sexta-feira, 30 de abril de 2010

OUTRA VEZ O ESTALINISMO ?

É do conhecimento geral que Estaline ordenou massacres de milhões de seres humanos. Além disso, ordenou que se reescrevesse a história, de forma a expurgá-la de todos os que lhe não eram benquistos. No quadro dessa limpeza da história, chegou-se ao cúmulo de "corrigir" fotografias, apagando quem não convinha.
Estaline morreu há muito e a sua União Soviética implodiu. Todavia, a herança estalinista ainda por aí aflora de tempos a tempos, até nos mais insuspeitos documentos. A ilustração supra é parte do desdobrável promocional do próximo Congresso da Sopa. Nele se pode ler que "O Congresso da Sopa nasceu em 1994, pela iniciativa do município. Numa altura em que a proliferação de congressos grassava pelo país, pensou-se...". Trata-se, sem a menor dúvida, de uma nova versão da história, que assenta numa redonda mentira. Não se pensou coisa alguma, não havia pelo país fora qualquer vaga de congressos e o município não teve qualquer iniciativa. Foi Manuel Guimarães, beirão, tomarense pelo coração, professor, jornalista, director hoteleiro, gastrónomo e promotor da biblioteca municipal, com a ajuda de António Cartaxo da Fonseca, que teve a ideia do 1º Congresso da Sopa. Vai daí, solicitou o patrocínio da autarquia, obteve-o sem dificuldade e passou à prática, com um sucesso que agora todos reivindicam. Que certas coisas não sejam do agrado de quem neste mandato gere no município os destinos do concelho, é natural. Que haja discordâncias entre os parceiros da circunstancial aliança para governar, aceita-se. Que se tente falsificar a história local, atribuindo-se qualidades que nunca existiram, não é digno de pessoas de bem.
O ex-ministro da economia e finanças do governo Sócrates, Campos e Cunha, escreveu no Público de hoje uma opinião que nos parece particularmente adequada à tragédia tomarense, e que termina assim: "Quando o Titanic se afundou, por incúria e soberba do comandante, a orquestra continuou a tocar. Foi um gesto tão heróico quanto inútil e, por isso, ainda o recordamos. Desta vez, também a banda continua a tocar, enquanto o País se afunda, como se nada se passasse. Desta vez não é heróico, é ridículo e trágico."
Onde está comandante ponha-se actual maioria. Onde está País, escreva-se Tomar. Depois é só voltar a ler e sacar as respectivas conclusões. Quando se começa a tentar emendar a história, algo vai mal na democracia que vamos tendo.

NÃO SE ASSUSTEM TOMARENSES !!!

Foto 1 - Sector reservado às mulheres no Muro das lamentações em Jerusalém

Foto 2 - Muro das lamentações em Jerusalém. Duas crentes judaicas deixam o seu lamento

Foto 3 - Pedestal onde estava o busto do industrial tomarense Manuel Mendes Godinho, vendo-se ao fundo parte do novo Muro das lamentações.

Foto 4 - O Muro das lamentações tomarense, vendo-se as três frestas, duas delas ainda com a madeira de cofragem.

NÃO SE ASSUSTEM TOMARENSES !!! MAS MEXAM-SE QUANTO ANTES !!!

Já muito causticados por uma crise que ninguém entende, nunca mais acaba, e para a qual nem os melhores especialistas encontraram ainda uma solução capaz, os tomarenses ficam ainda mais assustados quando olham para as obras em curso na Rotunda Alves Redol. E o caso não é para menos, pois salvo no que toca à destruição da fonte cibernética, ninguém percebe o que está a ser feito ali junto à moagem. O próprio Manuel Mendes Godinho, cujo espírito por ali paira desde a segunda metade do século XIX, cansou-se de ver tanto disparate e deu à sola (Foto 3).
Mal informados, os eleitores locais vão arranjado toda a espécie de explicações para aquele muro. A tal ponto que um dirigente laranja local já nos asseverou que se trata do primeiro resultado em termos de obras do acordo PS/PSD, a coligação 3+2. De um lado temos a zona do socialismo real, do outro o mundo livre. Como era em Berlim. De um lado o cu, do outro a ligação. Como é em Tomar.
Fiel ao seu lema "Os meios de saber e a coragem para o dizer", Tomar a dianteira foi longe mas conseguiu encontrar uma explicação racional para o que estão a fazer entre a rotunda e a moagem.
Como é do conhecimento geral, há em Jerusalém o Muro das lamentações (Foto 1), lugar sagrado para os judeus, pois é tudo o que resta do Templo de Salomão, referido na bíblia. A milenar parede do templo está dividida em dois sectores, um para cada sexo. Os assim-assim são forçados a optar. Em ambos os sectores, os crentes lamentam-se, fazem as suas orações e deixam mensagens, naturalmente com lamentos e pedidos, nas juntas dos blocos de pedra (Foto 2).
Numa jogada turística de largo alcance e com um futuro risonho, a autarquia tomarense resolveu mandar edificar junto à rotunda uma réplica tomarense do Muro das lamentações, bem entendido com as inovações ditadas pela experiência. (Foto 4) Assim, não haverá qualquer separação sectorial por sexos. Todos os eleitores vão poder aproximar-se do Muro. Bastará subir um bocadinho. Na mesma linha, as mensagens com lamentos e/ou pedidos também não serão metidas nas juntas, até porque a tomarense edição do muro é em betão pronto. Atenta às necessidades dos eleitores e, sobretudo, dos turistas, a nossa maioria autárquica exigiu dos projectistas três frestas para pedidos e lamentos -Uma para lamentações de direita, outra para lamentações de esquerda, outra ainda para lamentações maiores, de outro nível e de centro. (Foto 4). Vai ser um verdadeiro corropio de locais, nacionais e estrangeiros ! Só judeus serão milhões !
Finalmente, o quinteto laranja rosado (ou será rosa alaranjado ?) acertou ! Tomar teve durante muitos anos uma Comissão Regional de Turismo dos Templários, Floresta Central e Albufeitas. Uma vez concluída esta obra magnífica da rotunda, o futuro organismo regional de promoção turística terá por título Turismo dos Templários, do Muro e da Fresta Central. Pois então ! Como as raparigas novas, claro está !

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO PAPELARIA CLIPNETO LDA.

Já foi dito, mas repete-se com todo o gosto, por ser útil relembrar. O MIRANTE não pode nem deve ser comparado com os dois semanários tomarenses, visto ser um semanário regional, no qual os assuntos tomarenses são tratados com fazendo parte de um conjunto mais vasto. Inversamente, CIDADE DE TOMAR e O TEMPLÁRIO focam a atenção na nossa cidade, e só depois nas outras zonas do distrito.
Exemplo de tal diferença é a notícia "Hotelaria da região beneficia da visita do Papa a Fátima", na primeira página do referido semanário distrital. Na página 22, no corpo da notícia, pode ler-se isto: "No dia 16 de Abril, pelas 13 horas, apenas o Hotel 3 pastorinhos, em Fátima, indicava ter ainda três quartos para alugar, para 12 e 13 de Maio. As restantes ofertas [do site Booking.com] encaminhavam o turista para S. Martinho do Porto, Nazaré, Marinha Grande, Monte Real, Óbidos, Ferreira do Zêzere, Cernache do Bonjardim, Constância, Caldas da Rainha, Figueiró dos Vinhos, Dornes e Cumieira." Tomar ainda fará parte do mapa turístico/hoteleiro da zona ?
Igualmente na primeira página mirantina "Câmara de Tomar quer anular contrato com a ParqT" e "Tomar homenageia antigo mordomo da Festa dos Tabuleiros" Com o devido respeito e amizade pelo Luís Carlos, cuja festa de homenagem devia ter sido decidida pelo município e feita no Salão Nobre dos Paços do Concelho, pois é ali a casa de todos os tomarenses, ao ler semelhante título fica-se com a ideia de que resolveram homenagear mais uma antiguidade nabantina...

Ao compulsar a edição desta semana do semanário sob a direcção de António Madureira, fica-se com a ideia de que a sociedade tomarense está a evoluir, apesar de tudo, mas com facetas algo paradoxais. Vejamos. Logo em manchete "Entrada da Mata apresenta aspecto desolador". Ao lado "Empresa Manuel Freitas Lopes investiu 600 mil euros no tratamento de pinheiros e ainda não recebeu o apoio prometido". Na página 12, as opiniões do presidente da junta de Santa Maria dos Olivais e de Joaquim Margarido. "Demagtogia, falta de ética, incoerência e desconhecimento da lei", escreve aquele autarca. "O Tê que falta a Tomar", titula Margarido. Há ainda a habitual crónica de Mário Cobra, esta semana com o prometedor cabeçalho "Recuperar monumento através do facebook" e, sobretudo, a Nota do Director, na última página, desta feita contundente como poucas.
Temos assim que o usualmente pacatíssimo e muito conformista decano da imprensa tomarense, por motivos que de momento nos escapam, resolveu passar ao ataque e fá-lo de forma nada camuflada, o que com muita satisfação se saúda com frontalidade.

