas, excursões, comemorações, espectáculos, animações, morteiros, almoços e jantares, bem andariam os nossos autarcas se humildemente se vergassem ao contexto dominante e começassem a executar duas tarefas urgentíssimas -Poupar os dinheiros dos contribuintes, enquanto é tempo; tentar descobrir como gerar valor acrescentado a nível local. Sem isto, continuaremos a rodar rumo ao abismo da insolvência e da concomitante irrelevância política. Desde há 1008 mensagens e mais de 110 mil visitas que andamos a martelar nisto, até agora sem quaisquer resultados. Vamos continuar sem desfalecimentos, como até aqui.

UMA ESTRANHA CAMBALHOTA POLÍTICA


Conforme documentam as imagens, a cambalhota para a frente é relativamente corrente, tanto entre os humanos como no reino animal. Há também outro tipo de cambalhotas, muito mais agradáveis, mas que agora não são para aqui chamadas.
Cambalhotas na área política sempre existiram, porém, só lá muito de quando em quando. Nestes últimos tempos, contudo, vêem-se cambalhotas à frente e à rectaguarda em toda a área política. Na terra gualdina, desde Outubro passado já tínhamos a cambalhota do PS e a cambalhota do PSD. Depois de terem dito o pior uns dos outros, durante a campanha eleitoral, ei-los amancebados para o melhor e para o pior. Bem diz o ditado que "quem desdenha quer comprar".
Apesar de tudo, a extraordinária cambalhota política de José Delgado, indiscutivelmente documentada na entrevista publicada hoje no "Cidade de Tomar", terá surpreendido tudo e todos. Pelo menos fora do serralho laranja, uma vez que no interior da confraria, aquele anunciado novo movimento independente tem que se lhe diga. Na verdade, nesta vida pouco acontece por mero acaso e na política então nem vale a pena esmiuçar a questão.
A viragem de 180 graus de José Delgado é de tal forma evidente, inesperada e estrambótica que para ela apenas encontramos três causas prováveis: 1 -promessas; 2 -ameaças; 3 -condicionamento psicológico. Pode até dar-se a circunstância de haver um pouco de cada uma delas. De qualquer modo, certo é que ninguém muda assim do pé para a mão, sem razões fortes e imperativas.
O cidadão José Delgado resolveu, a dada altura, abandonar o seu lugar de deputado municipal porque, disse ele, deixara de se reconhecer no PSD local. Tempos depois encabeçou uma lista de oposição ao situacionismo/relvismo dominante. Ganhou. Logo a seguir, nesta longa entrevista supra referida, dá o dito por não dito, ao concordar com tudo o que já foi feito pela gestão de António Paiva e com o que vai ser executado sob a batuta de Corvêlo de Sousa. Que se terá passado entretanto ?
Tomar é uma terra pequena, onde as novidades circulam muito devagarinho mas nunca páram. Mais semana menos semana, mais mês menos mês, acabaremos por saber tudo sobre o novo cozinhado social-democrata nabantino. Couves à Miguel Relvas ? Corvêlo na abóbora ? Socialistas no forno ? Cozido à nabantina ? Sopa de calhaus ? Aventais folhados à moda do mestre?

quinta-feira, 25 de março de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA



Colaboração da LIVRARIA CLIPNETO, Lda.

Diz-se, com alguma frequência, que "os povos felizes não têm história". Ou ainda que a ausência de notícias é uma boa notícia. A imprensa local hoje publicada parece, à primeira vista, confirmar estes ditados. O MIRANTE titula, a toda a largura do topo da primeira página "Pais agridem responsável de jardim-de-infância de Alcanena". E logo abaixo "Funcionária de escola de Coruche agredida por familiares de aluna". O TEMPLARIO interroga "E se a ASAE fechar o mercado ?", logo seguido por "Demissão nos bombeiros de Tomar". "Projecto Limpar Portugal -Grupo de Santa Maria encontrou granada junto à Ponte de Peniche", noticia CIDADE DE TOMAR.
Para sermos francos, havemos de concordar que todos estes títulos indiciam uma cidade pacata, num país igualmente pacato, num mundo cada vez mais agitado e num continente em ebulição. Porque será ?
Indo aos detalhes, lá aparecem então as duas grandes novidades desta semana. A mais inesperada e a que , à priori, maior expectativa vai desencadear , é uma local na página 33 d'O MIRANTE: "Novo movimento independente perfila-se em Tomar". Após leitura, fica-se a saber que o cidadão António Cruz, ex-deputado do PSD, conta já com cerca de 7o eleitores, para iniciar mais um movimento de independentes na nossa cidade. Aguarda apenas a aprovação do nome escolhido pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas.
Projectos para o futuro ? "Vamos debater o turismo com quem sabe", fazer "uma forte campanha de marketing", concorrer às próximas autárquicas e desmantelar o Regimento de Infantaria 15, para aí instalar o novo Estádio Municipal de Tomar. Nada mais, nada menos !
Com mais este anunciado agrupamento político, Tomar passará decerto a ser conhecida, na região e no país, como "Cidade capital dos independentes". Afinal, quem sai aos seus, não degenera. E os templários também eram independentes. Tanto que até detinham o privilégio de "Diocese nula", dependendo directamente do Papa. Por conseguinte...
Nesta mesma faixa da política local, CIDADE DE TOMAR publica uma extensa entrevista com o novo líder local do PSD, José Delgado. Para quem, como nós, alimentou alguma esperança, baseados na vitória de uma lista por assim dizer anti-situacionista, tais declarações são totalmente decepcionantes. Ao longo de duas páginas, o novo responsável laranja debita toda uma série de frases feitas, afirmações de circunstância, lugares comuns, posições conformistas e total seguidismos em relação a todo o longo consulado Paiva/Corvêlo. Não há em toda a entrevista uma única discordância, ou qualquer ideia nova. Parece estar tudo bem, numa terra quase perfeita. Nem se chega a perceber o que terá levado o senhor Delgado a encabeçar uma lista alternativa à de Luís Vicente. Perdôe-se-nos a frontalidade, mas se foi para isto que os oposicionistas social-democratas votaram maioritariamente, valia mais terem estado quietos. Sempre se poupava papel e não se defraudavam legítimas expectativas.
Quanto à demissão ocorrida nos bombeiros de Tomar e noticiada pel'O TEMPLÁRIO, trata-se de mais uma consequência da gestão agressiva de Luís Ferreira. Além deste caso, fala-se igualmente de funcionários com baixa médica, por alegada incompatibilidade de carácter. Falta apurar quem tem razão -o vereador que pretende endireitar o mundo e por isso tende a exagerar; ou os cidadãos em causa, habituados a um deixa-andar que dificilmente pode continuar ? Vamos dar tempo ao tempo e logo teremos respostas claras. Por agora continuará a reinar a dúvida metódica...

