quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DO FUTEBOL E DA POLÍTICA LOCAL

Do DN, com os nossos agradecimentos.

Seja-me permitida mais uma invasão de um território alheio, para mim inóspito e desconhecido -o mundo do futebol. Visto de fora e de longe, este início de época tem sido, parece-me, riquíssimo em acontecimentos que, na minha tosca opinião, vão fazer história. Refiro-me, bem entendido, à multimilionária transferência de Mourinho, mas também, e sobretudo, à de Vilas-Boas para o Porto, bem como à extraordinária actuação do Braga, liderado por Domingos Paciência.
Em todos estes casos, pelo menos para mim, que nada percebo do desporto-rei, estamos perante a nova escola portuguesa de futebol, que já demonstrou, com o Inter de Mourinho, os golos do Porto, e agora com os bracarenses em Sevilha, poder rivalizar com o que de melhor se vai elaborando pelos relvados do vasto mundo. Mesmo com o maravilhoso e produtivo jogo dos homens de Pep Guardiola, presentemente o melhor praticante, enquanto treinador, da chamada escola holandesa.
No nosso país, os três mencionados treinadores, e em certa medida o agora benfiquista Jesus, constituem, por assim dizer, os arautos da nova maneira de agir: trabalho árduo, contínuo e rigoroso, clara definição e hierarquização de objectivos, liderança forte e absoluta, audácia temperada de realismo. A título de exemplo, foi admirável ver na TV, no melhor estilo Mourinho, Domingos Paciência afirmar serenamente que o Braga iria certamente marcar em Sevilha. Muitos terão duvidado, tal como aconteceu comigo, mas afinal o homem sabia muito bem o que estava a dizer. E aqui reside, quanto a mim, a diferença fundamental em relação ao passado recente. Como parecem ultrapassados, por exemplo, os tempos de Artur Jorge ou do actual seleccionador, ambos exímios adeptos e praticantes daquela táctica miudinha, irritante, frustrante, feia, do não joga nem deixa jogar; não marca nem deixa marcar. O importante é defender o magro resultado já alcançado. Como uma vez disse um conhecido técnico da velha escola: Vamos jogar ao ataque, mas fechadinhos cá atrás. De tanto insistir em semelhante modelo de "jogo", Artur Jorge acabou mesmo por ser despedido do PSG. Não proporcionava espectáculo e os exigentes espectadores parisienses, cansados, agastados, protestavam.
Bem ao contrário, a nova escola de Guardiola, Mourinho, Paciência e Vilas Boas, mostra-se audaciosa. Arrisca, joga e deixa jogar. Raramente se decide a defender o resultado. Temos assim um futebol mais bonito, mais espectacular, com mais incerteza. Exactamente o inverso da anterior prática, bem patente nos jogos da nossa selecção, no recente campeonato da África do Sul.
Todas estas considerações para constatar e lamentar que, desde há muito tempo, os políticos eleitos que temos aqui pelo vale, insistam em praticar o tal irritante "jogo miudinho". Não fazem nem deixam fazer; não "coiso" nem saem de cima. Limitam-se a procurar defender a todo o custo os magros resultados conseguidos nas eleições. Na ânsia exclusiva de poderem chegar, mais ou menos incólumes, à próxima consulta autárquica. Para então voltarem a tentar iludir os eleitores. Não têm doutrina, nem planos, nem objectivos. Limitam-se a segurar o resultado, usando as armas mais irritantes -silêncio, hipocrisia, fingida indiferença, aparente serenidade, falsas promessas, constantes desculpas. O resto que se lixe. E o concelho vai definhando, definhando, definhando... Para quando Mourinhos, Vilas Boas ou Paciências, na política local e nacional? Ignoram, ou simulam ignorar, que "Quem não arrisca não petisca?" O tempo urge! Ontem já era tarde!

1 comentário:

Anónimo disse...

Vê-se mesmo que de futebol não pesca nada. O Villas boas fez 4 jogos oficiais no Porto e metade de uma época na Académica. Se pretende novatos à frente da concelhia...