"Espancado à porta de bar", "Obrigado, Luís Santos", "Droga levou-a à morte", "Europassion em Ferreira do Zêzere", "Quinta do Bill: novo álbum já gravado" e "Riachense campeão distrital", são os títulos de primeira página d'O Templário, por esta ordem. No interior, páginas 2 e 3 sobre "Ex-toxico-dependente encontrada morta", páginas 5,6,7,8 e 9 sobre a homenagem a Luís Santos, página 11 com o caso do jovem espancado, e assim sucessivamente. Sobre a presente situação de crise, apenas o caso do trabalhadores da Platex, a visita do deputado do PCP, os Independentes tomam posse e o diferendo entre a autarquia e a ParqT.
Perante isto, torna-se claro o presente paradoxo tomarense. Um jornal até agora consensual e conformista parece ter encetado um caminho mais interventivo. Inversamente, outro jornal em geral tido por mais jovem, irreverente e imparcial, parece estar a tornar-se pouco a pouco num órgão de imprensa do tipo designado na Europa por "people", que em português podemos substituir por "socialite" ou "de frivolidades".
E não custa a crer que assim seja, porque o reinado do facilitismo, que já dura há 35 anos, inculcou nas gerações mais novas a ideia de que tudo se obtém sem esforço, as coisas caem do céu, os cidadãos só têm direitos, os contribuintes aguentam e pagam tudo, os papás têm o dever e a obrigação de nos sustentarem e de pagarem as nossas extravagâncias, o governo só não dá aquilo que não quer, porque eles têm lá uma máquina de fazer notas e aquilo é só pô-la a trabalhar...
Por isso estamos como estamos. E vamos estar cada vez pior, se tal mentalidade se não alterar pela força das circunstâncias. Oxalá !

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A RESPOSTA QUE ERA PREVISÍVEL

Pelo menos em Tomar, muitos cidadãos ficaram algo surpreendidos, preocupados e até atordoados com a presente turbulência económica. Manifestamente, não acreditaram no que aqui temos vindo a escrever desde há meses, pelo que o súbito agravamento da situação económica os apanhou desprevenidos. E no entanto... Quantas vezes aqui foi dito que o pior ainda estava e está para vir ? Quantas vezes aqui se escreveu que a situação económica é extremamente grave ? Quantas mensagens aqui foram publicadas a aconselhar moderação nos gastos, tanto para a autarquia como para os particulares ? Tudo debalde, devemos reconhecer.
Tudo debalde porque, se em termos culturais o país é nitidamente mais terceiro-mundista do que europeu, na área da economia então batemos records de analfabetismo funcional. Pura e simplesmente, a esmagadora maioria dos eleitores não consegue perceber o que lhes dizem durante as campanhas eleitorais, qualquer que seja o conteúdo da mensagem. Não espanta, por isso, que tanto a nível nacional como regional ou local, seja extremamente fácil e corriqueiro intrujar os cidadãos, com a certeza de que estes nunca reclamarão. Daqui resulta a curiosa política nabantina, que já dura há anos -Autarcas eleitos por uma maioria de ignorantes, passam a considerar-se muito acima dos seus concidadãos, conquanto não tenham qualquer ideia substantiva para o futuro da cidade e/ou do concelho.
Assumidas as funções, passam a mentir por acção ou omissão com a mesma facilidade com que mudam de camisa. Entram na prática da política do faz de conta, ao mesmo tempo que se vão tentando apropriar das ideias alheias. Com as raras cabeças pensantes claramente na retranca, obstinam-se numa pretensa indiferença, ao mesmo tempo que vão anunciando iniciativas cuja pertinência nem sempre é evidente.
Não há muito tempo, Corvêlo de Sousa mostrou-se optimista em relação à situação financeira da autarquia. Declarou na Rádio Hertz que a dívida global do município corresponde a um ano de receitas. Estando por saber a que receitas se referiu -as efectivamente arrecadadas, ou as inscritas num orçamento algo criativo em termos contabilísticos- resta-nos situá-las entre os 32 milhões do realismo e os 57 milhões da tal criatividade. Pouca coisa ? A dívida de 87 milhões, que praticamente asfixia a Câmara de Santarém, é muito superior ? Pois é. Mas o município escalabitano tem mais do dobro do eleitorado tomarense, pelo que a nossa dívida de quase 40 milhões é bem mais grave e pesada do que parece. Apesar do truques de maquilhagem.
Dirão alguns eternos intrujados que a câmara ainda recentemente pagou a quase todos os seus fornecedores. Pagou sim senhor. Com dinheiro pedido à banca para esse efeito. Acham isso natural ? Pensem um bocadinho. Se para pagar aos fornecedores é necessário recorrer à banca, que não empresta de borla, onde irão os nossos brilhantes autarcas no futuro desencantar fundos para pagar à banca as somas em dívida, mais os respectivos encargos, que agora vão subir bastante ?
Porque será que resolveram avançar com mais um projecto estilo Paiva -o da Rotunda com mais um horrível paredão- em vez de terminarem as obras do Largo do Pelourinho, o saneamento da Rua do Teatro, da Rua Aurora Macedo, dos dois troços da Rua Joaquim Jacinto, da Rua Infantaria 15, etc ? Que os levará a manter o triste espectáculo dos buracos no alcatrão à volta do Soldado desconhecido ? Quais as razões que determinam o evidente adiamento das obras de requalificação junto ao Castelo e ao Convento ? As previstas para a Mata eram de um montante próximo do milhão de euros, afinal ficam-se por pouco mais de 200 mil. Porquê ?
Disse bem Lincoln: É possível enganar toda a gente durante um certo tempo, mas é impossível enganar a todos durante toda a vida. Governo e autarcas chegaram ao fim das respectivas passadeiras. Ainda conseguem enganar alguns eleitores, que pelo menos em Tomar continuam a ser a maioria, mas os mercados acabam de dar a resposta que era prevísivel: Deixem-se de mentiras e de brincadeiras. Governem como deve ser, que é para isso que vos pagam. Ou então dêem lugar a outros que saibam pelo menos o b a bá da arte.
Face a esta resposta abrupta, no que a Tomar diz respeito, se com alguma felicidade à mistura, a circunstancial coligação conseguir sobreviver até às próximas eleições (hipótese que continuamos a considerar fantasista), todos os seus membros estarão então mais queimados do que o carvão. Cá se fazem, cá se pagam !

REMENDOS À SALAZAR

Tal como em 2009, no próximo dia 8, quando tem lugar o Congresso da Sopa, a velha Roda do Mouchão estará em funcionamento, só para a fotografia. Entre outras benfeitorias, António Paiva mandou requalificar tudo aquilo, o que implicou a destruição do multicentenário sistema de rega com a água tirada do rio sem gastar energia poluente. Agora temos a rega por aspersão, com água da rede. Fica mais caro, mas é outro asseio e dispensa mão de obra, ao contrário do método ancestral.
Com o açude ocorre quase o mesmo. Antigamente, uma vez armada a represa, colocavam areia tirada a rodo do leito do rio, para vedar a barreira de ervas e ramos de pinheiro. Como era um trabalho bastante árduo, descobriram uma maneira bem mais fácil de cumprir a mesma tarefa -Despejam umas carradas de serrisca no açude. Sem intuirem que se sujam ali terão de limpar mais abaixo. E afinal era tão simples. Bastava continuar a usar a areia do rio, colhida e levada até ao açude por uma máquina escavadora, operando no próprio leito.
Quanto à roda, visivelmente em fim de vida (basta olhar para o eixo), a autarquia insiste nos remendos à Salazar. Como se sabe o governante autoritário sempre recusou obras novas, quando as reparações ainda eram possíveis. Por isso chegámos ao 25 de Abril com a pior rede de estradas da Europa, ainda por cima cheias de remendos. O mesmo parecem pensar os autarcas que temos. Já o ano passado aqui foi escrito que seria de toda a conveniência mandar fazer uma roda nova, enquanto ainda há quem as saiba fazer. Foi o mesmo que estar calado.
Mais ano menos ano, quando o eixo der mesmo o berro final, chegarão à conclusão de que têm de custear obra nova, se ainda houver quem a faça. Nessa altura afirmarão, convictos como sempre, que ninguém podia prever e que não foram avisados em tempo útil. Até lá, continuarão a insistir nos remendos. E se mandassem pôr remendos nalgumas vias urbanas, já não seria nada mau. Mas é que nem isso !