ELEITOS, AVENTAIS E OUTRAS COISAS MAIS...




Com as coisas a darem cada vez mais para o torto, ali para os lados da antiga Praça de D. Manuel I, alguns dos agora instalados nas cadeiras do poder cuidam ser os novos Gamas e Cabrais. Lá vão, pensam eles, orientando a nau tomarense por mares nuncas antes navegados e cada vez mais agitados. Cada dia é um autêntico cabo das tormentas e até já começa a haver marinheiros de carreira a meter baixa médica, se calhar por manifesto enjoo.
Para os menos versados nos novos hábitos agora integrados na pobre política local, aqui ficam agumas ilustrações de uma irmandade maçónica. Os diversos aventais e outras insígnias, a mesa da dita e o respectivo grão-mestre, com maço e tudo. Agora só falta que se comece a usar o respectivo nas reuniões da autarquia. Apesar de os irmãos garantirem sempre que a maçonaria não discute política. Era o que faltava !

quarta-feira, 24 de março de 2010

MERCADO: UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ

É sabido que, desde há muitos anos, (para não beliscarmos inutilmente quem quer que seja), em termos de preparação do futuro deste concelho, estamos realmente bem servidos. Temos tido realmente executivos de primeira água e com projectos sólidos, realistas e profícuos. Não espanta por isso ninguém que o mercado, inaugurado aquando das festas dos tabuleiros de 1950, esteja como todos sabemos.
Além de constituir um excelente cenário para eventuais filmes sobre mercados do 3º mundo (ou do 4º?), desde há muito que, deliberadamente ou não, coloca a saúde dos seus frequentadores, e a de todos os que consomem os produtos lá adquiridos, em perigo. Se do ponto de vista sanitário custa a entender que aqueles pavilhões ainda estejam abertos ao público, em termos de legislação europeia não tem salvação possível. A dada altura, os tais autarcas de primeira água, que sempre ocuparam e continuam a ocupar os cadeirões do poder local, resolveram substituir a primitiva cobertura em telha lusa por placas de fibrocimento. Ou seja, por placas de amianto, matéria proibida na União Europeia, designadamente em escolas, edifícios públicos e locais onde se armazenem e/ou manipulem alimentos. Porque as suas fibras são provadamente cancerígenas. Provocam amiantose ou asbestose, um tipo de cancro das vias respiratórias. Por motivos que nos escapam, enquanto nos outros países da Europa Ocidental se têm dispendido milhões para "desamiantar" edifícios, como aconteceu com a própria sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, por estes lados "no pasa nada". Até quando vamos continuar a ter sorte e/ou a beneficiar da condescendência de quem nos financia e atura ?

NA IMPRENSA PUBLICADA HOJE

Já se desconfiava há muito tempo (48 anos de regime autoritário, 12 anos de guerra em África). No mínimo, desde aquela piada segundo a qual, após a fuga de 40 doentes de um hospital psiquiátrico de Lisboa, já tinham apanhado mais de 500 e ainda não era nenhum dos fugitivos.
Mesmo assim, fica-se muito mais calmo, menos ansioso e menos deprimido, ao constatar-se que estamos muitíssimo bem acompanhados...por doentes que se ignoram. Aqui em Tomar, então...
Bem diz o povo, na sua milenar sabedoria -"De médico e de louco, todos temos um pouco."
Parafraseando Alexandre Herculano, "Isto está de tal maneira que até dá vontade de chorar."

Aleluia ! Até que enfim ! Após "O triunfo da bandalheira" e "O esplendor do regabofe", vamos ter finalmente "O ocaso do oportunismo" ? É o que falta apurar. A apresentação do filme não parece muito má, ainda que..."anúncio público" seja da família do bem conhecido e erudito "arrecuar pra trás". Emboscadas da língua portuguesa, a qual, como nos disse o outro, é realmente muito ambígua. E quando não se domina minimamente...
De qualquer forma, para já parece que vamos estar todos de parabéns. Lá diz o povo -"Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe". Ou vice-versa. Depende do posicionamento do observador. Do lado da bigorna, ou do lado do martelo...

terça-feira, 23 de março de 2010

MARASMO E MUDANÇA...


