segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A câmara está falida e a coligação morreu

Tal como sempre aqui se disse, a estranha mancebia PSD/PS na autarquia tomarense, também conhecida por "coligação", está a esticar o pernil. O seu principal obreiro, o vereador Luís Ferreira, acaba de assinar aquilo a que se pode chamar a respectiva certidão de óbito. "Dois anos depois, parece que a validade da "garantia" está a acabar", escreveu ele ontem no seu blogue, seguindo-se um link para o video da cerimónia do bizarro casamento de circunstância, no Hotel dos Templários, como decerto todos estão lembrados, que os tempos ainda pareciam então de vacas gordas e prenhes de amanhãs radiosos...
Entende-se a manobra do PS local, liderado de facto por Luís Ferreira, como forma de acalmar a crescente agitação nas hostes socialistas, e igualmente para se eximir de responsabilidades na dramática situação financeira do município, que está virtualmente falido. As receitas que ainda vai conseguindo arrecadar já não chegam sequer para cobrir os salários e restantes despesas de funcionamento. O que obriga em simultâneo a sucessivos recursos à banca, que começa a descartar-se, e ao constante aumento das dívidas a fornecedores, que segundo os nossos dados já ultrapassam nesta altura os 12 milhões de euros = 2,4 milhões de contos. Sem contar com a obrigatória participação camarária nalgumas obras em curso, nomeadamente no elefante branco da Levada = 1,2 milhões de euros = 240 mil contos. E depois há ainda aquele "pêssego" da ParqT, que enquanto não for resolvido custa aos contribuintes a bagatela de 800€ por dia = 160 contos. Muita fruta, na verdade.
Nestas trágicas circunstâncias, que fazer? As propaladas e até agora sempre adiadas mudanças de pessoas não vão resolver nada. É tudo gente da mesma fé, da mesma igreja e com os mesmos pecados, o principal dos quais foi e continua a ser a cobiça. Foram eles que levaram o município à ruína em que se encontra, deslumbrados pela ganância em relação os fabulosos fundos europeus. São portanto incapazes de proceder agora de forma a iniciar o caminho da recuperação, não só por feitio e carência de arcaboiço cabeçal, mas também porque ainda nem sequer estamos no meio do rio. O pior ainda está para vir, antes de a situação começar a melhorar muito lentamente até se atingir a outra margem -a da modéstia, da transparênia, da honestidade, da competência e das contas equilibradas.
Se fosse na actividade privada, nesta altura o empresário diria aos seus empregados -como muitos já estão a fazer- que enquanto durar a crise e até nova directiva só lhes pode pagar 60 ou 70% do ordenado, pelo que é de pegar ou largar. Tratando-se da autarquia, um ramo da função pública, os funcionários têm garantia de emprego para toda a vida. Ou pelo menos têm tido... Resta por conseguinte aguardar pelas soluções milagreiras do apóstolo Carrão, ao que consta iminente substituto do até agora mestre, que lá terá acabado por se cansar. Mais vale tarde que nunca, mas o fundo do túnel vai continuar escuro como breu. E os eleitores tomarenses com a água pelo queixo. Oxalá saibam aproveitar para ir aprendendo a nadar...

3 comentários:

Virgílio disse...

O Sr. Rebelo diz, e bem :


..."É tudo gente da mesma fé, da mesma igreja e com os mesmos pecados, o principal dos quais foi e continua a ser a cobiça. Foram eles que levaram o município à ruína em que se encontra, deslumbrados pela ganância em relação os fabulosos fundos europeus. São portanto incapazes de proceder agora de forma a iniciar o caminho da recuperação, não só por feitio e carência de arcaboiço cabeçal, mas também porque ainda nem sequer estamos no meio do rio. O pior ainda está para vir, antes de a situação começar a melhorar muito lentamente até se atingir a outra margem -a da modéstia, da transparênia, da honestidade, da competência e das contas equilibradas."


Se bem entendo está a falar de António Paiva, Corvelo de Sousa, Carlos Carrão e...sobretudo...do "Pater Famílias" Miguel Relvas...o estratega... o chefão político e espiritual do laranjal nabantino durante os últimos 20 anos, 14 dos quais no alto cargo institucional local de Presidente da Assembleia Municipal, órgão autárquico máximo do Município.

Verdade? Estou a entender bem?


Agora, conversando com os meus botões, pergunto-me:

Se o dito cujo, com todo o seu poder e influência, apenas prestando contas a ele próprio, permitiu e contribuiu activamente para o descalabro do concelho (vídé atribuições e competências legais da AM e do seu Presidente na definição e aprovação das Grandes Políticas para o concelho), como pode agora, como super MINISTRO DA REPÚBLICA, contribuir para a boa governação de todo o País?

Será que usa a CARTILHA DA MÁ GESTÃO para o concelho e usa a da boa gestão para o País?

Ou será que não passa, num lado e no outro, de UM PALAVROSO E MANHOSO INCOMPETENTE que anda a tratar da sua vidinha e, AGORA DO TOPO DA PIRÂMIDE,a traficar influências a contento do deputado/empresário que nunca trabalhou, que nunca criou postos de trabalho consonantes com o património e rendimentos declarados e que, por artes de mágica, aparece, de repente, como empresário de empresas fantasma, como conselheiro/assessor de gestão, como cidadão honorário do Rio de Janeiro e pessoa grada junto de alguns governantes corruptos do Brasil, de Angola e de Cabo Verde ?

Onde estudou, aprendeu, praticou, experienciou gestão, a nível básico, médio ou de topo?

Onde?

Os Tomarenses, os PORTUGUESES, têm de "abrir a pestana" !!!...

Enquanto se deixarem enganar e ludibriar pelos "Relvas", pelos "Luíses Ferreiras" e quejandos, estarão cada vez enfiados num túnel com a "saída" tapada por BETÃO CICLÓPICO...

Com todo o respeito,

Virgílio Lopes

António Rebelo disse...

Como decerto reconhecerá, sempre tenho procurado que a minha área de actuação esteja centrada na cidade que foi meu berço e no respectivo concelho. Em relação a este seu comentário, devo acrescentar que não é raro o maestro até ser razoável mas a banda não encantar ninguém, devido à incapacidade dos músicos. Acontece com frequência em todas as áreas. Mesmo na política local. Onde muitas maleitas são bem mais antigas que o reinado laranja.

Virgílio disse...

Ó Senhor Rebelo !

No mínimo, respeite-se a si próprio e respeite a inteligência dos seus concidadãos.

Poupe-nos à sua "ingenuidade musical", por entre patacoadas de "maestros" e músicos" da reinante cacofonia política nabantina... que os seus 70 aninhos já não comportam...

Com todo o respeito,

Virgílio Lopes