terça-feira, 27 de abril de 2010

CHEGARAM OS DIAS DE TEMPESTADE

Escrevemos aqui, na altura em que foi apresentado o PEC, tratar-se de um documento para entreter, para ganhar tempo e tentar ludibriar uma vez mais os portugueses. Em todo caso, largamente insuficiente para sossegar os mercados financeiros, uma vez que aposta num crescimento económico que nada indica poder vir a surgir. Referimos igualmente que devíamos estar preparados para medidas mais duras, uma vez que o pior ainda estava para vir. Infelizmente para todos nós, não nos enganámos. A tempestade chegou ! Queda brutal da Bolsa de Lisboa, nova descida da notação financeira da dívida pública portuguesa, evidente nervosismo nos meios governamentais lusos e no seio da União Europeia, que marcou uma reunião de urgência para debater a grave situação, enquanto Passos Coelho e Sócrates reúnem, igualmente à pressa.
O enviado especial do jornal Le Monde escreveu na edição de hoje, página 15 - Economia, uma notícia argumentada a quatro colunas (ver ilustração supra), cujo título até pode provocar arrepios a alguns: "A fragilidade económica e política de Portugal faz temer que seja o próximo alvo dos mercados". Quanto à chamada de título, julgamos que dispensa qualificativos -"A comparação com a Grécia irrita o governo português, que realça a fiabilidade das suas contas públicas"
Mais abaixo, no corpo da notícia, pode ler-se que "Após o congelamento dos salários da função pública durante os próximos quatro anos, a admissão de um só funcionário por cada dois que se reformam, a supressão ou a diminuição dos subsídios sociais e das deduções fiscais, os portugueses devem estar preparados para novos apertos de cinto, até ao fim do ano.
Para todos os que teimam em não aceitar os novos tempos, como por exemplo os sindicatos que continuam a marcar greves, como forma de pressão para conseguirem aumentos salariais, Carvalho da Silva, líder da CGTP, citado nesta peça do Le Monde, foi extremamente claro e conciso -"A crise internacional veio agravar uma crise nacional profunda em todos os sectores da sociedade portuguesa. Reina um sentimento de impotência entre os trabalhadores".
E agora ? Daqui para a frente, os juros dos empréstimos vão aumentar e haverá mais dificuldade para obter crédito. Teremos muito provavelmente um aumento do IVA e a eventual cativação, ou mesmo a supressão, do 13º mês, ou do subsídio de Natal. Aumentará a fiscalização das baixas, do desemprego, do RMI e etc. O Estado vai ser forçado a investir menos e a reduzir as transferências para as autarquias. O desemprego e as falências vão subir. É provável alguma agitação social, sobretudo após a férias grandes.
A nível local, anunciam-se tempos muito difíceis para os senhores autarcas, que continuam agarrados a projectos elaborados a pedido de António Paiva, ainda no tempo da vacas gordas, quando dispunham da confortável maioria absoluta, que entretanto perderam. Perante a manifesta incapacidade para enfrentar com êxito estes novos e turbulentos tempos, muito dificilmente a coligação chegará incólume até à Festa dos Tabuleiros de 2011. As contradições no seu seio são demasiadas e demasiado evidentes. A prevista inspecção às contas da autarquia já começou a stressar alguns, lembrados que estão do lapso (vocábulo diplomático para aldrabice) detectado pela anterior acção inspectiva, sendo certo que os meios financeiros detestam contas maquilhadas, à maneira grega...
Depois, teremos duas hipóteses: novas eleições ou acordos pontuais. Cá estaremos para comentar, se ainda houver saúde. Até lá, vão esperando pelo D. Sebastião, que não tarda aí ! Olarila!

ACÇÕES BALOFAS E OBJECTIVOS CAMUFLADOS

Estamos numa época estranha. Ao contrário do que acontece por essa Europa fora, e contrariando o que afirmou Salazar a dada altura, tanto a nível nacional como local, em Portugal e na área política, o que parece não é.
A nível nacional, o que parece é que decorrem inquéritos parlamentares para apurar se o primeiro-ministro mentiu ou não ao parlamento, se o Jornal de Sexta, da TVI, foi silenciado ou não por exigência do governo, se José Sócrates sabia ou não do hipotético negócio PT/TVI. Tudo ornamentações de circunstância, visando camuflar o verdadeiro objectivo -derrubar o governo sem arcar com os custos inerentes em termos eleitorais.
Também em Lisboa e na mesma área, órgãos de informação vão procurando empolar o caso Freeport ou os projectos em tempos subscritos por Sócrates, como se fosse realmente informação essencial para o nosso futuro como país livre. Mais uma vez, os fins em vista são bem diferentes -contribuir para a queda do governo e, sobretudo, aumentar as vendas/audiências.
Tudo isto num país a braços com sérios problemas. Para além do défice e do desemprego, o sector da saúde vai-se degradando, a justiça está cada vez mais trôpega (cinco anos para julgar um caso de pederastia/pedofilia), a insegurança agrava-se a olhos vistos, e no ensino é o descalabro total. Não será tempo de os senhores parlamentares, alguns jornalistas, médicos, professores, e outros conceituados profissionais, deixarem de brincar a fazer desenhos com o chichi (os cavalheiros), ou às casinhas (as senhoras) ? Os eleitores começam a estar pelos cabelos, com tanta palhaçada, tanto fingimento, tanta inconsciência.

No pântano tomarense, as coisas também não vão bem, nem para lá caminham. Mas o contrário é que seria surpreendente. Afinal até há uma velha sentença rezando que, "para onde fores viver, faze os que vires fazer".
Com problemas gritantes, que vão do desemprego galopante ao êxodo da população, passando pela ausência de qualquer projecto político consequente, temos infelizmente de tudo. Até uma dívida municipal cada vez maior, que neste momento ninguém faz a menor ideia de como será paga. Se alguma vez for. Basta referir que a autarquia até já entrou também no famoso esquema de Ponzi, o tal que meteu o senhor Madoff à sombra para o resto dos seus dias. Qual Dª Branca, o município tomarense também já começou a pagar dívidas antigas com o dinheiro de dívidas mais recentes, entretanto contraídas junto da banca, para liquidar aquelas.
Ao mesmo tempo, os senhores autarcas vão difundindo junto dos eleitores a realização de obras como o arranjo da Rotunda, a via pedonal cidade/castelo pela Mata, ou o arranjo da Cerrada dos Cães. Para além de se tratar claramente de obras desgarradas, cujos objectivos estratégicos nunca foram claramente apurados, quanto mais agora anunciados, acontece que os fins realmente pretendidos estão bem longe dos propagandeados. Visa-se apenas, em todas elas, fazer obras para no momento oportuno angariar votos e, sobretudo, intrujar os cidadãos, continuanbdo a prática usada na campanha eleitoral, quando se lhes garantiu que havia planos tácticos e estratégicos, e afinal de contas...
Falando claro, tanto na Rotunda, como na Mata, como na Cerrada dos Cães, em termos de real utilidade, trata-se apenas e só de instalar, de forma algo camuflada, os colectores de esgotos domésticos e de águas pluviais.
Num tal contexto, até os cidadãos começam a embarcar com satisfação em acções camufladas. Muitos tomarenses estão encantados da vida, porque conseguiram, em poucos dias, mais de dois milhares de adesões no Facebook (e até o apoio do vereador Luís Ferreira) para um protesto contra a evidente degradação do ex-Convento de Santa Iria. Tal como recolheriam ainda mais adesões se lançassem uma petição contra a pobreza e o desemprego em Tomar e no país. Em ambos os casos, os cidadãos estão todos de acordo. Não conseguem é indicar uma maneira de alcançar os objectivos enunciados. Exactamente como no caso das entidades oficiais, os jovens do Facebook apenas demonstram com a sua iniciativa, aparentemente em defesa do velho convento junto à ponte antiga, que também já dominam a técnica dos objectivos camuflados. O texto rejubilatório do nosso colega Luís Ribeiro, em tomaracidade.blogspot.com, é como o algodão do conhecido anúncio -não engana: trata-se sobretudo de conseguir protagonismo, o tão apreciado "penacho" tomarense, que pouco ou nada tem a ver com o termo francês "panache", que lhe parece estar na origem...
Para o ex-Convento de Santa Iria, como para muitas outras coisas tomarenses, as perguntas básicas são estas: Como salvá-lo do desaparecimento ? Para quê ? Com que meios materiais ? Onde conseguir tais fundos ?
O resto não passa de ruído ambiente. Para camuflar, entretendo até 2013, como convém.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

URBANISMO TOMARENSE

Aqui temos, numa perspectiva menos habitual, o aspecto actual da zona recentemente urbanizada em redor da Igreja de Santa Maria dos Olivais. Que opinião têm os nossos leitores ?
Um êxito ? Um desastre ? Um resultado mediano ? Dinheiro mal gasto ? Teria sido melhor reabilitar o mercado ?