Três citações a abrir. Para que ninguém possa sustentar, respeitando a verdade, que em Tomar a dianteira apenas se publicam as opiniões dos administradores. Para encabeçar, o inimitável Camões, que há cinco séculos conseguiu detectar o problema fulcral que agora nos atormenta. Já lá iremos.
Segue-se Mário Soares, um dos raros políticos portugueses que seria supérfluo apresentar. Do alto de uma vida extraordináriamente bem vivida, pode agora dizer e publicar tudo aquilo que considera pertinente e indispensável. Isto, por exemplo: "Portugal, repito, não vai bem. Os partidos e alguns sindicatos têm uma visão imediatista, de curto prazo. Parecem recusar-se -todos- a reflectir sobre o futuro. O que lhes interessa é o imediato: os da oposição, atirar o governo abaixo -ou, pelo menos, o primeiro-ministro- ainda que não tenham alternativa à vista e que, entre si, não se entendam; o do Governo, manter o statu-quo, sem visão de futuro, o que também é pouco." (Diário de Notícias de 23/03/10, pág. 51). Em terceiro lugar, uma opinião aqui inesperada para muitos: "Soluções, não problemas." (Luís Ferreira, no seu mais recente comentário enviado para tomaradianteira).
Sendo certo que Luís Ferreira nunca foi nem é soarista, nem por isso o seu apelo implícito deixa de ser assaz patusco. Na verdade, o nosso vereador parece não se dar conta de que actualmente os sete membros do executivo, além de manifestamente não disporem de quaisquer ideias devidamente trabalhadas sobre o futuro da urbe, (contrariando o que disseram durante a campanha eleitoral), constituem eles próprios o problema, por isso mesmo.
Já Mário Soares tem, quanto a nós, toda a razão. Tanto a nível nacional como local. Pelas margens do Nabão, salta aos olhos dos eleitores atentos que os autarcas em funções apenas executam de forma satisfatória dois tipos de tarefas: 1 - Despachar os assuntos correntes, de um modo geral tarde e a más horas; 2 - Procurar fazer o necessário para assegurar a sua sobrevivência como eleitos.
Os eleitores mais condescendentes, que são os reais causadores da presente situação, em que a cidade e o concelho mirram de dia para dia, lá vão repetindo que as coisas não estão fáceis para ninguém; que o Mundo nunca mudou tão rapidamente; que não adianta ter projectos, pois uma vez concluídos já estarão ultrapassados. Se calhar, nem sequer lhes passa pela cabeça, nem a eles nem aos seus eleitos, que o deveras importante não é encontrar respostas; o fundamental é saber formular as perguntas adequadas, as quais desencadearão depois as tais respostas fecundas.
Sobre a problemática da presente aceleração da mudança, deixemo-nos de tretas. Já há cinco séculos, o grande poeta da lusitanidade constatou a mesma coisa: "E afora este mudar-se cada dia,/Outra mudança faz de mor espanto,/Que não se muda já como soía." Ou seja, em português actual: E além destas mudanças quotidianas/ Outra mudança é ainda mais de espantar/Que já não se muda como era costume.
Em conclusão: Vão-se lastimando, vão arranjando desculpas, vão exigindo peixe em vez de canas para irem à pesca, vão aguardando com pachorra que as coisas melhorem, MAS NÃO DIGAM QUE NINGUÉM VOS AVISOU A TEMPO E A HORAS. Se Darwin aqui fosse eleitor, dir-vos -ia certamente algo como "Neste mundo de mudança cada vez mais acelerada, ou nos adaptamos em tempo útil, ou morremos de forma inglória, vitimados pelas inovações." É a vida !

segunda-feira, 22 de março de 2010

OS TOMARENSES CONTINUAM ANESTESIADOS MAS...

