sábado, 29 de agosto de 2009

PALAVRAS E FACTOS

Clique sobre o documento para o ampliar
Agora que se avizinham as autárquicas, é cada um para si. Toda a oposição ataca a maioria PSD, designadamente por não praticar uma gestão transparente, e estar atascada em dívidas. Acontece, todavia, que se os sociais-democratas não gostam muito de revelar detalhes das suas opções políticas, a oposição faz outro tanto. Há até forças políticas, representadas no actual executivo, que defendem o orçamento participado, mas se esqueceram até agora de trazer ao conhecimento dos eleitores, como era sua obrigação, informações sobre a situação económico-financeira da autarquia. Uma vez que o não fizeram, se calhar por entenderem, conjuntamente com a maioria autárquica, que não são coisas da conta da arraia-miúda, fazêmo-lo nós.
Temos assim que, em 24 de Setembro de 2008, os encargos financeiros municipais previstos para 2009 eram de 2 milhões, 775 mil euros, correspondentes a amortizações e juros duma dívida global de 28 milhões, 356 mil euros.
Dado que entretanto, se não erramos, houve mais empréstimos contraídos, o total destes deverá andar presentemente à roda dos 40 milhões de euros, para uma receita corrente de 30 milhões, 892 mil euros.
Para os eleitores tomarenses poderem comparar, o presidente da câmara do Porto, que é economista e militante do PSD, declarou esta semana que, se fosse governo, limitava os empréstimos camarários a metade das receitas correntes. Ou seja, no caso tomarense, uma dívida máxima à banca de menos de 16 milhões. Temos assim uma situação assaz delicada, posto que, com as receitas correntes a baixarem, e as despesas correntes a aumentarem, não se vislumbra como poderá a autarquia honrar os seus compromissos durante o próximo mandato, sem proceder a cortes severos na despesa.
E a oposição ainda não achou oportuno debater tal assunto com os eleitores, apesar de já constar por aí que o Município atingiu o limite legal de endividamento... Eles lá sabem porquê. Uns e outros.

9 comentários:

Anónimo disse...

Ainda na última reunião de Câmara os Independentes apresentaram um requerimento a solicitar informação sobre a situação financeira da Câmara a 30 de Junho de 2009.

Sebastião Barros disse...

Lá estamos nós a tentar virar o bico ao prego! Importam-se de esclrecer quando e onde é que publicaram e/ou comentaram, PARA OS ELEITORES, a situação financeira da câmara? Porque é aqui é que bate o ponto. O resto não passa de música de embalar...

Anónimo disse...

Oh Tó e que tal explicar à arraia miúda o que quer dizer cada uma das rubricas desse quadro. Não dizes que és economista? Então explica lá à malta ou liga ao P. Marques que ele ajuda-te. Se quiseres o contacto dele é só pedires.
Essse quadro é complicadíssimo para a plebe. Será que consegues trocar por miúdos o conteúdo de cada uma das rubricas ou também viras o bico ao prego?

Sebastião Barros disse...

Para 0:24

Convém respeitar minimamente a linguagem.Vira-se o bico o prego quando estamos a falar do Norte, por exemplo, e o interlocutor começa a responder falando sobre o Oeste. No seu caso, trata-se antes e claramente de um esboço de prepotência. Nada mais que uma tentativa vã para estabelecer a agenda deste blogue, competência que naturalmente cabe só aos seus administradores. E da qual não abdicaremos em circunstância alguma.
Indo ao assunto -Quem lhe garantiu que o orçamento camarário é complicadíssimo? Não será apenas, da sua parte, uma subtil tentativa de dar a entender que se nunca foi mostrado à generalidade dos eleitores, foi apenas por se entender que eles não iriam perceber patavina? A ser o caso, e tudo indica que é, convém lembrar que já o Salazar dizia que não podia haver democracia em Portugal porque o povo não estava preparado para isso. Tem-se visto.
Deixando mais este exemplo de que os maus dançarinos alegam sempre que dançam bem, o chão é que é torto, vejamos então o tal orçamento. O que é que os eleitores não compreendem? Receitas? Despesas? Aquisição de serviços? Horas extraordinárias?
Empréstimos? Amortizações? Período de carência? É claro que não. Hoje em dia, uma larga camada populacional entende perfeitamente tudo isso.
Há depois coisas mais específicas, em linguagem mais hermética. Por exemplo "Abonos variáveis e eventuais", "Outros serviços", "Outros suplementos e prémios", mas isso qualquer funcionário sabe o que engloba e para que serve em geral -para dissimular o que se pretende que não seja demasiado evidente.
Sobre a sua ideia de ligar ao P. Marques, pergunto-lhe -A que propósito? O ex-presidente terá certamente qualidades, como todos nós temos. Nunca constou, porém, que fosse um ás em economia autárquica, nem ele alguma vez disse tal coisa. Por outro lado, o tipo de gestão que adoptou durante os seus dois mandatos, está longe de poder constituir um exemplo positivo nos tempos que correm. Opacidade, poder pessoal, ausência de planos a médio e longo prazo, evidente falta de serenidade, deixar-se influençar por terceiros em sectores sensíveis, nunca foram, não são, nem nunca serão práticas aceitáveis ou úteis para as populações. Entretanto ele já mudou? A ver vamos. Mas por enquanto ainda ninguém o ouviu dizer publicamente que errou e muito, quando exerceu o mando na autarquia. E sem isso...

Anónimo disse...

Sr. "Sebastião Barros".

Na sua resposta alude ao facto de o orçamento camarário não ser complicadíssimo. Creio que sim e acompanho-o nas suas razões.

Mas...

O que temos em presença é o mapa de encargos financeiros da autarquia e da utilização dos capitais contratados. Não se faça confusão.

Anónimo disse...

O que me parece mais interessante neste mapa é o facto de estar prevista uma contratação de novo empréstimo no valor de mais de cinco milhões de euros.

Sebastião Barros disse...

Para Xao Xen Dai:

Agradecidos pelo seu alerta. Por aqui ninguém fez confusão. Decidiu-se, para já, publicar a quilo que mais interessa aos eleitores -as dívidas. O resto virá a seu tempo. Por exemplo isto: "02 02 17 Publicidade 250 mil euros" = 50 mil contos. Apetece perguntar -SÓ ?!?!

Anónimo disse...

Eu sei que por aí não se faz confusão mas há quem faça, e rigor nos termos é como o caldo de galinha, nunca é em excesso nem nunca fez mal a ninguém.

Pensamentos soltos disse...

Para mim o que me faz confusão é como há gente capaz de "aceitar" esta estravagãncia toda. Será que por serem políticos tem luz verde para "derreterem" o que quiserem? Mas não há um mínimo de contenção, estes fulanos nem um T3 sabem gerir, EU SEI PORQUÊ, é muita gente a pagar!