MAIS ASPECTOS DO PÂNTANO

Uma bela imagem do laranjal do Castelo, vendo-se à direita uma parte do antigo arco de entrada da rampa de acesso aos Paços do Infante. Quanto ao cano de esgoto, simplesmente magnífico ! De um bom gosto a toda a prova. E muito bem instalado. Com todo o cuidado possível.

Mesmo ali ao lado, a limpeza dos caminhos pedonais é a documentada nesta foto. Já lá vai o tempo em que um só jardineiro chegava para cuidar do laranjal, (dentro e fora da muralha), e abrir a porta da Torre da Condessa, quando os turistas tocavam a sineta ali existente. Mas também é verdade que por essa mesma altura só havia 4 funcionários no Convento, que mesmo assim acompanhavam todas as visitas....e até davam as necessáris explicações, inclusivé para além da hora oficial de encerramento. Agora, há no Convento 30 e tantos funcionários, as visitas não são acompanhadas e o monumento encerra religiosamente em conformidade com o horário oficial: 9H30 - 12H30/14H00/17H00 (no inverno), ou 18H30 no Verão. E a 6 euros cada entrada...quando dantes era grátis.

Outro aspecto do citado laranjal, como se vê, irrepreensivelmente tratado. Afinal, nem outra coisa seria de esperar, num monumento classificado como Património da Humanidade, desde 1983. Certamente ainda não terá havido tempo para acertar agulhas em termos de gestão turística operacional...

O TEMPO PASSA, O DESMAZELO MANTÉM-SE

Uma visita à antiga Cerca Conventual (actual Mata Nacional dos Sete Montes), para ver o tão anunciado início das obras de requalificação da ligação pedonal Cidade-Castelo, leva um pacato cidadão a deparar-se com esta situação. Fazem-se sondagens arqueológicas (e ainda bem), mas os peões passam por onde ? Boa pergunta ! Quem é que os manda andarem a meter o nariz aonde não são chamados ? Arqueologia é tarefa para técnicos credenciados. Aos contribuintes compete apenas pagar os impostos, que hão-de permitir pagar aos arqueólogos. E cara alegre !

Logo adiante, mais um testemunho do nosso triste fado, como tomarenses: Há dinheiro para obras, que até vão incluir iluminação pública numa mata que fecha às 5 no Inverno e às 6 no Verão, bem como para escavações arqueológicas, mas não há quem faça a regular recolha do lixo. Este e outros contentores estão assim há meses.
E depois ficam muito ofendidos quando por aqui escrevemos que há na autarquia tomarense chefes e funcionários a mais, mas visivelmente faltam trabalhadores. A verdade é quase sempre inconveniente, nestes e noutros casos...

Saindo da Cerca e rumando ao Convento, observam-se as mazelas de sempre. Estrada em parte sem passeios e sem sumidouros capazes e suficientes; Calçada de S. Tiago lentamente tragada pela vegetação e pelo evidente abandono; Cerrada dos Cães com todo o aspecto de um campo de batalha, tantos são os buracos no pavimento.
Já no interior do Castelo, este magnifico exemplo das novas tecnologias -Uma máquina para efectuar uma visita virtual ao monumento, com as convenientes explicações, tudo mediante a introdução de uma moeda de euro. Para além da ideia insólita (Porque diabo se há-de fazer uma visita virtual, se o Convento está mesmo ali ? Porque fica mais barato ? Porque não há visitas guiadas ?). Pouco adianta responder, dado que a própria máquina também é só virtual. Na realidade trata-se apenas de um monte de sucata com ar moderno. Já estava fora de serviço o ano passado e assim continua. Há coisas que nunca mudam !

Cinquenta metros andados, este testemunho do temporal do Inverno passado. A história conta-se em poucas linhas. Tendo o IGESPAR determinado a requalificação das instalações sanitárias, que se apercebem ao fundo, do lado direito, as quais datam dos anos 30 do século passado, mas ignorando que cerca de 40 metros mais abaixo irá passar o futuro colector/emissário Convento/Rua da Graça, mandou abrir umas fossas. Azar dos azares, como era de prever, apareceram uns vestígios arqueológicos. Começaram as escavações...que nunca mais foram acabadas (basta observar a erva que já cobre a parte escavada). Os sanitários continuam fechados, as fossas por fazer...e o empreiteiro à espera do dinheiro. E esta hein ?!, diria o saudoso Fernando Pessa.

domingo, 25 de abril de 2010

ASSIM VAI O PÂNTANO

Foi inconclusiva a reunião dos dirigentes do União com os autarcas. Nem uns nem outros conseguiram encontrar uma maneira legal, isenta de futuras complicações, para ajudar o clube a ultrapassar as suas actuais dificuldades. Na verdade, o momento é particularmente sensível para os eleitos, visto que um ex-autarca algarvio foi há pouco condenado a ano e meio de prisão, com pena suspensa, por auxílio irregular ao Farense. Neste contexto, fui convidado pela Rádio Hertz para apresentar os meus pontos de vista, o que conto fazer sem papas na língua, mas com ponderação e isenção, amanhã, segunda-feira, a partir das 9 da noite. Antes pareceu-me adequado apresentar estas imagens.
Na primeira, a designada Casa Amarela, que a autarquia requalificou recentemente e entregou ao União, sem qualquer contrapartida. É a lavandaria do clube, que não paga renda, nem água nem luz.


No edifício administrativo do Parque de Campismo Municipal, o União continua a ocupar duas salas com vários caixotes e outros objectos, que se presume sejam o arquivo do clube, no todo ou em parte. Instados a abandonarem essas duas dependências, por cuja ocupação também não pagam nem renda nem energia, os actuais dirigentes rubronegros sempre a tal se recusaram, pois tentam usar a actual situação como pressão para obterem outro local a ceder gratuitamente pela autarquia.

Esse local era em princípio esta cave, de cerca de 400 metros quadrados, conseguida por António Paiva junto do empreiteiro do prédio, quando ainda não se previa a reabertura do Parque de Campismo no mesmo local onde antes funcionou. Acontece que o prédio ainda não está licenciado, mas a cave já foi cedida à autarquia, uma vez que o terreno onde está implantada foi obtido a baixo custo, exclusivamente para uso municipal. Caso a cave venha a ser cedida a particulares, os antigos proprietários tencionam, claro está, reivindicar novo preço para o terreno cedido.

Entretanto, os gritantes problemas do União não se resumem à falta de instalações, de receitas de bilheteira ou de verbas para satisfazer 115 mil euros de dívidas ao fisco. Consistem igualmente na constante falta de respeito pelas leis do país.
A fotografia foi tirado hoje e mostra um bar e publicidade a bebidas alcoólicas, durante treinos e jogos de menores de idade, o que é proibido e punível pela legislação em vigor. Para que não digam que sou mais um coveiro do União de Tomar, permito-me citar Moita Flores, presidente da câmara de Santarém, pelo PSD, que não será certamente inimigo do clube nabantino: "Vivemos num país de bêbados. Vivemos num país com muitos milhares de alcoólicos. Um país que cultua o vinho e bebidas como exigência da afirmação pessoal, do espaço de festa e de encontro. O álcool é o maior assassino português." (Francisco Moita Flores - Correio da Manhã)
Gostaria de vir a saber um dia destes que o seu filho, ou outro familiar, é um alcoólico ? Acha bem que, ao arrepio das leis, ele veja publicidade a bebidas alcoólicas e/ou gente a beber cerveja, durante os seus treinos e/ou jogos ?Pensa que as desgraças só acontecem aos familiares dos outros ?
É tudo muito bonito, desde que se mantenha a cabeça fria e o bom senso. Caso contrário...