Ilustração nº 1 - Blogue o jumento - PIGS

Ilustração nº 2 - PÚBLICO - Eleições francesas

Ilustração nº 3 - EL PAÍS - IVA nos países da UE

Ilustração nº4 - EL PAÍS - Câmaras atascadas em dívidas

Maioritariamente tranquilos e apáticos, os tomarenses assistem à chegada da Primavera, após uma invernia rigorosa, preocupados com a situação caótica do União de Tomar. E no entanto...
No entanto, em França a direita governamental sofreu uma humilhante derrota nas eleições regionais. Ainda bem, dirão os costumeiros especialistas nabantinos. Erradamente, mais uma vez. Batido em toda a linha, o presidente Sarkozy deixa de poder opor-se à chanceler alemã Merkel, o que vai provocar mais restrições, mais impostos, mais sacrifícios, mais desemprego, e por aí adiante. Em todos os países da União Europeia. Tudo em nome da indispensável redução do défice, do controle da inflação e do aumento da competitividade.
Aqui chegados, muitos tomarenses dirão para com os seus botões que deve ser quase impossível virmos a ficar pior do que já estamos. Erro crasso, caros conterrâneos. Façam o favor de reparar nas taxas de IVA, por essa Europa fora. 16% em Espanha (18% a partir de Junho), era tão bom, não era ? E os 25% na Escandinávia ? E os 22% na Polónia ? Se calhar é melhor ir fazendo contas e procurar participar de modo activo e útil nos problemas da urbe, que a todos dizem respeito. Não esqueçam o consulado de António Paiva, que deixaram governar sem oposição...
Por falar em urbe, o diário EL PAÍS publica a lista das 80 autarquias mais endividadas de Espanha. À cabeça, o Município de Ochánduri -La Rioja, com uma dívida total de 726 milhões de euros = a 6,281 euros por habitante. Em 80º lugar, último da lista, Liédena - Navarra, com 598 milhões de euros = a 1.817 euros por habitante. -E que temos nós a ver com isso ? indagarão alguns leitores mais enfatuados. Nada. Absolutamente nada. É só por dizer que o Município de Tomar também não está assim muito mal classificado em termos de dívidas. Segundo boas fontes, tudo devidamente somado, cada eleitor tomarense deve mais ou menos mil euros. Nada mau, temos de convir.
A talhe de foice, se não se importam, a tradução da chamada de primeira página do EL PAÍS de ontem, sobre as dívidas autárquicas. Bem sabemos que todos entendem perfeitamente o castelhano, bem como qualquer outro assunto, da cultura azteca às bexigas doidas na Nova Caledónia, mas mesmo assim vamos traduzir. Desculpem lá. É só para entreter e não perder o hábito.
"A crise arrasta para o colapso iminente centenas de municípios. As câmaras municipais adaptam-se à crise com despedimentos e aumentos de impostos e taxas."
Após o estoiro da bolha imobiliária centenas de municípios viram-se obrigados a acertar as suas contas de forma apressada: despedimentos, reduções de salários, greves e serviços mínimos obrigatórios, eis alguns sinais de uma crise virulenta. A dívida total dos municípios anda à volta de 35 mil milhões de euros, com Madrid à cabeça (7 mil milhões) e quase 30 outros municípios com uma dívida superior aos 3 mil euros per cápita. Publicamos a lista dos 80 municípios mais endividados."
Isto só acontece em Espanha, não é ? Como de costume, a nós tomarenses, nada de grave nos pode acontecer. Já cá estamos há 850 anos, felizmente sem percalços de maior. E quando assim não seja, haverá certamente um D. Sebastião, que virá numa manhã de nevoeiro, de propósito para nos salvar. Até pode acontecer, com estas histórias das quotas para as mulheres (senhoras e/ou meninas, para ser mais preciso e polido), que tenhamos direito a uma Dona Sebastiana. Sempre era mais original... E então se fosse jovem, bonita e inteligente, seria ouro sobre azul...

O AUTARCA, A MARISA, O RONALDO E OS TURISTAS

Uma das duas lontras do Fluviário de Mora, numa fotografia de Miguel Manso/Público

Após a publicação do post anterior, chegaram-nos alguns comentários menos abonatórios sobre o autarca de Mora, que acusam de ser "um reaccionarão". Perante tal injustiça e para que os seguidores deste blogue possam fundamentar posições mais conformes com a realidade, resolvemos publicar na íntegra a reportagem do PÚBLICO de ontem, nsaturalmente com os nossos agradecimentos ao conceituado periódico.

"Ele tem bigode e ela também. O casal mais fotografado do Alentejo prepara-se para uma merecida festa. Depois de uma manhã passada a treparem às rochas e a mergulharem na água, nada melhor do que o recanto de palha seca para repousarem os pequenos corpos roliços e peludos, encimados por uns olhitos a brilhar de curiosidade.
Faz hoje três anos que Mariza e Cristiano Ronaldo se tornaram as estrelas da companhia. O casal de lontras asiáticas faz as delícias de todos quantos visitam o Fluviário de Mora, um oceanário dedicado à fauna dos rios que pôs definitivamente no mapa a pequena vila do Alto Alentejo. Ainda por cima sem um cêntimo que fosse do Governo Português. Único no país, tem atraído magotes de gente, que assiste maravilhada ao espectáculo proporcionado pelos peixes nos seus diferentes ecossistemas, da nascente à foz.
A brincadeira saiu cara aos comunistas que governam Mora. Foram anos a caminhar para Lisboa, a pedir autorizações aos diversos organismos de tutela, a exigir os milhões prometidos no tempo do executivo de Santana Lopes, e que acabariam por nunca chegar. Mesmo beneficiando de apoios comunitários, a autarquia teve de desembolsar 7,7 milhões de euros, uma fortuna para um concelho envelhecido que não chega sequer às 6 mil almas.
Os prémios arrecados pelo fluviário -distinguido em 2008 como o melhor museu português- acabaram por ser uma bofetada de luva branca na administração central. Ou, como um dia foi posta a questão, "uma espinha atravessada na garganta do governo". As palavras são de José Sinogas, o presidente de câmara que agarrou a ideia em 2001, depois de o vizinho Alandroal ter desistido dela. A escolha do atelier Promontório para conceber o edifício branco a lembrar os antigos celeiros alentejanos revelou-se também acertada. Disso são prova as distinções internacionais com que a obra foi galardoada.
A vida na terra, essa, ganhou outro fôlego. "É o talho que vende mais carne, o padeiro que vende mais pão...", exemplifica o sucessor de Sinogas, Luís Simão. Os restaurantes e as pensões do concelho são dos que mais têm lucrado com o filão do turismo, mas não são os únicos. Às três dezenas de postos de trabalho criados pelo fluviário , o autarca acrescenta a abertura de uma fábrica de embalagem de medicamentos, depois de o proprietário ter conhecido o concelho, por lá ter ido em peregrinação aos peixes.
Coisa pouca para os 450 mil visitantes que por aqui passaram até hoje ? O fluviário foi um ponto de partida. A partir de agora, a dinamização da economia local passa por criar complementos a esta oferta turística que façam com que quem, por enquanto, vem de passagem fique por estas bandas mais uns dias. Luís Simão quer criar um parque aventura e um centro de interpretação ambiental nas proximidades da casa dos peixes, bem como um roteiro das igrejas do concelho. Outra aposta forte da autarquia é a Estação Imagem... ...
Seja como for, é preciso resolver aquele que é visto como o principal problema da casa dos peixes: não ser suficientemente grande. O smal is beautiful pode fazer sentido quando se percebe que as espécies mais importantes do fluviário em termos de biodiversidade medem escassos centímetros -é o caso do minúsculo saramugo, um peixe que não existe senão no Guadiana-, mas são os hóspedes de maiores dimensões que enchem as medidas aos visitantes. Como a anaconda, uma cobra que triplicou de tamanho desde que aqui chegou à custa de uma dieta gourmet de codornizes, pitéu que exige que lhe seja servido ligeiramente aquecido no micro-ondas. Neste momento, o percurso que se desenvolve no fluviário é visitável em 45 minutos e depois disso pouco mais resta ao turista do que saborear a gastronomia alentejana -o que dificilmente será sequer uma opção para um terço dos visitantes, os miúdos das escolas.
Prometido há bastante tempo mas sempre adiado, o alargamento do fluviário está agora previsto para daqui a um ano. Custa mais um milhão e a autarquia conta arranjar outra vez fundos comunitários. "Penso que desta vez também vai ser apoiado pelo Estado Português", observa o presidente do Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, que elogia a "perspectiva visionária" da autarquia quando, em 2001, arriscou o investimento. "Este é talvez dos projectos públicos mais conseguidos nas últimas décadas na região". salienta, "e o equipamento mais visitado de todo o Alentejo. O que a região terá de fazer é aproveitar este fluxo de turistas". Ali tão perto, o mercado espanhol ainda não foi devidamente explorado.
"As câmaras têm de virar-se para estes modelos de desenvolvimento económico", defende Ceia da Silva. O presidente da câmara de Mora fala com menos rodeios: "Não é o dinheiro que se atribui aos clubes de futebol que desenvolve um concelho". Na terra, nem mesmo um dos seus adversários políticos, o vereador socialista Catarro Simões, se atreve a censurar a aposta. "O fluviário tem é que crescer, para não cair na monotonia", vai avisando. "E a ampliação deve merecer o apoio da administração central."
Alterações no projecto científico e pedagógico deverão setr discutidas no mês que vem entre os responsáveis do fluviário e técnicos do Instituto de Conservação da Natureza, que ali se vão deslocar. Mário Silva, um dos directores deste organismo, explica que uma aposta ainda maior nas espécies autóctones pode grangear ao local um prestígio científico acrescido -ainda que o seu encanto para os visitantes fique à partida muito aquém do dos espécimes exóticos, como a anaconda ou as lontras asiáticas. Aquários mais pequenos podem fazer, no entanto, com que os minúsculos saramugos ganhem o protagonismo que os seus vizinhos tropicais teimam em roubar-lhes por serem mais coloridos.
"Esta foi uma grande pedrada no charco numa região deprimida como o Alentejo", diz o presidente do fluviário, o vereador Manuel Pinto. "Contribuiu para atenuar substancialmente a situação social e económica do concelho."
"Deve ser a única empresa municipal que dá lucro em todo o país", refere, por seu turno, o presidente da Câmara de Mora, assegurando que, apesar de ter pedido três milhões emprestados à banca para financiar o projecto, a autarquia continua de boa saúde financeira. No primeiro ano de funcionamento, parte dos proveitos do fluviário foi usada para oferecer uma ambulância aos bombeiros. No segundo, as crianças do 1º ciclo do concelho receberam computadores Magalhães. "Se calhar, o Governo viu com maus olhos ser Mora a ter este projecto, e não uma câmara socialista", discorre o presidente da autarquia. Depois, enterra o machado de guerra: "O que mais me agrada no fluviário ? As lontrazinhas. São muito queridas".
ana.henriques@publico.pt

Nota final de Tomar a dianteira

Homem cauteloso, o autarca morense não disse nem uma palavra sobre um aspecto essencial da excelente e proveitosa experiência de turismo cultural -a maneira muito eficaz como o fluviário tem sido promovido junto do mercado potencial. Não vá o diabo tecê-las, é realmente melhor nunca esquecer que o silêncio é de ouro e que o segredo continua a ser a alma do negócio.
Tomar a dianteira sabe como as coisas têm sido e continuam a ser feitas. Apesar disso, tendo em conta o respeito, a consideração e a admiração que nos merecem os autarcas comunistas (apesar de não sermos da cor), nada diremos também sobre assunto tão sensível. Quem quiser bolota que trepe !

domingo, 21 de março de 2010

AGRADECIMENTO E RESPOSTA A UM AMIGO

Ilustração nº 1 - PÚBLICO -Suplemento Cidades - 21/03/10

Ilustração nº 2 - Nouvel Observateur - 11/03/10: Os feridos graves da crise. Com fundo preto, o défice orçamental. Com fundo amarelo, a percentagem da dívida pública, em relação ao PIB. Pior do que nós, na zona euro, só a Itália e a Grécia.