António Rebelo

O NEGACIONISMO NABANTINO

Começo por pedir desculpa aos leitores. Um aborrecido problema técnico impediu-me o acesso ao blogue como administrador durante quase dois dias, o que lamento.
Entretanto alguém (presuntivamente do belo sexo, mas já entradota), aproveitou o computador do serviço para enviar o belo comentário que acima reproduzo, agradecendo penhoradamente a quem o escreveu, pois vem provar exactamente aquilo que aqui foi escrito na mensagem "Muito pior do que parece", de 21 do corrente: "Faz parte da idiossincrasia tomarense confundir as coisas. Considerar verdadeiro e possível tudo o que agrada; e falso, fantasista e impossível tudo aquilo que se detesta."
Além do já referido, o texto supra -peço desculpa pelo que vou escrever- denota um espírito seriamente perturbado, a necessitar de urgente assistência especializada. Vejamos: 1 - "É incrível..."Em que ficamos afinal ? É incrível e você acreditou ? Caso contrário não teria comentado. 2 - "Já devia ter percebido... são alvo de indiferença pela sociedade nabantina..." Que sociedade nabantina ? A tal de conformistas, cobardes, hipócritas, megalómanos, e etc ? Mas esses, escreve você "felizmente nem sabe(m) que este espaço existe". E convém acrescentar que também não sabem usar um computador, ou ler um texto como deve ser. 3 - Quem lhe concedeu poderes para falar em nome dessa presuntiva sociedade tomarense ? O Espírito Santo ? Ou o Gualdim Pais ? 4 - Quando tiver vagar faça o favor de nos explicar, a mim e aos outros leitores o que são "vagas dissertações", "olhar maquiavélico", "alvo de indiferença" e "espaço de escritos de má fé", onde naturalmente se inclui o seu. 5 - Peço licença para lhe lembrar que há, por esse mundo fora, milhões que negam o holocausto ou o gulag, e consideram o Hitler ou o Estaline como grandes estadistas e benfeitores da humanidade... Não me espanta, por isso, que você procure negar uma evidência que lhe desagrada sobremaneira -a de que o seu tempo mental já lá vai e nunca mais voltará. É triste, mas é assim !
Tem todo o direito de não concordar com o que aqui se escreve, de pensar ou dizer o contrário, de manifestar o seu desagrado. Não deve é confundir-se com o umbigo da cidade e do concelho, armar-se em porta-voz dos que você julga ofendidos, ou considerar as suas opiniões como as únicas verdadeiras, sérias e honestas. Como decerto sabe, em democracia somos juridicamente todos iguais, quer lhe agrade ou não.
Contrariando o que você pensa, se tiver a pachorra de rodar no rato até ao final das páginas visíveis, verificará que há muita gente a ler Tomar a dianteira, conquanto possam não pertencer à tal sociedade nabantina, que de resto ninguém sabe bem o que possa ser realmente. A funcionar desde 12 de Março de 2009, o nosso contador regista até agora 125 mil 350 visitas. Uma média de 9.642 visitas mensais = 321 por dia. Nada mau para "um espaço de escritos de má fé, que felizmente ninguém sabe que existe." Se calham a saber...
É como já lhe recomendei acima, de forma implícita: Trate-se quanto antes. Verá que vai começar a dormir muito melhor.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

QUEM COM FERROS MATA...

É um dos grandes inconvenientes das sociedades democráticas -Os votos têm todos o mesmo valor, o que leva bastantes analfabetos a pensar que podem dizer tudo quanto lhes apetece, porque terão sempre razão. Abrigados pelo anonimato, dão provas de grande coragem ao tentarem insultar, achincalhar, ofender, desacreditar, ou de qualquer forma agredir todos os que ousam opinar a peito descoberto.
No caso da recente colocação de sanitários portáteis na Cerrada dos Cães, ousámos dizer que Tomar a dianteira teria tido alguma influência na decisão, uma vez que foi dos primeiros a criticar o recente encerramento das casas de banho permanentes, e também por ser extremamente raro que os senhores autarcas reconheçam e/ou emendem os erros cometidos.
Tanto bastou para nos enviarem um comentário jocoso, que terminava com "presunção e água benta..." Cheirou-nos logo a Freiras (com t no lugar do segundo r) em defesa do seu prior, o que já é habitual, mas na dúvida ficámos calados.

Pois saiba a ou o ilustre comentarista que em relação às obras da Rotunda, que por enquanto nos abstemos de qualificar, fomos os primeiros e os últimos a documentar e criticar um sério atentado ao ambiente, que consistiu em usar o tronco de uma árvore ornamental cara como apoio de uma bancada de armação de ferro. Posteriormente, CIDADE DE TOMAR retomou o assunto, publicando o nosso texto e a foto supra, gentileza que agradecemos.

E não é que, poucos dias mais tarde, a tal bancada foi mudada, o apoio foi desmontado, e os pregos foram retirados, ficando apenas a sua marca no tronco da cameleira ?!
Como qualquer um intuirá, não terá sido de certeza por causa da nossa crítica, (uma vez que ninguém lê ou liga ao que aqui se escreve), secundada por CIDADE DE TOMAR, que a normalidade foi reposta. Foi apenas porque os armadores de ferro devem ter chegado à conclusão de que os pássaros pousados na árvore lhes cagavam em cima durante o trabalho. É uma pena que não façam o mesmo em relação a algumas ou alguns comentadores deste blogue, que ainda se não convenceram de que em nada contribuimos para as suas frustrações de toda a ordem. Na verdade, a realidade nunca é a preto e branco, pelo que o facto de por vezes errarmos não significa que os nossos contraditores possam ter sempre razão. Todos os cidadãos têm o direito de reclamação, mas reclamação não é igual a ter razão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

"Na realidade, o País, apesar de não estar bem, alcançou um nível de progresso e de desenvolvimento que se deve essencialmente ao trabalho desenvolvido por milhares de autarcas em prol das populações nas suas freguesias e concelhos." Assim conclui o vice-presidente Carlos Carrão o seu depoiamento no suplemento especial d'O MIRANTE "Somos filhos da madrugada", naturalmente àcerca do 25 de Abril 74.
Também n'O MIRANTE, uma boa e bem documentada peça assinada por Elsa Gonçalves, na qual esclarece um episódio importante da história tomarense -A agitação, a agonia e o encerramento da Fábrica de Fiação. "Sim [a ocupação pelos trabalhadores] matou a fábrica que chegou a ser um modelo na Europa" refere João Elvas, descendente de um dos administradores. "A fábrica morria na mesma, não foi esse episódio que ditou o seu fim", responde Júlio Godinho, um antigo trabalhador da contabilidade.

O TEMPLÁRIO notícia o encerramento de mais duas empresas (Bowling e Martataka), ambas pertencentes a entidade que inclui Ivo Santos como sócio. Refere igualmente a recente bátega, o suicídio de um jovem de Carregueiros e o movimento de cidadãos contra o desleixo no que concerne ao ex-Convento de Santa Iria. Vale a pena ler os 7 depoiamentos reproduzidos, que não apontam qualquer solução nova, salvo esta: "Porque não pensar num local de lazer, convívio e ao mesmo tempo cultural em vez de um hotel de luxo ?", interroga o nosso colega Tomar A Cidade.
No fundo, o resultado do ensino ministrado em Portugal de há trinta anos para cá: facilidades, divertimento, igualdade, boa vida. Alguém pagará. "Correm turvas as águas deste rio/Que as do céu e as do monte as enturbaram/Os campos florescidos se secaram/Intratável se fez o vale, e frio." Assim disse Camões há mais de 500 anos. E o vale tomarense está na verdade cada vez mais intratável e frio.

CIDADE DE TOMAR destaca o vandalismo nas ruínas do ex-Convento de Santa Iria e novidades no Convento de Cristo. Na página 8 fica-se a saber que na Casa da Ordem vai funcionar um restaurante, fora das horas de visita, que se pretende seja "como uma montra da gastronomia nacional". Refere-se também uma nova entrada para os visitantes, pelo Claustro da Lavagem e a eventualidade de uma Pousada. Sobre planos estruturados de exploração turística, de visitas guiadas, de horários, de formação profissional, nada. Faz pena constatar que quase trinta anos após a transferência para o Ministério da Cultura, o agora IGESPAR continua a não saber que fazer com o património que está encarregado de gerir.
Ainda em relação com a ex-sede da Ordem dos Templários e de Cristo, pode ler-se na página 8 que "Já começou a obra do percurso de ligação ao Convento." Vai custar quase 200 mil euros (40 mil contos) e incluirá uma rede de iluminação (muito útil, quando se sabe que a Mata fecha às 5 no Inverno e às 6, no Verão...), bem como a demolição das actuais instalações sanitárias, encerradas desde há algum tempo, e a construção de outras no mesmo local. Estamos realmente num país de loucos.
Mais curioso ainda: Após concurso público, a obra foi adjudicada ao consórcio VEDAP,SA/Aquino Construções, SA, onde por mero acaso trabalha como engenheiro o ex-presidente da câmara António Paiva, autor da ideia inicial de requalificação do percurso. Há realmente coincidêncidas felizes. Como no caso de Jorge Coelho e da Mota Engil, por exemplo...

ASSIM VAI O PÂNTANO

Foto 1-Agora que os turistas começavam a habituar-se e a gostar das nabantinas casas de banho campestres e descapotáveis, que permitiam ir arejando enquanto se aliviavam, os nossos autarcas resolveram voltar à estaca zero.

Foto 2- Esta manhã um funcionário municipal andava muito ocupado a reabrir as portas, soldadas há tão pouco tempo. O que deixa supor que vai haver obras de beneficiação ainda antes de verão. Boa! Boa!

Foto 3 - Enquanto não se começam e acabam as obras de requalificação, foram colocados sanitários portáteis, ideia que se aplaude vivamente, pois o movimento de visitantes já é grande, apesar das entradas a 6 euros e sem direito a guia.