Ilustração nº 3 - Le Monde - Pierre -Antoine Delhommais - 21/03/10

Caro camarada, conterrâneo e todavia amigo Luís Ferreira:

Era para responder só mais tarde. Contudo, ao constatar que este é o post nº 1.000, resolvi dedicar-to. (Não tens nada que agradecer, pois é inteiramente merecido. Dás e mostras a cara em cada comentário que para aqui tens a bondade de enviar, atitude que por ser tão rara por estas bandas, mormente por parte dos políticos, merece pública homenagem. Está feito.)
Fico sempre muito contente com os teus escritos conquanto, regra geral, não partilhe muitas das tuas opiniões. Outro tanto acontece com as inoportunas catilinárias contra o líder dos IpT. Nestas duas intervenções mais recentes continuas a denotar entusiasmo, euforia, satisfação íntima e felicidade, a que juntaste inspiração. Gostei particularmente daquela abertura estilo arma de cavalaria: "Como também tenho direito à opinião e ao disparate, que não é exclusivo dos administradores do blogue..." (Ver comentário completo em "A tragédia grega do União de Tomar")
Está bem achado, sim senhor ! Mais uns anitos e adoptarás a minha conhecida posição, velha de mais de duas décadas -por estas paragens nabantinas, o disparate, além de endémico, é crónico.
Também adorei a parte final do mesmo escrito: "Nunca deve a Câmara pagar a dívida AO União de Tomar. Deve, isso sim, ajudar a pagá-la e rapidamente..." Igualmente bem achada, a tua hipótese de solução tem no entanto um óbice de respeito -Há mais de 30 anos que a autarquia anda a ajudar a pagar os compromissos do União e os resultados não são nada brilhantes até agora. Porque haverá o futuro de ser diferente ? De forma franca, fechas o teu texto proclamando "Soluções, não problemas !" Tendo em conta o actual contexto político-económico, tens a certeza que a tua proposta, a ser adoptada, não se transformará num problema ainda maior?
No outro comentário ao post "Uns poupam, outros esbanjam", inicias com um "desarricanço" que afinal não passa de uma frase redonda: "Há de facto opiniões para todos os gostos, mas vamos ver a coisa como ela é de facto." Como se tu fosses o detentor da verdade, quando afinal apresentas apenas mais um ponto de vista, no caso uma opinião fundamentada com documentos oficiais. E concluis de forma a não deixar dúvidas de que estás realmente a opinar: "Mal seria que em Tomar não usássemos de justiça para com os nossos trabalhadores, tendo os meios para o fazer."
Haveria aqui pano para mangas, sobretudo em dois pontos -os trabalhadores e os meios para o fazer. Quanto ao primeiro, equiparar funcionários (municipais ou outros) a trabalhadores, é em muitos casos um manifesto abuso de linguagem. Em relação ao outro, pensas mesmo que o munícipio tem TODOS os meios necessários, designadamente orçamentais ?
Já sei ! Já sei ! Vais repetir que estou velho, caduco, ultrapassado, patarata, ou xéxé. Ainda não dei por nada, mas também não descarto, pois a idade traz tudo. E infelizmente também leva algumas coisas. Em todo o caso, prevendo a tua íntima reacção, resolvi artilhar-me com opiniões acima de qualquer suspeita. Farás portanto o favor de consultar as ilustrações supra. A nº 1, responde à questão dos eventuais subsídios ao União de Tomar. A nº 2, mostra-te como está realmente o país neste mundo globalizado. A nº 3, enfim, como está numa língua que hoje em dia é quase tão rara por estas bandas como os lobos, segue em tradução e adaptação livre. Lê, s.f.f. e tira as tuas conclusões.

TOMARENSES, SE VOCÊS SOUBESSEM !

"Na verdade, actualmente os políticos eleitos não têm qualquer escolha para além da mentira, pelo menos por omissão, caso pretendam manter os seus lugares. Caso o não fizessem, eis como poderia ser um discurso, tendo por objectivo descrever o mais honestamente e o mais fielmente possível a situação económica que aí vem.

"Tomarenses:
Vocês queixam-se muito e têm toda a razão deste mundo, mas procurem não exagerar porque o pior ainda está para vir. Em primeiro lugar, o desemprego não vai baixar mas aumentar. Os chineses, com custos laborais vinte vezes inferiores aos europeus e com o yuan subvalorizado, vão alargar a sua gama de produtos e monopolizar novos mercados. O que eles ganharem em termos de nível de vida será igual ao que vamos perder. As deslocalizações de fábricas e outras empresas para fora do país vão aumentar. A única hipótese do nosso país e da nossa terra aumentarem a competitividade consistirá em apertar ainda mais os cintos em termos de salários, como vêm fazendo os alemães desde há anos. Os trabalhadores e os funcionários vão passar a ganhar menos, mas terão de trabalhar mais horas e durante mais anos, para terem direito a uma pensão de reforma apenas suficiente. As regalias sociais serão reduzidas porque o Estado-providência, dado o alto nível de endividamnento público, é coisa do passado. Do passado, ouviram bem ?
Para reduzir o défice e reembolsar os empréstimos, vamos ter de pagar impostos mais elevados. Nós, os nossos filhos e os nossos netos. É praticamente a única maneira de escaparmos a uma catástrofe do tipo grego, apesar de não ser garantido."
É o que se pode chamar um discurso realmente mobilizador, não é ?"

Depois disto, camarada e amigo Luís, ainda pensas que o município tem os meios das suas políticas, por exemplo na área do pessoal ?

António Rebelo

A PAIXÃO É INIMIGA DA RAZÃO

RESPOSTA AOS ADEPTOS FERRENHOS DO UNIÃO DE TOMAR E DE OUTRAS COISAS...