Foto 4 - À cautela, que como dizia o outro, isto é tudo gente séria, mas a verdade é que me roubaram a carteira, está tudo devidamente amarrado à árvore, não vá o diabo tecê-las. O pior é se vai árvore e tudo...
Quanto ao sanitário da esquerda, para deficientes, tem a porta amarrada e com cadeado. Disseram-nos que apenas para evitar que venha a ser usado por não-deficientes. A chave está no vendedor ambulante. Agora só falta uma informação na respectiva porta a dizer isso mesmo...


AFINAL SEMPRE VAI VALENDO A PENA...

Além das qualidades ontem aqui elencadas, os tomarenses em geral são também conformistas, derrotistas, pessimistas e fatalistas. Habituados à tradicional modorra local, quando aqui alertamos para algo que consideramos estar mal, chovem logo comentários do tipo "Vale bem a pena vale!", "Ninguém vos liga !", "E quem é que lê o Tomar a dianteira ?" "Para que santo andam vocês a rezar ?"
Estamos por isso contentes, mas sem qualquer triunfalismo pacóvio. A câmara reconheceu implicitamente ter procedido de forma precipitada e está agora a procurar remediar o problema criado. É uma decisão que só honra quem a tomou e da qual beneficiamos todos, directamente ou em termos de amor-próprio. No fim de contas, a democracia local é isto mesmo: Ouve-se ou lê-se o que dizem os eleitores e age-se em consequência, sem rancor nem sentimento de derrota. A vida não é um mero desafio de futebol.
Parabéns portanto à autarquia. Continuem por este novo caminho que vão bem. Na nossa tosca opinião... Afinal sempre vai valendo a pena criticar com correcção.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

MUITO PIOR DO QUE PARECE...

Vivemos num país cada vez mais original e afastado da realidade envolvente. Agora foi a vez do senhor presidente da república vir desmentir as previsões do prémio Nobel de Economia, Stiglitz, sobre a próxima bancarrota de Portugal. Como se a opinião de um doutorado em economia por uma universidade inglesa de segunda linha tivesse algum peso contra a de um galardoado com o Nobel. Mais estranho ainda -Quando se sabe que Cavaco não tem funções executivas ou qualquer hipótese de corrigir a trajectória governamental, a sua inopinada intervenção dá que pensar. Se calhar, em vez de ajudar, partindo do princípio que era essa a intenção, produziu exactamente o efeito inverso: só veio prejudicar. Porque, em termos económicos, quando um presidente, economista de formação, mas sem funções executivas, julga necessário intervir publicamente, é caso para desconfiar... A situação deve ser realmente catastrófica.
A nível local, no fundo aquele que mais interessa a quem nos lê, as notícias não podiam ser piores na área económica. Confirma-se que o PEC terá de ser revisto quanto antes, para incluir medidas mais gravosas. Confirma-se que praticamente não haverá crescimento económico no país em 2010, o que significa a persistência da crise. Confirma-se igualmente que o desemprego se vai manter na casa dos 10%. Perante isto, tanto a autarquia como os eleitores continuam indiferentes a tudo e a todos. As obras previstas antes da crise continuam como se nada fosse, os autarcas nada dizem e os cidadãos insistem no expectativa de que tempos melhores não tardarão. Estão redondamente enganados, mas quem os consegue convencer disso ?
Faz parte da idiossincrasia tomarense confundir as coisas. Considerar verdadeiro e possível tudo o que agrada e falso, fantasista e impossível tudo aquilo que se detesta. Nestas condições que futuro para todos nós ?
Na Argentina, que já esteve em bancarrota no início deste século, comenta-se que comprando um argentino pelo seu valor de mercado e conseguindo vendê-lo por aquilo que ele julga valer, ganha-se uma imensa fortuna. O mesmo se poderá dizer dos tomarenses em geral. Têm um ego macro mas capacidades intelectuais micro. E vivem satisfeitos, porque nunca os confrontaram com a verdade nua e crua. Por falta de conhecimentos, por falta de coragem, por oportunismo...Pois bem, aqui vai ela. Na nossa tosca opinião, bem entendido.
Como é sabido que o tomarense gosta pouco de ler, excepto jornais desportivos ou de mexericos, digamos de forma sucinta que os nabantinos têm muitas qualidades, que outros consideram defeitos. São hipócritas, mentirosos, velhacos, obstinados, cobardes, invejosos, oportunistas, presunçosos, trombudos e megalómanos. Estão para os europeus do norte como os ciganos estão para a restante sociedade portuguesa -marginalizados e sem qualquer desejo de nela se integrarem. Políticamente são do pior que há, pois ignoram o que seja humildade, lealdade, ética, cidadania, coluna vertebral ou fraternidade. Só criticam quem foi eleito para governar por não poderem aceder a tais lugares.
Num contexto assim, compreende-se que não gostem mesmo nada de Tomar a dianteira, que tem o mau gosto de todos os dias agitar as águas mal cheirosas do pântano local. Compreende-se igualmente que aceitem como boas declarações de responsáveis locais que são pelo menos dúbias. Exemplos.
Aquando da inspecção da IGAL, o relatória final incitava a autarquia a não empolar o orçamento, como ilegalmente tem vindo a fazer. Um senhor vereador julgou apropriado responder por ofício que o município procuraria cumprir "na medida do possível". Afinal as leis são para cumprir, ou só na medida do possível ? A população não se manifestou. Falando da situação financeira da autarquia, o seu presidente disse que era excelente, uma vez que a dívida total corresponde a um ano de receitas. Ninguém julgou útil (ou foi capaz) de lhe perguntar de que receitas estava a falar. Das orçamentadas ? Das efectivamente conseguidas no ano anterior ? Entre as duas realidades há um verdadeiro abismo. A população mais uma vez não se manifestou. Soube-se recentemente, via imprensa local, que em 2009 a câmara arrecadou menos 600 mil euros de receitas correntes. Em relação a quê ? Às realmente recebidas em 2008? Ou às orçamentadas ? É realmente muito fácil, e proveitoso em termos eleitorais, inflar o orçamento. Permite dar-se ares e, em simultâneo, camuflar realidades menos agradáveis. Um défice de 15% num orçamento de 50 milhões é na realidade de 30%, num orçamento verdadeiro de 25 milhões... Todavia, como bem disse Lincoln, "É possível enganar uma pessoa durante toda a vida e o eleitorado durante um certo tempo. Mas é impossível enganar toda a gente durante toda a vida."
Se e quando os tomarenses resolverem mudar de vida em termos políticos, estamos disponíveis para servir a comunidade. Naturalmente no âmbito de um projecto devidamente estruturado e amplamente debatido. E só nesse caso. Até lá, façam o favor de nos desculpar. Tencionamos continuar a ser tão inconvenientes quanto possível. Sempre dentro da legalidade, da verdade, do respeito pela vida privada e da separação entre o político e o pessoal.

ASSIM VAI O PÂNTANO

Mete dó ver certas coisas por essa cidade fora. No final da semana passada houve uma chuvada mais violenta e foi o que se viu. Neste local caiu um veículo, devido a obras mal arremangadas. Veio-se então a saber que a autarquia não tem piquetes de urgência. Sempre fica mais barato. 48 horas depois vieram tapar o buraco. Mal. Em vez de descobrirem a laje do colector antigo e assentá-la novamente com cimento, limitaram-se a encher. Foi mais rápido. Mas se houver nova bátega, lá teremos outra vez o buraco. Já aconteceu na mesma rua, cá ao cimo. O que vale é que em Maio as bátegas de água são raras.

Taparam o buraco tão à pressa, tão a despachar, que nem se lembraram de levar os sinais, antes colocados no cruzamento com a Rua Infantaria 15. Já hoje é 4ª feira e o espectáculo é este. Para os moradores não incomoda nada. Já estão habituados a coisas assim. Os que vêm de fora é que se lixam. Neste caso nem chegam a saber se é sentido proibido ou se podem avançar. Mais uma maravilha nabantina.

Importante mesmo é melhorar as condições de trabalho dos senhores autarcas e funcionários. Sobretudo dos últimos. Somos, que se saiba, a única cidade com centro histórico onde qualquer obra de recuperação obriga a instalar umas quantas caixas no exterior. À mercê dos vândalos e da curiosidade doentia. Principais beneficiários, os funcionários encarregados da leitura dos contadores, na verdade uma tarefa exigente, árdua, cansativa, extenuante mesmo. E que exige boa embocadura e melhor estômago.
Dado que, como bem viu Camões há 500 anos, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", um dia destes vai-se a coligação laranja rosada e vá de acabar com as caixas e caixinhas exteriores, que são uma desgraça em termos estéticos. Vale uma aposta ?

Onde a autarquia mandou fazer um excelente trabalho foi nos terrenos anexos ao antigo estádio, agora campo de treinos mal amanhado. Colocar ali um redil, ainda por cima laranja, foi uma autêntica jogada de mestres. Agora só falta instalar os dois rebanhos -o de extrema-esquerda e o de centro-direita. Os pastores já lá estão, ao fundo à esquerda, a aguardar o que há-de vir. E relvas há por ali com fartura. O ideal para rebanhos de gado manso e pachola.

terça-feira, 20 de abril de 2010

UM PAÍS DE DOIDOS

Ilustração copiada do blogue O Jumento, com a devida vénia e os nossos agradecimentos.

Ilustração copiada do blogue O Jumento, com a devida vénia e os nossos agradecimentos.

"Sabe quantos serviços de finanças há em Portugal ? Cerca de 370. Sabe quantos há em Espanha ? São apenas 70. ... ...
... ... ...
Sabe quantas consultas dava em média o SAP de Valença ?... ...Nada mais que uma média de 1,7 doentes por noite... ... ...
Este é um país de doidos. Tesos mas doidos na hora de gastar o dinheiro dos contribuintes. ... ... Os do norte querem as SCUT porque se dizem discriminados em relação aos do sul. Os do Porto querem uma Casa da Música porque os de Lisboa têm o CCB. Os do Algarve querem a Via do Infante à borla porque os das Beiras têm o mesmo benefício. É uma escalada idiota de argumentação estúpida, de um país de loucos que estão convencidos de que devem ser os vizinhos que pagam a despesa.
Enquanto esta loucura colectiva se mantiver e for alimentada por políticos de baixo nível e sem escrúpulos, na mira de conseguirem os votos necessários para assegurar privilégios, duvido de que este país tenha concerto. (Poderá ter concertos; conserto não.) Por este andar não vamos precisar de recorrer ao apoio da senhora Merkel ou do FMI. Teremos de criar uma organização psiquiátrica nacional, habilitada a tratar países doidos."

Blogue O Jumento, 20/04/10

Nota de Tomar a dianteira
E ainda o nosso colega não ouviu falar dos paredões um e dois, ali junto à Ponte Nova. Nem do anunciado Museu da Levada, uma coisita para seis milhões de euros (1 milhão e duzentos mil contos) + mais as usuais alcavalas. Só ! Uma ninharia, em suma. Com um brilhante e frutuoso futuro à sua frente, como é fácil de antever.
O que vale é haver um serviço de psiquiatria no Hospital de Tomar. Evita-se a viagem para Abrantes ou Torres Novas. Do mal o menos.

CAUTELA E CALDOS DE GALINHA...

PÚBLICO 20/04/10, página 22 (Clicar sobre a imagem para a ampliar)

Sacadas previamente as informações tidas por convenientes, não se apurou que o jornalista Idálio Revez, o jornal Público, ou Belmiro de Azevedo, seu principal accionista, sejam inimigos declarados ou encapotados do União de Tomar. Afastado assim tal impedimento, resolvemos publicar esta local do citado periódico, por nos parecer particularmente oportuna para os leitores deste blogue. Sobretudo para os senhores autarcas mais impulsivos e/ou eufóricos.
Por razões óbvias, não faremos mais qualquer comentário, para além do necessário apelo à cautela, que outros chamam prudência. Lá diz a sabedoria popular, apoiada em milhares de anos de experiência prática -"Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém". Na política, os amigos de hoje são os inimigos de amanhã. E vice-versa.

MAZELAS TOMARENSES - MONOS MUNICIPAIS

Foto 1

Foto 2

Foto 3

Foto 4

MONOS MUNICIPAIS

Há-os por todo o lado e em todo o país (e no estrangeiro também). Neste caso, porém, merecem especial destaque porque são demasiados, porque já existem há muitos anos e porque são municipais. Estamos a falar de monos, o mesmo que mercadorias que não encontram compradores e que ninguém quer. Assim tipo ex-Convento de Santa Iria...
A foto 1 mostra aquilo que podemos apelidar de "Mono misterioso". Edificado aquando da empreitada dita de requalificação, mas que afinal acabou por desfigurar gravemente o tradicional Mouchão, tão do agrado dos tomarenses de berço ou de opção e dos visitantes, nunca os senhores autarcas julgaram útil explicar-nos para que serve ou virá a servir. O que significa que votaram um projecto sem terem consciência daquilo que estavam a fazer. Atitude criticável, pois se nenhum autarca é obrigado a saber ler projectos, mandam a decência e a honestidade que tenha a humildade de pedir esclarecimentos, de forma a poder decidir sabendo o que está em causa. Neste caso, resta-nos a pergunta venenosa: Não tiveram coragem para enfrentar e desagradar ao chefe Paiva, não foi ? Então agora aguentem-se !
A ilustração 2 é do "Quiosque Pirilampo": Alguém da autarquia, a dada altura, provavelmente numa noite de insónia, teve uma ideia luminosa, tipo rabiosque de pirilampo. -Um quiosque ali no jardim da Várzea Pequena é que era ! Mostra-se obra feita e os contribuintes pagam e não bufam. Não serve agora para nada ? Paciência ! Deixem-no estar que fica mais mais barato do que removê-lo.
A ideia de ajudar um munícipe deficiente esteve na base do quiosque da foto 3. Já lá vão quase trinta anos. Como o tempo passa ! Também neste caso, deixar estar é mais em conta do que remover. Mas se actual maioria fosse realmente "despachada", entre outras coisas, já teria providenciado no sentido de o alugar à J. C. Decaux, para afixação de cartazes. Ou até a um partido político, para propaganda e esclarecimento permanente...
Finalmente, na foto 4, um exemplo perfeito da actual política camarária, mera continuação da de António Paiva. Junto a prédios valiosos que foram oferecidos à autarquia, e que se degradam irremediavelmente de dia para dia, por evidente falta de manutenção, obras de tipo faraónico, cuja utilidade e prioridade não são nada evidentes.
Gostaram tanto do primeiro paredão que já estão a fazer outro. Quando lhes entrará nas respectivas monas que aquilo é praticamente inútil ? Se as cheias não entrarem por ali, entram pela Levada. Ou pela Várzea Pequena...
Bem andaram os responsáveis da ECOEDIFICA que já aproveitaram o primeiro troço edificado do novo paredão para, à boa maneira portuguesa, improvisarem um refeitório para os trabalhadores. Com vista para o rio e tudo ! Agora só faltam as canas de pesca.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O SEGREDO É TRABALHAR...

Teve forte impacto na traumatizada e triste comunidade tomarense a entrevista de António Rodrigues, presidente da câmara de Torres Novas, ao programa "Directíssimo", da Rádio Hertz. E compreende-se que assim tenha acontecido. Começando por afirmar que "O segredo é trabalhar, como em tudo", o autarca torrejano foi alinhando um discurso claro, estruturado, amadurecido e convicto, numa linguagem despida da usual roupagem gongórica, ao alcance de todos. Enunciou cinco grandes objectivos para este mandato, que será o último; fez comparações implícitas com Tomar; considerou a nossa cidade como a mais rica do distrito em termos de património; lamentou a nossa falta de acessibilidades; condenou a destruição do estádio, que considerou fazer parte da memória colectiva do distrito; acabando por explicar como tem conseguido fazer face à crise económica e desenvolver Torres Novas.
Sobre as acessibilidades foi claro: Tomar "perdeu o comboio" quando a A 23 lhe passou demasiado longe e mesmo o IC3, passando onde passa, "quase que valia mais não ter sido feito". Para ele, não será tão cedo que vamos conseguir ultrapassar estas evidentes desvantagens competitivas.
Falando da situação financeira da autarquia vizinha, referiu duas situações. Uma é praticamente sem solução, mais valendo passar uma corda à volta do pescoço e pendurar-se. A outra é a de Torres Novas -Descontando os enormes investimentos em obras, tem um saldo estrutural positivo anual de 2,5/3 milhões de euros, entre as receitas e as despesas. Educado, escusou-se a referir quais as autarquias que teimam em ter, anos a fio, mais despesas do que receitas, saldos negativos por conseguinte. Mas se meditarmos no facto de saber muito bem a que auditório se estava a dirigir, só um néscio não atingirá onde pretendeu chegar...
Para não alongar demasiado, que o pessoal está todo farto de palavreado barato, concluímos com algumas das frases que nos parecem mais significativas e úteis para os autarcas e os eleitores desta zona, caso pretendam realmente secar o pântano nabantino e iniciar vida nova, rumo ao progresso.
"Fui buscar investidores, empresas, à Inglaterra, à Bélgica e a Espanha." "Não podemos estar à espera que chovam notas de mil; temos de as ir procurar." "Não é possível haver cidade criativa se não houver emprego." "A programação do Teatro Virgínia é feita numa óptica de investimento." "A cultura e o desporto, sem emprego serão um drama." "Torres Novas tem menos desempregados que Tomar ou que Abrantes." "Estamos num concelho onde a votação no Bloco de Esquerda chegou aos 17%."
Será preciso escrever mais sobre o assunto ? Julgamos que não. Todos aqueles que não se recusam a aceitar a triste realidade, já estarão elucidados. Os outros... bem os outros é melhor deixá-los na milenar paz das múmias. Para que não possam alegar, respeitando a verdade, que exageramos na má-língua, quando afinal, como é o caso, até os autarcas vizinhos já nos vêm dar lições...Tempos difíceis, tempos de decadência, tempos de vergonha para Tomar e para os tomarenses ! E quem não se sente...

domingo, 18 de abril de 2010

A MÁ QUALIDADE DO COSTUME...