Compreendo a vossa reacção, algo inflamada mas todavia nos limites da correcção e da convivência. Também já estive apaixonado, e é maravilhoso, não foi ? O problema é que, regra geral, a paixão tolda os sentidos, o que a torna inimiga da razão. Como sucede no caso presente.
Têm razão ao pensar que não sou um grande admirador do futebol. Perdem-na, porém, ao proclamarem que sou inimigo do União de Tomar, o que é totalmente falso. Entre a pouca admiração e a aversão, a distância é enorme. Além de que não faria qualquer sentido, penso eu, ser inimigo de uma colectividade do meu berço, de que tanto gosto.
Outros leitores, que me merecem igual consideração, leram no meu texto aquilo que lá não está escrito. Se fizerem o favor de voltar a ler, de modo mais ponderado, verão que é verdade.
Encerrando por agora este pequeno debate, julgo ser útil meditar um pouco na ilustração acima publicada, retirada da página 25 do LE MONDE de sexta-feira passada. Passo a traduzir:

"A EUROPA DO FUTEBOL DOMINADA POR CLUBES ENDIVIDADOS"

"Temos de tomar medidas muito rapidamente, se queremos preservar a continuação do futebol ueropeu interclubes", declarou o dirigente máximo da UEFA, Michel Platini. Para convencer os clubes a adoptarem políticas de moderação financeira, a instância dirigente do futebol europeu acaba de publicar um estudo sobre o estado de saúde dos 732 clubes que integram o conjunto das ligas europeias da primeira divisão.
O balanço é mau. No final na época de 2007/2008, 54% dos clubes apresentaram prejuízos no total de 578 milhões de euros (115 milhões e 600 mil contos). O total das dívidas atingiu então 6 mil e trezentos milhões de euros (1260 milhões de contos !!!), dos quais 4 mil milhões só na primeira liga inglesa.
As principais causas desta derrapagem financeira, diz a UEFA, são a inflação dos ordenados dos jogadores e os custos das transferências, que aumentram 18% em relação a 2007, chegando aos 7 mil e cem milhões de euros em 2008" (1420 milhões de contos. A título comrarativo: Nesta altura a dívida externa da Grécia ultrapassa ligeiramente os 300 mil milhões de euros = 60 biliões de contos).
Como podem constatar, caros conterrâneos unionistas inflamados, a doença é muito mais grave e está muito mais disseminada do que aquilo que certamente pensavam. E não me consta que Michel Platini, antiga estrela do futebol gaulês, seja um inimigo do desporto-rei. Assim sendo, por alguma razão estará preocupado. Se calhar empinou o Lavoisier durante o ensino básico e nunca mais se esqueceu de que "As mesmas causas, nas mesmas circunstâncias exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos." Convinha que aqui em Tomar também se começasse a comer menos queijo...

sábado, 20 de março de 2010

ALIMENTAR O ESPÍRITO E O CORPO



Neste sábado, chegaram a tomaradianteira vários comentários discordando do post intitulado A tragédia grega do União de Tomar. Alguns mostram autores singularmente irritados, não se percebe porquê, já que todas as opiniões, até as mais abstrusas, têm à priori igual valor. Há até alguns casos curiosos -reivindicam que aceitemos a sua opinião, notando-se bem que não aceitam as nossas. É a velha sentença: façam o que eu digo, não olhem para o que eu faço. Com cidadãos assim, não vamos a lado nenhum. A realidade é o que é. Não aquilo que cada um gostaria que fosse.
Em simultâneo com mais este salutar e pacífico debate, um dos nossos administradores foi convidado para o almoço comemorativo dos 75 anos de Cidade de Tomar, e aceitou com muito gosto. (Ver ementa supra) Não tanto por causa da comida. Sobretudo para honrar este exemplo da nova maneira de estar tomarense: respeitam-se as pessoas, mantêm-se e reforçam-se as amizades, o que não impede a útil contestação, quando honesta, das ideias e/ou actuações dos eleitos, dos jornais, das rádios, ou de qualquer outra instituição que esteja para servir lealmente os cidadãos.
Comeu-se bem, à mesma hora em que milhares de cidadãos participavam na utilíssima iniciativa "Vamos limpar Portugal". Certamente por mero acaso, aqui pela Nabância houve quem resolvesse conspurcar a velha Praça de D. Manuel I (Ver foto acima), iniciativa que deve merecer o perdão dos tomarenses. Os seus autores, que todos sabemos quem são, limitaram-se a repetir o que faziam em geral os portugueses excursionistas dos anos 50/60 do século passado. As então famosas excursões de farnel e garrafão, com muitos americanos de chapéu preto. Pois a malta das tunas desta vez acertou. Mandou montar a barraca da cerveja, o que evitou os ultrapassados (?) garrafões, mas distribuiram à volta da secular praça comida com fartura, as conhecidas "sandes de três arames". Com tanta fartura, não espanta que tenha havido sobras de monta. Um verdadeiro regalo para as pombinhas e os pombinhos da urbe...