A litania é geral. Dos especialistas de topo aos mais modestos jornalistas de província, todos concordam que, no turismo como no resto, sem qualidade nada feito. Até o Algarve já está a sofrer as nefastas consequências do desmazelo. Segundo os últimos dados, desde há 10 anos que o total anual de turistas estrangeiros vem diminuindo. Outro tanto acontece no Convento de Cristo, onde o fluxo de visitantes, em vez de aumentar, diminui. Tudo por manifesta falta de qualidade e de vontade.
A local acima reproduzida, da página 26 do DN de hoje, é mais um mau exemplo de tal estado de coisas. Foi certamente redigida por algum serviço tomarense de promoção turística, presuntivamente municipal, pois os barcos são de iniciativa autárquica e o Público publica uma notícia muito semelhante. Por conseguinte, trabalho tomarense de redacção. Péssimo, diga-se em abono da verdade. A foto é um caso nítido de publicidade enganosa, visto que os barcos não navegam por ali, mas da parte de baixo do açude. Não se informam os leitores sobre os melhores percursos para chegar a Tomar, nada se lhes diz sobre locais pagos e/ou gratuitos para deixar o carro e, sobretudo, cai-se no ridículo de escrever que "o ponto de partida é no cais, onde poderão comprar-se os bilhetes". Mas então o ponto de partida de qualquer barco, grande ou pequeno, não é sempre no cais ? É sim senhor ? E como se chama e onde fica este anunciado cais? No Flecheiro ? Na Arrascada ? No Mouchão ?
No fundo, estamos ante mais um resultado de alunos formados no ensino que temos. Que noticiam com alguma frequência a venda de um "quartel militar" ou o traficante que surpreendido pela polícia "saiu para a rua e fugiu". Teve foi azar. Alvejado por dois tiros disparados para o ar, veio a falecer no hospital local, vítima "de paragem cárdio-respiratória", de acordo com a fundamentada e esclarecedora declaração médica. Curiosamente, ou talvez nem tanto assim, nunca vi um quartel civil, nem alguém alguém sair para dentro de casa. E tenho até a certeza, apesar de não saber ainda quando, que vou morrer infalivelmente de paragem cárdio-respiratória. Só fica por determinar, além do momento exacto, a causa ou causas da aludida paragem.
Convirá acrescentar que a evidente falta de qualidade está presente e a aumentar a grande ritmo, em todos os sectores da micro-sociedade tomarense. O exemplo recente mais gritante é a situação praticamente sem retorno do União de Tomar e a posição dos respectivos dirigentes e dos senhores autarcas. Todos proclamam, uns por umas razões, outros por outras, que pretendem salvar o velho clube tomarense, porque mais isto e mais aquilo. Nem uns nem outros, porém, têm qualquer projecto consistente sobre a questão. Por isso vão adiando, pois não sabem o que fazer, quando fazer, como fazer e para que fazer. Oportuno e maquiavélico como quase sempre, o vereador Luís Ferreira foi rápido e eficaz a atirar a batata quente para as mãos dos fantasistas dirigentes do clube, bem como autarcas a ele estreitamente ligados. "Cabe ao União dizer à Câmara o que pretende que se faça, para então podermos decidir", disse o autarca PS na última reunião do órgão. Está bem visto sim senhor. Mas incompleto. Falta que os cidadãos eleitores e contribuintes se manifestem. Porque é muito fácil afirmar que a maioria da população é a favor. No demonstrar é que reside o problema...
Por outro lado, a argumentação simplista e demagógica, que consiste em apodar de inimigos do União todos os que não concordam com mais ajudas da Câmara, poderá ser muito tentadora mas já não cola. O que se passa é que os adeptos ferrenhos do clube falam com o coração, enquanto que nós nos apoiamos na razão. E a razão obriga a dizer, em linguagem popular bem conhecida, "Quem não tem dinheiro, não tem vícios !"
Faria algum sentido gastar no desporto ou na cultura, meios que fazem tanta falta na limpeza, no saneamento, na recolha de lixo, na assistência social, ou na educação ? Primeiro o essencial. Só depois o supérfluo.
Enquanto assim não for, nunca mais vamos saír da cepa torta ou parar de definhar. Por isso, já basta o que basta !

sábado, 17 de abril de 2010

MAIORIA AUTÁRQUICA À PROVA D'ÁGUA ?

Foto 1 - Apesar das obras recentes (Ou por causa delas ?), após a forte bátega de hoje, uma parte da Corredoura ficou transformada em piscina. E alguns comerciantes da zona é que asseguraram os necessários e urgentes desentupimentos de sargetas e outros sumidouros...

Foto 2 - Ao fundo Rua Aurora Macedo, o condutor deste veículo foi vítima de obras recentes, visivelmente mal acabadas. A água da chuva provocou a abertura de um buraco, seguida de abatimento de uma parte do piso.

Foto 3 - Na Levada, com ou sem novas obras de saneamento, o panorama é sempre o mesmo desde há dezenas de anos. Que ricos técnicos projectistas que nós temos ! Ou terá sido só falta de adequada limpeza ?

Foto 4 - Enquanto o vereador responsável, no seu fato de trabalho, fala ao telemóvel, dois bombeiros mostram serviço e um comerciante da zona, devidamente equipado com botas de borracha, vai procurando resolver o problema. Tudo como habitualmente...

Fotos Tomar a dianteira/AS

No tempo do serviço militar obrigatório e da guerra em África, dizia-se que só se ficava a conhecer bem um militar após a sua primeira prova de fogo -o baptismo de fogo. Os que também por lá andaram sabem bem de que estamos a falar. Da mesma forma, pode-se dizer que só se ficam a conhecer bem os autarcas da maioria após a primeira prova de fogo, neste caso de água.
Como os nossos usuais leitores bem sabem, parafraseando o saudoso cabo de forcados Manuel Faia, os autarcazitos até são bons, os gajos do tomar a dianteira é que é só má-língua. Dizem os portadores de óculos partidários laranja ou rosa. A miopia tem destas coisas.
Vai-se a ver e logo a primeira bátega de água mostrou quem diz a verdade aos cidadãos eleitores. Há mesmo falta de adequada manutenção da rede de sargetas e outros sumidouros; as recentes obras de saneamento e requalificação do piso, em vez de melhorarem, só vieram agravar a má situação anterior; não há pessoal camarário qualificado nem suficiente para assegurar de forma eficaz a limpeza urbana. Há, por conseguinte, funcionários a mais e trabalhadores a menos.
Quanto à tal maioria coligada, apenas estão interessados em mais um paredão, pretensamente anti-cheias, desta vez junto à moagem; nos arranjos e novos parques de estacionamento junto ao Castelo; na ligação ao Castelo através da Mata; na ajuda eventual ao União de Tomar; na "coltura" e no "tourismo" (sem qualquer ofensa cabeçal). Os eleitores que se lixem, (pensam eles à socapa) de preferência com lixa da mais grossa, pois como é sabido, convém tratá-los mal, para depois mais facilmente lhes sacar os votos, em virtude do velho e bem conhecido adágio "Quanto mais me bates, mais gosto de ti." Comprende-se esta atitude, ao mesmo tempo muito viril e displicente. Afinal os autarcas a tempo inteiro recebem mensalmente verdadeiras misérias, quando comparados com o Mexia. E a verdade é que, embora não fazendo grande coisa de forma acertada, mexem-se muito mais e melhor do que o Mexia. Aqui em Tomar, claro ! Na capital a música é outra.
De qualquer maneira, uma flagrante injustica, sem sombra de dúvida. E é assim que pretendem que a autarquia arranje, debata e implemente medidas tendentes a ultrapassar a crise ? Não queriam mais nada!!! Cada concelho só tem os autarcas que elegeu e que portanto merece.
À laia de conclusão, podemos dizer que esta inopinada bátega de água primaveril apenas veio confirmar aquilo que já sabíamos: Temos uma circunstancial maioria autárquica à prova de água, o que não supreende posto que sempre têm demonstrado serem impermeáveis às críticas e às sugestões. Há, porém, um óbice de monta -Conquanto impermeáveis e à prova de água, os senhores autarcas não são inoxidáveis. Gostariam de ser, (e alguns até assim se consideram), mas não são de forma alguma. Por isso, daqui até 2013, se lá conseguirem chegar unidos, a corrosão e a ferrugem terão cumprido a sua missão. Oxalá cá estejamos para assistir e comentar. Apostamos desde já que vai ser bem divertido.