A TRAGÉDIA GREGA DO UNIÃO DE TOMAR

Dá-se o caso de escrever também, e sobretudo, para memória futura, caso contrário é muito provável que não subscrevesse o que segue. O mesmo aconteceria se fosse eleito, militante partidário ou tivesse ambições políticas. Como não sou uma coisa nem tenho a outra, redijo com total liberdade e sentido de cidadania, que é como quem diz daquilo que julgo ser o bem comum. Como é sabido, o verdadeiro amigo não é aquele que nos diz aquilo que gostamos de ouvir, mas quem nos mostra as coisas como elas são, sobretudo quando desagradáveis.
Após este necessário intróito, os factos.
Em relativamente pouco tempo, o PS (agora parte integrante da circunstancial maioria que devia governar-nos), e os IpT, apresentaram propostas tendentes a solucionar a medonha situação do velho União de Tomar. A proposta dos socialistas foi vencida na Assembleia Municipal, facto que, sendo estranho, uma vez que em princípio os proponentes dispõem de maioria naquele órgão, demonstra que bastantes deputados municipais, forçados pela crise, começam a ser bem mais realistas. Quase de certeza, não por súbita tomada de consciência. Apenas porque já perceberam que, no actual estado de penúria, aquilo que for para o União não irá para eles. E vice-versa. É afinal o velho e insolúvel problema da cama demasiado grande, ou das mantas demasiado pequenas. Há sempre quem fique destapado, ou no mínimo com os pés de fora.
De qualquer forma, a proposta socialista era nitidamente eleitoralista, tal como acontece com a sua irmã mais recente, apresentada pelos IpT. Só que este última se compreende e se aceita melhor, dados os antecedentes desportivos e de gestão municipal de Pedro Marques. Ainda assim, tanto uma como outra mais não eram que cuidados paliativos para um doente terminal, ou se gostam mais de frases agrestes, para um cadáver adiado desde há anos.
Seja o que for que se diga, a verdade é que o desporto em geral, e o futebol em particular, são actividades parasitárias, que só sobrevivem sugando dinheiro aos sócios, aos espectadores, aos patrocinadores e ao orçamento do estado e/ou das autarquias. Têm excesso de apetite para a alimentação que conseguem arranjar. Daí a permanente crise, que afinal grassa por todo o lado. No tempo das vacas gordas, o elevado valor acrescentado produzido em muitas actividades, assim como a subsequente arrecadação de impostos e taxas sempre a aumentar, permitiam todas as benesses. Conjuntamente com os fundos de Bruxelas até tornaram possível essa autêntica desgraça nacional, que dá pelo nome de estádios do euro 2004.
Quanto ao União de Tomar, ao contrário do que por aí se diz, não representa dignamente a cidade e o concelho, nem nos prestigia, nem prestigia a comunidade tomarense, nem se prestigia a si próprio. Uma colectividade constantemente em défice e com graves problemas, que não dispõe de qualquer património negociável, que raramente cumpre a sua palavra, que não se porta bem com a administração fiscal desde há anos, não honra ninguém. E está longe de poder constituir um bom exemplo para os jovens, incluindo os seus próprios atletas, porque as pessoas em geral, e os jovens em particular, têm tendência a imitar aquilo que vêem fazer, sendo que as várias práticas unionistas (até a porfiada tentativa de sacar dinheiro aos cofres da autarquia) não se recomendam de forma alguma. Há, nitidamente, outras prioridades.
Pelo que, digo eu, o União já foi. Mais tarde ou mais cedo, mas já foi. Quanto mais tarde se verificar o óbito oficial, maiores serão as complicações imediatamente anteriores. É o que acontece com todos os organismos -nascem, desenvolvem-se, definham e morrem. De paragem cárdio-respiratória, costumam dizer alguns médicos na TV. No caso do clube tomarense, terá sido por falta de alimentação em quantidade (verbas, verbas, verbas) e em qualidade (dirigentes, dirigentes, dirigentes).
Os tempos estão cada vez mais difíceis e por alguma razão o astuto Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha e tem à sua frente uma ampla avenida triunfal rumo à liderança do PSD, recusou peremptoriamente. Uma vez que, regra geral, os inteligentes "vêem" bem mais longe do que os espertos, talvez os tomarenses, incluindio os unionistas, não perdessem nada em meditar na atitude do conhecido comentador político.

António Rebelo

sexta-feira, 19 de março de 2010

DESLUMBRAMENTO E NOVO-RIQUISMO




Aqui temos quatro aspectos da obra emblemática do consulado de António Paiva -a Ponte do Flecheiro, cuja real pertinência e utilidade naquele local continuam por demonstrar. Porque é manifestamente incoerente uma política que fechou a Corredoura ao trânsito mas resolveu trazer mais veículos para a cidade, ao aceitar esta ponte naquele local.
Desta vez, porém, o nosso propósito é outro. Trata-se de demonstrar, exemplificando, em que consiste o deslumbramento perante os fundos de Lisboa ou de Bruxelas, bem como o subsequente novo-riquismo, que é sempre berrante, pelo que raramente passa despercebido. Na Ponte dita do Flecheiro, feita já em época de poupança de energia, de protecção do ambiente e de contenção das despesas públicas, há sete candeeiros de grande porte, bem como passeios de mais de dois metros de largo.Tal como sucede com estes passeios, dispensáveis por estarem tão próximos da ponte para peões, também os candeeiros...valha-nos Deus, se puder.
É que reparando bem, sem que se entenda porquê ou para quê, foram colocados em cavidades, de ambos os lados da nova obra de arte, nada mais mais, nada menos que 97 pequenos projectores, alguns dos quais já estão partidos. Para quê tanto alarde ? Para mostrar as nossa basófia ? Será aquilo alguma via triunfal, rumo ao palco que atribui os óscares da governação local?
Naturalmente que um projectista deve ser livre de criar o que entender, no entanto, um autarca que aceita semelhante projecto em tempos de poupança de energia e de recursos, devia ser acusado, julgado e condenado a pagar pelo menos os tais supérfluos projectores, que de resto nunca mais acenderam. Ele há cada maduro ! Já na Corredoura aconteceu o mesmo. Dinheiro mal governado, já se vê.